Notas iniciais
Cuidado: Cenas fortes! e.e

Versão – Lucas

Desci a estrada para chegar até Taine, estava orando para que ela não ficasse muito machucada, não queria que ela fosse mais uma das pessoas mortas, passamos por muita coisa para de repente ela morrer? Isso era injusto.

Cheguei na área e descobri que foi ali que Taine tinha caído, pois eu olhei para cima e vi o barranco onde tudo aconteceu. Tentei olhar ao redor e vi ela caída no chão, me aproximei dela e vi que ela estava caída em cima de uma pedra, ela bateu a cabeça, pois o sangue escorria nela.

Me ajoelhei ao lado dela e comecei a passar a mão em seu corpo:

– Taine, Taine pelo amor, acorda! – comecei a lamentar, ela estava morta!

Do nada ela movimentou o seu braço direito e eu segurei:

– Taine, você vai ficar bem, vou fazer alguma coisa pra que não fique assim...

Eu já ia levantando mas o som de Taine me fez desistir:

– Lu...- dizia com muita dificuldade e pouco som – Lucas...você vai me prometer...que...que não vai fazer as coisas...sem....sem pensar antes.

– Taine por favor, pare com isso, não vou prometer nada, você não vai morrer.

– Prometa Lucas...por favor...- ela deu um suspiro – me prometa logo.

– Tudo bem Taine eu prometo, essa promessa é meio que esquisita para esse momento mas eu prometo cumprir.

Taine levanta uma parte dos seus lábios para demonstrar um sorriso: — Lucas, cada...momento que passei com você foi ótimo. Saiba disso...

– Não fale assim Taine, você vai viver muito mais, vamos sair daqui e...- minha fala foi interrompida quando o braço de Taine ficou mole e sua mão foi ao chão. – Taine...- comecei a mexer no corpo dela – Taine acorda...Taine! – botei o meu ouvido abaixo do seu peito esquerdo e percebi que seu coração não batia mais. Ela tinha morrido. Chorei aos prantos.

Versão – Iasmim

Eu fiquei transtornada com que eu tinha visto. Um homem que aparentava ter uns 50 anos que usava uma camisa branca rasgada, uma calça marrom também rasgada, um chapéu de cowboy e na cintura uma bainha que guardava um facão, estava estrangulando Taiane com a maior força possível, mas ele reagia de uma forma tão normal como se estivesse acariciando ela. Taiane estava melhorando mas não tinha forças para levantar ainda, então o mínimo que ela conseguia fazer era bater as pernas e tentar gritar por ajuda, mas a mão do homem na boca dela a impedia de pedir socorro.

– Ela está matando Taiane! –gritei para a turma, estava chorando mais que o normal.

– Está louca Iasmim – disse Marcelo com raiva – quer que ele venha pra cá?

Ouvimos uns passos se aproximando da casa, era ele. Realmente naquele momento meu coração começou a bater mais rápido e forte, minha respiração estava anormal e minhas pernas não se moviam, me senti uma aleijada.

– Vamos ter que sair daqui! – disse Talita nervosa – vamos sair pelo fundo.

Olhamos para a parede da sala e percebemos que não tinha porta para ir ao fundo da casa, nem ao menos janela. Na verdade a casa era só a sala principal que ligava o banheiro, quarto e a bendita cozinha.

– Ferrou – disse Michel olhando para a gente depois de ter procurado alguma outra porta.

Ficamos todos juntos quase que apertados morrendo de medo, mas nos separamos na hora em que a porta se abriu.

– Olá crianças...- disse o velho num tom de alegria, ele estava com uma mão nas suas costas e a outra segurava o facão melado de sangue.

Nós encaramos ele com o maior medo, eu mesma estava paralisada ao vê-lo.

– O que você fez com a Taiane? – Marcelo se encorajou.

O homem focou o olhar para Marcelo por uns segundos, estávamos perto de correr, mas daí ele respondeu: — Então ela se chama Taiane?

– É moço...- decidi falar – o que você fez com ela?

O homem olhou pra mim, me deu muito medo, parecia o olhar de uma fera olhando para uma presa. Ele ergueu seu facão e respondeu: — Que tal perguntar para ela? – ele tirou seus braços que estavam nas costas, vimos que ele segurava a cabeça de Taiane, estava decepada. Ele apontou com o facão para a cabeça dela.

– Não! – gritamos. Talita tampou os olhos e Michel olhou para baixo. Eu e Marcelo ficamos olhando aquela atrocidade, ele segurava apenas a cabeça de Taiane! E os olhos dela estavam abertos fixando o olhar para a gente, parecia estar viva, foi um horror!

– Meu Deus, Taiane! – gritei e comecei a chorar.

– Você é um doente mental! – gritou Michel com a maior raiva indo em direção do monstro, mas eu o peguei pelo braço.

O homem esperou Michel acabar com seu espetáculo e voltou a falar: — Taiane...você sabe o que te fizeram? – perguntou ele para a cabeça, ele então respondeu afinando a voz para imitar a voz de uma menina e girou a cabeça para a sua direção – eu acho que me caçaram porque eu sou almoço hoje! – ele girou a cabeça de Taiane para a nossa direção e continuou falando com a voz afinada – e parece que vai ter muita comida hoje! – ele levantou o facão para nossa direção.

Versão – Lucas

Fiquei afastado de tudo por alguns minutos, comecei a pensar sobre o que naquele momento poderia estar acontecendo se não houvesse o acidente: eu estaria com meus amigos na praia, rindo, tirando fotos, seria tudo de bom. Mas na realidade eu estava numa mata sozinho, com o corpo de Taine a 10 metros de mim, com Paloma perdida passando sei lá o quê, Marcelo e Iasmim com Taiane doente, Michel e Talita não sei onde...estava tudo bagunçando. E sem falar que estava com coceiras por andar nessas matinhas cheio de mosquitos, além de estar com muita fome. Taquei uma pedra no rio de tanta raiva e decepção que estava. Poderia estar doente hoje para não ter vindo para a viagem, Edimaria teve sorte!

Parei para olhar o rio e vi uma tive uma decisão. Peguei nos braços de Taine e a fui puxando em direção a correnteza, a empurrei e ela caiu no rio. Ela foi sendo levada para aquela correnteza que parecia não ter fim.

– Adeus Taine – disse acenando para ela – e juro que cumprir o que prometi – soltei uma lágrima. Agora tinha que parar de lamentação e continuar a minha luta pela sobrevivência.

Comecei a subir a ladeira da mata novamente e ouvi passos que parecia de um cavalo se aproximando, e obviamente fui seguindo aquele som, precisava urgentemente de ajuda, o som ia aumentando.

Passei por uma floresta e encontrei uma estrada, era a estrada onde a turma estava antes de se perder. Olhei para a direita e vi um jegue andando lentamente levando duas cestas e uma delas um sacolão preto, parecia estar cheio de coisas, e em cima do jegue estava uma linda mulher, linda mesmo. Estou ficando louco, ouvia som de cavalo correndo, e quando vejo é um jegue mais lento que uma lesma, estava delirando de tanta fome.

Entrei no meio da estrada e a mulher comandou o jegue a parar.

– Olá senhorita, você pode me ajudar por favor?

A mulher olhou para mim por alguns segundos e saiu do jegue.

– Mas é claro, você está perdido não é verdade?

– Isso mesmo senhora, quero por favor fazer uma liga...- fui interrompido com a fala da mulher, ela disse num tom totalmente diferente.

– Você é mais um da turma que me diz estar perdido.

– Como assim senhora? Como você sa...- fui interrompido com um grito desesperante que veio de dentro do sacolão preto que o jegue carregava:

– Socorro! Lucas você está aí? Me ajuda!

– Paloma?! – disse confuso. Eu olhei para o saco e depois foquei o olhar para a mulher, ela ficou com uma cara totalmente diferente depois que Paloma gritou, ela ficou olhando para mim com uma cara de “idiota, caiu na armadilha” ou algo assim. Não sabia com que tipo de mulher eu estava lidando.