Versão – Michel

O homem apontou o facão para a nossa direção, e se estávamos com medo, agora estávamos em pânico, aquele homem iria nos matar para sermos “galinha de almoço”.

– Não se preocupem – disse o homem olhando para cada um da sala – vou matar vocês de um jeito bem rápido, nem vão sofrer. A Taiane não sofreu...- apontou para a cabeça dela.

Iasmim se soltou: — Não sofreu? Eu vi ela lutando por sua vida lá fora, você é uma pessoa desprezível, um ser que não vale isso. – ela cospe no chão.

O homem se aproximou de Iasmim e lhe deu uma pancada na cabeça com a parte de trás do facão. Ela para o seu desabafo no mesmo momento e cai no chão inconsciente.

– Assim é melhor – disse o homem, ele se aproximou mais de Iasmim – e você vai ser a primeira que vai sair desse mundo...- ele levantou o seu facão com a ponta para baixo, fez parecer que segurava uma espada, estava pronto para matá-la. Olhei para o lado e vi Marcelo e Talita, eles não tiveram nenhuma reação, estavam traumatizados. Eu também estava, mas tinha que fazer alguma coisa. Foquei o meu olhar para o lado de fora da casa e gritei: — Não entra aqui! Foge Carlos!

O homem após me ouvir abaixou seu facão e olhou para a direção da porta, virando-se de costas para mim. No mesmo momento fui em direção a ele e apanhei o facão que estava em sua mão, joguei bem longe da direção dele e segurei suas mãos para trás, parecendo estar preso com algemas.

– Faz alguma coisa Marcelo! – reclamei tentando segurar o máximo que pude as mãos daquele homem, ele estava se mexendo muito e eu estava soltando aos poucos as mãos dele.

Marcelo olhou para a esquerda e a direita tentando saber o que iria fazer para acalmar aquele ogro. Foquei meu olhar para as minhas mãos, eles estavam suados e as do homem também. Escorregou uma mão dele da minha, depois ele conseguiu se livrar da outra com um tapa que ele me deu.

Eu cai sem enxergar nada, mas depois consegui levantar meio zonzo. Ele virou-se para mim e começou a apertar meu pescoço, do nada não conseguia respirar, estava agoniado.

– Acho que só você merece morrer com sofrimento... para aprender a não mentir...principalmente para mim! – disse ele apertando com mais força.

O mínimo que conseguia era tentar bater com meus braços no peitoral dele, mas comecei a perder minhas forças e fui fechando os olhos. Estava quase ficando inconsciente por falta de oxigênio. Mas minha via respiratória foi liberada depois que uma mão tacou algo com força na cabeça do homem. Ele caiu desmaiado e vi que Marcelo estava atrás dele.

– Marcelo! – tive uma crise de tosse – o que você tacou nele?

– Eu só consegui ver um vaso de vidro na sala para poder jogar nele... – ele olhou para o cara desmaiado — e acho que funcionou.

Botei minhas mãos no joelho e comecei a respirar fundo, precisava recuperar o ar que tinha perdido. Ouvi a voz de Talita, olhei em direção e vi Talita ajoelhada querendo acordar Iasmim:

– Acorda Iasmim! Pelo amor de Deus...não vá embora também... – disse Talita chegando ao ponto de abrir os olhos de Iasmim. Felizmente ela reage:

– Gente... – disse Iasmim voltando a si – a Taiane...- ela olha para o chão e vê a cabeça de Taiane no chão, a face dela se encontrava com o de Iasmim, ela surtou – Meu Deus! Socorro! O cara vai me matar, não quero morrer, não quero morrer! – gritava ela desesperada.

Me ajoelhei e coloquei minha mão na boca dela, fazendo-a calar:

– Não grite Iasmim. – disse quase sussurrando – se não ele pode acordar...- olhei para a direita e vi o ser dormindo feito um bebê, parecia um anjo.

Ajudei a levantar Iasmim e ficamos pensando que nos iriamos fazer. A única opção que tínhamos era fugir, sair daquele lugar. Aquela casa era um suporte, mas tinha um homem desacordado que quando acordasse mataria todos nós.

– Que tal matarmos ele? – perguntou Talita. Ela falou de um jeito tão normal, como se a ideia fosse a solução dos problemas.

– Claro que não né Talita... – Respondi seriamente.

Marcelo se pronunciou: — Se matarmos nós vamos ser culpados, e também não quero ficar levando culpa de nada.

– Mas ele matou a Taiane do jeito mais frio...- Talita se defendeu.

– Mas se matarmos ele, vamos demonstrar que somos iguais ou pior que ele. – respondeu Iasmim apontando para o desacordado.

– Então o único jeito é sair pela floresta novamente – falei.

– Então vamos ser rápido, acho que a pancada que dei nele não foi muito forte, daqui a pouco ele acorda – avisou Marcelo – vai alguém rápido pegar a sacola amarela que está na cozinha, botei alimento para gente e alguns remédios.

Fui na cozinha e peguei a tal sacola, depois olhamos para a cabeça de Taiane no chão e ficamos pensativos, Iasmim e Marcelo soltaram uma lágrima enquanto eu e Talita tínhamos conseguido segurar o choro. Saímos da casa e reparamos outra cena horrível: o corpo de Taiane continuava sentada na cadeira de balanço, com os braços apoiados na cadeira, parecia nos observar, só que sem a cabeça.

– Esse cara é um monstro...- disse num tom de nojo.

Andamos e estávamos perto de entrar naquela floresta, a gente estava nos arriscando novamente naquela floresta totalmente sem graça e tediosa. Mas quando estávamos perto de sair, ouvimos passos de um animal, parecia um cavalo.

– Gente tem alguém chegando! – disse Iasmim, já parecia que estava com medo.

– Vamos correr logo para a floresta. – disse Marcelo preparando-se para correr.

– Mas se for alguém bom? Ela pode nos ajudar! – disse Talita, nos fazendo ficar na dúvida de correr ou não.

– Já sei. – me manifestei, todo mundo falou então tinha que falar alguma coisa – vamos nos esconder na ferraria!

– Onde é isso? – perguntou Talita.

– Do lado da porta da casa, não sei se é uma ferraria, mas tem ferramentas lá não sei direito o que é, só sei que lá é meio apertado mas vai ter espaço para todo mundo.

Corremos em direção do depósito (ou sei lá o que) para nos esconder, enquanto isso o som dos passos ia aumentando a cada segundo. Foi a maior tensão naquele momento: na outra porta estava um cara psicótico dormindo e prestes a acordar, um corpo de uma conhecida decepada, e uma pessoa chegando na área sem ao menos saber quem era.

Entramos no depósito e fechamos a porta, estava tudo escuro, só tinha uma faísca de luz, onde um telhado transparente deixava a luz do sol entrar. Percebi que o buraco da fechadura era grande o suficiente para alguém pôr o olho e espiar o lado de fora:

– Alguém olha e ver quem é que está chegando. – disse com medo e alívio ao mesmo tempo, não sabia a mínima quem poderia ser.

Marcelo se dispôs a olhar e ficou uns vinte segundos observando, eu e os outros ficamos quietos esperando uma resposta dele.

– Estou vendo uma mulher...que é muito bonita... – disse Marcelo abobado.

Ele ficou quieto por alguns segundos admirando:

– Você pode dar mais informações, Marcelo? – reclamou Iasmim.

– Sim. Ela está chegando em cima de um jegue, cujo ele leva em cada lado um sacolão preto. Acho que é lixo.

– Ai até que enfim! – disse Talita aliviada – vamos pedir ajuda a ela.

Abrimos a porta e fui o primeiro a sair, estava bastante aliviado e feliz:

– Senhora, por favor, nos ajude! – disse quase que gritando.

– Tem um cara louco aí querendo matar a gente! – disse Iasmim quase louca.

A mulher parou e fixou o olhar para a gente e depois saiu de cima do jegue. Quando ela ia nos responder ouvimos os gritos de Paloma e Lucas, estavam roucos, com certeza gritaram na estrada toda.

Ficamos assustados. A cara que a gente estava de alívio, virou novamente de desespero.

A mulher tirou uma pistola que estava guardado em sua cintura e apontou para a gente:

– Queria ajudar, mas eu estou com muita fome. Peço que entrem no setor de alimento que se encontra atrás de vocês...AGORA !