Viagem para a perdição
7 Apenas invadindo
Versão – Iasmim
De repente parei de pisar em folhas de árvore e comecei a pisar em uma grama bem tratada e verdeada, era lindo.
– Meu Deus que lugar é esse!? – disse Marcelo com um tom assustado e feliz ao mesmo tempo, ele ainda apoiava Taiane em seus braços, ela não teve nenhuma reação ao ver aquela mansão, continuava pálida e com os olhos quase fechados.
O casarão era pintado na cor verde, com duas portas de vidro, as quais tinham na beirada a cor marrom, assim como as duas janelas que tinham na frente. Achei a casa linda pelo fato de nunca ter visto uma assim. A grama parecia não ter fim, forcei meus olhos e percebi algo grande, parecia um poço, e logo atrás dela tinha a floresta, aquela horrível floresta.
Eu avistei uma cadeira de balanço que estava na entrada da casa e disse: — Vamos deixar Taiane sentada ali – apontei para a cadeira e Marcelo assentiu. Fomos em direção à frente da casa.
Marcelo botou com cuidado Taiane na cadeira e esticou seus braços, estava realmente cansado de leva-la. Taiane estava com os olhos fechados, achei incrível ela até agora não ter morrido, acho que o veneno da aranha não era tão perigoso quanto pensávamos.
– Vou ver o que tem nessas três portas – disse Marcelo.
– Tudo bem – respondi. Marcelo se afastou e voltei meu olhar para Taiane, comecei a chama-la num tom baixo dando umas palmadinhas em seu braço. Ela não respondia. Parecia estar descansando por estar tanto tempo andando, até eu estava morrendo, tinha fome, sede, cansaço, tudo que se tem “com” antes eu tinha.
Olhei para trás e vi Marcelo botando suas mãos em cada porta de vidro e pondo sua testa, com certeza para ver melhor o que tinha dentro. Ele terminou sua tarefa e se aproximou de mim:
– Na última porta parece um depósito, vi uma mesa com ferramentas e outras coisas lá, tinha sangue também....
– Ai que horror. Sangue do que Marcelo?
– E eu vou saber!? – disse ele franzindo sua testa – na segunda porta tem uma sala, vamos bater e pedir ajuda. Eu concordei.
Chegamos na porta e vi uma sala linda, era espaçosa e toda forrada em tapete cor vermelha, e tinha moveis de estilo madeira, a pessoa que morava ali tinha um gosto clássico, pois não vi nenhuma televisão e nem rádio. Se minha casa fosse assim moraria numa floresta sem problemas.
– Iasmin? – disse Marcelo, fazendo eu acordar – Quem bate eu ou você?
– Não acredito que você tá com medo?! – preparei meus braços e bati na porta de vidro que fez um barulho oco, com certeza o barulho foi mais forte do lado de dentro. Ninguém veio nos atender. Bati novamente e esperamos um pouco e nada.
– Ai que droga! – gritou Marcelo batendo na porta com força que obviamente fez um barulho estrondo.
– Você tá maluco Marcelo? Se alguém nos atender vai ser para cobrar o que a gente tá quebrando – respondi.
– Quer saber, vamos embora, não adianta ficarmos aqui se ninguém vai nos ajudar, vamos para outro lugar.
– Mas...não podemos nos arriscar na floresta novamente, principalmente com uma doente...- falei apontando para Taiane, que continuava dormindo.
– Olha...eu não quero conversa Iasmim. O que adianta ficar aqui se vai dar no mesmo? Se você quer ficar aqui, vai ter que ficar sozinha, porque só eu que consigo levar Taiane. E eu vou agora mesmo.
Naquele momento já estava começando a ficar com raiva de Marcelo, mas por uma parte ele estava certo. Do que adianta está nesse lindo lugar, se o importante é o lado de dentro da casa e não de fora?
– Tudo bem...vamos – falei desanimada.
Quando ia saindo, reparei algo e avisei ao Marcelo.
– Marcelo...- disse num tom séria.
– O que foi Iasmim? – falou se virando e olhando pra mim.
Eu foquei meu olhar nele e pus minha mão na porta e empurrando com leveza, e ela foi abrindo lentamente fazendo um som de “porta se abrindo”.
Marcelo olhou para mim e depois viu a porta completamente aberta: — Meu Deus, estava aberta o tempo todo? – disse ele se aproximando de mim.
– Não sei. Acho que você arrebentou a fechadura quando você bateu na porta.
Eu e Marcelo botamos o pé no tapete vermelho, estávamos invadindo a casa de uma pessoa, sem ao menos saber quem é. Ficamos muito tensos.
– Ô de casa...- disse Marcelo lentamente. De novo não tivemos resposta.
– Não tem ninguém aqui Marcelo...- respondi num tom baixo, e fechando a porta sem fazer nenhum barulho.
Andamos por aquela sala e percebi que tinha três portas. À esquerda era um quarto, vi que dentro tinha uma cama de casal, a segunda era um banheiro e a terceira a cozinha, e todos os cômodos eram forradas com tapete vermelho, incrível!
– Vamos até a cozinha – disse Marcelo – lá deve ter comida e remédio, vamos.
Segui Marcelo e cruzamos a sala. Ao entrar na cozinha me espantei, era um cômodo pequeno e cheio de coisas, e bem no centro dela tinha uma mesa de jantar forrada com uma toalha plástica com desenho de flores, o engraçado é que o tecido ia até o chão.
– Alguém nessa casa não sabe medir toalha de mesa...- disse rindo. Marcelo olhou para a mesa e deu um sorriso dando uma resposta a minha piada.
Em cima da pia vi seis pães de sal passado na manteiga, estavam todos assados, não aguentei e fui em direção e comi um pedaço, eu mastigava e saia aquele som crocante de pão sendo esmagado, uma delícia.
– Nossa Iasmin, como tu é gulosa...- disse Marcelo enquanto mastigava o biscoito que viu no armário.
– Ei...- disse deixando o pão na bandeja – isso é um...- me aproximei do armário e peguei um frasco de remédios. Era um dipirona – Isso aqui é dipirona Marcelo, vamos dar isso aqui a Taiane, ela pode melhorar.
– Será que isso vai ser bom para ela?
– Quer se arriscar deixando ela sem remédio? Não né. Vai pega um copo com água que eu levo um comprimido e pão pra ela.
Quando íamos sair da cozinha ouvimos a porta se abrindo e depois uns passos se aproximando.
– Ei...meu Deus o que vamos fazer? – disse Marcelo se tremendo.
– Não sei! Não sei! – disse tentando falar o mais baixo possível.
Versão — Lucas
– Você...deixou Paloma sozinha? – disse Taine se afastando de mim.
– Taine, foi uma coisa do momento, entenda por favor.
– Eu tenho nojo de você Lucas...nojo! – disse ela com raiva, ela fez uma cara parecia que ia chorar de tanta raiva.
Fiquei muito magoado por Taine, logo ela, não me entender, logo ela que entendia minhas atitudes, meu jeito...abaixei minha cabeça para pensar, quando levantei vi Taine se afastando de mim, a vi de costas com as mãos na testa, parecia enxugar suas lágrimas, ela foi ficando longe até sumir de minhas vistas. Mesmo assim não tirei o olhar para o caminho que ela percorreu, estava pensando sobre meu erro de ter me confessado para ela, seria bem melhor se eu ficasse na minha.
Do nada ela voltou correndo em minha direção e não entendi o motivo, até ver um bicho correndo atrás dela, parecia um tatu, uma paca, não sei direito, só sei que era feio e parecia querer atacar Taine. Ela passou por mim e continuou correndo, agora o bicho estava correndo atrás de mim também. Comecei a correr com Taine.
– Você quer me ferrar também né Taine? – disse enquanto corria com ela.
Taine não respondeu nada, mas vi que ela riu, estava se divertindo com aquela situação, mas estava desesperada ao mesmo tempo. Taine começou a correr mais rápido e ficou na minha frente. Nem sei se o bicho estava correndo atrás da gente, mas eu não queria parar pra ver.
Mesmo assim não queria parar, para mim foi um momento muito divertido, sabia que aquele animal não iria comer nós dois, era um só um bichinho, mas corri para tentar assustar Taine, para fingir que aquele animal de pequeno porte era um carnívoro que estava morrendo de fome.
Ela corria bem na minha frente e eu não parava de rir, subimos uma ladeira e eu estava me segurando para não rir alto, queria saber qual era o limite da corrida dela, até que do nada Taine sumiu da minha vista, parei de correr e percebi que estava num barranco, Taine tinha caído.
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