Vestido
3 III - Missão
Notas iniciais
III — Missão
A cortina do provador foi aberta.
— Que lindo! — Exclamou Lucy.
— Ficou perfeito em você, Erza-san! — Disse Wendy.
— Não está muito exagerado? — Perguntou, segurando parte da saia do longo vestido preto.
— Está perfeito, dessa vez Jellal não escapa. — Comentou Cana enquanto tomava um gole de vinho de uma garrafa que Lucy não fazia ideia de onde tinha saído.
Erza, que estava em um relacionamento com Jellal há algum tempo, corou com a fala da amiga. Ela tentava inutilmente esconder o fato, mas todos na guilda já sabiam que os dois estavam juntos.
— N-não sei do que está falando. — Respondeu fechando a cortina para trocar de roupa.
— Até a Erza fica tímida quando o assunto é amor. — Disse Mirajane sorrindo.
Elas estavam sentadas em um grande sofá de uma loja luxuosa. Levy procurava um vestido em algumas das araras, enquanto Lucy, Wendy, Mira e Cana opinavam sobre os vestidos de Erza e Juvia. A cortina do outro provador abriu, revelando a maga de água em um vestido azul escuro longo, justo até as coxas, onde havia uma fenda que mostrava muito de suas pernas, além do decote enorme.
— Vestida para matar! — Exclamou Cana, fazendo um joinha.
— Juvia-san está muito linda nesse vestido! — Disse Wendy.
Todas elogiaram. Erza saiu do provador, com sua costumeira armadura, e também elogiou a maga de água. Juvia suspirou, olhando para para o tecido e passando a mão na saia do vestido.
— O que houve, Juvia? — Perguntou Lucy, notando o seu desânimo.
— Juvia não tem certeza se deveria comprar algo tão ousado… Juvia está um pouco desanimada para a festa. — Respondeu tristemente.
— Por que diz isso? — Perguntou Mira.
— Porque Gray-sama… Não importa o que Juvia faça… Nem o quanto Juvia se preocupe em ficar bonita… Gray-sama nunca olha para Juvia. — Seus olhos se encheram de lágrimas.
— Ah Juvia… — Mira abraçou a maga de lado. — O Gray é um idiota, mas nem mesmo ele conseguiria ignorar você nesse vestido.
— Ele é um cabeça dura, mas fica muito preocupado quando o assunto é você. — Falou Lucy.
— Vou ter uma conversa com ele. — Disse Erza, dando um soco na mão.
— Não faça isso, Erza-san! — Pediu Juvia. — Obrigada, meninas, mas não precisam se preocupar. Juvia só está cansada de esperar que Gray-sama dê a resposta que tinha prometido.
Cana deu um gole e se levantou, colocando uma mão no ombro da azulada.
— Juvia, você tem que fazer o Gray rastejar por você! Tem que fazê-lo implorar! — Falou com seriedade, deixando a garota corada. — Mude de estratégia, que ele vai comer na sua mão!
— Mu-mudar de estratégia?
— Sim! Ignore ele um pouco, seja ousada e vá com esse vestido na festa! Vamos te maquiar e fazer seu cabelo. Seja mais dura! — Incentivou. — Com esses garotos tem que ser assim. Não vê que a Erza só consegue controlar eles por meio da violência? Seja pulso firme com o Gray.
Juvia arregalou os olhos e ficou vermelha. Em sua mente, Gray estava sem camisa, ajoelhado no chão, enquanto ela pisava em suas costas com um salto alto e segurava um chicote nas mãos, esperando ele implorar para que ela o castigasse.
— Oh! Juvia não tem certeza se consegue fazer esse tipo de coisa! — Colocou as duas mãos nas bochechas, envergonhada dos próprios pensamentos.
— Pervertida! — Acusou Cana.
— Olha só quem fala! — Repreendeu Lucy.
Nesse momento, Levy voltou para perto das meninas.
— Lu-chan, olha o que eu encontrei! — Ela segurava um vestido amarelo muito bonito. — Acho que vou provar esse.
— É lindo Levy-chan! — Respondeu.
— Só falta você escolher um, Lucy. — Disse Mirajane.
— Estou bem assim, acho que não vou escolher nada hoje.
— Mas Lu-chan, e aquele que você estava olhando?
— Este aqui? Peguei ele lá atrás. — Falou Cana, entregando o vestido para a maga estelar. — Você estava babando nele desde que chegou.
— É lindo Lucy-san! Pelo menos prove!
Todas olharam para ela com expectativa. Ela suspirou, convencida, e foi até o provador. Vestiu-se com dificuldade, pois o fecho era de botões. Olhou-se no espelho e ficou encantada. Era quase branco, com a saia um pouco rodada e o corpete apertado, valorizando seus seios, todo trabalhado em pedrarias prateadas muito brilhantes. Era realmente um vestido lindo, parecia uma princesa nele.
Abriu a cortina do provador e todas sorriram quando ela apareceu.
— Uau Lucy! Ficou ótimo em você. — Disse Erza.
— Juvia achou perfeito!
— Você tem que comprar, Lu-chan.
— Da uma voltinha! — Disse Mirajane.
Estava um pouco acanhada com tantos elogios, mas deu uma volta. Quando virou, se deparou com o olhar malicioso de Cana. Aquilo não iria prestar.
— Han? Mas o fecho é de botões? — Perguntou.
— Sim, não é muito prático, mas…
— Assim vai dificultar um pouco as coisas pro Natsu. — Disse entre um gole e outro.
Suspirou, cansada. Começaria tudo outra vez.
— O Natsu nunca conseguiria abrir um fecho de botões. — Comentou Levy, risonha.
— Até você, Levy-chan! — Ficou indignada.
— Hee, se bem que… — Cana colocou uma mão no queixo, pensativa. — Existem muitas formas interessantes de se abrir um fecho desses.
Wendy corou até o último fio de cabelo. Naquele momento, a maga estelar teve certeza de que não tinha sido uma ideia nada boa sair com aquele grupo para comprar roupas. Elas estavam determinadas a insinuar coisas sobre ela e Natsu. E para deixar tudo pior, pensamentos nada decentes começavam a invadir sua mente. “É tudo culpa dessa pervertida da Cana!” Pensou consigo mesma.
— Já implicamos muito com a Lucy hoje, meninas. Vamos parar, certo? — Disse Mirajane.
— Obrigada, Mira. Mas de qualquer forma, não vou comprar mesmo. — Respondeu a loira, entrando no provador apressadamente e tirando a peça de roupa o mais rápido que conseguia. As amigas já tinham feito tantos comentários pervertidos que não conseguia parar de pensar em Natsu tirando aquele vestido. De várias formas.
— Mas Lu-chan, ficou tão lindo em você!
— Não tem problema gente, eu já tinha dito que Virgo iria me arranjar uma roupa para a festa.
A conversa fiada continuou pela tarde inteira. As garotas pararam com as insinuações, o que fez Lucy sentir-se realmente grata. Mas o estrago já estava feito e nada fazia com que ela parasse de pensar coisas absurdas e ficasse envergonhada da própria mente.
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A missão era bem simples: derreter a neve que cobria a loja de enfeites de natal mágicos. O dono, era um velho senhor que já não tinha tanta força física para encarar horas e horas no frio, retirando tudo com uma pá. Era uma missão fácil, mas não para Natsu, pois ele teria que usar toda a sua concentração para controlar a intensidade de suas chamas e derreter somente a neve. E todos sabiam que o Salamander não era conhecido por saber dosar coisas. Na verdade, o contratante ficou receoso quando reconheceu o mago, sabendo que ele era famoso por causar grandes prejuízos para as cidades, mesmo que sem querer.
Fazia horas que estavam ali, e o mago de fogo se esforçava para superar a inquietação que tomava conta de si, para terminar logo o trabalho e voltar para casa (lê-se: casa da Lucy).
— Natsu! Só falta essa parte para acabar.
— Certo, Happy.
Respirou fundo, concentrando sua magia e tomando o cuidado de não torná-la forte demais. Derreteu calmamente (palavra não muito utilizada para se referir à ele) toda a neve restante que impedia o velho senhor de abrir sua loja.
— Está pronto, jii-chan! — Sorriu satisfeito.
O velho baixinho de cabelos grisalhos olhou alegremente para sua loja.
— Muito bem, Natsu-kun! Fez um excelente trabalho. — Sorriu gentilmente para o mago. — Confesso que fiquei com um pouco preocupado. Pensei que você transformaria tudo em cinzas e eu perderia a loja que pertence à minha família há tantas gerações. — Abriu os braços para loja enquanto falava. — Mas veja só, está novinha em folha!
Natsu riu sem graça.
— Vamos, meu jovem. — Disse apontando para a entrada. — Vou pegar sua recompensa.
— Yosh!
E adentraram a loja.
Era de tamanho médio e não tinha nada muito chamativo por fora, mas por dentro… Era uma infinidade de cores, luzes e brilho. Natsu e Happy olhavam para tudo impressionados. Realmente, as decorações de Natal eram muito bonitas.
— Podem escolher. — O contratante fez um gesto para a infinidade de corredores. — Um para cada.
— Han? — O Dragon Slayer olhou confuso. — O que quer dizer?
— Que podem escolher sua recompensa. Como fizeram um bom trabalho, vou deixar que escolham um para cada. — Sorriu.
Natsu olhou para ele mais confuso ainda. Virou para Happy e sussurrou.
— O que o velhote está querendo dizer?
— Acho que a recompensa é uma decoração de Natal.
— NANI!? — Exclamou o mago de fogo. — E o dinheiro? Qual era mesmo o valor?
— Natsu… — O exceed olhava para o amigo com uma expressão culpada. — No folheto da missão não dizia o valor.— Disse estendendo o papel para o mago.
O Dragon Slayer pegou o anúncio da missão:
Procura-se um mago que seja capaz de retirar a neve que soterrou a loja de enfeites Natal Mágico. Recompensa a combinar no local.
— Happy! Como é que você pega uma missão dessas! E o dinheiro do aluguel da Lucy? — Questionou desesperado para o gato azul.
— Era a última missão do quadro! Não tinha outra.
— Não acredito que viemos até aqui por nada! — Falava exasperado.
O velho senhor pigarreou, chamando a atenção dos dois.
— Meus jovens, não desprezem desse jeito os meus presentes.Tudo que está aqui é muito valioso. Como podem notar, só consigo vender durante o mês do Natal, então, todos esses enfeites e presentes valem o suficiente para me sustentar durante o resto do ano. Cada uma dessas decorações foi feita utilizando a magia da minha família, que é passada de geração a geração, de pai para filho. — Sorriu ternamente. — Minha família tem feito decorações e presentes mágicos há séculos, e sempre agradamos os nossos clientes. Mas como podem ver, por conta da neve que não teve pena de nossa cidade, estou sem vender nada até agora, então não tenho jewels para pagar pelo trabalho. — Suspirou cansado. — Além disso, como já está próximo do feriado, creio que também não irei conseguir vender coisa alguma. Deixem pelo menos que este velho homem pague pelo serviço decentemente.
Natsu estava inconformado por saber que não receberia o dinheiro que havia planejado dar para Lucy pagar o aluguel, mas não conseguiu se arrepender de ter feito o trabalho, pois aquele senhor não tinha ninguém para ajudá-lo. Era um velhinho muito simpático que estava contente em ter sua loja de volta.
— Está tudo bem, jii-chan. Não se preocupe com a gente. — Sorriu para ele.
— Estou muito grato por terem me ajudado, por isso gostaria que escolhessem um presente.
— Aye! Eu vou pegar alguma coisa para dar para Charle! — Disse o exceed e saiu voando pela loja.
Natsu apenas se sentou em um banco ali perto e ficou esperando o amigo.
— Vamos, Natsu-kun, escolha o seu também.
— Obrigado, jii-chan, mas não tem nada que eu precise daqui.
O contratante colocou uma mão no queixo, pensativo, e saiu andando por entre os corredores. Alguns segundos depois, apareceu segurando uma caixa.
— O que acha deste? Foi um sucesso aqui na cidade quando anunciei a venda. Mas me demandava muita magia, por isso, foram poucos que fiz. E este é o último. — Estendeu a caixa para o mago.
Natsu abriu a caixa e dentro havia um tecido cor-de-rosa. Retirou o tecido de dentro e viu que era um cachecol.
— Vi que você usa um cachecol, então pensei que pudesse gostar deste. — Disse gentilmente.
— Huh? Mas eu já tenho um cachecol. Foi meu pai que me deu, não preciso de outro.
— Mas este que está em suas mãos possui magia. Digamos que é para que você presenteie alguém especial.
— Como assim?
— Este cachecol foi criado pensando no sentimento que une uma família. Quando você presentear esse alguém especial, a magia que está nele ligará seus sentimentos ao dessa pessoa. Assim, sempre que estiver sentindo saudades de casa, o cachecol ficará um pouco mais quente que o natural, para que essa pessoa se sinta aquecida e saiba que está pensando nela. — Explicou. — Vi que você falou várias vezes com o Happy-kun sobre alguém chamado Lucy. Creio que não estou errado em supor que esta seja sua pessoa especial.
— N-não is-isso é...— Coçou a nuca, sem jeito.
Então começou a lembrar da maga estelar, de como ela ficava perto dele e gostava de se sentir aquecida… Pensou em como aquele senhor estava certo. Lucy era especial para ele, disso tinha certeza. Ela era alguém que ele podia chamar de família, e da qual sentia falta quando estava longe. Assim como sentia naquele momento. Ficou envergonhado quando pensou neles dois dormindo juntos, abraçados, e pensou que talvez ela fosse gostar do presente.
— Ele gosssssssssssta dela! — Happy apareceu dizendo.
— Não enrole a língua desse jeito! — Esbravejou para o gato.
— Nee Natsu, você veio aqui só para arranjar um presente de namorado para a Lushy.
— Cala a boca, maldito! — Levantou da cadeira. — Vou ficar com isso, jii-chan.
— Excelente escolha, meu jovem. E você Happy-kun, encontrou algo que lhe agradasse?
— Vou ficar com esse pisca-pisca em formato de peixe! A Charle vai adorar quando ver! — Disse animado.
— Muito bem. Agradeço à vocês e desejo que tenham boas festas. Apareçam por aqui um dia desses.
— Até mais, jii-chan.
E saíram da loja com seus embrulhos em mãos.
— Natsu.
— Hun?
— Já está ficando tarde e a neve continua caindo…
Happy tremia de frio e o Dragon Slayer também se sentiu desconfortável.
Foram quase que correndo em direção à estação de trem, para que pudessem pegar o transporte de volta para Magnólia. O mago de fogo só queria chegar em casa o mais rápido possível.
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Já era noite e ainda nevava. A maga estelar estava sentada em sua escrivaninha, tentando pensar em alguma idéia para o seu novo romance, mas imagens de Natsu desabotoando aquele vestido ficavam aparecendo em sua mente a todo momento.
— Maldita Cana, pervertida! — Bufou, irritada. — Agora isso vai me atormentar a noite inteira.
Cruzou os braços, emburrada. Decidiu se deitar e se aconchegar em suas cobertas. Ficou alguns segundos olhando para o teto, e uma tristeza esquisita começou a inundar seu coração.
Começou a perceber o silêncio avassalador que tomava conta de seu apartamento. Tanto que podia ouvir o som da própria respiração. Era solitário. Quando Natsu estava lá, tudo era quente e barulhento, mas agora era frio e silencioso.
— Pare de pensar naquele abestado… — Sussurrou para si mesma. — Aquele grande idiota bagunceiro… Onde será que ele está agora?
Suspirou, entristecida. O medo de que ele tivesse ido embora outra vez a atingiu novamente. Se encolheu mais na cama, tentando buscar conforto e percebeu que a ausência do Dragon Slayer mexia demais com seu coração. Percebeu que tudo o que queria era ficar perto dele. Fazer missões juntos e se divertirem. Quando ficou sozinha durante aquele ano, não teve um dia sequer que não pensasse em Natsu. Mas confiava no que Mirajane dissera. Tanto que, como de costume, deixou comida pronta na geladeira, para caso de ele e Happy aparecerem em algum momento da noite.
Não entendia porque seu coração ficava daquele jeito. Porque ele a aquecia tanto. Porque era tão feliz quando estavam juntos. Gostava muito do amigo, era verdade. Mas aqueles sentimentos… “Não pode ser verdade.” Negou para si mesma. Fechou os olhos e viu o rosto sorridente do rapaz. A cicatriz na bochecha, o olhar infantil. Os braços dele ao redor de seu corpo, aquecendo-a e fazendo com que se sentisse feliz e protegida… Bufou, irritada com os pensamentos absurdos que não deixavam que ela relaxasse para dormir.
— Porque diabos estou pensando no Natsu ao invés de aproveitar minha noite de sono?
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O Dragon Slayer estava com uma mão na boca, completamente enjoado por conta da viagem. Até o trem parar de repente, no meio do nada.
— Natsu, o trem parou! — Cutucou o amigo.
Quando o mal estar passou, levantou do banco e foi com Happy ver o motivo de terem parado de se locomover.
— Não tem por onde passar, os trilhos estão completamente soterrados pela neve! — Disse o comandante. — Vamos ter que esperar aqui.
— Han? — Natsu se aproximou. — Não vamos esperar coisa nenhuma aqui, eu vou lá derreter esse negócio! — Disse, convicto, e foi em direção à janela, saindo de lá.
— Ei! Aquele não o Salamander? Aquele mago, daquela guilda famosa que destruiu Crocus uma vez durante os Grandes Jogos Mágicos?
— Hee? Desse jeito ele vai acabar com os trilhos! — Exclamou o comandante com as mãos na cabeça. Saiu correndo e foi até a janela aberta. — SALAMANDER! NÃO PODE DESTRUIR OS TRILHOS! VOLTE PARA DENTRO, ONEGAI!
Natsu ignorou os gritos do homem e tentou se concentrar novamente. Até mesmo ele sabia que se derretesse os trilhos, o trem não poderia mais andar, e ele não queria ficar mais tempo parado naquele lugar. E seria impossível voltar andando na neve… Respirou fundo e começou criar magia.
— Você consegue, Natsu! — Happy falou ao seu lado.
— Karyuu no Houkou!
Aquele era um dos rugido do dragão mais simples e fraco que conseguia fazer. Derreteu boa parte da neve que estava no caminho. Os trilhos soltavam vapor, mas estavam intactos.
— Você conseguiu! — Exclamou o exceed azul. — Agora é só continuar com o resto. — Apontou para os quilômetros de neve que se estendiam no horizonte.
Como não podia usar muita força, o alcance da magia também não era muito grande. Teria que passar por aquele trecho de pouco a pouco.
O Dragon Slayer de fogo suspirou, cansado e aborrecido com a situação. Mas não teria como saírem dali se não fizesse aquilo, então continuou o trabalho por mais algum tempo.
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Já era madrugada quando finalmente chegaram em Magnólia. A cabeça de Natsu doía, por ter passado muito tempo no frio derretendo a neve dos trilhos, além de todo o enjôo que teve que enfrentar. Happy andava ao seu lado, igualmente cansado da viagem. Os dois seguiam para casa de Lucy.
Pularam a janela, como sempre, abrindo com cuidado para não fazer nenhum barulho muito grande, pois sabiam que por conta do horário a garota já estaria dormindo.
— Natsu, vamos ver se a Lucy tem alguma coisa na geladeira? — Sussurrou o gato azul.
— Vamos, estou morto de fome.
Passaram pelo quarto, na ponta dos pés, para não acordar a loira que estava enrolada debaixo daquela montanha de cobertores.
— Natsu… — Ouviram a maga estelar sussurrar.
— Oi, Lucy. — Respondeu incerto.
— Na… tsu… — A forma como ela disse o nome dele, quase que como uma súplica por algo, fez com que o Dragon Slayer corasse.
— A Lushy ta tendo sonhos pervertidos com você! — Disse Happy, com uma patinha na boca para segurar o riso.
— Va-vamos logo pra cozinha antes que ela acorde!
Puxou o exceed para o outro cômodo. De alguma forma, ficou incomodado de outra pessoa escutar os sussurros de Lucy daquele jeito. Era constrangedor que Happy tivesse ouvido, principalmente por ela estar chamando o nome dele enquanto sonhava alguma coisa estranha. Então decidiu ir dormir em sua casa. Comeram e foram embora de fininho, assim como chegaram.
Já em casa, mesmo depois de deitado para dormir, o Dragon Slayer não conseguia parar de lembrar do som da voz de Lucy sussurrando seu nome daquela forma. Seu coração se agitava e sua mente vagava por pensamentos estranhos. Sentia vontades esquisitas quando estava perto dela. Às vezes, por exemplo, achava o cheiro da loira tão bom que tinha uma vontade absurda de ir dar uma cheirada em seu pescoço.
Suspirou e desejou estar abraçado com ela naquele momento.
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