Notas iniciais
Oi pessoal! Essa história é o meu primeiro trabalho desse tipo e o nossos "jogadores" estão se empolgando muito pra criar a história e os personagens bem legais pra vocês. Esperamos que os leitores gostem e, para vocês adentrarem ainda mais no nosso universo e conhecerem cada vez mais os nossos personagens vamos botar nas notas finais de cada capítulo uma descrição eou história de um certo personagem ou simples curiosidades que se encaixem nos em cada um. (as vezes teremos os chibis - que fizemos dos personagens principais) Boa leitura...

ANO DXXX — Segunda Guerra Santa.

"Por que ele fugiu? Eu não consigo entender... Estamos no meio de uma guerra santa e meu irmão... é um meio-anjo! Acabei de conhecê-lo e já travamos uma dura batalha. Mas porquê ele fugiu? Não consigo entender... Droga, as tropas do inferno estão perdendo. Deve haver algum modo de mudar esta situação!”, os pensamentos não paravam de lhe atormentar. Ele acabara de sair de uma batalha acirrada e precisava achar uma forma de virar o jogo. “Espera, aquela mulher que meu pai mencionou! Aquela que guarda o conhecimento do mundo. Ela deve saber de alguma coisa... e conheço alguém que deve conhecer sua localização.”. O príncipe do reino infernal da Ira não conseguia parar de se questionar. Ele foi até uma cabana, onde uma bela demônio se recuperava de uma árdua batalha.

Seu nome era Lilith. Ela estava sentada com as asas bem arrebentadas e se forçava a realocar o osso quebrado da direita. "Tenho que voltar à batalha!", ela reforçava seu objetivo. Então nota Laican entrando. "Deve estar perdido com tantas descobertas. Afinal, é sua primeira grande batalha como comandante oficial das tropas do seu Reino Infernal... tolo." Então falou de forma assertiva, mas com seu clássico tom zombeteiro:

— Diga garoto, o que quer? Ficou tão surpreso com seu irmão que travou na sua primeira grande batalha?

— Olá Lilith, vejo que você se machucou muito, quem foi o cupido que fez isso com você, foi a tal de... Qual o nome dela mesmo? Muriel? — Ele disse também zombando da demônio.

A guerreira conseguiu botar o osso no lugar, virou e olhou para o insolente mestiço. Ele tinha suas asas negras fechadas, mas não escondia que também tivera uma difícil batalha. A resposta veio no mesmo tom:

— Quando se é um grande demônio, se faz inimigos particulares. Simplesmente matei o protegido dela e a "fofa" ficou toda cheia de raiva de mim — então seguiu totalmente séria — Me diga logo o que quer, tenho muito a fazer, caso não tenha notado.

Laican deu um sorriso sarcástico, olhou para Lilith e disse:

— Preciso perguntar uma coisa. Você conhece cada canto dos sete reinos do inferno, certo?

— É claro, conheço como as minhas próprias asas. Ele é surpreendentemente extenso, mas não perderei meu tempo te explicando sobre isso agora. Vá direto ao assunto — ela havia se levantado e o encarava com curiosidade.

— Eu só quero saber uma coisa... Existe uma pessoa muito interessante no inferno, ela possui sabedoria e conhecimento inigualáveis. Você sabe onde ela está?

— Fala de Hagas, a feiticeira. Ela não pode nos ajudar em batalhas físicas, mas é uma excelente conselheira, já que guarda todas as histórias importantes tanto do céu e inferno, quanto do mundo. Ela sabe de qualquer coisa do passado: batalhas, lendas, a história de seu pai, sua, minha. Não é um oráculo e não pode prever nada, mas é excepcionalmente sábia — a guerreira pensou um pouco e imaginou o que ele queria com a mulher, mas não podia se importar agora. Então circulou o mestiço e pôs levemente as mãos nas asas fechadas dele.

— Ela se encontra no reino de Mammon, depois de passar pelos campos de Grilgus, em uma gruta na montanha fria mais a leste.

Laican se virou e ficou frente a frente com Lilith, fitando diretamente os olhos dela.

— Informação de graça? Você não é disso... O que deseja em troca?

Ela sorri. O garoto realmente a conhecia bem. Em seguida, passou a mão no queixo do meio-demônio, cutucando-o.

— Depois de tantos anos me atormentado vejo que me conhece bem. Quero ver o quanto me divertirei com você agora que cresceu, mestiço... Bem, no momento não tenho o que pedir, afinal... Estamos em guerra.

— Eu sei que isso não te impediria de fazer o que quer. Esta guerra é só mais uma pra você, já que é a única que não fica aprisionada no inferno.

Cortando o olhar, ela se vira e vai terminando os preparativos para voltar à batalha.

— Você tem razão. Então quero que da próxima vez que nos encontremos, depois dessa guerra, você me surpreenda com algo que me beneficie. Pode ser criativo. Afinal, você vai encontrar Hagas, pergunte a ela por algo. — Já na porta da cabana a guerreira parou e se virou novamente para ele, com um sorriso sedutor — Nem preciso dizer que há um bom motivo para ela se alojar no reino de Mammon. Até mais tarde Sr. Principezinho

*****

Laican chegou até as portas do inferno, todas as sete estavam abertas. Ele se dirigiu até as do Reino da Ganância, onde todos sempre querem algo em troca. Ele viu alguns demônios se preparando para outra batalha e entrou de forma furtiva para que nenhum deles o visse. Mesmo que sua passagem pelo inferno estivesse livre, muitos não gostavam de visitantes caminhando por aí. Passou pelos campos de Grilgus e foi até a gruta de Hagas na montanha, exatamente como a guerreira citara antes. Era uma gruta fria e tinha um ar de maldição e ganância, como tudo no Reino de Mammon. Estava atento ao que acontecia ao seu redor.

— Olá, tem alguém aí?

No final do espaçoso lugar, Hagas ouviu um barulho e alertou ao seu guardião que fosse na frente verificar a entrada. O dragão era feito de ouro e tinha 3 vezes o tamanho da dona. Ela demorara muito tempo montando, fazendo e treinando ele para entendê-la, mas agora ambos se comunicavam perfeitamente. O animal obedeceu e silenciosamente foi até a entrada. Assim que chegou perto o bastante para ser visto por Laican, parou e abriu as asas para que o visitante não passasse. O brilho do animal de ouro poderia até cegá-lo. Laican logo previu que falar com a tal mulher seria difícil, então gritou:

— Hagas! Hagas! Eu sei que você está ouvindo, não quero brigar com você. Eu tenho uma proposta, poderia ouvi-la?

A feiticeira já estava indo em direção à porta quando ouviu a voz do visitante. Chegou perto de seu guardião e o tocou de forma carinhosa. Então, passando pelo animal, disse:

— Olha que visitante interessante temos aqui, Eins. — ela olhou Laican dos pés a cabeça. — Devo perguntar o que deseja, filho da Ira?

— Olá, donzela do saber. Gostaria de fazer algumas perguntas pra você, me permite?

Os olhos de Hagas eram cor de âmbar, a tonalidade alternava como ondas dentro deles, parecendo até que sua íris era líquida. Seu vestido verde era simples, longo e justo com mangas até os punhos, uma meia abertura na perna direita e alguns delicados ornamentos dourados . Ela tinha um cinto que continha uma pequena sacola marrom e um bracelete com uma pedra branca. Além disso, a lateral seus cabelos castanhos estava presa em duas tranças entrelaçadas e o resto solto por baixo delas.

— Você irá pagar meu preço? — a demônio disse.

Laican sabia que o valor da informação dela era um preço alto a se pagar.

— Milady, eu trouxe um tesouro comigo, um tesouro muito difícil de se encontrar. Em troca de algumas perguntas, irei lhe dar este tesouro.

O dragão foi até a abertura da gruta e se posicionou fechando a passagem para o lado de fora, como ordenado. Os olhos de Hagas se tornam cor de ouro e ela começou sua negociação com o príncipe do outro Reino.

— Ok Laican, diga-me o que desejas. Se eu puder lhe ajudar, analisarei o que devo pedir em troca.

O meio-demônio retirou um saco de dentro do seu casaco que continha uma espécie de medalhão e o mostrou:

— Este medalhão pertenceu ao rei mais ganancioso da terra. Ele era tão ganancioso que nem a sua alma cedeu e ela apodreceu junto com o seu corpo e seu reino. Mas eu consegui o medalhão dele e, se você responder minhas perguntas, ele será seu.

A feiticeira conhecia a história, ou melhor, conhecia o homem de quem ele falara. O precioso medalhão era de ouro e pedras de rubi. Ela mesma tinha dado ao rei para que despertasse sua ganância. Somente sorriu e falou:

— Sempre imaginei que de alguma maneira esse medalhão voltaria para mim. Então diga logo o que queres saber meio-demônio. — Ela se sentou em uma pedra e esperou.

— Quem irá ganhar a segunda guerra santa? — Ele disse sem pestanejar.

Então caiu na risada por um instante.

— Eu acho que lhe foi dito que não sou nenhuma vidente, garoto. Como posso saber quem vencerá?! — Então se controlou e o encarou. — Sei de muitas coisas que podem ajudar os demônios ou até os anjos. Mas não sei de tudo simplesmente por saber.

— Você está certa. Bom... Nessa guerra, as portas infernais foram abertas através de um ritual, que foi feito por um dos reis do inferno. Se todos os reis forem trancados, tem como abri-las novamente?

— Sempre há como se abrir os portões do inferno. É isso que você quer? Uma maneira de reabri-los depois da guerra, caso eles voltem a ser fechados? — Ela arqueou uma sobrancelha de forma a querer se certificar se era mesmo essa informação que o visitante desejava.

— Certo. — ele estava decidido.

Era algo simples para responder, mas não para cumprir. Ficou séria, analisando.

— A melhor maneira para um meio-demônio como você é através das Esferas do Puro Pecado. Essas sete esferas não podem simplesmente ser encontradas, pois não são objetos. Na verdade, elas residem em almas humanas. Ouça bem, uma alma que se consumiu completamente por um pecado específico se torna a essência de uma dessas esferas. O humano tem que viver com esse pecado e através dele perecer. No entanto, sua alma será quase imediatamente consumida pelo inferno. Então você deve estar presente para aprisioná-la antes dele a reivindicar. Como todos sabem, cada um dos 7 infernos tem o seu pecado principal, e dessa mesma maneira, as esferas do puro pecado são as chaves de seus respectivos reinos.

— E como consigo aprisionar essas almas?

— Essa é a parte complicada. A da Ira você pode reivindicar normalmente, como uma alma do seu reino. Já as outras, precisarão de um ritual que consome muito poder e que você precisará estudar e treinar bastante. Além disso, para transformar as almas nessas esferas, você precisará de uma arma lendária, que tem o poder de confinar até as almas mais poderosas destinadas ao céu ou ao Inferno: a Adaga de Midgard. Você deu sorte que eu tenho quase tudo o necessário para criá-la. — sorriu, estava com uma boa negociação nas mãos.

Laican a encarou. Ela não iria fornecer uma adaga tão poderosa por nada:

— E o que você irá querer em troca da dessa adaga?

— Eu quero que nessa sua jornada você tenha o trabalho de capturar uma alma pura para mim. Ah, e também um pouco das escamas da sua cauda, para terminá-la. — Ela se levantou e estendeu a mão para o visitante — Vamos fazer esse pacto?

— Antes de selar este pacto, a alma que você irá querer, ela deve ser pura o quê?

— Uma alma pura, ainda não corroída pelo pecado. Se você não a trouxer antes de concluir seu objetivo, eu tomarei as esferas do pecado para mim. — a demônio continuava de bom humor, sabia que ele iria sofrer ao achar essa alma, já podia sentir isso.

— Feito.

Laican apertou a mão de Hagas, as garras de cada um perfuraram levemente as mãos um do outro. Suas unhas ficaram vermelhas e então pretas, ao absorver um pouco de sangue. O pacto foi selado, suas vidas estavam interligadas até que a troca fosse executada. Depois pegou algumas escamas de sua cauda e entregou à ela.

A feiticeira voltou a ter seus olhos cor de âmbar, a negociação havia acabado. Pegou as escamas e seguiu para a parte mais funda da gruta, chamando seu visitante. Os dois passaram por grandes tesouros, desde os valiosos para humanos até objetos raros e preciosos para anjos e demônios. Então chegaram na oficina: caldeirões, poções, ingredientes e uma adaga na mesa.

— Eu estava imaginando que algum guerreiro procuraria por isso mais cedo ou mais tarde — ela disse à ele. Então se sentou e foi terminar de montar e enfeitiçar o objeto para se tornar a tão desejada Adaga de Midgard, não demorou muito até que...

— Eins! Uma ajudinha aqui? — Ela estendeu a adaga praticamente pronta ao seu companheiro, que logo concentrou uma faixa de fogo na arma. — Aqui está mestiço, mas antes me entregue o bracelete, por gentileza.

— Me entregue a adaga primeiro! — ele respondeu com irritação.

— Acalme-se... Tinha que ser do reino da Ira mesmo, nem uma simples gentileza pode fazer, não é? — Eins tinha se inquietado, preparado para algo, mas ela estava rindo enquanto soltava aquelas palavras. Então jogou a adaga pra ele.

— Hm... — Laican pegou-a no ar e jogou o bracelete para Hagas, admirou a arma e disse. — É, ela é realmente muito bonita. Hm... Você foi de grande ajuda. Eu irei cumprir com o nosso acordo. Bom... Depois eu volto aqui.

— Anseio por isso, mas veja se volta um pouco mais agradável da próxima vez, tudo bem? — ela disse em um tom brincalhão. — Eins, acompanhe o visitante, por favor. Eu tenho que voltar a observar o que está acontecendo nessa guerra. Até logo, príncipe da Ira. — O Dragão obedeceu atento e Hagas se virou desaparecendo na escuridão

— Até, Milady do saber.

Ao voltar pelos portões, Laican percebeu o caos em que a situação se encontrava. O exército demoníaco estava sendo dizimado pela luz dos anjos. A maioria recuava para dentro do inferno, já sem forças ou pensamento de vitória. Ele seguiu contra o fluxo e voltou para a terra, onde a guerra realmente já parecia ter um final decidido. Apenas dois reis infernais se encontravam ainda imponentes no céu: Lúcifer e Azazel, o orgulho e a ira.

Por um instante, o príncipe ficou estagnado. Aqueles foram os primeiros anjos caídos, podia-se perceber claramente as suas energias ressonando. O céu se encontrava num misto de vermelho e roxo, enquanto tudo abaixo deles estava mergulhado em desespero. Os anjos dominavam a batalha, mas não ousavam chegar perto dos reis infernais. Então a atenção de Laican retornou ao chão, quando um anjo foi incinerado a centímetros dele, de forma tão abrupta que apenas cinzas restaram. Azazel agora encarava o filho com um olhar firme e protetor, havia limpado o caminho dele para fora da batalha.

Lúcifer usava boa parte de sua energia para afastar os anjos que se aproximavam dos portões a medida que o Rei da Ira se ocupara de comandar o restante dos exércitos para uma retirada total. O príncipe abriu suas asas e se apressou em sair dali, logo apenas os seres celestiais restariam. Ao se afastar, pôde ver que apenas uma luz que permanecia intocada pelos anjos, Na verdade, a aura de Lúcifer estava tão clara que até a cor de seu pecado se fora, ele era como o sol num céu cheio de estrelas. Porém toda a visão de Laican se foi quando alguns arcanjos apareceram, expurgando os demônios do campo de batalha com brilho tão puro que tudo se tornou branco.

Notas finais
O Passado de Laican: Meu nome é Miguel Castelliano, esse nome foi minha mãe quem me deu. Ela acreditou que eu seria um grande anjo, mas se enganou. Meu pai é Azazel, o soberano do reino infernal da ira. Fui gerado quando ele se disfarçou do anjo que minha mãe amava e a engravidou. Esse anjo me jogou no inferno logo que me viu. Eu ainda era uma criança e meu pai, Azazel, cuidou de mim e me treinou pra ser um grande guerreiro infernal. Ele também me deu o nome de Laican, o príncipe mestiço do reino da ira. Durante a segunda guerra santa, eu reencontrei meu meio-irmão mais velho, filho da minha mãe com aquele anjo. Travamos uma luta, mas ele fugiu. Então decidi então ir atrás de uma maneira de reabrir as portas do inferno e, se possível, matar aquele covarde. Sou excelente em lutas e estratégia, mas péssimo em invocações e rituais. Possuo duas grandes asas, que me dão uma grande velocidade, uma cauda grande e forte e duas armas demoníacas (com um segredo) que só utilizo em batalhas sérias. O fogo é o meu elemento. E meu principal passatempo é atormentar a vida da Lilith.