Notas iniciais
Oi galera, nós queríamos agradecer a vocês que já acompanham a história mesmo com apenas um capítulo (agora dois) postado. Esse foi o primeiro capítulo criado pelo nosso pessoal então realmente não tínhamos nenhuma experiência e a história tava sendo criada do zero naquele momento. Espero que agrade a vocês, se tiverem algum comentário podem fazer que serão muito bem vindos. xD Boa leitura...

ANO DCCCXXVII (300 anos depois)

Em um campo aberto entre duas florestas, um viajante prosseguia em sua jornada. Trajava uma blusa simples de cor clara e uma calça totalmente preta com muitos acessórios de batalha. Uma grande capa cobria suas vestes e, o capuz, parte de seu rosto, deixando apenas a cor amarelada de seus olhos se sobressaindo. Duas adagas de caça se encontravam presas na altura de suas coxas e uma pequena sacola em sua cintura. O homem se mantinha sempre atento ao que lhe cercava. Seu instinto de batalha nunca descansava.

Depois de certo tempo, ele avista uma mulher. Ela possuía cabelos e olhos de tom vermelho como sangue e não era muito alta, mas tinha uma postura esbelta. Suas vestes vermelhas chamavam atenção, mesmo sobre o grande sobretudo cinza que lhes envolvia. O viajante se aproximou, sua mão foi até as adagas e, com um misto de curiosidade e desconfiança, ele perguntou.

— Ora ora, o que temos por aqui?

— Estou meio ocupada aqui, Sr. viajante. Aconselho que prossiga com seu caminho — ela avisou de forma seca enquanto voltava sua atenção a um livro que possuía nas mãos.

Ele percebe que aquele o rosto lhe parece familiar, sente uma energia poderosa vindo dela e observa ao seu redor. Havia algo de estranho naquele lugar, suas mãos estavam prontas para usar suas adagas a qualquer momento. Ele a encarou e disse:

— Não vejo muitos feiticeiros por aí, principalmente alguém com um poder tão forte como você.

A forma despreocupada como ele falou chamou a atenção dela. “Talvez ele possa me divertir um pouco. Acho que vou atormentá-lo um pouco.”, pensou.

— Agradecida, pode me chamar de Belatriz Kane. O que o senhor procura por aqui? — Ela havia se levantado e lhe estendeu a mão. “Ele me lembra alguém, que estranho.”

O homem se afastou por precaução, seu instinto dizia que ela era mais do que aparentava. Mas ele não se intimidaria com nada disso.

— Meu nome é Miguel Castelliano e estou a procura de alguém. — ele se explicou rapidamente — Mas o que você faz aqui? Que eu saiba, esse lugar é bem perigoso para uma mera feiticeira.

Ela realmente o conhecia e, por um momento, o ódio surgiu em suas veias. Então guardou devagar seu livro e ia lhe oferecer um caminho para encontrar a cidade, porém com um reflexo, ele levantou suas armas e a encarou. Não queria sair de lá, havia sentido a pontada de ira que surgiu na mulher e de uma coisa ele tinha certeza: Ela não era humana.

Em um movimento rápido, ela jogou uma faca envenenada na direção do ombro direito do viajante e correu para perto dele. No instante seguinte, sua visão estava totalmente preta. Miguel observou a feiticeira acordando da ilusão que ele criara, ela havia ferido o próprio braço. Então ele se aproximou com um sorriso arrogante e disse:

— Talvez você não se lembre, mas... Eu gosto muito de brincar com demônios.

Então ela o encarou profundamente e disse:

— Você me lembrou até seu irmão com isso agora. Resolveu virar bonzinho, “Miguel”? — Ela disse com desprezo e começou a rir. Por um instante teve pena dele, mas se recompôs. Afinal... Ainda queria matá-lo. — Mesmo após todo o treinamento e conhecimento que lhe passei, você é insolente o bastante para me apontar suas armas!

Miguel deu um sorriso sarcástico e, brincando a arma, respondeu:

— Você me chamou aqui, não foi? Sabia que eu viria se colocasse uma ótima recompensa, faz quanto tempo hein? Duzentos, trezentos anos? Você sai do inferno, usa um disfarce humano e me chama aqui! Você é mesmo hilária Belatriz! Ou devo lhe chamar de tia Lili.

Finalmente a mulher deixou que o fogo de seus olhos brilhassem, se levantou e disse de modo zombeteiro:

— Lilith... Não fique fazendo frescuras com o meu nome, gosto dele normalmente. Você sabe que adoro te atormentar, não é? Ainda mais depois de todos esses anos.

— Saiba que aquele canalha não deve ser lembrado, ele fugiu no meio da batalha. Que tipo de guerreiro foge no meio de uma luta?— disse ele com o olhar enfurecido

Lilith começou a brincar com uma de suas facas, passando o dedo pela ponta. Sabia que uma arma dessas não machucaria de verdade nenhum dos dois.

— Que raiva de seu irmãozinho, hein. Achei que quisesse encontrá-lo. Vai mudar de lado, mestiço? — disse ela.

Miguel sentou em uma pedra e pegou um coelho que, por infortúnio, passou por lá. Começou a sufocá-lo enquanto falava:

— Eu quero encontrá-lo. Mas não vou mudar de lado, só irei matá-lo dolorosamente. — terminou com o coelho já morto na mão.

Ela começou a andar, traçando um círculo em volta de Miguel:

— Bem... Eu não inventei nenhuma recompensa, foi uma feliz coincidência encontrá-lo por aqui. Você sabe que adoro atormentar humanos, — ela deu uma curta pausa, — mas agora posso brincar um pouco com você também! — E parou atrás dele após completar o círculo.

Mas ele notou a intenção da demônio, um acesso de fúria veio de seu interior e libertou sua verdadeira forma. Asas apareceram em suas costas, chifres de fogo em sua testa e uma cauda longa, grossa e pontuda. Ele bateu suas asas jogando-a para longe. Então saiu com facilidade do círculo e colocou o pé em cima do dorso da adversária, dizendo:

— Não me subestime sua estúpida, mesmo sendo um mestiço sou mais forte que você e também sou um dos príncipes do inferno! Então é melhor me tratar com respeito, se não...

A mulher então se liberta do mero corpo que criara, deixando sua forma demoníaca sair, e se desprende do mestiço:

— Você acha que pode superar a guardiã das portas infernais?! — Com as pontas afiadas de suas asas, ela perfura os braços de Miguel, jogando-o contra o chão — Não importa se você destruir minha carne ou se voltar contra seu pai! Nunca conseguirá destruir-nos, nem aprisionar-nos! Seu poder pode ser maior como príncipe, mas você será atormentado por todos nós, Laican! — Diz ela enquanto suas tatuagens escarlates foram aparecendo pelo corpo, como cobras.

O meio-demônio usou sua calda e jogou Lilith para longe, então deu um riu e disse:

— Guardiã das portas do inferno? O que aconteceu com o cachorro velho? Sabe Lilith, eu tenho uma vantagem por ser mestiço, nem anjos, nem demônios podem me destruir totalmente. Mas tenho uma proposta para você, aceita me ouvir?

Ela teve sua curiosidade atiçada, como de costume quando encontrava com o filho da Ira. Se levantou, limpou seu clássico traje demoníaco e esticou suas asas e cauda. Infelizmente não eram tão grandes quanto às de Laican, porém mais esguias e rápidas.

— Você? Com uma proposta para mim? Finalmente vai se arrepender de fugir? Diga logo... Irei ouvi-lo — respondeu ela.

Com calma, ele começou a explicar seu plano:

— É o seguinte, sei que você quer sua liberdade e quer andar por este mundo inútil. Eu tenho uma forma de lhe ajudar, graças a isto. — ele pegou de dentro de sua sacola uma esfera que continha uma aura vermelha no interior, ela emanava pura ira e seu brilho revelava um mal temível — Se juntarmos sete artefatos desses, poderemos libertar meu pai, sua legião e os outros senhores infernais. Então os demônios estarão livres novamente.

Completamente desconfiada, Lilith invocou sua cobra e seu resistente bidente flamejante. Ela o apontou na direção do pescoço do rival, mas ele se manteve encarando-a.

— De onde você tirou toda essa história?! Acha que eu simplesmente vou acreditar em você depois de ter fugido da guerra? Depois de todo esse tempo, realmente pretende voltar a lutar pelo Inferno?

— Sabe Lilith... Eu lembro que tivemos desentendimentos, por isso vou fazer um acordo com você. — ele volta à sua forma humana — Se você me ajudar a encontrar as sete esferas que contém a mais pura essência do pecado, eu lhe dou a liberdade que tanto quer.

Lilith apenas deixou o bidente de lado e assumiu seu disfarce novamente.

— Seu pai ficará muito feliz com essa sua mudança, talvez até te deixe comandar os demônios de antes. — afirmou ela, acariciando sua cobra. — Pois bem, você ganhou uma aliada, mas que fique claro: não confio em você. Tente qualquer gracinha e não hesitarei em tornar sua vida um inferno, literalmente.

A demônio comentou enquanto encarava profundamente os olhos daquele mestiço insolente, procurando por qualquer sinal de um ataque iminente.

— Minha vida já é um inferno mesmo. É o seguinte, vamos a cidade mais próxima e lá talvez possamos conseguir mais uma destas esferas. A propósito, já disse que você fica gata quando irritada? — disse com um sorriso sarcástico — Vamos logo?

Notas finais
A próxima personagem principal que vocês podem conhecer um pouco mais é a Lilith: "Sou Lilith, guardiã dos 7 portões infernais; um dos demônios mais antigos. Meu elemento é o fogo, minha companheira é minha cobra e meu pecado principal é o Orgulho. Além disso, tenho um ótimo conhecimento de rituais e feitiços demoníacos e posso invocar algumas "surpresas" do inferno para divertir quem ousar me desafiar. Apesar de não ter muita força bruta, tenho grande experiência em batalhas e minhas asas e cauda são bem rápidas e cortantes. Meu objetivo? Atormentar qualquer um por simples diversão, principalmente humanos. Talvez me libertar de ter que ficar vigiando as portas infernais. Minha história? Apenas digamos que vocês não tem que saber nesse momento."