Versprechen
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Eren
O garoto leu a última página do livro com avidez, capitando tudo o que ali havia escrito e o fechou, suspirando.
É, agora não teria mais nada para fazer, mesmo. Já havia lido os agradecimentos, as dedicatórias e até mesmo a página que falava o número da edição e onde é que ficava a editora e tudo mais. Agora o que lhe restava era ficar olhando o nada e pensando.
Eren não gostava de pensar. Não quando sabia que olhos tempestuosos invadiriam sua cabeça assim que ela não estivesse mais concentrada nos livros.
O garoto simplesmente não conseguia entender o que o cativava tanto naquele professor rabugento, mas era simplesmente impossível não pensar nele. E apesar de não ter ido com a cara dele no começo, agora não conseguia evitar de sentir uma enorme admiração e simpatia pelo mesmo, que apesar de todas as broncas e castigos que lhe dera, parecia ser o único adulto que se importava realmente com ele.
É claro que ainda tinha Hanji, mas não era a mesma coisa.
Eren se encolheu na cadeira, levando as pernas juntas ao peito e apoiando o queixo nos joelhos, deixando os pensamentos vagarem por sua cabeça.
O garoto gostava de passar as detenções com professor _tirando a parte em que ele tinha que limpar as coisas_, gostava de cantar desafinadamente em plenos pulmões e faze-lo rir, gostava da voz lenta e arrastada do mesmo. Eren sabia que o mesmo o obrigaria a pintar as paredes pichadas das quadras de voleibol, mas não se importava, sabia que faria sem reclamar quando o professor pedisse, por mais que não quisesse. E por mais que fosse grosso e intimidante, Eren se sentia confortável perto dele e não se importava mais quando ele era grosso e mal educado consigo.
Apesar de não se importar mais com os pontos negativos do professor, havia uma coisa, considerada tecnicamente positiva, que Eren não gostava: Levi era bonito, muito bonito.
Isso sim incomodava Eren, como alguém tão bonito poderia ser tão baixo? Só de estar na mesma sala que o professor Eren já sentia um grande golpe na autoestima.
Ele não gostava disso, achar outro homem bonito. É claro que sabia reconhecer quando uma pessoa era mais bonita do que ele, o que ele não gostava era o fato de que achava o Levi atraente, seria essa a palavra?
Suspirou, apoiando agora a testa no joelho.
Na noite passada o garoto teve um sonho molhado com o professor.
Não sabia como havia conseguido falar com o professor de manhã, de madrugada, quando acordara com uma ereção entre as pernas, imaginara que não saberia aonde enfiar a cara quando o visse.
O menino não conseguiu voltar a dormir depois do banho gelado que tomou pois não sabia como lidar com a situação, estava aturdido. O sonho havia sido tão real, tão desesperadoramente real que quando acordou não conseguia saber se estivera ou não sonhando, o pior de tudo não foi isso, o pior de tudo foi que quando percebeu que tudo não passara de um sonho, começou a chorar.
Era por causa desse sonho que estava ali quebrando a cabeça, não que antes conseguisse manter o professor longe de sua mente, mas agora parecia que seus pensamentos eram muito mais ... afetuosos?
Eren sabia que aquilo não era uma boa ideia, começar a nutrir sentimentos pelo professor não era nem de longe uma coisa saudável e tinha feito um acordo com sigo mesmo para não pensar no professor, na verdade planejava evita-lo o máximo possível, mesmo que com suas inúmeras detenções e o fato de ter 5 aulas por semana com ele não ajudassem na tarefa.
É claro que desde que chegara a escola, vinha falhando miseravelmente em seu plano.
Soltou um suspiro longo e sofrido, agradecia por ser sexta-feira, assim evitaria o professor pelo menos durante o final de semana.
No silencio daquela sala, Eren escutou o barulho de passos se aproximando, rápidos e de repente a porta foi escancarada com força.
—Eren, querido!_ Brandia Hanji, felicíssima.
Eren já sabia até o que ela queria.
—A resposta ainda é não Hanji, já falei que não tenho coragem de...
—Eu já arranjei um jeito de você superar sua timidez Eren_ Brandiu Hanji, interrompendo o garoto, esse apenas rolou os olhos.
—E qual seria esse jeito?_ Insistiu ele.
—Uma seção de fotos_ O moreno arqueou as sobrancelhas_ Já liguei para sua mãe e ela e o Erwin autorizaram, vamos fazer uma seção de fotos suas hoje, já que pelo que percebi o que você tem não é realmente timidez, mas sim baixa-autoestima!_ Falava ela, convicta.
O moreno a lançou um olhar inquisitivo.
—Olha só_ Explicava ela_ Apesar de estar com a cara toda machucada, hoje iremos fazer uma seção de fotos, aproveitando que está dispensado das aulas. Chamei o melhor fotografo que eu conheço e tenho certeza que ele vai encontrar seus melhores ângulos! Ahhh! Fico emocionada só de pensar.
O garoto suspirou, sabendo que não teria muita escolha quando se tratava de Hanji, por isso pediu apenas que isso não atrapalhasse seu horário, já que tinha que trabalhar.
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Dentro do carro de Hanji, Eren se perguntava se numa vida passada ele havia matado alguém ou algo do tipo, tinha que ser, era a única explicação para o fato de que era obrigado a andar no carro de Hanji em quanto a mesma dirigia.
Mesmo de cinto o menino conseguia ver toda sua vida passar por seus olhos a cada curva que a morena fazia, suas unhas estavam fincadas no banco.
—Eu vou morrer_ Choramingou ele.
Hanji conseguia dirigir pior que Reiner.
—Ah! Que emoção!_ Falava ela, alegre.
Eren não conseguia entender porque a mesma ficava tão feliz com sua futura seção de fotos e conhecendo Hanji, devia ser algo assustador.
Quando Hanji entrou em um estacionamento com tudo, quase raspando a lataria do carro em um portão, ele jurou que ia morrer. Por sorte a única coisa que aconteceu foi que o retrovisor lateral voou longe.
Hanji pareceu quase ofendida com o fato, resmungando que o retrovisor que comprara, pela decima terceira vez, não prestava.
—Ora essa! Não aguenta nem uma batidinha_ Murmurava ela, olhando pelo retrovisor o objeto preto estraçalhado no chão.
Era nesses momentos em que Eren tinha certeza de que Hanji era louca, ou nos momentos em que ela inventava de dar aulas sobre sexo ao invés da matéria.
Eren desceu do carro meio duro por ter flexionado tanto as pernas com o pavor do momento, mas decidiu por não comentar nada com Hanji e observou o local que parecia mais um armazém.
—Esse aqui é o estúdio de um primo do Levi, Farlan_ Eren ergueu os olhos para a castanha, curioso_ Ele também é professor, mas administra o estúdio ao mesmo tempo.
—Ele é fotografo?_ Questionou Eren.
—Farlan? Não, até tentou, mas não leva jeito, porém ele sabe administrar isso aqui muito bem e nos disponibilizou uma sala vazia pra que a gente fizesse suas fotos.
O garoto apenas assentiu, seguindo Hanji pra dentro do estabelecimento. Pessoas andavam de um lado para o outro, mas não pareciam dar atenção aos dois, que simplesmente entraram e seguiram pelos corredores largos do lugar até entrarem em uma grande sala aonde já havia todo um cenário montado, com iluminação e tudo.
Os olhos do garoto tornaram-se confusos ao encontrar ninguém mais que seu professor de Física com uma câmera profissional na mão.
Levi
Levi viu quando Hanji e Eren entraram pela porta da sala e pelo olhar confuso do garoto estava claro que Hanji não havia lhe explicado nada.
Levi se aproximou dos dois, franzindo o cenho para o fato de que o garoto tinha a camisa xadrez suja de sangue amarrada na cintura. O professor viu o olhar curioso do menino na câmera.
—Sabe usar?_ Perguntou, levantando o objeto um pouco.
—Na verdade, sei_ Murmurou ele, sem olhar nos olhos do professor, que estranhou o ato.
Levi suspirou. Será que é por que ele está desconfortável com a ideia de ser fotografado? Pensou ele, mas não acreditava que fosse por isso.
Sabia pela cara do garoto, que ele devia estar curioso em relação ao fato de seu professor ser fotografo nas horas livres, mas nada comentou.
Levi arqueou as sobrancelhas para a castanha, que apenas deu de ombros e saiu da sala, por mais que quisesse ficar para ver a sessão, Erwin só havia a liberado para levar o garoto e voltar para a escola.
O menor decidiu que deixaria isso quieto por enquanto, e tratou de terminar de arrumar as coisas, se sentindo estranho, depois daquela semana em que o garoto conversou e cantou muito em sua orelha, acostumou-se a ter o garoto fazendo barulho a seu lado.
Tratou logo de tirar o curativo da testa do garoto, sabia que depois teria que o refazer, mas o garoto teria de aparecer de rosto limpo nas fotos. Agradeceu por Hanji ter tido a ideia hoje, em quanto o nariz do garoto não estava muito roxo, nem a bochecha muito inchada.
Com ajuda de uma maquiadora do próprio estúdio, parecia que não havia nada no rosto do menino exceto pelo corte, o qual o professor pediu para que não mexesse. Depois disso a maquiadora saiu e restaram apenas os dois.
Levi ordenou que o garoto fosse pra frente da parede branca, do outro lado da sala havia um cenário montado com poltronas chiques e enormes vasos de flores, mas por hora iria coloca-lo em um local sem nada.
O garoto parecia desconfortável, parado ali no meio, porém evitava olhar seu professor nos olhos, o que deixava Levi desconfortável e o mesmo nem entendia o porquê de se sentir assim.
Decidiu por fim colocar uma música, sabia que o garoto se soltava mais assim, mas não parecia estar sendo muito efetivo.
Por fim decidiu que teria de começar a tirar as fotos.
—Eren, olhe para a câmera_ Resmungou ele, o garoto olhou mas não fez nada além disso.
Ele não sabia como agir no momento, o que fazer ou a onde colocar a mão, e por isso se sentia constrangido.
Essa cara desesperada do garoto conseguia sair absurdamente fofa nas fotos e Levi ficava se perguntando como aqueles olhos conseguiam ser tão intensos, mesmo ali, em sua câmera.
—Não precisa ter vergonha de fazer poses Eren, na verdade você tem que fazer poses_ Disse o professor, frisando a palavra tem.
— Mas é que eu não sei o que fazer_ Respondeu o garoto, pela primeira vez encarando o professor nos olhos.
O professor nem imaginava que isso era uma rendição do garoto, pelo menos pelo resto do dia, ele tentaria ignorar o professor em outra situação.
—Só... Um, lembre-se de alguma revista que você viu, alguma foto, algum modelo e tente o imitar, não é difícil.
O garoto pareceu ponderar as palavras do professor e decidiu tentar, ainda envergonhado, a fazer algumas poses. Levi arrastou um puff preto e grande para que o garoto se deitasse para algumas outras fotos, o que facilitou com toda certeza o trabalho do mais novo em pensar em poses.
Levi trocou a lente da câmera e se agachou perto do moreno, tirando mais algumas fotos e olhando o resultado na tela da máquina. Tinha de admitir, o garoto era mesmo fotogênico, mesmo com o corte na testa.
Levi fazia questão de mostrar as fotos ao rapaz que vendo os resultados, se soltava cada vez mais. A música rodava ao fundo, o que também ajudava, já que o mais novo começara a cantarola-las.
Levi até deixou que o garoto pegasse a câmera um pouco, a qual mostrou saber manusear com gosto e destreza. Levi viu o garoto morder os lábios em quanto tirava uma selfie e sorriu, aqueles estranhos minutos de mais cedo esquecidos.
Eren, vendo que o professor lhe lançava um sorriso, sentiu o peito aquecer-se de maneira surreal e inconscientemente sorriu de volta.
O professor perdeu o folego na hora. Já havia visto aquele sorriso antes, em seus sonhos, e sempre teve curiosidade de vê-lo pessoalmente, mas não esperava que isso acarretasse em mais “sonhos acordado” como o pequeno flash que teve do garoto o abraçando com força, o enorme sorriso no rosto e o estranho uniforme que sempre aparecia em seus sonhos.
Eren, distraído com a câmera, não reparou na reação do professor.
—Pirralho, vem_ Resmungou o professor, como sempre, ignorando a situação.
O garoto seguiu o professor para o cenário montado e começou a perguntar o que queria ter perguntado no inicio.
—Professor, você não tinha que estar tendo aulas agora?
—Você também Jaeger, mas o Erwin nos intimou a vir fazer essa seção porque ele também quer que você represente a escola, então..._ Explicou Levi, analisando as roupas do garoto e o cenário, coisas que provavelmente não iriam combinar.
Eren corou quando o professor lhe pediu para tirar a blusa, mas obedeceu e se preparou para as fotos.
Levi sentiu uma pequena pontada no baixo ventre ao olhar o corpo do rapaz, mas sabia que aquela não era a hora para começar a pensar sobre sua conduta como professor, por isso continuou a fotografar, evitando olhar muito o menino.
É incrível como até seu corpo é igual aos sonhos, pensou Levi, exceto pelas cicatrizes.
O garoto realmente tinha muitas cicatrizes e algo no peito do professor dizia que havia mais por trás daquilo do que o garoto deixava transparecer. Mesmo assim o professor continuou com as fotos que ganhavam outro aspecto com o menino sem camisa.
O garoto estava agora completamente solto, interagia com os objetos ao redor, fazia poses _essas quais o professor julgou, digamos, lascivas?_ e sorria para a câmera, se divertindo.
Quando já estava quase batendo seis horas o professor levou o garoto de volta para a escola, aonde ele pegaria sua carona para o trabalho.
Levi viu o garoto se afastar correndo em direção ao portão, mas não desceu do carro.
Soltou um suspiro, lembrando-se do garoto sem camisa começou a ficar preocupado com a possibilidade de ter mais um daqueles sonhos com o garoto, essa possibilidade fugia de sua ética, ele simplesmente não podia pensar no garoto dessa maneira.
Sabia que acordado não possuía esse tipo de pensamento pelo menino, tinha sim uma simpatia pelo mesmo, não podia negar, o que era bem inesperado de sua parte, já que não costumava gostar das pessoas assim, facilmente. Mas era óbvio _claro que sim_ que não se sentia atraído pelo pirralho, podia acha-lo bonito, não negava, mas não se sentia atraído, de maneira alguma... Porém isso não retirava das suas costas o fato de que não podia ter qualquer tipo de pensamento_ mesmo que fosse em sonho_ com o menino, isso iria contra seu código de moral.
Apertou o volante do carro entre os dedos longos, não sabia o que faria, não podia controlar seu sono em quanto dormia. Desistindo de pensar no assunto, ligou o carro e saiu do estacionamento, hoje o pirralho havia sido dispensado de sua detenção por causa do rosto detonado e Levi não precisaria busca-lo.
Sozinho, em casa, nem parecia que os sonhos houvessem acontecido, mas Levi sabia que quando pregasse os olhos os sonhos o atingiriam com força, principalmente depois de ter passado o dia com o garoto, e sabe o que é pior? Nem tinha com o que distrair a mente, não precisava nem se preocupar em repor aulas, já que era o professor mais adiantado.
Inconformado, Levi se jogou no sofá e tentou pensar nas atividades que teria de se encarregar para que a semana cultural ocorresse bem, mas também não deu muito certo e agora estava com certo receio de dormir, mas depois de debater percebeu que estava agindo como criança, se deixando levar por pesadelos.
Suspirando, o professor foi para a cama.
Sonho
Levi piscou, observando o local a sua volta e percebendo que estava em uma colina e logo abaixo havia uma floresta com arvores grandes.
Sentados em baixo de uma arvore frondosa era possível observar duas pessoas, um homem e um rapaz.
Eles não perceberam a presença de Levi, que estranhou. Sabia que aquilo era um sonho, porém nunca os tinha dessa forma, observando a situação de fora. Levi decidiu então descer a colina para perto das duas pessoas que logo identificou, porém os mesmos não pareciam cientes de sua presença.
O rapaz, que Levi logo reconheceu como Eren, segurava um passarinho nas mãos com cuidado para não machuca-lo em quanto era observado pelo olhar atento de ninguém mais, ninguém menos, do que Levi, só que esse usava o uniforme com ao emblema das asas sobrepostas que o professor já cansara de ver e estava sentado ao lado do garoto.
O professor que estava agora parado em frente aos dois observou as próprias roupas, vendo que eram as mesmas que usava quando havia ido dormir e depois voltou o olhar aos dois homens sentados.
O menino de estranhos olhos verdes olhou para seu superior e lhe sorriu, e surpreendentemente, Levi ficou surpreso ao ver a própria figura (o capitão, era esse seu cargo?) sorrindo de volta, em seus sonhos ele era tão sem expressão _bem mais do que acordado_ que ficou surpreso com o ato, ficou mais surpreso ainda quando viu o capitão puxar o menino pelo queixo e lhe dar um selinho carinhoso.
O peito do professor se aqueceu e bateu mais forte e por breves segundos ele se sentiu enciumado, mesmo que o capitão fosse ele, no fundo. Lógico que mais rápido do que esse pensamento surgiu, ele foi retirado da cabeça. O garoto, com as bochechas coradas, abaixou o olhar que passou direto pelo professor.
A sensação de não ser visto era estranha, isso incomodava Levi.
—Você é lindo Eren_ Sussurrou o capitão na orelha do mais novo.
O garoto corou mais ainda, porém dirigiu sua boca de maneira decidida em direção a boca de seu capitão novamente, trocando mais um selar carinhoso.
O professor apenas ficava ali, parado ao lado deles, observando a cena.
Sorrindo, o garoto se separou de seu superior e soltou o passarinho que bateu as asas alegremente e saiu voando.
Então a cena mudou de repente e Levi estava parado em um corredor escuro, pelas suas roupas ele ainda não havia encarnado o seu personagem que costumava interpretar nos sonhos_ o capitão.
Andando meio receoso, atravessou todo o corredor, até parar diante de uma porta, a única daquele enorme corredor. Levi não escutava nada, apenas silencio. Devagar ele empurrou a porta de madeira e começou a escutar alguns barulhos.
A porta bateu levemente na parede quando foi completamente aberta, causando um leve baque. Ali na sua frente, no final do quarto e ao lado da cama ele via a própria figura, de costas para si e apenas de calças _essas que estavam um pouco abaixadas. Agarrado ao capitão estava o garoto de olhos verdes, as pernas enroladas na cintura do mais baixo e apoiado na parede em quanto seu capitão se mexia, as costas nuas e suadas do garoto eram esfregadas na parede e o mesmo gemia sem pudor algum, chamando pelo nome do capitão.
Levi se adentrou o quarto em passos lentos, porém a única coisa que vinha em sua cabeça no momento era como não havia escutado nada do lado de fora.
Algo estranho aconteceu em seguida, o garoto mais novo piscou os olhos e olhou diretamente para o professor, como se finalmente o tivesse visto.
—Professor Levi?
O capitão parou de se mover em quanto o garoto e o professor se encaravam, confusos.
Então tudo ficou preto.
Fim do Sonho
Levi abriu os olhos vagarosamente e olhou de relance para o relógio na cabeceira de sua cama, eram duas da manhã.
Suspirou.
Espreguiçou-se e rolou de lado na cama, tentando entender o sonho estranho que tivera, sentia algo em seu estomago, uma sensação estranha e crua. Franziu o cenho e sentou-se.
Nunca havia tido o sonho em que observava as coisas como uma terceira pessoa, e com toda certeza nunca foi reconhecido por professor e apenas por capitão. Vendo o rumo que seus pensamentos estavam tomando, Levi voltou a se deitar, recusando completamente a ideia de se importar com um simples sonho.
Suspirou e fechou os olhos, sentindo seu corpo cada vez mais leve, ignorando uma outra sensação que se instalava em seu peito e ia crescendo, até que adormeceu novamente.
Eren
O garoto encarava o teto do quarto escuro, pela fresta da cortina entrava a única fonte de iluminação: a luz da lua. A luz fora cortada duas horas atrás porque a conta não havia sido paga e Eren não sabia o que iria fazer em relação a água que estava pra vencer, por mais que tivesse dito aos amigos que logo sairia do vermelho, as coisas não aconteciam assim, de uma hora para outra.
Eren não entendia como era possível que não estivesse a arrancar os cabelos com a situação, na verdade não era bem isso que não entendia. O que Eren não entendia é que mesmo naquela situação o que estava na sua cabeça não eram seus problemas e sim o sonho estranho que teve.
Desde a infância Eren tem pesadelos e apesar de acordar desesperado quase todas as noites, quase nunca se lembrava deles. A única coisa que sempre se recordou em seus sonhos era o símbolo com as asas sobrepostas e as vezes algum rosto ou outro, algumas cenas sangrentas que o fizeram ter medo de dormir durante uma longa parte da infância, até descobrir que a vida também podia ser cruel fora dos sonhos.
Eren só passou a lembrar do que sonhava depois de conhecer o professor Levi, e ainda lembrava-se apenas dos sonhos em que o mesmo aparecia, isso irritava Eren, afinal, ele precisava aparecer até mesmo em seus sonhos?
Apesar de que, o sonho daquela noite havia sido um pouco mais bizarro do que costumava ser e bem mais constrangedor do que costumava ser. Já havia tido um sonho em que fazia sexo com seu professor, que no sonho era seu superior, mas não esperava que no sonho aparecesse seu professor como professor mesmo...
Não sabia com o que estava tão incomodado, afinal, era um sonho, e ninguém sabia o que podia acontecer em sonhos, mas Eren sentia que havia alguma coisa errada com aquela história toda. Geralmente seus sonhos tendiam a ser bem reais, tanto que chegava a dar medo, mas foi como se o professor realmente tivesse estado ali, observando a cena... Como se por um momento tivesse entrado em sua cabeça e visto seu sonho.
Sabia que a ideia era impossível, mas que tinha sido uma situação bizarra, tinha.
O menino então rolou seu corpo esguio na cama, ficando de barriga pra baixo e pressionou o travesseiro contra o rosto, abafando um grito de raiva.
Não gostava daquilo, não gostava de sonhar com o professor, não gostava de pensar no professor! Sabia que seus pensamentos começavam a caminhar para lugares perigosos e não gostava nem um pouco disso, principalmente sabendo que poderia estragar uma “quase” amizade com o único adulto naquele fim de mundo que chamava de escola que se importou com ele verdadeiramente.
Eren não queria estragar tudo.
Mas sentia que era inevitável.
Suspirando o garoto apenas afundou a cara no travesseiro e fechou os olhos, logo sendo puxado para a inconsciência.
Quando acordou na manhã seguinte nem se recordava direito com o que havia sonhado, mas recordava-se do caminho que seus pensamentos estavam tomando e por isso decidiu que a noite, quando voltasse do trabalho, conversaria com Armin sobre o assunto, a procura de conselhos.
Andando pela casa silenciosa o garoto tentou não fazer barulho, assim como Eren, sua mãe, Armin e Mikasa trabalhavam com bicos no final de semana, mas apenas na parte da tarde. Adentrando a cozinha o rapaz apertou instintivamente o interruptor, sem resultados.
Bufou, torcendo que o dinheiro que receberiam hoje fosse o suficiente para pagar a luz e a água que estava por vir.
—E ai Eren_ Murmurou Armin, reprimindo um bocejo em quanto entrava na cozinha.
Eren saltou alguns centímetros do chão com o susto, o loiro riu um pouco, mas depois esboçou um ar preocupado.
—O que foi Armin?_ Questionou Eren, a algum tempo que não conversava direito com o amigo e estivera muito concentrado nos próprios problemas nos últimos dias, acabou deixando os amigos meio de lado e sentia-se culpado por isso.
—Eren_ Começou Armin, num tom sério_ Eu acho que posso estar muito ferrado.
—O que? Por que?_ As sobrancelhas de Eren franziram-se de preocupação, os lábios franziram-se em uma linha reta.
Armin abaixou a cabeça e pegou o amigo pelo pulso, puxando o para o quintal dos fundos, tinha medo de que alguém ouvisse sua conversa.
O frio matinal atingiu os dois em cheio, mas Eren nada disse.
—Eren_ Iniciou Armin novamente, decidido_ Acho que a Annie está gravida.
Surpresa tomou a expressão do rapaz moreno, depois um pouco de preocupação, sabia que a situação de Annie não era melhor que a sua, seu pai havia morrido a alguns anos e sua mãe nunca se importou muito com a loira, não demorou pra casar-se com um bêbado qualquer e não liga pra o que quer que a menina esteja fazendo, porém sabia que ela não iria aceitar de bom grado uma criança na casa dela e Annie, apesar do olhar sempre entediado, tinha um bom coração e não iria abortar.
Eren já estava pronto para pegar seu celular e ligar para a garota que, por mais que tivesse uma personalidade contrastante com a sua, era uma de suas melhores amigas, quando lembrou-se que o garoto havia dito “Eu acho que posso estar muito ferrado”, o que significava que o ferrado da situação era ele...
Eren analisou o rosto do amigo com cuidado, lembrando da estranha cena que viu durante uma aula vaga, quando o loiro se sentiu incomodado quando Jean piscou para Annie.
O queixo de Eren caiu e ele meteu um soco_ não muito forte_ no ombro de Armin, que o encarou confuso.
—Por que diabos você não me contou que estava saindo com a Annie?
As bochechas de Armin avermelharam-se e Eren não conseguia acreditar em como a situação era absurda, a Annie com aquele olhar gélido e Armin com sua inocência? Não fazia sentido!
—Eu não acredito Armin! Você dormiu com ela e não me contou? O que é isso? Sou seu melhor amigo! Como pode não contar algo assim pra mim?!_ Brandiu Eren, tomando cuidado para não falar alto de mais, o sol nem havia nascido ainda e os vizinhos deviam estar dormindo.
—Eu sei que devia ter contado Eren, mas é que você anda sempre tão ocupado com os trabalhos que eu não quis te preocupar com coisas bobas_ Murmurou o loiro, a voz meio triste.
O peito de Eren ardeu em culpa, ele devia estar ajudando o amigo e não dando broncas nele.
—Ok_ Disse por fim_ E o que você vai fazer? Sabe que a mãe dela não vai deixar que ela fique lá.
—Eu sei_ Respondeu Armin, o ar sério adornando seu rosto novamente_ Estava pensando em traze-la pra cá também, meu avô não iria se importar, mas ela ainda tem que confirmar, pediu que eu comprasse o teste, então..._ Ele não terminou a frase.
—Trazer uma garota cheia de problemas pra dentro de casa?_ Questionou Mikasa na pequena varanda do quintal dos fundos, se aproximando dos garotos que a olharam surpresos_ Por que essa história me parece tão familiar?
Eren riu.
—Nós realmente temos problemas, não conseguimos nem pagar as contas direito e teimamos em achar que podemos ajudar todo mundo_ Disse ele, por fim.
—Vocês me ajudaram_ Rebateu mikasa, se aproximando do irmão e do amigo, abraçando os dois.
—Nós sabemos_ Resmungou Eren retribuindo o abraço desajeitado_ E Armin, vou aproveitar que vou ter que ir trabalhar com Mikasa no período da tarde hoje e já aproveito e passo em uma farmácia, nós dois sabemos que não saberíamos comprar esse teste.
O loiro assentiu, os olhos chorosos e o sentimento de culpa revirando o estomago. Ele não gostava de enfiar Eren no meio de seus problemas, mas era sempre assim, quando algo acontecia ele sempre corria para o amigo.
E Eren, encarando a cara triste do amigo, não tinha a mínima ideia de como é que Annie e Armin acabaram por ficar juntos, não havia sentido naquilo.
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Já de noite, com a sacola da farmácia em mãos, Eren e Mikasa caminhavam juntos em quanto conversavam sobre a situação do amigo.
—Então você sabia? Por que não me contou?_ Questionou Eren, exasperado.
—Armin pediu para eu não contar, ele queria te contar pessoalmente, sabe que você tem muito carinho pela Annie, porém você estava sempre tão ocupado com o trabalho e com as detenções que ele não queria te atrapalhar.
Eren suspirou, alheio ao jeito como Mikasa pronunciou a palavra “carinho”, um claro sinal de ciúmes.
—E ai_ Começou ele novamente, fazendo a asiática olha-lo_ Você acha que a Annie está mesmo grávida?
—Eu não sei_ Respondeu ela, sincera.
Quando os dois chegaram em casa, não foi surpresa encontrar todos reunidos na sala apertada iluminada apenas por velas, já que ainda estavam sem luz. Carla e o senhor Arlert, com sua barba castanha e cheia, estavam sentados ao lado do par de loiros que estavam de mãos dadas.
Annie encarou os irmãos que entravam na casa e retiravam os sapatos com calma e logo se aproximaram dela.
Foi com os olhos temerosos que a garota pegou o teste da mão do amigo, a loira mordeu os lábios e olhou para o loiro a seu lado, que assentiu, como se a incentivasse.
A loira afirmou com a cabeça e suspirou, como se buscasse coragem e então encarou os olhos verdes que a olhavam com preocupação, não conseguiu resistir e abraçou o amigo com força. Durante muito tempo Eren havia sido seu porto seguro, seu salvador .Desde os 13 anos ele a ajudava, falava que no fim das contas tudo ia ficar bem, por mais que estivesse sempre com a cara toda quebrada por se meter em lutas clandestinas.
Era Eren quem saia no meio da madrugada atrás dela quando a mesma brigava com a mãe e saia de casa, era Eren que falava que não precisava do amor de seus pais porque tinha os amigos, era Eren que servia de ombro amigo quando ela precisava chorar por ter discutido com sua mãe e com o padrasto idiota. Eren foi quem segurou sua mão no enterro do pai, Eren era seu melhor amigo.
Eren era seu irmão.
Podiam não partilhar do mesmo sangue, mas partilhavam o coração e a alma. Annie sentiu uma lágrima escorrer por sua bochecha.
—Vai dar tudo certo_ Resmungou Eren, retribuindo o abraço apertado_ Você sabe disso, não sabe? Vai ficar tudo bem.
A loira sentiu mais uma lágrima escapar e suspirou pesadamente, um bile estranho subindo pela sua garganta, junto de uma culpa que ela nunca entendeu de verdade. Annie, diferente da maioria das pessoas, acreditava em reencarnação e sabia que havia feito algo muito ruim para seus amigos em uma outra vida, mas nunca entendeu a extensão disso, porém sabia que faria de tudo para recompensa-los, principalmente a Eren.
Respirando fundo a loira fungou e se separou do moreno, limpando os olhos com a manga do moletom e forçou um sorriso, logo em seguida pegou a sacola em que estava o teste e se dirigiu ao banheiro sem falar nada para ninguém.
Armin se encolheu no sofá e colocou a testa nos joelhos, dobrando-se contra as cochas, nervoso.
Não demorou muito tempo para que a loira reaparecesse na sala.
—É confiável?_ Questionou Annie.
—Infelizmente, sim_ Respondeu Carla, se pronunciando pela primeira vez desde que Eren e Mikasa chegaram.
—Então_ Uma pausa_ Estamos mesmo ferrados.
Todos na sala ficaram em silencio em quanto o casal de loiros se abraçavam, abalados.
—Amanhã a gente vai buscar suas coisas na sua casa Annie, mas você já pode passar essa noite aqui, se quiser.
A mesma assentiu e não demorou muito pra que se dirigisse ao quarto de Armin, já o loiro continuou na sala e teve uma breve conversa com o avo, que foi muito paciente e prestativo, sabia que Armin havia cometido um erro irresponsável, mas sabia que o garoto também ia arcar com as consequências, conhecia o próprio neto.
Não demorou para que o avo de Armin e a mãe de Eren fossem dormir também, mas antes disso Carla deixou um beijo estalado na testa de Eren, que fez uma careta. No final de tudo, na sala restaram apenas os três amigos que se enroscaram no sofá.
—Vocês conseguiram dinheiro para a conta de luz?_ Iniciou Armin, o olhar perdido em algum ponto da sala, mostrando que não estava lá muito interessado na conversa que ele mesmo iniciara.
—Hoje de manhã eu trabalhei na farmácia, ou seja, ainda vai demorar pra eu receber meu salário, mas no período da tarde eu e Mikasa trabalhamos num mercadinho em Shiganshina e conseguimos alguns trocados e fomos pagar a conta no caminho de volta pra casa, porém a luz só deve voltar amanhã_ Respondeu Eren, também sem muito interesse.
Eren então lembrou-se que queria conversar com Armin sobre os sonhos estranhos com o professor, esteve tão preocupado com Armin e Annie durante o dia que quase não pensou no professor durante o dia, quase. Se dissesse que não o tinha feito estaria mentindo.
Apesar de tudo, não se sentia confortável em conversar sobre isso com Mikasa por perto e a mesma lhe lançou um olhar quase ofendido quando o garoto pediu que a mesma saísse da sala para que eles pudessem conversar, mas saiu sem dizer nada.
Armin lhe lançou um olhar interrogativo em quanto a garota saia da sala em paços de tartaruga, como se estivesse relutante em fazer o que o irmão avia mandado. E estava.
—Então_ Começou Armin, obrigando o amigo a deitar-se de lado no sofá, para que conseguisse se deitar também, os rostos mais próximos ajudava-os a falar baixo e Armin já imaginava que aquela talvez fosse uma conversa que o amigo não queria que outra pessoa escutasse_ O que foi?
Eren mordeu os lábios, constrangido, afinal. Sabia que teria de admitir coisas bem vergonhosas ao amigo.
—Eren, você já mandou a Mikasa sair daqui, agora vai ter que contar_ Insistiu o loiro.
Amuado o rapaz começou a explicar a situação, corando bastante em certas partes, relatou os sonhos, as visões acordado e da incrível familiaridade que sentia quando estava perto do professor.
—Eren, lembra quando éramos crianças e você disse que sentia como se já me conhecesse?_ Questionou Armin, olhando os olhos verdes do amigo.
—Não_ Admitiu, Eren não gostava de lembrar de sua infância, aprendera com o tempo a tacar no fundo da cabeça lembranças indesejadas.
—Mas você o fez, falou que não se lembrava dos próprios sonhos, mas tinha certeza que estávamos neles e tinha a impressão de que já havíamos nos conhecido antes, talvez tenha alguma coisa a ver com isso. Annie, Ymir, Connie, Sasha, todos disseram ter a mesma sensação de que... Que já havíamos nos conhecido em algum momento, por mais que tivéssemos certeza absoluta de que não_ Uma pausa_ sei que é difícil pra você acreditar, mas e se realmente tivéssemos nos conhecido, não agora, mas em outro tempo Eren? Em outro lugar?
—O que você quer dizer? Tipo... Reencarnação?_ Questionou Eren, os olhos atentos no rosto do loiro.
—Exatamente, não é assim tão difícil acreditar na ideia, afinal, tem certos mistérios no mundo Eren, que nós nunca iremos desvendar_ O olhar de Armin estava distante, mas rapidamente voltou-se em direção a Eren_ mas eu tenho uma leve impressão que se somos reencarnados ou não, isso não importa pra você. O que está te encucando é o professor.
Eren fez um bico e assentiu. Armin riu.
—Eren_ Armin começou novamente_ você gosta do professor?
Eren, para a surpresa do amigo loiro, não negou imediatamente, gaguejando e corando, mas também não deu uma resposta positiva.
—Eu não sei_ Admitiu o moreno_ ele é cheio de manias estranhas, agressivo, grosso e prepotente.
—Pera ai_ Interrompeu Armin_ Você acabou de usar a palavra prepotente?
—Armin, eu passei quase dois meses tendo detenções com o professor, então sim, eu usei a palavra prepotente, agora cala a boca e escuta, fazendo favor?_ Eren esperou, checando se o loiro não ia mais intervir_ Não tem como negar que ele é o único professor que ao menos se importa com a gente, com exceção de Hanji, mas ela não conta, Hanji ama todo mundo e o professor, bem...
Eren não soube continuar a partir dali, ele não conseguia verbalizar as palavras.
—Ele é inteligente, bonito..._ Continuou Armin, pelo amigo, lhe lançando um sorriso divertido.
—Intrigante_ Murmurou Eren, acanhado_ e os olhos dele, são, hum... Muito bonitos.
Armin sorriu para o amigo, compadecido.
—Então você gosta dele?_ Questionou novamente, o sorriso brincando no rosto era um alivio para o estresse de pouco tempo atrás.
Eren apenas olhou para o amigo, sem responder.
Armin suspirou.
—Eren, não estou pedindo para que admita que ama loucamente o professor, só estou perguntando se você gosta dele.
Eren continuou sem responder, tinha a impressão de que se verbalizasse aquela frase a situação toda ficasse mais séria, oficial.
—Eren_ Armin continuou, achando graça do amigo_ você não é a única pessoa do mundo que vai gostar do próprio professor, várias garotas no mundo todo passam por esse problema.
—Eu não sou uma garota Armin_ Resmungou Eren, as bochechas quentes.
—Ah, mas então é esse o problema?_ Enquistou o loiro, arqueando as sobrancelhas_ Eren, por favor, não vá me dizer que não aceita a própria sexualidade.
Eren lhe lançou um olhar feio e uma ideia passou pela cabeça de Armin.
—É a primeira vez que sente atração por alguém do sexo masculino?_ Isso não fazia sentido na cabeça de Armin, desde que conhecera o garoto, ainda criança, tinha certeza que o mesmo era gay. Não por ser afeminado ou coisa do tipo, na verdade Eren era agressivo e irritadiço, bem mais masculino que si mesmo, porém o loiro sempre teve essa certeza no fundo da cabeça, simplesmente sabia que Eren não iria casar com uma menina, era um fato.
—Mas é claro que é_ Brandiu Eren, irritado, depois fez uma careta confusa_ Você acha que eu gosto de garotos desde quando?_ A voz de Eren subiu umas duas oitavas nessa frase, por mais que a frase tenha saído completamente estranha de sua boca.
Gostar de garotos não fazia sentido para Eren, porque ele não gostava de garotos, Levi era uma exceção.
—Desde que eu te conheço_ Admitiu o loiro, contendo a vontade de rir.
—Ok, ok_ Murmurou Eren, empurrando o amigo com o ombro para que parasse de tirar uma de sua cara_ Eu gosto do professor, admito.
Foi como se um peso houvesse saído de seu ombro, se sentiu aliviado por breves segundos até que um pavor subiu por seu peito.
—O que eu vou fazer Armin?_ Choramingou o moreno.
—Como assim o que vai fazer? Você não vai fazer nada Eren, primeiro porque sabe que esse lance de professor e aluno da cadeira e segundo porque, sem querer ser rude, mas mesmo que Levi seja o seu capitão reencarnado, não acho que ele vá te corresponder_ Uma pausa_ O professor Levi não tem cara de ser alguém que arrisca a carreira assim, além do mais, digamos que alguns dos seus sonhos sejam reais, você disse que se lembra dos que o professor aparece, talvez porque eles não sejam lembranças de uma vida passada, mas sonhos mesmo, coisas da sua cabeça.
Eren tentou esconder o olhar decepcionado e fingir que as palavras do amigo não o afetaram, mas Armin era esperto demais para isso.
—Ta, ok_ Interrompeu Eren_ você sabe que eu nunca acreditei nesse tipo de coisa, não sebe?_ questionou Eren, mesmo que por alguns minutos tenha fantasiado ser um garoto reencarnado destinado a reencontrar os amigos e, talvez, alguém de quem gostasse_ A questão aqui Armin é que você sabe que eu não sei ser discreto, agora que já admiti oficialmente que gosto dele, menos ainda, ele logo vai perceber que gosto dele.
—E quando o fizer ele vai tentar te afastar, você sabe disso_ Respondeu Armin, tentando o máximo possível não magoar o amigo, porém sabia que era melhor botar juízo na cabeça dele em quanto podia, se realmente começasse a ter sentimentos pelo professor a coisa ia ficar preta e Armin não sabia o que podia acontecer com Eren, não queria vê-lo voltar para suas épocas tenebrosas, não agora que estava melhorando_ Na verdade quem já devia ir tentando mante distância é você, todos já percebemos que vocês acabaram criando algum tipo de quase amizade estranha, mas ele já está acostumado a lidar com adolescentes rebeldes, não vai estranhar se você quiser se afastar de repente e vai ser melhor para os dois.
Eren decidiu não comentar sobre já ter cogitado a ideia, mas acha-la meio complicada tendo em conta que era inevitável ver o seu professor nas detenções, como seu carona e claro, nas aulas.
Armin percebeu que o amigo não queria mais conversa, mas achava que Annie queria um espaço pra si mesma e achou melhor deixa-la sozinha no quarto, já Eren estava com preguiça de mais para levantar, então os dois decidiram dormir no sofá, cada um deitado com a cabeça em uma ponta, pela lógica, isso economizava espaço, como quando você guardava os sapatos.
Eren não demorou a dormir, mesmo com um pensamento irritante pairando a cabeça:
Os dias que viriam iriam ser complicados, muito complicados.
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