Versprechen
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Levi~
Aquele domingo havia se passado de forma tranquila , o tempo esquentara um pouco e eu me focava em minhas aulas, estava fazendo um planejamento em quanto tomava um café.
O relógio marcava oito da noite e eu suspirei pesadamente ao me lembrar que a partir de amanhã teria de servir de carona para um certo moreno de olhos verdes. Se bem que eu não podia reclamar muito, já que eu que havia me oferecido para dar carona e não dei margem para o garoto recusa-la. Claro que também não pensei nas consequências dos atos e ignorei totalmente o fato de estar na frente de uma sala repleta de professores bisbilhoteiros que não iam nem com a minha cara, nem com a do garoto. Mas ao que parecia, eles só achavam que eu estava sendo muito bonzinho com o garoto ao lhe dar tamanha liberdade com relação ao horário.
Tentei me focar novamente no que eu fazia, sem sucesso. Minha cabeça teimava em voltar aos olhos verdes do garoto e a seu sorriso, o qual, depois de um tempo eu percebi, eram um tanto raros. Tentei afastar a esses pensamentos, também não obtive sucesso.
Outra coisa que martelava em minha cabeça era o fato de que o garoto não se mostrava tão ruim quantos os professores diziam ser, mas tinha uma leve impressão de que isso era só comigo, pois uma vez o peguei batendo boca com Mike e fiquei sabendo que tinha feito uma pegadinha com Petra _ mesmo assim os professores pareciam achar que as detenções estavam sendo efetivas, alegavam melhoras no comportamento dele.
Já eu não sabia o que pensar, nas minhas aulas o garoto era quase completamente obediente, as vezes seus olhos lampejavam uma raiva grande demais para uma pessoa da sua idade e ele me respondia, brandindo um ódio sem necessidade. Um olhar gélido era suficiente para faze-lo amuar-se. Por algum motivo eu sempre me sentia mal quando isso acontecia, não gostava de ouvi-lo dizer, com aquele tom triste, as palavras “desculpe, senhor”. Me doía o peito e eu não conseguia entender o motivo.
Eu também não conseguia ignorar o fato de que Eren era idêntico ao garoto dos meus sonhos, mesmo que tivesse decidido não pensar muito nisso, era meio que impossível quando os sonhos tornavam-se cada vez mais frequentes e vividos. Me lembro que os tinha desde a infância, eram sonhos estranhos, com criaturas grandes e perigosas, os sonhos eram por muitas vezes sangrentos e era com o coração apertado que eu havia visto a morte de Isabel e Farlan como se fosse algo real, que estivesse passando em frente aos meus olhos... Talvez fosse por isso que eu era tão protetor com eles.
E mesmo que já houvesse tido sonhos desse porte, envolvendo mortes de pessoas queridas, os que eu mais me lembrava eram os quais o garoto aparecia, sempre sorrindo e me olhando com ternura, exceto, claro, por um sonho; o mais desesperador deles, aquele sonho em que ele morria nos meus braços.
Não me lembrava de ter tido esse sonho em minha infância, por mais que já tivesse sonhado com Eren, passei a tê-lo só depois de ter sido chamado de senhor pelo mesmo. Lembro que na hora, dentro da sala dos professores, todos haviam ficado embasbacados, até mesmo eu, só que por motivos diferentes dos deles. Por um segundo jurei que o havia visto ali, em meus braços, ensanguentado. Desde então os sonhos começaram, extremamente vividos e aterradores.
Em meu sonho eu me desesperava ao ver a cor sumir dos olhos verdes e quando acordava, a única coisa que conseguia fazer era levar a mão ao peito dolorido.
Percebendo que trabalho nenhum sairia dali desliguei o computador e guardei minhas coisas, tentando o máximo possível não pensar nos meus sonhos, mesmo ali, acordado, aquilo era aterrador. Mais aterrador do que deveria ser em uma relação de aluno e professor que mal se conhecem.
Terminando de guardar minhas coisas eu apenas me sentei no sofá e liguei a televisão, aonde passava alguma reportagem qualquer em que eu não prestei lá muita atenção. Meus pensamentos teimavam em voltar a Eren.
Afinal, por que me incomodava tanto quando o mesmo chegava a escola mais cabisbaixo? Coisa que pelo que percebi, acontecia com frequência. Por que me sentia tão nostálgico quando ele respondia um “sim, senhor!”, quase como um soldado? Tinha certeza absoluta que isso era por causa dos meus sonhos, mas a parte racional do meu cérebro dizia que não era bom nem ao menos tentar entender esses sonhos, tinha a leve impressão que não gostaria do real significado por trás deles, isso é, se eles realmente tivessem significado.
Sempre fui uma pessoa bem racional, confiando muito na ciência, porém esses sonhos pareciam superiores a minha compreensão, ou a compreensão de qualquer um.
Me acomodei mais ao sofá e tentei me focar na TV, ainda sem sucesso.
Suspirei.
Não gostava da ideia de ficar pensando no menino, mas também não conseguia não pensar. Não que eu estivesse realmente me esforçando para isso. Haviam outras coisas que também faziam com que eu ficasse pensando nele: o fato de que era capaz de entrar numa luta e se machucar feio para ajudar a família _havia descoberto isso após interrogar Armin sobre a cara machucada do amigo_ e a aura melancólica que eu conseguia ver envolta dele as vezes, quando ele sabia que seus amigos não estavam olhando, me surpreendi ao descobrir que alguém tão novo podia transparecer tanta dor apenas com o olhar.
Eu não devia ficar pensando nisso, pensei eu com meus botões e soltei mais um suspiro, decido então a ir dormir, porque ficar acordado sem fazer nada também não estava sendo muito lucrativo.
Eu já esperava que tivesse mais um daqueles sonhos estranhos, onde eu era um capitão em uma época estranha. Só não esperava que esse sonho fosse um sonho depravado com meu aluno rebelde.
Quando acordei, as três horas da manhã, com uma ereção evidente entre as pernas, foi inevitável ficar pensando no sonho. Eu quase podia vê-lo ali, sentado em meu colo em quanto trocávamos um beijo lascivo, cavalgando em cima de mim.
Por um segundo pude escuta-lo me chamando:
“Capitão Levi...”
Quando me dei conta da situação, percebi que já havia passado da hora de procurar um psicólogo, olha que eu não acreditava na efetividade deles, nem um pouco. Isso é o que dá ficar pensando no garoto, falei para eu mesmo. Uma vozinha na minha cabeça me dizia que eu devia estar um pouco mais perturbado com a situação, porém sentia que não havia nada errado naquilo, no sonho.
Balancei a cabeça, tentando afastar os pensamentos, eu sabia que aquilo era errado e não deixaria aquele estranho sentimento de familiaridade com o sonho tomar conta de mim, sabia que se deixasse iria dar merda.
Mal sabia eu que ia dar merda de qualquer jeito.
Olhando para o meio das minhas pernas cogitei a ideia de utilizar-me das mãos ou de um banho frio, mas tive medo que se o fizesse com as mãos a imagem do menino de olhos verdes voltasse em hora inapropriada, então optei pelo banho.
Enquanto eu tomava banho é que eu ia me dando conta do que havia acabado de acontecer, o sentimento de indignação para comigo mesmo ia tomando conta aos poucos e quando finalmente fui me deitar me perguntei como eu, um professor, podia imaginar uma coisa dessa com um dos meus alunos.
Desistindo de tentar a entender a mim mesmo, apenas rolei de lado na cama e fechei os olhos, voltando a dormir.
Acordei de manhã com mais um sonho, ainda com o menino Jaeger, a diferença é que nesse ele morria.
Tentando controlar a respiração falha e a histeria que começava a me dominar eu levei a mão no peito, como se isso fosse fazer parar de doer. Não parou.
Me surpreendi ao perceber que uma lágrima escorria pelo meu rosto. A sequei rapidamente, como se alguém fosse ver. Não conseguia compreender porque eu estava tão assustado, era apenas um sonho, não havia nenhum fundo de verdade naquilo. Uma vozinha na minha cabeça dizia que eu não estava exatamente certo, eu, como sempre, a ignorei.
Ok, Levi, falei para eu mesmo, está na hora de fingir que nada aconteceu.
Sempre fui competente em ignorar coisas indesejáveis, atribuía isso ao fato de ter esses sonhos estranhos desde a infância, então não tive muitos problemas. Como todos os dias eu me arrumei, limpei a casa e tomei um café rápido que consistia em torradas e grãos. Peguei meu material, desci ao térreo e dei partida no carro, me preparando mentalmente para receber Hanji gritando meu nome no estacionamento.
Apesar de tudo, aquela sensação estranha ainda continuava no meu peito, era como se tivesse algo entalado na garganta, querendo sair. Quanto mais eu me apercebia dessa sensação, mais forte ela ficava, passando pelo meu corpo em pontadas fortes de histeria e desespero.
Quando cheguei na escola a última coisa que eu estava era preparado para falar com Hanji, alguma coisa em minha expressão fez com que parasse na metade do caminho em minha direção. Seu sorriso morreu e ela não agarrou meu braço.
Passei apressadamente por ela, minhas pernas pareciam se mover automática e rapidamente. O desespero no meu peito crescia, parecia que eu ia estourar a qualquer momento.
—Ei, Levi_ Chamou Hanji, a voz preocupada.
Eu apenas continuei andando, a castanha no meu encalço. Até que eu o vi, conversando com uma loira baixinha que eu não me recordava o nome. O sentimento sumiu e algo parecido com alivio preencheu meu peito.
—Levi?_Questionou Hanji, parando ao meu lado e analisando meu rosto_ O que foi isso agora? Aquela expressão mortífera?
Soltei mais um suspiro e pisquei algumas vezes.
—Nem eu sei_ Murmurei eu, logo recomeçando a andar.
Passei na frente de Eren e da loira, que conversavam tranquilamente e não pude deixar de perceber que esse era mais um daqueles dias em que o menino estava mais cabisbaixo, lançando sorrisos falsos a menina a seu lado. Não pense nisso, Levi, a vida dele não lhe interessa, falei pra mim mesmo.
As aulas passaram tranquilas, o terceiro C _ o mais bagunceiro_ me deu um pouco de trabalho quando Jean e Eren começaram uma troca de palavrões, coisa que foi resolvida com um chute na canela de um e uma livrada na cabeça do outro.
Fora a isso não houve mais nada, os alunos eram espertos o suficiente para não fazerem baderna na minha aula.
Eren
Foi com certo desespero que eu vi o relógio a cima da cabeça do professor marcar 3 horas. O sinal bateu. Eu nunca corri tanto na minha vida.
Corri para o portão da escola como se minha vida dependesse disso, afinal, não era minha vida em jogo, e sim meu emprego. No caminho até esbarrei no professor Levi, que me lançou uma cara tão assustadora que achei que ia morrer ali mesmo, só que não pelas mãos dele. De enfarte do coração.
Murmurando um pedido de desculpas desajeitado eu voltei a correr ou minha carona iria embora.
—Ei, Eren!_ Gritou ele.
Estremeci da cabeça aos pés. Eu estava completamente ferrado, mas agora não era o momento de pensar sobre isso.
Quando finalmente passei pelos portões da escola pude facilmente enxergar a Kombi marrom de Reiner, parada e com a porta de trás aberta, praticamente voei pra dentro do veículo enferrujado e a próxima coisa que eu escutei foi o guinchar de pneus no asfalto. Mais rápido do que eu podia dizer meu nome, finquei os dedos no estofado do banco, tentando o máximo possível não sair voando com as curvas malucas que ele fazia.
— Nós vamos morrer_ Choraminguei em quanto Reiner entrava em mais uma rua com tudo, quase atropelando uma velhinha na calçada.
—Eu te disse Eren, eu te do carona, mas não assumo responsabilidade por qualquer coisa que possa acontecer_ Na mesma hora que ele disse ele fez outra curva com tudo, quase lançando o carro contra o muro de uma casa.
—Cadê a porra do cinto quando a gente precisa dele?_ Resmunguei eu, sabendo que não haviam cintos ali, essa não era a primeira vez que pegava carona com Reiner.
Senti o carro acelerar ainda mais e olhei o relógio. Eu tinha que estar lá 15:20 e nós já estávamos na metade do caminho. Era 15:05. Era por esse motivo que havia pedido que ele me desse carona.
Mais uma curva fechada que quase acertou, dessa vez, uma grávida. Minha cabeça bateu com força contra o vidro da Kombi e eu senti algo escorrendo pela minha testa.
Eu não tinha mais certeza se valia o risco.
Quando cheguei a farmácia tive de fazer uma avaliação em mim mesmo, apertando as partes do meu corpo e procurando algo que pudesse estar quebrado. Não achei nada muito grave além de alguns roxos e um enorme corte na cabeça.
Eu não sabia se conseguiria durar uma semana sem morrer ou de ataque do coração ou amassado dentro do carro.
Dei tchau para Reiner, que me lançou um sorriso afetado ao olhar para o enorme corte na testa. Já eu entrei na farmácia e corri para o banheiro antes que o velho Nack pudesse me ver. Dentro do banheiro apenas enrolei um pedaço de papel higiênico na mão, o molhei e limpei o machucado, o suficiente para não levar alguma bronca.
Já mais apresentável eu fui começar meu serviço. Me encarreguei primeiramente de repor as caixas de tinta pra cabelo nas prateleiras. O local não era lá muito movimentado, afinal, Trost era um bairro mais afastado do centro e não muito chique. Pelas janelas de vidro do estabelecimento eu conseguia ver alguns punks fumando cigarro e mascando chiclets no estacionamento.
Soltando um suspiro, dobrei as mangas da minha camisa xadrez de flanela pra cima e fui buscar uma caixa de xampus e condicionadores, olhando o relógio de soslaio eu percebi que faltavam mais de duas horas para o expediente acabar.
E em quanto arrumava os condicionadores nas prateleiras certas uma estranha ideia surgiu na minha cabeça e uma onda de preocupação me preencheu. Será que Levi viria me buscar, mesmo depois de ter lhe empurrado? A ideia de que não viesse parecia boba, principalmente porque as detenções eram algo em que não só eu tinha de comparecer, mas ele também e Levi não era uma pessoa que gostasse de não comparecer a compromissos sem avisar antes, ele era pontual e organizado... Na verdade ele odiava se atrasar, bagunçava todo seu cronograma e...
Parei na ponta dos pés em quanto colocava um xampu na prateleira. Como é que eu sei disso?
Fiquei olhando para o condicionador por um tempo, pensando sem realmente pensar. Uma imagem de uma época diferente passou por minha cabeça; a imagem de Levi, ali, parado em frente aos gigantes, me protegendo...
—Ei moleque!_ Levei um susto e quase deixei o condicionador cair_ Pare de dormir e volte a trabalhar!_ Gritava o velho Nack.
Decidi afastar a esses pensamentos da cabeça antes que perdesse o emprego, na verdade, decidi afastar todo e qualquer pensamento que envolvesse aquele professor da minha cabeça. Não gostava da sensação de familiaridade que ele trazia.
Não, dizer que eu não gostava dessas sensações era mentira. Eu gostava e muito daquelas sensações. Gostava até de mais.
Isso me incomodava. Incomodava saber que a voz de uma pessoa podia ser tão familiar, incomodava achar que aqueles olhos frios tão bonitos, me incomodava sentir que eu já o havia visto antes, mesmo que não o tivesse feito. Tudo no professor Levi me incomodava: Ele era grosso, hostil, egocêntrico e exibido. E por mais que fosse tudo isso, ele ainda passava aquela sensação estranha de que não importava o que acontecesse, ele daria um jeito, não importasse para que lado o barco virasse, ele arranjaria uma solução. Ele era sólido.
E eu não era nada. Pensei, com raiva.
Percebi que minha ideia de não pensar no professor não estava funcionando muito, então decidi por me esforçar mais e tentei desviar meus pensamentos, quando dei por mim já estava murmurando a frase não pense nele em voz alta sem nem ao menos perceber.
Quando o relógio marcou seis horas, não vou mentir, me surpreendi por encontrar o carro do professor no estacionamento.
E que carro!
Meu queixo praticamente caiu em quanto observava a BMW vermelha. Diferente da maioria dos garotos, eu não era lá muito fissurado em carros, não entendia nada dos mesmos e se você me pedisse para distinguir um modelo do outro eu não acertaria nem um terço. Quando brincava de STOP os modelos de carros eram sempre aonde eu tinha que ficar batendo a cabeça, mas não era tão burro ao ponto de não saber que aquele carro devia valer uma fortuna.
Dei a volta ao carro tomando cuidado pra nem encostar, sempre fui um desastrado e só um arranhão naquilo ali e eu teria que ficar pagando o concerto pelo resto da vida.
Quando me sentei no banco do passageiro a primeira coisa que eu senti não foi o conforto dos bancos de couro ou o ar ligado no quente, cortando o vento frio do lado de fora, mas sim um tabefe na nuca.
—Isso é por você ter esbarrado em mim aquela hora pirralho_ Falou ele, os olhos cinza focados eu meu rosto.
Soltei um muxoxo de dor, em quanto passava a mão na nuca. Percebi que ele ainda encarava meu rosto, os olhos focados no meu corte na testa.
—Como é que você fez isso?_ Disse, apontando com o dedo para o corte.
—Meu carona não é o melhor motorista do mundo_ Murmurei eu, colocando o cinto e me sentindo completamente desconfortável com a situação, era estranho estar no mesmo espaço que ele sem ser dentro da escola.
Quando levantei os olhos do fecho do cinto vi que ele me encarava com um ar preocupado.
—Vocês bateram o carro?_ Disse ele, por fim. Vi ele me olhando de cima abaixo, provavelmente procurando mais hematomas.
—O que?! Não!_ Me apressei em corrigir_ Se bem que nós quase batemos pelo menos umas dez vezes e ele quase atropelou uma idosa...E uma gravida! Bom, de qualquer maneira isso foi quando ele foi fazer uma curva e eu meti minha cabeça na janela.
Sua expressão pareceu aliviar-se um pouco, mas ainda estava tenso.
—Você limpou esse machucado direito?_ Questionou ele, já dando partida no carro.
—Pra falar a verdade não, só lavei com água pro velho Nack não me acusar de estar atrapalhando sua clientela.
—Sabia que se isso infeccionasse poderia te causar sérios problemas_ Falou ele, parecendo estressado.
—Humhum_ Murmurei eu, sem querer falar nada que me comprometesse e ao mesmo tempo não queria ignora-lo. O professor não era a pessoa mais fácil do mundo calmo, quando estava estressado então, só Jesus na causa.
—Tsc... quando chegarmos na escola vamos limpar isso, daí sim começamos a sua detenção.
No caminho pra escola descobri que diferente do que aprendera com Reiner, podíamos sim ser rápidos sem ter que quase matar alguém. O carro do professor parecia deslizar facilmente pela estrada e as coisas em volta ficavam todas embaçadas.
Em quanto eu observava o borrão que era a passagem, uma coisa em que eu não tinha pensado antes me veio a cabeça.
—Professor essa detenção está te tirando seu tempo livre, não está?_ Argh! O sentimento de culpa. Nada legal.
—Não comece a se preocupar com isso pirralho_ Falou, sem tirar os olhos da estrada.
—Ma senhor...
—Eren_ Baliu ele, o tom autoritário.
Suspirei.
Senti seu olhar recair sobre mim.
—Sei que isso não tem nada a ver comigo_ Começou ele, eu o olhei e me surpreendi por encontra-lo me encarando, e não com os olhos na estrada_ mas porque você fica meio deprimido de tempos em tempos?
—Olha pra rua!_ Falei, desesperado, lembrando de uma vez em que Reiner havia feito o mesmo e eu tinha praticamente voado quando ele teve que desviar de um cachorro_ e eu não sei do que você está falando.
Muito na defensiva? Completamente!
—Se não quer falar sobre isso é só dizer pirralho, você não sabe mentir_ Resmungou ele em resposta, parecendo quase ofendido, quase.
Eu nada disse, me lembrando que esse era outro pensamento que eu vinha tentando evitar o dia inteiro. Meu peito ardeu.
O silencio que se instalou no carro a partir daí não pareceu deixar nenhum de nós dois confortáveis e em quanto eu via o sol se pôr atrás das montanhas que cercavam a cidade, meus pensamentos começaram a flutuar sem autorização e eu começava a me lembrar de coisas das quais eu não queria lembrar.
Quando dei por mim, já estávamos no estacionamento dos professores.
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