Versprechen
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Notas iniciais
Eren tentava olhar para todo lugar, menos para o olhar furtivo do professor. Os dois seguiam o caminho de sempre da farmácia em direção a escola para mais uma de suas detenções, a grande diferença é que Eren estava preocupado.
Fazia-se uma semana desde o primeiro _e único_ beijo deles e seis dias desde o desfile, que ainda bem, deu mais do que certo e um muito incrédulo Eren ganhou o primeiro lugar, achando um absurdo o fato de ter ganhado de um loiro de olhos azuis vindo de uma escola chique que Eren desconhecia. O dinheiro que ganhou com o primeiro lugar _uma boa quantia por sinal_ fora usado para pagar suas contas e por insistência de sua mãe, fora usado também para comprar um celular descente.
Nesse meio tempo Eren teve evitado inacessivelmente o diretor Erwin, o que parecia deixar Levi curioso, mas o mesmo nunca insistia em nada e aproveitaram para se conhecerem melhor, falando sobre coisas básicas como por exemplo qual era a cor favorita de cada um ou sobre coisas mais complexas como o que Eren pretendia fazer da vida.
Porém não era isso que preocupava Eren e sim o fato de que por mais que nada houvesse acontecido aquele espaço de tempo, _Eren e Levi voltaram a se tratar como se tratavam antes de brigarem, mas nada exagerado, apenas para não chamar a atenção ou para uma aproximação muito intima ou para os dois muito distantes_ Armin matou a charada rapidamente e como o lunático que era, foi conversar com o professor.
Eren estremecia só de pensar no assunto, o que eles teriam conversado? Armin recusara-se a lhe contar, mas desde então o professor vinha lhe lançando olhares estranhos e preocupados e isso deixava Eren nervoso.
—Eren_ Começou o professor_ você tem algum trabalho no final de semana?
Eren se assustou com a pergunta repentina, mas negou, afinal, realmente não havia conseguido nenhum bico para esse fim de semana.
—Ok, então amanhã você pode passar no meu apartamento? Preciso conversar com você.
Oh, não.
Eren começou a se preocupar, será que o professor queria terminar consigo? Mesmo que não agissem como namorados, Eren não queria se separar de Levi, havia percebido que apesar de terem trocado apenas um selar de lábios um sentimento arrebatador lhe preenchia o peito, era estranho como aquele sentimento era forte e agressivo, mas estava ali.
—Eren?_ Eren o olhou e algo em sua expressão deve ter lhe denunciado, pois logo o olhar do professor mudou e diferente de costume, a invés de lhe dar uma bronca ou uma surra (ou os dois juntos), ele apenas levantou a mão direita e lhe acariciou a face, de sua têmpora até o queixo com as costas da mão em quanto pressionava os lábios um no outro, parecendo pensativo.
Eren abaixou os olhos, as bochechas se manchando de vermelho.
—Você já está pensando merda, não está?_ Murmurou ele, franzindo um pouco a testa em consternação, voltando a ser o Levi que Eren conhecia e tirando a mão de seu rosto.
—Talvez_ Murmurou Eren em resposta, dando um sorriso amarelo.
Eren escutou Levi suspirar, mas nada disse e então eles seguiram o caminho com Levi perguntando coisas sobre a vida de Eren, amigos de infância, suas coisas preferidas, livros preferidos. Sempre que respondia uma coisa, logo tratava de perguntar “e você?”, para que Levi falasse um pouco mais sobre a vida dele.
Quando chegaram na escola, logo trataram de ir para a sala que estavam limpando, provavelmente a ultima, porém Eren tinha a leve impressão de que Levi começara a encarar a cantina da escola com um olhar feio, já até o imaginava fazendo um mutirão de alunos e os obrigando a limpar aquilo lá.
Não tardaram a começar a limpeza, sempre conversando e hora ou outra Levi ria da maneira atrapalhada de Eren, porém escutava atentamente as coisas que o mesmo dizia.
—Então Mikasa era uma criança de rua?_ Questionou Levi em quanto arrastava algumas carteiras.
—É_ Respondeu Eren_ eu...Quando minha mãe deixou meu pai_ Eren não viu a forma como os olhos do professor lampejaram em sua direção nesse momento_ saímos de casa apenas com a roupa do corpo e algumas mala no porta-malas do carro, esse não durou muito, tivemos que vende-lo. Encontramos Armin pouco tempo depois, ele era um colega de escola antes de tudo acontecer e quando nos encontrou havia acabado de perder os pais, estava agora morando com o avo em uma casa pequena, o mesmo logo nos ofereceu um lugar para morar, minha mãe quase recusou, mas percebeu que ele estava muito debilitado e sabia que Armin não conseguiria cuidar dele sozinho.
“Fomos pra lá e foi ai que as brigas começaram, eu era extremamente novo, tinha onze anos” Eren também não viu o olhar surpreso do professor “mas eu já batia na maioria dos caras até os 16. Parei um tempo com as lutas aos doze anos e foi nessa época em que eu encontrei Mikasa” Os olhos de Eren nublaram-se com a lembrança distante.
Lembrava-se de estar com o rosto detonado, o corpo dolorido, a respiração falha, estirado na calçada de um beco escuro e deixado para morrer em quanto a chuva atingia seu rosto. Mikasa estava a seu lado, encolhida próxima a uma grande caçamba de lixo em quanto observava o moreno.
Eren lembrava-se de tela olhado e sorrido, queria que se fosse pra morrer, e o fizesse com uma boa expressão. Lembrava-se perfeitamente de ter fechado os olhos e esperado a morte chegar, mas ela nunca veio. O que veio foi seu pai e consigo os piores dias de sua vida.
Levi observava o jovem com os olhos atentos, já ciente, graças a Armin, sobre o que se passava naquela cabeça e a maneira como isso dilacerava o peito de Levi não devia ser saldável. O professor observou o garoto sair de seu transe e lhe lançar um sorriso amarelo, sem nem ao menos terminar de lhe contar a história.
O resto da detenção se passou de maneira silenciosa, Levi não queria incomodar o garoto. Dentro do carro, em quanto levava o garoto para o trabalho dele _não deixava mais que o mesmo fosse de ônibus_ observava com os olhos atentos a expressão dele ao mesmo tempo em que se concentrava na estrada.
Já em frente ao estabelecimento em que o garoto trabalhava, Levi parou o garoto antes que ele saísse do carro e o garoto o olhou com ar inquisitivo, arqueando as sobrancelhas.
Levi encarou bem os olhos verdes elétricos e teve que se segurar para não arfar com aquela intensidade e infantilidade que emanava de seu olhar. Lenta e cuidadosamente colocou as mãos aos lados do rosto do garoto e o beijou lentamente, escutando o estalo do beijo ecoando pelo carro. Foi como se tivesse sido eletrificado, os pelos de seu corpo se eriçaram e o peito se encheu com aquele sentimento quente e acolhedor que sentiu a primeira vez que beijou o garoto, beijar Eren era mágico, era como voltar para casa, era simplesmente... arrebatador.
Quando o beijo foi terminado com uma mordida nos lábios de Eren por parte de Levi e o mesmo se afastou, olhando as bochechas de um Eren corado e envergonhado, porém, para sua felicidade, nem um pouco assustado ou arredio.
Deu mais um selar nos lábios do garoto antes do mesmo sair do carro, foi algo rápido e quase não deu para sentir o gosto dos lábios vermelhos do garoto, mas foi o bastante para deixa-lo saltitante em quanto ia trabalhar.
Com Eren longe de vista Levi observou ao redor, vendo se ninguém os tinha visto _ mesmo que naquela escuridão e com os vidros escuros, era impossível ver quem se encontrava dentro do carro escuro. Com um suspiro Levi ligou o motor, sentindo uma vontade quase insana de entrar dentro daquele estabelecimento e trazer Eren consigo, para enchê-lo de mais beijos eletrizantes.
Com um olho na estrada e uma mão no celular, Levi mandou uma mensagem para o garoto lhe avisando do lugar e hora que o pegaria na manhã seguinte. O garoto logo respondeu um “ok” e Levi logo chegou em casa, entrando no apartamento e se preparando para ir dormir.
Demorou um pouco para pegar no sono, as palavras de Armin ecoando em sua cabeça.
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