Notas iniciais
Bom, gente... O que dizer? Eu meio que estou decepcionada com esse cap, sério. Eu queria que os dois tivessem se resolvido desse jeito, mas achei que os sentimentos não foram bem formulados, sei lá... Ficou meio estranho. Ah, uma coisa que vocês já sabem: o cap não foi betado, então erros absurdos serão encontrados (até rimou).

Eren

O garoto olhou o horário no celular e espreguiçou-se sem muita vontade, sentia seu corpo cansado e os olhos pesados, consequência da noite sem dormir. Ficou encarando o teto por alguns segundos.

—Eren?_ chamou Armin, batendo levemente na porta, mas o moreno nada respondeu.

—Olha_ Começou Armin novamente, a voz delicada rodando o quarto silencioso_ eu sei que você não tá a fim de ir, mas você prometeu ao diretor que ao menos treinaria um pouco hoje para poder ir amanhã no desfile e... Já faz 3 dias que eu nem vejo sua cara Eren.

Eren suspirou, teria de enfrentar o amigo, não teria outra escolha.

Sentindo seu corpo protestar o garoto se levantou e tentou compor a cara mais neutra que conseguia, quando abriu a porta dando de cara com o menino loiro ficou bem claro que não deu muito certo.

Ali, de frente para Eren, Armin sabia que havia feito uma escolha errada e precipitada ao pedir que o professor se afastasse de Eren. O garoto loiro não imaginava que Eren fosse ficar tão afetado, na verdade havia tido aquela conversa com o professor para evitar aquela situação, mas já era tarde demais.

Já Eren decidiu que quanto menos os amigos vissem sua cara derrotada, melhor, e por isso se apressou em ir ao banheiro. Lá dentro deu uma olhada de relance no espelho e suspirou, as olheiras estavam fundas e o cabelo parecendo um ninho de passarinho.

Depois de tomar banho Eren foi pra cozinha que ficou estranhamente silenciosa depois que ele entrou, pares de olhos focaram-se nele de maneira indiscreta, mas o rapaz fingiu não ver até mesmo o olhar preocupado da mãe. Com uma maçã na mão ele saiu de casa sem dirigir a voz a ninguém, sabia que se começasse a abrir a boca as perguntas começariam a explodir em cima de si.

Mikasa e Armin estavam em seu encalço, silenciosos, não questionaram quando optou por pegar o metrô. Não estava com pique para correr, por mais que soubesse que chegaria atrasado se fosse de metrô. Sentia-se na verdade um pouco reconfortado com isso, mas sabia que estava iludindo sua mente a evitar o inevitável.

Durante todo o trajeto Eren sentiu o olhar de seus amigos sobre si e agradeceu por não comentarem nada, não saberia o que responder de qualquer maneira.

Quando desceram na estação de trem Eren também não se apresou, sabia que estava atrasado mas não ligava, porém podia sentir a tensão dos amigos atrás de si. Já estava preparado para pedir que fossem na frente quando Armin passou por ele e começou a correr a sua frente.

Ui. Ai. Outch!

Ok, não estava preparado para ser deixado para trás pelo amigo, claro que iria pedir que fossem na frente. Mas ele iria pedir primeiro. Isso incomodou Eren, mas nada comentou, apenas assentiu para que Mikasa fosse na frente também, porém a mesma se recusou.

Agradeceu por isso. Eren admitiu mentalmente que se Mikasa_ sua irmã super protetora_ fosse na frente sem nem se importar, provavelmente teria ficado com o orgulho ferido pelo resto da vida.

Quando chegaram na escola estava tudo uma bagunça, pessoas corriam de um lado para o outro e Eren nunca havia visto a escola tão bonita. Isso colocava um sentimento de culpa dentro de seu peito, aquele dinheiro fora entregue a escola, segundo Erwin, por causa de si e não estava se esforçando o suficiente para cumprir as expectativas.

Afastando esses pensamentos da cabeça o garoto tratou de ir atrás do diretor, deixando que uma Mikasa relutante fosse atrás do que fazer. Encontrou Erwin na secretaria, discutindo alguma coisa com quem ele menos queria ver.

Eren quase deu meia volta.

—Eren_ Disse o diretor, interrompendo a discussão e frustrando seus planos_ pode entrar e sentar-se, eu só vou terminar de discutir algumas coisas com o professor e já vou.

Eren entrou relutante na sala e não levantou o olhar para o professor nenhuma vez, sentado no divã encardido da secretaria pareceu achar que o chão era muito interessante.

Já Levi estava um pouco perturbado com a presença do garoto, mal dormira nos últimos três dias lembrando de suas lágrimas e constatando que o mesmo não estava vindo a escola ficou preocupado. Por breves segundos, ao escutar o diretor chamar o nome do garoto acreditou que sua preocupação fora sem sentido, porém virou-se e encontrou um garoto pálido, com olhos distantes e opacos.

Aquilo perturbou Levi mais do que qualquer pesadelo que tivera até hoje e foi com uma terrível percepção que entendeu que a razão pra essa cena ser pior do que o garoto morrendo. Ele havia feito isso com o garoto, ele era o motivo para aquele olhar perdido. Levi era o motivo para o turbilhão de sentimentos conflitosos que se bagunçavam dentro do peito de Eren.

O professor soltou um suspiro longo e sofrido e decidiu se concentrar em Erwin e em sua discussão. Essa em que o garoto tentou não prestar atenção, mas foi inevitável.

—Erwin, nosso acordo foi que eu não faria nada relacionado a semana cultural_ Indiciou o professor.

—Mas Levi, eu nem te disse o que você irá fazer ainda_ Rebateu.

—Não interessa, acordo é acordo.

Erwin suspirou e encarou o garoto que estava sentado atrás de Levi.

—Eren_ Chamou o diretor, fazendo o garoto olha-lo_ Você acha que o professor é um bom fotografo?

Eren arqueou as sobrancelhas e se sentiu compelido a dizer um “não, não é”, mas nunca foi bom mentiroso, por isso apenas assentiu com a cabeça, ignorando o olhar pesado do professor sob si.

Erwin pareceu notar o clima tenso e olhou de um para o outro, logo em seguida dando um sorriso, como se soubesse de algo que os outros dois não sabiam. Afinal, Erwin sempre estava pensando a frente das outras pessoas.

—Bom_ começou o diretor_ você só vai precisar gravar e tirar fotos do desfile Levi, nada mais, então pare de reclamar porque você foi o único professor que não teve que montar qualquer projeto com as classes.

Levi suspirou e olhou de soslaio para o garoto que cutucava um buraco no divã com o dedo, dando-se por vencido apenas assentiu e saiu da sala.

Eren não levantou os olhos em quanto o mesmo saia, aquilo fazia mal pra sua cabeça, quer dizer, ve-lo ali tão perto e ao mesmo tempo tão longe, tão intocável. Não sabia desde quando, mas a certo tempo que sentia um desejo estranho de tocar no professor, seu rosto, cabelos, mãos...

Decidiu que era melhor parar aquele pensamento por ali, era o melhor que podia fazer pelo seu psicológico.

Erwin não demorou a levantar e arrastar o garoto para a passarela. Eren soltou um gemido de desgosto ao pensar que todos o veriam ali.

Eren já tinha subido em um palco antes? É claro que sim, já havia atrapalhado o diretor Erwin tantas vezes em seus discursos, assim como outras pessoas, pessoas realmente importantes, mas aquela situação era completamente diferente.

—Não precisa ter medo Eren_ Resmungou Erwin, um sorriso travesso brincando em seu rosto em quanto puxava o garoto pelo pulso para cima do palco por uma pequena escada na lateral dele.

—Não estou com medo_ Resmungou o garoto, mas em sua cara estava estampado o desconforto.

Eren sentia-se observado, mas ignorou a situação em quanto ia para o meio do palco, todos que estavam ali no pátio agora olhavam para ele mesmo. Com as mãos nos bolsos do moletom o garoto foi até o final da passarela e voltou, as bochechas vermelhas pelo contrangimento.

—Eren, se você fica constrangido apenas com essas pessoas, quando chegar o dia não vai ter coragem nem ao menos de subir aqui_ Falou Erwin, sorrindo-lhe.

Alguma parte da cabeça de Eren reparou no fato de que o diretor estava muito sorridente, mas era uma parte pequena que o resto de sua cabeça decidiu ignorar. O garoto surpreendeu-se quando o diretor colocou a mãos em seus ombros e os puxou para trás, fazendo com que arruma-se sua coluna e de relance viu um sorriso travesso no olhar do diretor.

Aquilo estava incomodando Eren, mas era apenas coisa de sua cabeça... Certo?

—Ande de cabeça erguida Eren, as pessoas precisam ver seu rosto.

Ok, a voz do diretor tinha soado muito perto de sua orelha e seu estomago revirava, sua cabeça gritava que ele estava perto de mais.

Calma, calma... São só memórias ruins, isso é tudo da sua cabeça, pensava Eren, obrigando-se a manter a respiração normal. Divagar ele foi e voltou na passarela, com muito menos vontade do que da primeira vez. Obrigava-se a pensar no dinheiro gasto naquilo tudo, acreditava que sairia correndo se não o fizesse.

—Bem melhor_ Respondeu o diretor, logo em seguida começando a explicar as outras coisas que iriam acontecer, como o concurso iria ocorrer e o horário.

Com o passar do tempo, em quanto o diretor falava, notou que o mesmo estava perto de mais e que havia muito contato físico ali, mas forçou sua cabeça a acreditar que era sua mente lhe pregando peças. Seu estomago revirava e ele se esforçou para manter a expressão normal andar na passarela novamente, obrigando-se a fazer o mais correto o possível. Queria ir embora e logo.

Quando finalmente recebeu um “bom trabalho” do diretor seu peito se encheu de esperança, mas essas logo se esvaíram quando o mesmo falou que queria conversar consigo sobre um assunto importante.

Eren seguiu o professor com relutância, brigando consigo mesmo por estar agindo igual a um gato medroso. Porém nem mesmo brigar consigo mesmo por estar sendo um covarde afastou seus tremores quando percebeu que não estavam indo para a secretaria e sim para um lugar mais afastado de onde estava o movimento de pessoas, para as sala inutilizadas.

—Deve estar se perguntando porque eu o trouxe pra cá_ Começou Erwin, um sorriso singelo brincando na face em quanto entrava em uma pequena sala empoeirada.

Eren relutou para entrar, mas o fez com um suspiro pesado.

—Eu queria conversar algo em particular com você Eren_ Continuou o loiro, reparando o olhar confuso do garoto_ Bom, Eren... humm, você acredita no conceito de reencarnação?

Eren arqueou as sobrancelhas, completamente perplexo com o assunto iniciado.

—Eu acredito_ Murmurou Erwin, sentando-se em uma das carteiras empoeiradas e se posicionando de maneira relaxada, bem diferente da maneira que costumava apresentar diariamente, sempre sério e ereto, quase como um militar_ e bom, não vou me enrolar por aqui, supondo que você não acredite no que vou dizer... Bom, eu você, Levi, Hanji, seus amigos, todos somos reencarnações Eren.

Eren arregalou os olhos de maneira sarcástica. Estava deprimido? Oh yea! Estava com dor de cabeça? Uma puta de uma dor de cabeça. Estava com medo do olhar estranho que o diretor estava lhe lançando? Estava tremendo e de pernas bambas, mas ainda sabia usar o sarcasmo.

—E o que mais? Agora vou ter que sei lá, corrigir todas as coisas ruins que fiz na vida passada pra finalmente conseguir ter a paz eterna?

—Depende_ Respondeu ele_ eu estou fazendo as coisas que devia ter feito na minha vida passada, veja bem Eren... Quando te vi, foi impossível não te reconhecer, dos meus sonhos.

Eren arqueou bem as sobrancelhas, dando um passo para trás.

—Não nesse sentido_ Apressou-se o diretor a corrigir_ estou falando literalmente, eu sonho com você, com grandes muralhas e... Você é um gigante, nó somos do exercito e...

Oh! Foi como um soco no estomago a forma como aquelas palavras lhe soaram familiares.

—E... você está sempre com Levi_ murmurou Erwin, erguendo os olhos que haviam se perdido em um canto qualquer da sala_ assim que lhe vi pela primeira vez Eren, sabia que só existiam duas alternativas... ou Levi aparecia, ou...

—Ou?_ Insistiu Eren, dando outro passo para trás.

Suas mãos tremiam e achava que iria vomitar ou começar a chorar a qualquer momento, preferia a primeira opção.

_Decidi esperar_ Comentou o diretor, se levantando de sua mesa e fazendo com que Eren desse mais um passo para trás, encostando no batente da porta que por sorte estava aberta, sabia que iria correr se precisasse_ queria ver se ele aparecia e ... Ele apareceu. Jurava que tinha perdido quando ele apareceu.

Um arrepio percorreu a espinha de Eren enquanto escutava o diretor, seus olhos começavam a embaçar e ele percebeu que eram lagrimas se formando.

—E então você começou a se comportar do nada, e ele virou seu amigo e... E então você apareceu de novo, abalado como nos primeiros anos aqui, não tanto, dessa vez é algo diferente mas... Eu percebi Eren, então, que Levi havia desperdiçado a chance dele e que o destino estava me dando uma nova chance, e agora Eren_ Falava ele, aproximando em passos lentos em quanto Eren espremia-se contra a parede e o batente frio de madeira, queria correr, mas suas pernas não lhe obedeciam_ agora eu vou fazer valer a minha chance, eu...

E então ele começou a se aproximar de mais, colocando uma mão em seu rosto e aproximando o próprio rosto como se fosse beija-lo.

Suas pernas ganharam vida quando a percepção o atingiu e Eren não sabe de onde tirou forças para empurrar o diretor que deveria ter o dobro de seu tamanho. Correndo pelo corredor com as pernas estranhamente dormente ele esbarrou em alguém e quase caiu no meio do corredor, mas mesmo assim continuou correndo até se enfiar no banheiro masculino. Entrando lá dentro olhou desesperadamente em volta e percebendo que não havia ninguém trancou a porta por dentro, arrancando a chave e segurando-a contra o peito.

No silencio do cômodo húmido e mal cheiroso conseguia ouvir o arfar de sua respiração. Tremendo o garoto decidiu então entrar em um das cabines e se se encolheu junto a porta em quanto secava algumas lágrimas que escorriam em seu rosto, os soluços escapando de sua garganta sem que pudesse impedir.

Obrigou a si mesmo a tentar controlar a respiração em quanto apoiava a testa nos joelhos. Sua mente estava branca e simplesmente não conseguia raciocinar, a única coisa que era capaz de entender era que seu corpo tremia de medo e pavor.

O sol do trinco sendo levemente chacoalhado se fez ouvir, seguido por batidas leves na porta. O peito de Eren disparou desesperadamente e ele se encolheu mais contra a porta da cabine.

—Eren?_ Chamou uma voz, mas não era a de Erwin.

Eren escutou aquela voz e se retesou por breves segundos, olhando para o nada e se perguntando se deveria responder. Antes que o professor decidisse ir embora Eren se levantou, tremulo. Abriu a porta da cabine e encarou a porta trancada do banheiro.

Sabia que o professor havia escutado seus movimentos e estava esperando do outro lado.

Respirou fundo uma vez antes de destrancar a porta, deixando que o professor a abrisse com cuidado, encontrando então o menino tremendo e derramando lágrimas.

—Eren?_ Perguntou preocupado, seu peito ardendo de uma forma estranha.

O menino apenas ficou lá, parado, encarando o professor, o peito subindo e descendo. Levi não entendia muito bem o que estava acontecendo, mas seu senso comum o obrigou a fechar a porta, franzindo o cenho para o banheiro pouco higiênico.

—O que aconteceu?_ Começou o professor com relutância, sabia que o garoto devia estar muito bravo consigo, mas não conseguiu não vir ver o que aconteceu quando o mesmo esbarrou em si no caminho do banheiro, sentiu um desespero inexplicável quando viu as lágrimas nos olhos do mesmo_ Erwin estava atrás de você e estava agindo meio estranho...

O professor parou de falar ao perceber que o garoto tinha estremecido mais ao ouvir o nome do diretir, começando então a chorar compulsivamente.

Levi instintivamente abraçou o garoto contra si, esquecendo-se momentaneamente que três dias atrás havia dado um fora no mesmo e nem ao menos pensando nas consequências de seus atos, só queria que o menino parasse de chorar, seu peito implorava para que ele lhe desse um de seus sorrisos bonitos.

Envolveu sua cintura e levou a mão aos cabelos sedosos em quanto o maior afundava o rosto molhado na curva do pescoço do professor.

Ficaram alguns segundos assim até começarem a ouvir passos no corredor. Os passos se aproximaram com destreza e Levi sentiu o corpo do garoto se retesar.

—Eren?_ Questionou a voz de Erwin do outro lado da porta e o garoto engasgou em desespero, dando um passo para trás e se soltando dos braços do professor.

Levi não questionou, não entendia o que estava acontecendo, porém sabia que tinha a ver com o diretor. Sem dizer nada ao garoto saiu para fora do banheiro, fechando a porta atrás de si e dando de cara com o loiro que se surpreendeu ao ver o professor ali, o tinha visto no corredor, mas não acreditava que o mesmo tivesse falado com Eren.

—Professor_ Murmurou Erwin, o olhar impassível, como se nada houvesse acontecido.

—Erwin_ Rebateu o professor, encarando o diretor com um olhar frio.

Erwin assentiu com a cabeça, como se terminasse o comprimento e fez menção de passar por Levi e abrir a porta do banheiro, mas o mesmo segurou o pulso do diretor, o impedindo de avançar. Os dois trocaram olhares por alguns segundos e de repente Erwin esboçou um ar cansado, afastando-se do homem mais baixo.

—Bom_ Disse Erwin, lançando ao professor um sorriso afetado_ parece que eu estava enganado então, não era uma segunda chance, pelo menos não pra mim.

Levi arqueou as sobrancelhas em quanto o diretor se afastava, sem entender nada. Soltando um suspiro pesado se voltou para a porta do banheiro, pensando nos acontecimentos do último minuto. Aquela situação não estava bem, nem um pouco bem. Sua cabeça estava confusa e Levi não sabia mais o que estava fazendo da vida.

Por breves segundos pensou em apenas dar meia volta e sair andando, fugir daquela situação como o rato foge do gato, evitar problemas desnecessários. Desistiu da ideia assim que escutou um barulho estranho vindo de dentro do banheiro, não pensou duas vezes antes de abrir a porta.

Eren estava apoiado na pia, vomitando o que tinha e não tinha comido, seu corpo tremia e lágrimas grossas escorriam dos olhos do garoto. Levi sabia que não estava mais em seus plenos juízos mentais quando passou o braço pelos ombros do garoto.

O menino mais novo apoiou a cabeça na pia, sentindo o calor de um braço forte em suas costas. Com um suspiro desgostoso tentou afastar o professor.

—Pode ir_ Falou com a voz falha_ Eu vou ficar bem_ Não, ele não ia.

O peito do professor se apertou e por mais que soubesse que essa era a coisa certa a se fazer, não se afastou do garoto, na verdade, ao perceber que o garoto não vomitava mais as tripas pra fora, puxou-o para si e o prendeu em um abraço.

Era estranho como aquela sensação lhe era tão familiar, aqueles braços lhe envolvendo a cintura com força, como se precisasse de apoio, aquele peito contra o seu, aquele nariz lhe roçando o pescoço. Tudo parecia novo e ao mesmo tempo era como se aquele ato tivesse se repetido milhares de vezes.

Demorou pro corpo de Eren parar de tremer, e quando o fez as lágrimas continuaram caindo. Ninguém disse nada e em algum lugar da cabeça do professor uma voz gritava que era melhor trancar a porta do banheiro ou pelo menos ir a outro lugar. Naquela situação alguém poderia entrar a qualquer momento e o professor não saberia explicar a situação, porém não tinha coragem de desfazer o abraço.

Se surpreendeu quando o garoto tomou essa iniciativa, se soltando do homem mais baixo em quanto limpava as lágrimas com a manga da blusa. Levi sabia que ele estava pronto para dizer que tudo estava bem e que o professor estava livre para ir fazer suas coisas, mas Levi foi mais rápido e pegou o garoto pelo pulso, começando a andar em quanto o puxava. O garoto até tentou protestar, mas não obteve sucesso.

Eren só percebeu que estava sendo levado para o gabinete do professor quando estavam praticamente entrando nele e não se surpreendeu por não ter encontrado ninguém no caminho, afinal, estavam todos no pátio, ocupados com suas atividades.

O professor puxou o garoto pra dentro e trancou a porta, sabia que ninguém o atrapalharia e se o procurassem ali, com a porta trancada, pensariam que tinha saído e fechado o local para que Hanji não entrasse, o que era bem comum.

Levi apontou com a cabeça para a poltrona branca em frente a sua mesa em quanto lançava um olhar penetrante ao garoto, aquele olhar que Eren sabia que não podia desrespeitar. Com as bochechas ainda molhadas por causa das próprias lágrimas Eren se sentou, mas não olhou para o professor.

Sua cabeça estava em colapso e não conseguia conciliar o fato de que havia abraçado o professor com a cena bizarra do diretor, sentia que poderia explodir a qualquer momento e seu estomago doía. É, Eren não sabia mais o que fazer com a própria vida.

O professor também não sabia mais o que fazer da própria vida, bom, saber ele sabia, porém não sabia se seria a melhor escolha. Observou o garoto sentado em sua cadeira, agora mais calmo, porém com a aparência ainda abalada. Ver aquilo lhe doía o peito e tinha medo da resposta que seu cérebro lhe mandava sobre isso.

O grande lance é: Levi não era idiota. Sabia o que era amor, carinho, paixão, desejo, nem todos esses itens citados experimentou na pele, pelo menos não até agora, porém os reconhecia dos livros. Sabia que o que sentia pelo garoto não era normal, aquela familiaridade, aquela dor ao o ver triste, aquele estranho desejo de o ver sorrindo. Aquilo não era normal, pelo contrário, era perigoso, principalmente para sua carreira.

Mas havia se decidido, acreditava que no momento em que o encontrara se derramando em lágrimas no banheiro ou talvez durante os últimos três dias, aonde a única coisa que vinha em sua cabeça era a preocupação com certo moreno de olhos verdes.

É, ele faria aquilo.

Suspirando, o mais velho se sentou na poltrona ao lado do garoto e a virou para o mesmo, ficando assim cara a cara com o moreno.

—Eren, posso saber o que aconteceu?_ Perguntou Levi, optando por deixar a parte mais complicada para o final_ por que estava tão assustado com o diretor?

O garoto não respondeu, descendo seus olhos para o chão e apertando os lábios um no outro.

Levi não conseguia pensar em nada que fizesse sentido e não queria forçar o garoto a falar nada, achou melhor começar a falar então do assunto inevitável.

—Eren_ Começou o professor_ sobre os seus sentimentos por mim...

O garoto abaixou mais ainda a cabeça, encolhendo os ombros, provavelmente esperando alguma bronca.

—Eu não acredito no que eu estou dizendo, mas, podemos tentar_ Insistiu o professor e o garoto ergueu os olhos, surpreso.

Por breves segundos seu olhar se iluminou, mas depois se tornou turvo novamente. Levi já até imaginava o que o garoto iria dizer.

—Professor_ começou o garoto mais novo e o peito de Levi se apertou com aquele estranho incomodo ao escutar a voz embargada do mais novo_ Não precisa fazer isso por pen...

Eren nem terminou de falar quando Levi disse:

—Eren, eu tenho cara de ser alguém que ficaria com outra pessoa por pena?

—Não_ Admitiu Eren.

—Além do mais, acho que nem as mais sensíveis das pessoas arriscaria a carreira dela desse jeito por pena_ Murmurou Levi.

Eren abaixou o olhar, sem saber o que fazer. A cena com o diretor ainda não havia sido completamente apagada, mas a memória dos braços do professor lhe apertando no banheiro pareciam cada vez mais vividas e importantes.

O garoto não sabia o que pensar da situação, o que o professor estava dizendo? O que era aquilo? Uma declaração?

Eren se recusava a acreditar nisso, por mais que uma semente de esperança crescesse em seu estomago e começasse a desabrochar.

O garoto foi tirado de seus devaneios quando sentiu seus lábios serem tomados pelo do mais velho que segurou seu queixo com a mão, forçando o garoto a levantar o rosto em sua direção. Não havia visto o professor se levantar, muito menos se aproximar, quando deu por si o mesmo já estava ali.

Foi apenas um leve selar de lábios que durou alguns segundos, mas o peito de Eren se aqueceu. Era como se tivesse sido preenchido por algo quente e gostoso.

Quando ambos se separaram Eren abriu os olhos que nem percebeu que havia fechado e encarou o professor que lhe encarava nos olhos.

—Pirralho, não vou mentir e falar que estou loucamente apaixonado por você e que vamos viver um conto de fadas, na verdade_ Começou o professor, ainda lhe encarando nos olhos_ eu não sei o que sinto por você e estou arriscando minha carreira inteira por causa disso. Eu poderia até ser preso.

Eren não sabia o que responder, sua cabeça estava a ponto de explodir. Informação de mais.

—Mas eu estou disposto a tentar_ Completou ele.