Veronica
6 Conversa
Notas iniciais
- Não sei se eu devo contar...
— Você só conta se quiser... Se não quiser falar nada... Estou aqui para te ajudar, lembra? Se você fica mais a vontade não falando, tudo bem.
Não tinha levado aquele idiota para o meu esconderijo sagrado pra ele ficar de bico calado! Se isso não valesse a pena... Ele fez uma pausa, como se estivesse pensando no que deveria falar e continuou:
— Olha, Ronnie, eu tinha uma vida perfeita. Eu era o popular do colégio, tinha um monte de amigos, a minha namorada era incrível – fiquei um pouco incomodada com isso, mas eu me livrei desse pensamento estúpido — , era o capitão do time de futebol americano, enfim, perfeita. Depois que o meu pai abandonou a minha mãe sem dizer nada, estávamos reconstruindo nossa vida. A minha mãe achou um novo marido, e eu ganhei um irmão que é dois anos mais novo que eu. Por bastante tempo nós quatro ficamos mudando de cidade em cidade, por causa do trabalho do meu padrasto, e nesses últimos anos, ficamos em uma cidade só e fiquei feliz com o rumo que a minha vida estava tomando. Mas depois coisas estranhas estavam acontecendo. Até que vim pra cá...
— Não culpe o Acampamento Meio-Sangue. Pode não ser tão bom pra você como é pra mim, mas é um lugar incrível. É só questão de tempo para se acostumar...
— Você não entende Ronnie! Me substituiram no futebol americano, minha namorada me traiu com o meu melhor amigo, e ainda por cima, meu irmão está com uma doença... – Sua voz falhou por um segundo.Senti pena dele, mas eu não sabia o que fazer.
— Olha isso não é tão mau. Primeiro, se você jogava bem futebol, você ainda está no time. Segundo, você pode muito bem achar uma namorada e um melhor amigo melhores do que eles, afinal, você já conquistou o coração de toooooodo o mundo aqui do acampamento – Dei um sorriso, e, Graças aos Deuses!, ele deu um sorrizinho torto. Bom, pelo menos ele deu. – E doenças... Doenças têm cura. É só ter um pouco de fé...
Ficamos nos olhando por um tempo, sem dizer nada. Estava pensando em me levantar para ir embora, quando ele me pergunta :
— Você se lembra da nossa primeira discussão?
— E como não lembrar? Você tacou uma bola em mim!
— É... Mas por que você ficou tão incomodada com aquele negócio do namorado?
Demorei um pouco pra responder também. Como eu ia explicar uma parte da minha vida que dói tanto, para uma pessoa que eu nem conheço direito? Basicamente, todas as nossas conversas foram brigas até agora. Então eu decidir confiar nele. Péssima ideia.
— Sabe, como você eu também tinha um namorado perfeito. Quando eu tinha treze anos ele chegou no acampamento. Quíron me mandou ajudá-lo com a explicação de como tudo funciona. A gente virou bem amigos. O nome dele era Sam, era filho de Hefesto e tinha catorze anos, na época. Nós começamos a andar juntos todos os dias, e, nós fazíamos as mais malucas invenções. Teve uma vez que nós tentamos fazer uma vassoura voadora. Eu projetei, e ele fez. No final, a vassoura saiu atacando os campistas dizendo que eles estavam cheios de sujeira e que precisava limpá-los. – Me permiti dar uma risada. Aquilo foi tão bom. – A gente ficou muito próximo. Éramos inseparáveis. Até que um dia ele me deu essa chavezinha – Peguei uma corrente em volta do meu pescoço que tinha uma chave de pingente. Não tinha nada de especial, só um desenho feito á mão de nós dois abraçados — , e me disse que estava apaixonado por mim. Nós começamos a namorar e tudo ficou perfeito,como você diz. Até que três meses atrás, algo estava acontecendo com os deuses, e um semideus teria que ir para uma missão. Eu iria ir, já que eu estou a mais tempo no acampamento, tenho mais experiência. Então, quando eu ia me candidatar, ele fez isso primeiro.
#FLASHBACK/on
Nós estávamos sentados num tronco na beira do riacho. Eu tinha lágrimas nos olhos, e ele estava me abraçando, mas eu estava muito furiosa. Já tinha gritado, esperneado, implorado para que ele não fosse, que ficasse aqui comigo. Sabia no que essas malditas missões faziam com semideuses. Mortes, alucinações pelo resto da vida, pessoas que perdiam algum membro, etc. Agora eu tentava usar o método grito de novo.
— COMO VOCÊ PÔDE? EU IRIA PARA ESSA MISSÃO! SE VOCÊ PEDISSE EU NÃO TERIA IDO! VOCÊ ESTÁ LOUCO? VOCÊ NÃO PODE IR! SE VOCÊ FOR, VOCÊ PODE morrer... você pode morrer...
— Eu sei, eu sei... Mas eu acho que eu estou preparado pra isso, Ronnie. Você não entende. Eu tenho que ir. Mas eu volto... Eu prometo. – Mas ele nunca voltou.
#FLASHBACK/off
— Isso é terrível, Ronnie.
— Eu sei... Eu venho tentando fazer algo pra se comunicar com ele, mas nada funciona... Eu acho que até ele pode estar... – Comecei a chorar. Enterrei minha cabeça nas minhas mãos e de repente senti algo me envolvendo num abraço. Edward. Então abracei-o também. E automaticamente, viramos amigos.
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