Notas iniciais
Estrutura: Quartetos // Métrica: Livre // Rima: Livre// Tema: O tédio de um individuo que se entregou a morte.

Vejo em paredes manchadas de sombras

Sorrisos, tristes infortúnios.

Em vida em vão tive esperanças

De um dia sentido encontrar no vazio.

.

Respiro e suspiro aborrecido.

Cansado estou eu desta existência sombria,

Fadado ao eterno tédio sofrido,

Prefiro eu morrer a viver a vida.

.

Mastigo nojenta apatia,

Moribundos cadáveres de cinzas corroídas,

Carnes, vegetais e sombras temperadas

De ódio pelos que me cercam.

.

Vomito em meu quarto solitário

– Deitado a observar no escuro –

Monocromos de horrores destilados

Piores drogas que álcool e químicos.

.

O monotom do mundo cinza retumba

Em meus ouvidos, em meu coração.

Balança-me inteiro e esfria-me a espinha

A sensação de morte que me supera a vida.

.

E no escuro quarto de minha consciência

Vejo um coelho negro a pular-me a alma.

Espírito anímico e apático,

Decora-me lenta a carne.

.

Lenta e dolorosa é minha partida

–Sorrio eu como um lunático –

Prazer mortal a me inundar as veias,

Sensações sagradas a destruir-me os nervos.

.

E para o inconsciente embrumado minha mente parte

Enquanto minha carne o escuro devora.

– Ah! Coelho do apocalipse! Me leve à Morte! –

As névoas que amanhecem agora meus sentidos

São escuras como minha morte.

Notas finais
Bem, o que dizer desse poema? Nem eu sei dizer o que ele é. Eu o escrevi quase que em 5 minutos, um verso depois do outro, de forma quase frenética, por isso da bagunça e da falta de sentido. A ideia que eu quis passar é a seguinte: Uma pessoa está tão profundamente presa em seu tédio e tristeza que ela se deixa morrer deitada na cama, de tal forma que ela vai definhando lentamente, com se um pequeno coelho (a escuridão) fosse comendo seu corpo lentamente, libertando sua mente para vagar eternamente.