Vermes, Cemitérios e Poesia
18 Esperando o trem
Notas iniciais
Os relógios tocam seus sinos diminutos:
Tic Tac Tic Tac.
Os pedestres mestres na arte
De sumir e voltar em massa cinzenta.
.
Sento-me quieto no banco de madeira.
Olhos voando perseguindo uma abelha.
Sentado olhando.
Sentado voando.
.
Os trens ambíguos passam e voltam.
Os mares de gente, a ideia vazia,
São pretos, são brancos, são cinzas, são tantos.
E meu trem dos sonhos continua a voar
Por mares de ferro de terras gerais.
O trem vermelho, o cometa da terra,
Meu desejo contido em um único pensamento
Quem me dera que não fosse um, fossem cem
Os caminhos que me levam a esse trem.
.
Sentindo aflito as horas passarem
Esse não-trem que me comove as emoções
Ah, maldito destino ideal
Por que me fizeste apenas um animal?
.
E continuo a voar e a sentar na estação
A fumaça e a lembrança a me embriagar
E me fazer tossir.
O calor que, outrora, me fora negado.
Tantos relógios que continuam a girar
E o meu quebrado.
.
E meu trem chega
Não é vermelho como minhas ideias.
É cinza e preto e branco e tanto me parece aos outros que me entristeço.
De dentro me saem tantas gentes,
Mas meus olhos sozinhos o enxergam espelhado.
Sento de volta ao banco a voar.
A sentar e a voar.
Quem me dera que fossem uma não cem
As pessoas nesse trem.
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