Vermes, Cemitérios e Poesia
6 A Filha do Coveiro
Notas iniciais
Há muito, muito tempo atrás
Em uma pequena cidade desconhecida
Havia um cemitério, silencioso como uma manhã entristecida
.
O coveiro não tinha pedras preciosas
Nem as riquezas de um rei
Dizia “Com isso, nunca sonhei”
Pois tinha uma filha, linda garota
Que seu dia alegrava em volta
.
Por entre o silêncio do cemitério ela cantava
Por entre o frio das covas ela dançava
Dia após dia, do pai ela aprendia a arte
De trazer a última alegria à morte
.
Lá no fundo do cemitério
Sob a sombra das árvores
De pedra esculpida pelos mares
Havia um anjo ajoelhado a rezar
A sua volta, cantava o mistério
Em seu rosto voltado ao luar
Estava a expressão dos que estão a sonhar
.
A filha do coveiro
Amou então o anjo solitário
Sua cova vazia decidiu então
Preencher com o que havia em seu coração
.
“Flores e conchas irei buscar”
Disse a garota com sua voz de mel
No rochedo havia flores lindas como uma virgem Vestal
Porém era perigoso e a traiu de forma fatal
Seus gritos subiram ao céu
E seu corpo desceu ao mar
.
O coveiro então trabalhou com carinho
Lágrimas caiam de seu rosto
Enquanto carregava o corpo morto
Com flores e conchas seu túmulo enfeitou
Pela última vez, se abaixou e a beijou
Pois agora o anjo não estava mais sozinho
Fale com o autor