Vermes, Cemitérios e Poesia
7 Quartetos
Notas iniciais
Em uma noite de lua minguante
Posso sentir sua pele contra minha
Sinto em seu beijo um veneno intoxicante
Que corrói meus sentidos num sabor estonteante
.
Em seu corpo traço uma linha
Com meus lábios frios te causo um arrepio
Que percorre seu corpo em desejo sombrio
E você suspira e delira como um verme vil
.
O frio de minha pele, o calor de seu seio
É perfeito como um tedioso devaneio
De uma noite de inverno, fria e fantasma
Que me penetra o corpo e me destrói a alma
.
Por isso, querida, viva o momento
Nossas vidas são como chama que se expõe ao vento
Pois, na noite escura, amamos
E, no dia nascente, voamos
.
Esteja faminta, pois da dor irá comer
Por ela é preciso passar para sentir o prazer
É preciso ver o sangue escorrer como lágrimas
Pois esta noite não temos tempo para lástimas
.
Com a noite gritando a volta
Nos perdemos e sorrimos num prazer sem fim
Venha querida, venha até mim
Pois seu suspiro me aquece a alma como uma musa morta
.
Amamos e dançamos até a luz assassina
Do dia, que nos mata a alma e a ilumina
Um pena que assim acabe senhora
Mas terei de te matar com o nascer da aurora
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