Vermelho e Amarelo
4 Triste música

"Você e eu
Nós somos como fogos de artifícios e sinfonias
Explodindo no céu
Com você, eu estou vivo
Como se todas as peças que faltam do meu coração
Elas finalmente colidissem"
— Você não pode decidir isso assim, Sosuke!
Eu gritei. Eu e Sosuke dificilmente brigávamos, tudo porque ele sempre fazia minhas vontades.
Mas agora a situação não era essa.
— Ponyo... Desculpe. — ele se desculpou, mas nem olhou nos meus olhos. Apenas continuou de costas voltando a seus afazeres.
— Mas não pode acabar assim! Você... Você... Você não pensa em mim? Você não pensa em como eu vou ficar sem você?
Dessa vez, ele não disse nem mesmo uma palavra. Olhou para mim, com um olhar de pena. Provavelmente deve ter ficado com pena de mim achando que algo que eu dissesse mudaria sua decisão. A mistura entre raiva e tristeza me fez virar de costas pisando forte no chão, deixando-o sozinho no quarto.
Como sempre, sentei-me na beira da nossa mini praia, sentindo a água do mar e vir nos meus pés. Não éramos mais crianças. As coisas estavam diferentes, e a vida já não era tão simples quanto antigamente, quando nosso dia a dia era apenas escola e diversão. Também fazíamos passeios, conversávamos com a Sra. Toki e as outras, fazíamos acampamento com a Mono-chan, Chihiro, Ashitaka, Kohaku...
Mas agora é tudo diferente. Nos formamos há uma semana no colegial e Sosuke vive ocupado. Não passeamos há anos, Sra. Toki e as outras estão em um lugar melhor, Mono-chan e Ashitaka estão noivos, e Kohaku e Chihiro estão ocupados com Kohiro.
E agora, Sosuke resolveu partir. Resolveu ir fazer faculdade em Tóquio. Ele quer ser um biólogo marinho, e pelo o que ele disse parece ser algo bem complicado.
Mas eu não quero. Eu não quero me separar dele. Nós passamos a vida toda juntos, não quero que acabe assim...
"Então, pare o tempo aqui mesmo a luz da lua
Porque eu não quero nunca fechar meus olhos"
Não pode acabar assim.
(...)
N/A P.O.V
— Não acha que está grandinha demais pra "fugir" pra cá toda vez que se emburra, Ponyo? — disse Howl, servindo-lhe um suco, pois sabia que a mesma gostava.
— Quando não me quiser aqui, é só falar! — respondeu irritada.
— Docê vai embora, Ponyo? — perguntou Morgan, filho de Sophie e Howl.
O garoto tinha quase dois anos, e gostava muito de Ponyo. Desde sempre Ponyo se deu muito bem com crianças, e gostava muito de bebês principalmente. Quando Morgan nasceu, ia quase todo dia à casa de Howl para vê-lo. Logo, o garotinho de cabelos escuros se apegou fácil à garota.
— Não vai não, filho. — respondeu Howl, bagunçando os cabelos dele. — Ponyo, você não acha que deveria apoiar o Sosuke? Pra ser sincero, ele sempre foi um garoto extremamente inteligente, não me surpreende que almeje coisas grandes para si. Sem contar que ele sempre amou o mar. Eu, como sou próximo de vocês, posso dizer que vida marinha é a cara dele.
— A questão não é essa, mestre! — respondeu ela meio tristonha. — ele decidiu isso de uma hora pra outra... Sem falar comigo... Sem ao menos pensar um pouco sobre os meus sentimentos. Ele sabe que eu o amo... Eu vou me sentir tão sozinha...
— Ponyo! — Morgan lhe chamou atenção. Ela olhou, e logo recebeu um abraço caloroso do pequeno. — Mogan tá com docê!
Por uns segundos, ela ficou parada, mas logo devolveu o abraço e se levantou, girando com o garoto pelo ar.
— Hahaha! — ela riu. — claro que sim, meu fofo!
— ... — Howl riu levemente. — Ponyo, são 10 horas.
— E o quê que tem?
— Você está atrasada pra ir à pré-escola. E eu também.
(...)
No fim, foram os dois de carro para pré-escola. Ponyo havia conseguido o trabalho de ajudante, e Morgan estava matriculado lá, já que Sophie e Howl trabalhavam, e Mark só podia cuidar dele de noite, por causa da escola.
Até que a garota havia gostado daquele ambiente. Sosuke havia falado bastante dessa pré-escola que havia frequentado, e ficou feliz por poder trabalhar em um lugar que fez parte de sua vida. As crianças — apesar de algumas malcriadas — eram legais, as músicas, as brincadeiras... Era tudo divertido. Até mesmo trocar fraldas.
— Então, pessoal. Hoje uma nova professora vai entrar aqui. — disse a diretora, entrando na sala principal. As crianças pararam seus afazeres para prestar atenção. Ela entrou, fazendo-as ficarem quietas. — esta é Kiki.
— Prazer, sou Majo Kiki. É um prazer.
Ela tinha cabelos escuros e curtos, que nem os que Ponyo costumava deixar. Além de usar um vestido escuro e longo. Por alguns segundos, sentiu que já havia a visto em algum lugar.
A mulher olhou para Ponyo, e sorriu. Ponyo se assustou um pouco com a ação inesperada da parte dela, e antes que pudesse retribuir o sorriso, a nova professora se virou.
O dia seguiu normal, e quando Ponyo percebera, já hora da saída.
— Ponyo, você pode trazer umas frutas pra mim?— perguntava Lisa no telefone. Ponyo pensou bem, e suspirou. Não estava a fim de voltar pra casa, mesmo estando com fome. Não queria ter que encarar Sosuke depois do que aconteceu.
— Lisa... Eu... vou dormir na casa da Chihiro e do Kohaku hoje, tá?
— Chihiro-chan e Kohaku-kun? Logo hoje que o Koichi está aqui? Não se esqueceu que amanhã o Sosuke vai, não é?
— Infelizmente, não. — respondeu Ponyo com toda sinceridade, o que fez Lisa estranhar. — mas não se preocupe... Eu vou para o asilo amanhã pra festa de despedida. Se o papai e a mamãe aparecerem, diga a eles que não se preocupem comigo.
— Tá bom...— respondeu Lisa, no fundo, orgulhosa da menina que havia criado. — até amanhã.
— Até. — Ponyo desligou o celular, e o colocou de volta no bolso.
A casa dos Nigihayami era perto dali, de bicicleta ela chegaria num pulo. Por isso, pegou a bicicleta que havia esquecido na escola, colocou os fones de ouvido e se foi, deixando com que o vento levasse embora todas as suas preocupações.
"Sem você, eu me sinto quebrado
Como se eu fosse metade de um todo
Sem você, eu não tenho nenhuma mão para segurar
Sem você, eu me sinto rasgado
Como um barco de vela na tempestade
Sem você, eu sou apenas uma triste música
Eu sou apenas uma triste música"
Logo que chegou, tocou a campainha e esperou que alguém abrisse. Inesperadamente, quem abriu foi outra pessoa, e não Chihiro ou Kohaku. Era um homem alto, de cabelos um pouco bagunçados e cor de mel, praticamente castanhos. Usava óculos pretos enormes, que deslizavam em seu rosto.
— Olá! — ele cumprimentou-a. Depois de observar bem, Ponyo viu que Kohiro, o bebê de Chihiro e Kohaku, estava em seu colo. – Você é parente da Chihiro-san ou do Kohaku-san?
— Não, sou amiga deles... – disse ela, estranhando o homem que estava com Kohiro. – Meu nome é Ponyo.
— Meu nome é Majo Thomas, mas ninguém me chama assim, apenas de Tombo, me chame dessa maneira também, por favor. – ele sorriu meio atrapalhado. – Pode entrar.
Ponyo entrou, olhando o local. Estava arrumado, com apenas alguns brinquedos de Kohiro no chão.
— A Chihiro-san e o Kohaku-san tiveram que sair porque a mãe da Chihiro-san estava passando mal ou algo assim, então nós nos oferecemos pra cuidar desse meninão. – Tombo disse colocando o menino no chão.
— “Nós”? – Ponyo estranhou, já que não via mais ninguém.
— Amor, você acha que eu devo fazer a mais ou... – Kiki aparecera na sala e se deparara com Ponyo. De início, estranhou, mas logo sorriu. – Olá! Não sabia que conhecia os Nigihayame. Acho que lembra de mim, não é? Meu nome é Kiki, o seu é Ponyo, certo?
— Sim. – Ponyo assentiu. – Perdão por chegar assim, mas é que eu planejava dormir aqui hoje.
— Acho que eles não vão se importar. – disse Tombo. – vocês parecem ser bem próximos. – o homem olhou para o quadro em que estava ela, San, Chihiro, Sosuke, Haku e Ashitaka em seus tempos do primeiro ano do colegial.
— Vou ligar pra avisar... – Ponyo se levantou, pegando o celular do bolso e procurando um integrante do casal nos contatos.
Kiki ficou uns segundos olhando Ponyo sair da sala de estar. Ponyo tinha algo errado, e Kiki mais do que ninguém conseguia sentir isso. Olhou para o marido, que não parecia ter percebido nada, já que estava totalmente entretido com o Nigihayame mais novo.
Suspirou, enfim, voltando à cozinha.
(...)
Ponyo P.O.V
O tempo passou e nada de Chihiro ou Kohaku chegarem. Eu já estava ficando preocupada, por mais que o estado da Sra. Yuuko não seja assim tão grave. No fundo, no fundo, eu apenas estava querendo conversar com alguém, e ninguém nunca fora melhor nisso do que Kohaku e Chihiro... Eles sempre pareceram ser meus irmãos mais velhos.
— Estava gostoso? – Kiki-san me perguntou, parecendo meio sem confiança em si própria.
— Estava ótimo. – respondi sorrindo. – eu queria muito saber cozinhar assim. – respondi com sinceridade. Foram várias as vezes em que tentei preparar algo e quase mato Sosuke, e em todas elas, ele fingia que estava tudo bem e que o que eu estava fazendo era ótimo.
Olhei para baixo, lembrando-me de uma dessas ocasiões. Demoraria um tempo até algo assim acontecer novamente...
— Então, eu vou te dar aulas! – Kiki disse com animação.
Eu não entendia bem o que Kiki queria. Eu havia acabado de conhecê-la e ela parecia já querer me animar ao máximo, sendo que na realidade nem sabia o meu problema.
— Aulas? Por que? – perguntei.
— Eu tenho bastante tempo livre. – dizia ela. – Então não vejo problema nenhum em te ensinar. Eu adoro ensinar, não é à toa que sou professora. – riu levemente. – posso te ensinar na escola, a diretora não deve se importar.
— ... – tenho que admitir que fui influenciada por sua animação, que me fez pensar que eu na sua seria algo interessante. – tudo bem, eu aceito.
“Amor...” ouvi um sussurro, e pareceu que Kiki também percebeu, já que ficou olhando para os lados. Foi quando nós duas, quase que ao mesmo tempo, percebemos Tombo em pé com Kohiro adormecido nos braços. “Ele dormiu...” Apontou animado pro menino “vou por ele no berço e esperar um pouco... Não façam barulho, por favor” assentimos, quietinhas.
— Ele adora bebês, pelo jeito. – comentei quando ele entrou no quarto de Kohiro.
— Hahaha... – Kiki riu. – ele sempre gostou de crianças. Quando o Tombo era moleque ele vivia cercado de gente, ele era bastante popular, e por isso muitas crianças pequenas o seguiam, e ele nunca recusava seguidores. Era um crianção mesmo, haha...
— Entendi. – dei uma leve risada. – eu e o Sosuke, o que está do meu lado naquela foto, também nos conhecemos desde criança. Desde que tínhamos cinco anos. – expliquei mais precisamente.
— Cinco anos? – ela pareceu ficar surpresa. – desde muito jovens, então! Eu conheci o Tombo com 13 anos, ganharam de nós! – ela brincou, fazendo nós duas rirmos. — você é divertida. Quantos anos você tem, Ponyo?
— Dezoito, e você?
— Vinte e três. – ela respondeu. Não me surpreendi, ela não tinha cara de adolescente, mas parecia ser bem jovem.
Por uns instantes, fiquei me imaginando com vinte e três anos.
Antigamente, eu me imaginava como ela estava: feliz, tendo uma vida simples, sendo vizinha dos meus amigos, e casada com um homem que conhecia há muitos anos.
— Ponyo, você não quer me contar o que há com você? – ela tirou-me de meus pensamentos do nada. – eu posso não ser a Chihiro-san, mas eu sou uma pessoa muito boa para ouvir quem precisa. Eu me sentiria muito feliz se confiasse em mim, de verdade.
Reparei no olhar sereno de Kiki. Ela era realmente séria e parecia preocupada comigo de verdade. Relaxei os músculos, batendo a cara de propósito na mesinha em que estávamos apoiadas no chão.
— Eu o amo. – disse quase como um suspiro.
"Com você, eu caio
É como se estivesse deixando todo meu passado
Em silhuetas na parede
Com você, eu sou uma linda bagunça
É como se nós estivéssemos de mãos dadas
Como todos os nossos medos à margem"
Como estava de cabeça abaixada, não pude ver, mas deu para sentir que a Kiki não entendeu.
— Ponyo ama Sosuke... Ponyo ama Sosuke desde que o conheceu. – levantei o rosto, e ela pôde ver minhas bochechas avermelhadas e meus olhos marejados.
— Ponyo... E Sosuke... – ela olhou para o retrato na parede, procurando ver Sosuke.
— O Sosuke sempre esteve com a Ponyo... *snif* E Ponyo achou que seria assim para sempre. Ponyo achou que Sosuke sempre estaria lá quando ela precisasse, que Sosuke sempre iria protegê-la, que Sosuke sempre iria cuidar dela... – tentei secar as lágrimas, mas foi em vão, já que novas lágrimas começavam a surgir. – mas o Sosuke pensou mais além que Ponyo... O Sosuke quer ser biólogo marinho, e passou para uma universidade fora do país.
— E o que você fez quando soube?
"Então, pare o tempo aqui mesmo a luz da lua
Porque eu não quero nunca fechar meus olhos"
— Eu soube hoje e fiquei muito irritada. – consegui me acalmar e falar em primeira pessoa — Fiquei irritada, porque ele decidiu ir embora sem pensar duas vezes, sem pensar na Lisa, sem pensar em mim...
— Ponyo. – Kiki chamou-me séria. – como ele reagiu depois disso?
— Ele nem ligou, ele ficou todo frio e...-
"Sem você, eu me sinto quebrado
Como se eu fosse metade de um todo
Sem você, eu não tenho nenhuma mão para segurar
Sem você, eu me sinto rasgado
Como um barco de vela na tempestade
Sem você, eu sou apenas uma triste música"
— Ponyo, você não vê? – ela me interrompeu, parecendo meio irritada. – eu não conheço esse Sosuke, mas certamente ele está morrendo por dentro! – ela aumentou o tom, mas pareceu se conter ao lembrar que há um bebê dormindo. Eu continuei de olhos arregalados, e ela pareceu perceber que eu não entendi. – Ponyo... Eu já estive no lugar do Sosuke. Tive que escolher entre ficar nessa cidade com o Tombo ou voltar para minha cidade natal... O Tombo também reagiu como você e nós brigamos, e acabei por voltar pra casa de um modo horrível.
— E por que você voltou? – perguntei perdida.
— Por que? Porque eu sabia que iria voltar. Eu iria voltar para ficar com o Tombo... E ele estava como você, ele não conseguia entender isso. Muitas coisas aconteceram, mas eu voltei. – ela juntou minhas duas mãos, e me olhou firme nos olhos. – Ponyo... Você tem certeza que o Sosuke te ama?
— Sim.
— Você o ama?
— Muito...
— Então deixe-o seguir seu caminho. Ele deve estar bem pior do que você agora, com certeza. Ele precisa desesperadamente que você o apoie. – ela sorriu, suada por se exaltar. – acredite em mim.
(...)
Sosuke P.O.V
Acordei assustado. Levantei-me imediatamente, passando a mão em meu rosto, secando o suor. Pesadelos daquele tipo viviam me assustando ultimamente, me fazendo acordar daquela... Tudo porque esses sonhos envolvem a Ponyo.
"Você é a perfeita melodia
A única harmonia
Eu quero ouvir
Você é a minha parte favorita de mim
Com você ao meu lado
Eu não tenho nada a temer"
Não envolvem simplesmente a Ponyo. Eles envolvem a Ponyo com uma criança, usando uma capa de chuva idêntica a minha. Depois de sonhar umas duas vezes com essa mesma criança, eu cheguei à conclusão de que Ponyo estava conversando comigo mesmo quando tinha cinco anos. Nesse sonho, Ponyo dava uns tapinhas na cabeça do menino, como se estivesse brincando, e de repente começam a correr. Eu tentei os alcançar, mas quando consegui, eles não me viam, e eu começava a ficar desesperado.
Depois de pensar um tempo, percebi que aquele sonho significava que seria doloroso pra mim não ser mais aquele pequeno Sosuke para Ponyo, e ter que me afastar dela.
Depois de lavar o rosto, fui olhar a hora. Eu iria embora às nove, para ir de navio até até a capital, e de lá eu iria pegar meu voo. Seria um dia longo e cansativo. Tomei banho, me arrumei, e peguei minhas malas. A Lisa e o Koichi ligavam desesperados para a Ponyo, não querendo que eu partisse assim, mas ela não atendia. Provavelmente ela estava morrendo de ódio de mim e não queria nem ver minha cara.
Antes de irmos pro carro, desci para a mini praia. Não fiz nada de interessante lá, simplesmente suspirei e observei o horizonte, lembrando-me de Ponyo. Onde será que ela estava? Será que estava acordada? Provavelmente não, ainda era cedo demais para a ruiva.
— Sosuke! Vamos!! — ouvi Lisa me chamar. Olhei pra areia, como se dissesse adeus, e subi.
— A Ponyo ligou pra você? — Koichi perguntou, colocando a minha mala no carro. Pus a bolsa, e olhei para trás, encarando o baldinho verde que estava pendurado na cerca.
— Não. — respondi por fim, tentando parecer indiferente, e entrei no carro.
"Sem você, eu me sinto quebrado
Como se eu fosse metade de um todo
Sem você, eu não tenho nenhuma mão para segurar
Sem você, eu me sinto rasgado
Como um barco de vela na tempestade
Sem você, eu sou apenas uma triste canção"
No caminho todo a Lisa tentava me distrair, mas eu nem prestava atenção no que ela dizia, apenas concordava. E, nisso, ela só parou de falar quando chegamos no porto e nos deparamos com todos os nossos amigos e conhecidos. Deve ter dado um tempo procurando Ponyo entre a multidão, mas sei que ela não achou. Amigos da Lisa que me viram crescer, o pessoal da escola, até a Kumiko estava lá. A sra. Granmanmare estava lá também, juntamente do sr. Fujimoto. Eles falaram comigo como todos os outros ali, mas não perguntaram de Ponyo. Eles conhecem o gênio da própria filha, sabem que ela não está falando comigo.
— Sosuke? — ouvi uma voz atrás de mim. Era San — ou "Mono-chan", como geralmente as meninas falam — e Ashitaka atrás de mim. — por que que nem a Chihiro, o Haku e principalmente a Ponyo estão aqui? — ela parecia preocupada.
— Haku me mandou uma mensagem dizendo que ficaram na casa dos pais da Chihiro porque a Yuuko-san passou mal, então provavelmente eles não vêm. Já a Ponyo, bem... Ela não vai querer me ver por bastante tempo... — coçei a cabeça com um sorriso amarelo, tentando amenizar a situação.
Mas não funcionou. Ashitaka e San conheçem muito bem a mim e a Ponyo, e sabem que em momentos como esse eu sofro demais. Howl, Sophie, Markl, sra. Granmanmare e sr. Fujimoto. Todos me olhavam com um tanto de pena, percebendo que eu estava sofrendo.
— Sosuke, está na hora de ir. — Lisa veio em minha direção. — Koichi avisou que você tem que subir agora. — completou. Olhei pra ela, e ela mudou sua expressão. Parecia estar um tanto triste. — meu filho... — ela passou a mão em meus cabelos. — eu vou sentir saudades... E ela também. Mas vá e faça o que tem de fazer nesse mundo! — ela disse mudando completamente, e me dando um tapa nas costas, fazendo-me cair um pouco pra frente. Todos riram, e eu sorri.
Dei uns passos até as escadas que levavam ao navio, e olhei para trás.
— Tchau, mãe! — falei para Lisa. — Tchau pessoal!!! — gritei para o resto, que estava mais atrás. Eles todos gritaram mensagens de apoio. Vou sentir saudade dessa galera.
Subi no navio, e fiquei olhando o porto se distanciar por um tempo, já que o navio estava navegando há um tempo.
Olhei para o nada. É. Ela não tinha ido. Eu iria passar muito tempo sem ver minha amada.
Será que seria uma boa ideia desistir de tudo, me jogar no mar e nadar até o porto?
— SOSUKE!!!!!!!!!!!!!!!!! — ouvi um grito. Não era um simples grito. Era um grito dela.
— PONYO? Mas... O que você está fazendo?!?! — perguntei feliz, mas extremamente preocupado também. Ponyo estava tentando controlar uma das invenções de seu pai, que fazia com que ela pudesse navegar também.
— Sosuke!!! — ela gritou novamente, alternando entre olhar pra mim e olhar para onde ia. — pode ir!!! Eu te apoio!!! Você tem que fazer o que... — um pouco de água do mar entrou em sua boca, e ela cuspiu. — ... fazer o que sente vontade!!! Conquiste esse mundo!!! Eu sempre estarei aqui te apoiando!!!
— Ponyo... — meus olhos já estavam marejados, e um largo sorriso se mantinha em meu rosto. — eu vou morrer de saudades!!!
— PEGA! — ela gritou, jogando algo com todas as forças. Estava um pouco molhado, mas pude perceber que era um cachecol azul escuro. — é um presente!!! Pra lembrar de mim!
— Obriga... PONYO! — gritei ao ver que ela ia cair, mas Granmanmare, que deve ter ido atrás dela, a segurou.
— Ponyo, aqui é perigoso para você. Nós vamos voltar. — foi o que consegui ouvir, já que elas se distanciavam.
Ponyo olhou em meus olhos, e eu nos dela.
E, baixinho, ainda nos olhando, dissemos um ao outro...
"Eu te amo"
"Sem você, eu me sinto quebrado
Como se eu fosse metade de um todo
Sem você, eu não tenho nenhuma mão para segurar
Sem você, eu me sinto rasgado
Como um barco de vela na tempestade
Sem você, eu sou apenas uma triste música
Eu sou apenas uma triste música"
*
*
*
5 anos depois...
Sosuke P.O.V
Me sinto ridículo quando me pego pensando no passado. Me sinto ridículo, porque um homem já feito que sabe que vai sofrer, tenta evitar a causa da dor.
Mas a causa da dor era impossível de evitar. Ela era minha razão de viver, e a cada ano que se passava, eu me sentia morrendo de pouco em pouco.
Me sentia morrendo, simplesmente pelo fato de que, depois daquele dia...
...Ponyo nunca mais fora a mesma.
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