Hermione sentiu o peso das palavras de Draco como um feitiço que a imobilizava. O som de sua própria respiração parecia ecoar na sala silenciosa, cada suspiro mais alto do que o último. Ele realmente havia dito aquilo? Ela mal conseguia acreditar. Tentou encontrar os olhos de Draco, mas a intensidade do olhar dele a fez desviar, como se os sentimentos dele fossem fortes demais para serem enfrentados de frente.

Sua mente estava em caos, uma tempestade de pensamentos conflitantes. Como Draco Malfoy, o garoto que passou anos a desprezando, poderia agora estar confessando amor? Parte dela queria acreditar que aquilo era real, que Draco estava sendo sincero. Mas outra parte, a mais racional, a alertava sobre o perigo de se entregar a sentimentos que poderiam ser apenas uma ilusão, uma armadilha camuflada de ternura.

Ela se lembrou dos momentos em que Draco foi cruel: os insultos, as piadas, os olhares de desprezo. Aquelas memórias vieram como facas afiadas, cortando sua confiança e a lembrando das cicatrizes que ainda carregava. Como isso poderia se transformar em amor? E, mesmo que fosse verdadeiro, como poderia confiar nele depois de tudo? As palavras cortantes que ele costumava usar ainda ecoavam em sua mente, ressoando como cicatrizes que nunca se curaram completamente.

Gina, ao seu lado, apertou sua mão discretamente, como se a encorajasse a tomar uma decisão. O toque suave de sua amiga era como um ancoradouro em meio à tempestade, mas mesmo assim, Hermione sabia que a sala inteira aguardava sua resposta. Por mais que tentasse, as palavras certas pareciam escapar de sua mente confusa.

— Isso é uma brincadeira? — ela perguntou, a voz falhando, quase inaudível. Ela precisava de uma confirmação, algo que a fizesse entender o que estava acontecendo, que trouxesse algum tipo de lógica para aquele momento surreal.

Draco se inclinou ligeiramente em sua direção, sua expressão séria e determinada.

— Hermione, eu não brincaria com você. Não agora. Não sobre isso.

O coração de Hermione disparou, como se estivesse correndo contra o tempo. Cada fibra do seu ser lutava contra a lógica que sempre a guiou. Ela havia passado tanto tempo odiando Draco Malfoy, tanto tempo acreditando que ele nunca poderia mudar. Mas, diante dela, estava um Draco que parecia diferente, vulnerável até. Um Draco que ela não conhecia, mas que ansiava por entender.

Os dias desde a última vez que jogaram aquele jogo passaram em sua mente como um filme, trazendo lembranças de todos os encontros às escondidas. Um Draco Malfoy gentil, amoroso, engraçado. Um Draco que carregava seus livros, que sorria para ela nos corredores, que a puxava para dentro de um armário de vassouras para beijá-la e sussurrar que sentiu sua falta. Aqueles momentos, tão diferentes da imagem que tinha dele, a confundiam ainda mais.

Apesar das inseguranças, Hermione sabia que o que estavam construindo era real, embora ainda tivesse dúvidas sobre o que Draco realmente queria. Ela imaginava que poderia ser apenas mais uma diversão para ele, como qualquer outra garota, e por isso não se permitia sentir. Eles estavam aproveitando, trocando carinhos às escondidas na biblioteca, sendo pegos de surpresa durante escapadas noturnas para ficarem juntos. Mas e se fosse mais do que isso? E se fosse realmente verdadeiro e, até mesmo, recíproco?

O rosto de Hermione corou ao se lembrar desses momentos. Draco beijando seu pescoço e seu colo em uma sala de aula, fazendo seu coração disparar. Ela pensava que aquilo nunca passaria de uma diversão passageira, que ela seria apenas mais uma, como Pansy Parkinson. Mas agora, tudo parecia diferente, mais intenso, mais verdadeiro.

Tudo que ela evitou pensar durante esse tempo veio à tona como um furacão. Ela sempre ergueu barreiras para evitar sofrer, para não encarar o que estava realmente acontecendo entre eles. Ela não poderia negar todos os sentimentos que tinha com a aproximação dele, quando ele sussurrava em seu ouvido que ela estava linda e a beijava. Mas agora, diante da declaração de Draco, todas as suas defesas estavam se desarmando, e ela sentia tudo de uma vez.

— Eu... eu não sei o que dizer — ela finalmente admitiu, a confusão evidente em sua voz. — Você... você realmente me ama?

Draco assentiu lentamente, sem tirar os olhos dela, esboçando um pequeno sorriso que quase derreteu as defesas que ela tanto lutava para manter.

— Sim. E não vou negar isso.

Hermione balançou a cabeça, ainda lutando para entender tudo aquilo e a si mesma.

— Isso é loucura — ela murmurou para si mesma, tentando processar como haviam chegado a esse ponto. Ela sabia como havia chegado ao ponto de sentir tudo aquilo por Draco Malfoy, mas não entendia como ele havia mudado tanto. Como Draco Malfoy, o garoto que ela desprezava por tanto tempo, poderia se transformar em alguém que ela poderia amar?

Draco deu de ombros levemente, mantendo a seriedade.

— Talvez seja — ele respondeu. — Mas às vezes, as melhores coisas na vida são um pouco loucas.

O silêncio que se seguiu foi tão intenso que Hermione podia ouvir o som de seu próprio coração batendo. Ela olhou ao redor, vendo que todos estavam atentos a eles, exceto Rony, que mantinha o olhar fixo no chão. A visão de seu antigo amigo lhe causou um aperto no peito. Como ele reagiria a tudo isso? Como ela própria deveria reagir?

Ela desviou o olhar para Harry, que a encarava com uma expressão suave, quase de incentivo. Aquele olhar a acalmou um pouco, mas também a lembrou da complexidade de tudo aquilo. Harry a observava com uma calma que só um verdadeiro amigo poderia oferecer, seus olhos dizendo mais do que palavras jamais poderiam.

Hermione não ousou olhar para Pansy Parkinson e Blaise Zabini. Ela não queria ver a reação dos sonserinos e imaginar o que pensavam dela e de Draco. Mas sabia que todos estavam ali, aguardando sua decisão. Como isso afetaria suas amizades? Como mudaria tudo?

— Você não precisa responder agora — Draco disse mais uma vez, quebrando o silêncio. Sua voz era suave, mas cheia de firmeza. — Eu só precisava que você soubesse. E, independentemente da sua decisão, quero que saiba que sempre estarei ao seu lado, Hermione.

Hermione sentiu uma onda de emoções a inundar. Era tudo tão confuso, tão inesperado. Mas, no fundo, ela sabia que havia algo verdadeiro ali. Algo que não poderia ser ignorado, por mais que tentasse.

Ela fechou os olhos por um momento, respirando fundo antes de abri-los novamente e encontrar o olhar de Draco.

— Eu... eu preciso de tempo, Draco — ela finalmente conseguiu murmurar, sua voz embargada pelo turbilhão de emoções que a dominavam. — Isso é... muito mais do que eu esperava.

Draco inclinou a cabeça levemente, seus olhos brilhando com uma mistura de esperança e temor.

— Eu entendo. Tome o tempo que precisar, Hermione. Só... não se afaste de mim.

Gina apertou a mão de Hermione, demonstrando apoio silencioso. Hermione sabia que, independentemente da decisão que tomasse, nada seria fácil daqui para frente. Mas, pelo menos agora, ela sabia que não estava sozinha.

Enquanto o silêncio ainda pairava sobre a sala, Hermione se levantou, sentindo que precisava de um pouco de ar.

— Eu vou... pensar nisso — disse, antes de sair, sentindo todos os olhos pesarem sobre ela.

Quando o quadro se fechou atrás dela, Hermione finalmente soltou o fôlego que nem percebera que estava segurando. Seu coração estava em pedaços, travando uma batalha silenciosa, com a razão e o sentimento se enfrentando sem que nenhum lado conseguisse prevalecer. Ela sabia que não poderia fugir desse dilema para sempre. No entanto, também sabia que, independentemente da escolha que fizesse, seu mundo nunca mais seria o mesmo.