Sentada à janela de seu dormitório, Hermione olhava a lua cheia iluminando o castelo adormecido. Seus pensamentos giravam em torno do que havia acontecido mais cedo, da proposta e da confissão de Draco. Ele nunca dissera aquelas palavras, mesmo durante os momentos em que estiveram juntos, apesar de ela notar como ele agia perto dela.

Esses momentos passavam em sua mente como um filme, cada vez mais intensos e cada vez mais cheios de desejo. Ela nunca havia cedido, pois ainda havia o medo, ainda havia as lembranças que por vezes a perturbavam.

Cansada de tentar lidar com os seus pensamentos, Hermione se levantou e caminhou para fora do quarto e da Sala Comunal. Passou horas caminhando pelos corredores vazios de Hogwarts, esperando não ser pega e tentando dissipar o turbilhão de pensamentos em sua mente. O frio da noite escorria pela sua pele, mas não conseguia afastar a sensação de arrependimento que a consumia desde o momento em que saíra da sala comunal mais cedo, durante o jogo e a proposta.

Ela não conseguia parar de pensar em Draco. Nos olhos dele ao confessar seus sentimentos, na vulnerabilidade que ele havia demonstrado, algo que ela nunca imaginou ver nele. E ainda assim, havia recuado. Por quê? Medo? Insegurança? Hermione sabia que aceitar Draco poderia mudar tudo. O que isso significaria para eles? Para seus amigos? Seria capaz de lidar com a pressão e com as consequências de um relacionamento que nem ela mesma entendia completamente? O coração batia acelerado, dividido entre o desejo e o temor.

Encostada em uma parede de pedra, ela fechou os olhos, deixando escapar um suspiro trêmulo. Por que não disse nada? Por que não deixou o medo de lado e o aceitou? Hermione sabia que ele havia mudado, que o Draco que um dia a desprezava não era o mesmo que a beijava de maneira suave, que a puxava para perto como se ela fosse a pessoa mais importante do mundo. Ela havia sentido isso tantas vezes nos toques dele, no modo como a olhava e como a tratava. O que exatamente havia acontecido durante aquele jogo idiota?

O que significava amar Draco Malfoy? Era inegável que ele havia mudado. A forma como ele a olhava, como a defendia, como estava disposto a deixar tudo claro diante de seus amigos... Isso era algo que o antigo Draco jamais faria.

— Se você não confia no que sente — ela sussurrou para si mesma — confie no que ele tem mostrado.

A culpa corroía seu peito, e ela sabia que precisava consertar as coisas. Hermione não podia deixá-lo esperando, não podia deixá-lo pensando que seus sentimentos não eram recíprocos. Ela precisava dele, mesmo que isso a assustasse.

Determinada, Hermione girou nos calcanhares e caminhou rápido em direção à Ala Leste, onde sabia que Draco estaria. Ele havia mencionado outro dia que tinha uma reunião tardia para finalizar algumas tarefas de poções, cumprindo horas complementares com Slughorn para que pudesse concorrer, após a finalização de seus estudos em Hogwarts, para uma vaga de Medibruxo. Ela não se importava com o que ele estivesse fazendo. Precisava vê-lo agora, antes que o arrependimento crescesse ainda mais dentro de si.

Ao chegar na entrada da sala de poções, ela parou, tomando coragem antes de bater na porta. O som ecoou levemente pelo corredor, e segundos depois, Draco apareceu, visivelmente surpreso ao vê-la ali.

— Hermione? — A voz dele soou hesitante, mas cheia de curiosidade. — O que você está fazendo aqui? Você poderia ter sido pega.

Ela sentiu o coração acelerar. Suas mãos suavam, e por um momento, pensou em fugir. Mas ao ver o olhar preocupado e confuso de Draco, ela soube que não havia mais volta.

— Eu... eu precisava falar com você — disse ela, quase sem fôlego, os olhos buscando os dele. — Sobre o que aconteceu mais cedo.

Draco franziu o cenho, dando um passo para fora da sala. Ele olhou ao redor para ver se alguém os observava e então fechou a porta atrás de si, agora completamente focado nela.

— O que houve? — Sua voz era suave, mas havia um toque de ansiedade.

Hermione respirou fundo, tentando organizar seus pensamentos antes de falar. As palavras pareciam escapar de sua boca de forma desordenada, mas ela sabia que precisava dizer tudo.

— Eu... eu devia ter dito alguma coisa, devia ter te respondido. Mas fiquei assustada. Estava tão confusa que não soube como reagir — confessou, o peso dessas palavras a fazendo sentir-se mais leve.

Draco a observou em silêncio, o rosto dele inexpressivo, mas seu olhar mais profundo do que qualquer palavra que ele pudesse dizer; seus olhos brilhando com uma intensidade que a fez sentir o chão sumir sob seus pés.

— Eu entendo, Hermione. Não foi justo jogar tudo aquilo em você, na frente de todo mundo — ele respondeu, a voz baixa e controlada. — Eu devia ter esperado. Achei que seria algo legal, se não fosse aquele idiota do Weasley.

Ela balançou a cabeça, a voz trêmula.

— Não, Draco, você não entende. Eu... eu te amo — as palavras saíram antes que ela pudesse se conter, e seu rosto corou imediatamente. — Eu só não soube lidar com isso. Com tudo que já aconteceu entre nós. Mas eu sei que você mudou, sei que não é mais o garoto que me insultava.

Draco olhou para ela com uma mistura de surpresa e algo mais profundo. Ele deu um passo em sua direção, erguendo a mão para tocar de leve o rosto dela; os dedos dele tremeram levemente ao tocarem seu rosto, como se cada gesto agora carregasse o peso de anos de arrependimento e o desejo de redenção.

— Você está dizendo... que quer estar comigo? — Sua voz era incrédula, quase temerosa de ouvir a resposta.

Hermione assentiu, os olhos marejados.

— Sim. Eu quero. Mas ainda tenho medo, Draco. Eu... eu não sei como isso vai funcionar. Como vamos... lidar com tudo

Draco fez uma pausa, a mão ainda no rosto dela, os olhos percorrendo cada detalhe de sua expressão, como se temesse que ela mudasse de ideia. Ele sorriu, um sorriso pequeno, mas verdadeiro.

— Não precisamos ter todas as respostas agora. Só precisamos saber que queremos isso.

Hermione sentiu as lágrimas começarem a escorrer por seu rosto. Ela não conseguia mais segurar todas as emoções que guardava há tanto tempo. Draco a puxou gentilmente para perto, abraçando-a, e ela se aninhou contra o peito dele, sentindo o calor de seu corpo, o cheiro familiar que a acalmava.

— Estou aqui com você, Hermione — ele sussurrou em seu ouvido, os lábios roçando levemente o lóbulo da orelha dela e a fazendo arrepiar. — Sempre estarei.

Ela olhou para ele, e sem pensar, ergueu-se na ponta dos pés e o beijou. O beijo começou suave, carregado de ternura e medo, mas logo se transformou em algo mais, algo que queimava por dentro, com um gosto agridoce. Draco a puxou para mais perto, suas mãos descendo até a cintura dela, enquanto Hermione passava os braços ao redor do pescoço dele, sentindo cada fibra de seu ser respondendo ao toque dele.

Draco interrompeu o beijo por um segundo, ofegante.

— Hermione, tem certeza?

Ela olhou nos olhos dele, seu coração martelando contra o peito.

— Sim, Draco. Eu quero faz um tempo. Quero você.

Draco deu um sorriso sereno e, sem mais hesitações, puxou Hermione pela cintura enquanto abria a porta atrás de si, guiando-a para dentro da sala de poções vazia e trancando a porta atrás deles. O silêncio sombrio do lugar os envolveu, e o ar carregado com o cheiro familiar das ervas e ingredientes parecia denso, como se soubesse o que estava por vir.

Hermione o beijou novamente, com uma mistura de urgência e nervosismo. Cada toque de Draco parecia capaz de acalmar parte do caos em sua mente, mas ainda havia um temor latente. Ele a segurava com firmeza, mas com uma suavidade evidente, como se estivesse consciente de cada movimento, respeitando os limites dela. Hermione entrelaçou os dedos no cabelo loiro dele enquanto ele a puxava para a mesa mais próxima. Suas respirações pesadas preenchiam o ar, misturando-se ao aroma familiar das poções inacabadas.

Ela sentia o corpo dele pressionado contra o seu, a mantendo firme, mas o nervosismo ainda a envolvia, uma sensação desconhecida. Hermione sabia que não havia mais volta, mas, ao mesmo tempo, cada parte dela se preparava para o que estava por vir.

Draco a ergueu com delicadeza, colocando-a suavemente sobre a mesa. Hermione arfou ao sentir o calor dos lábios dele descendo pelo seu pescoço, enquanto seus dedos hábeis desabotoavam seu pijama com uma precisão quase cuidadosa. Seus toques eram lentos, quase reverentes, como se ele quisesse que cada movimento tivesse significado. O corpo de Hermione reagia a cada toque, mas o nervosismo aumentava, junto com o calor crescente que se espalhava por sua pele.

Ela fechou os olhos, tentando se entregar completamente ao momento, mas a consciência de sua própria inexperiência se fazia presente. Draco parecia perceber sua hesitação. Ele parou por um momento, seus olhos encontrando os dela com uma intensidade suave, como se procurasse alguma confirmação.

— Hermione — ele sussurrou, a voz grave e cuidadosa. — Você está bem? Quer que eu pare?

Ela sentiu o coração acelerar, lutando contra a incerteza. As palavras de Draco trouxeram um alívio inesperado, um espaço para respirar. Hermione respirou fundo, assentindo lentamente. Apesar do medo, ela queria continuar. Queria estar com ele de verdade.

— Estou bem — ela respondeu em um sussurro quase trêmulo. — Só... vá devagar, por favor.

Draco assentiu, o olhar dele agora repleto de cuidado e ternura. Ele se inclinou sobre ela, voltando a traçar um caminho suave com os lábios pela pele exposta de seu colo. O corpo de Hermione começou a relaxar lentamente, o nervosismo sendo substituído por uma sensação crescente de desejo, embora ainda acompanhada de uma leve ansiedade. Draco a tocava com uma precisão que a fazia se sentir segura. Ele parecia conhecer os limites dela, nunca apressando nenhum movimento, esperando que ela guiasse o ritmo.

Quando Draco começou a descer ainda mais, explorando a pele sensível de seu abdômen com beijos e toques delicados, Hermione sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O corpo dela respondia aos poucos, a incerteza sendo substituída por uma excitação crescente. Os lábios dele encontraram o ponto sensível em sua clavícula, enviando ondas de calor por todo o corpo dela.

— Hermione — ele murmurou novamente, com a voz rouca, cheia de desejo, mas também de cuidado. — Se não quiser... me avise.

Ela olhou para ele, os olhos marejados de nervosismo e expectativa, e assentiu suavemente. Havia uma hesitação, mas também algo dentro dela que queria mais, que queria descobrir até onde poderiam ir. Hermione mordeu o lábio inferior, os dedos tremendo levemente enquanto deslizava as mãos pelo peito de Draco, os olhos cinzentos nunca deixando os dela.

Quando Draco a beijou de novo, desta vez com mais intensidade, Hermione sentiu o calor entre eles crescer. Suas mãos eram suaves, cuidadosas enquanto exploravam cada centímetro do corpo dela, respeitando seus limites. Os toques dele, ainda que cheios de desejo, mantinham um cuidado evidente. O corpo de Hermione reagia com uma mistura de prazer e nervosismo, enquanto Draco continuava a explorá-la.

Quando o momento finalmente chegou, Hermione sentiu um arrepio. Ela apertou a mão de Draco, buscando conforto, e ele imediatamente parou, olhando-a com uma expressão de profunda preocupação.

— Está tudo bem — ele sussurrou suavemente, passando a mão pelos cabelos dela. — Vamos com calma, eu estou aqui.

Hermione assentiu novamente, os lábios tremendo, mas seus olhos focados nos dele. Draco se moveu devagar, a cada passo tão cuidadoso quanto possível, garantindo que ela estivesse confortável. Ela sentiu um breve desconforto, mas logo se acalmou quando Draco a segurou firme, sussurrando em seu ouvido libidinosamente.

Conforme eles se entregavam ao momento, o nervosismo de Hermione começou a se dissipar, substituído por uma onda crescente de sensações que ela nunca tinha experimentado antes. Draco continuou a guiá-la, seus movimentos sempre gentis, até que os dois se perderam completamente no turbilhão de emoções e desejo.

As palavras ficaram perdidas entre suspiros e sussurros, enquanto eles se entregavam ao que sentiam. Hermione sabia que havia feito a escolha certa. Apesar do medo, apesar das dúvidas, estar ali com Draco, naquele momento, era onde ela queria estar. Não havia mais necessidade de fugir.

Quando seus corpos finalmente cederam ao cansaço e ao prazer, Hermione repousou a cabeça no peito de Draco, que se manteve em pé, sentindo os braços dele ao seu redor. Ela se sentia segura, completa.

— Obrigada por não desistir de mim — ela murmurou, um sorriso suave brincando em seus lábios enquanto sentia o calor reconfortante dos braços de Draco ao seu redor. Pela primeira vez em muito tempo, Hermione sentiu que, apesar das incertezas, o lugar dela era exatamente ali. E isso bastava.

Draco beijou o topo de sua cabeça, acariciando seu cabelo suavemente.

— Nunca desistiria de você, Hermione.

No Salão Principal, o café da manhã estava em pleno andamento, com as conversas e risadas ecoando pelas paredes de pedra. No entanto, Hermione não conseguia se concentrar em nada além do loiro ao seu lado. Eles estavam sentados juntos na mesa da Grifinória, e a presença de Draco ao seu lado não passava despercebida. A mesa estava animada, mas os olhares direcionados a eles eram variados. Gina lançou um olhar significativo para Hermione, um misto de aprovação e alegria que fazia seu coração se aquecer. Até Harry, que sempre mantivera uma postura reservada em relação a Draco, parecia relaxado, com um leve sorriso de compreensão.

Rony, por outro lado, ainda evitava olhar diretamente para eles. Hermione sabia que levaria tempo para ele aceitar completamente a situação, e estava disposta a dar-lhe o espaço necessário. Respeitava o fato de que ele precisava processar tudo no seu próprio ritmo e esperava que, eventualmente, ele encontrasse sua própria forma de aceitação.

— Então, o que vem agora? — perguntou Hermione, sua voz carregada de curiosidade e esperança, enquanto se inclinava um pouco mais perto de Draco.

Ele olhou para ela, os olhos brilhando com uma mistura de confiança e ternura.

— Agora, — ele respondeu, um sorriso se formando em seus lábios, levantou sua mão e segurou suas bochechas, dando um beijo delicado nos lábios dela — nós vivemos, amor.

Hermione assentiu, sentindo uma onda de calor e segurança com as palavras e o gesto dele. Eles trocaram um olhar cúmplice, um entendimento mútuo de que estavam prontos para enfrentar o que viesse. Sabiam que o caminho à frente não seria fácil, mas a decisão já havia sido feita e, independentemente dos desafios, estavam prontos para enfrentá-los lado a lado.

Quando o dia finalmente terminou, Hermione caminhava pelos corredores de Hogwarts ao lado de Draco. O castelo, que tantas vezes havia sido palco de conflitos e incertezas, agora parecia envolto em uma aura de acolhimento e esperança. As sombras das torres e corredores não mais pareciam opressivas, mas sim testemunhas silenciosas de um novo começo.

Com as mãos entrelaçadas e os corações finalmente em paz, Hermione sentiu que havia encontrado algo mais do que o amor. Havia encontrado uma nova chance. Sentia uma nova força e esperança ao olhar para Draco, que caminhava ao seu lado. Juntos, estavam prontos para enfrentar o futuro, não com a certeza de que seria fácil, mas com a convicção de que, enquanto estivessem unidos, poderiam enfrentar qualquer desafio que surgisse.

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