Verdade Ou Pesadelo
12 Unholy
Notas iniciais
– A freira que mandava Mary Worth para que eu abusasse dela todo mês sem dó, era você Scout.
– O... O que? – como assim a freira era ela? – Está mentindo. Isso foi há quase um século, não tem como ser eu! A história não dizia nada sobre uma freira!
– Acontece que as lendas são modificadas conforme são passadas de tempos em tempos, mas pode acreditar quando eu digo que tudo o que estou falando é verdade. Acredita que possa existir mais de uma vida, Scout? Quero dizer, acredita que você pode ter tido encarnações anteriores?
– Eu não sei mais no que eu acredito – as ideias de Scout estavam completamente bagunçadas.
– Então vou lhe dar algo no que acreditar: em uma das suas encarnações anteriores, você foi uma freira que viveu sua vida toda em um orfanato, e quando o orfanato passava por dificuldades financeiras e você se viu sem saída, você cedeu à minha proposta e em troca da minha ajuda me ofereceu Mary para ser meu brinquedinho.
– É impossível! Como pode saber que era eu?!
– Sua aura.
– Minha o que?!
– Aura. É um manto que todo ser vivo tem em volta de si, mas é um manto de luz invisível. Quer dizer, invisível aos seus olhos. Alguns médiuns conseguem ver a aura das pessoas, e pessoas que já partiram desse mundo e que ainda vagam por aqui também podem ver auras. Mesmo que você passe de uma encarnação pra outra, sua aura continua a mesma.
– Então é isso! – Scout finalmente entendera tudo. – Ela está atrás de mim por vingança.
– Veja só, que anjinho ruivo esperto eu arrumei – Andy passou os braços em volta da cintura de Scout.
– Ei! – Scout empurrou-o. – Pode ir parando por aí, eu ainda não sou sua.
– Desculpe, princesa, esqueci de alguma coisa? – perguntou ele.
– Você não me disse como faze-la parar.
– Isso não consta no nosso contrato, eu apenas tinha que lhe contar a história de Mary, você não disse nada sobre dizer como pará-la. Vai ter que aumentar sua oferta se quiser que eu lhe diga como pará-la.
– Isso é trapaça! – indignou-se Scout.
– Desculpe, trapacear faz parte da minha natureza – respondeu ele, piscando para Scout.
– Me diga o que mais você quer, então.
– Deixe-me pensar... – ele colocou a mão no queixo fingindo que estava pensando, mas na verdade sabia muito bem o que queria. – Que tal ficar no lugar de Mary e ser minha, “escrava sexual”?
– Nem fodendo! – disse Scout.
– Nesse caso, boa sorte enfrentando Mary, será uma pena ver esse olhos tão lindos serem arrancados sem piedade – disse ele, aproximando seu rosto do de Scout e acariciando suas bochechas com o polegar, mas ela logo afastou suas mãos frias.
– Você é desprezível – Scout olhava-o com nojo, mas ela não tinha outra escolha. Ela tinha que concordar. – Aceito – disse ela, selou seus lábios com os dele. Era uma sensação estranha beijar lábios tão frios.
Alguns segundos depois separaram-se, e Scout aproveitou para “limpar” os lábios com as costas das mãos. Ela sentia nojo só de beijá-lo. E pensar que depois que tudo acabasse ela teria que...
Chega de pensar nisso, a questão é:
– Como faze-la parar? – perguntou Scout.
– Será preciso que você faça um ritual.
– E o que eu devo fazer?
– Não sou de fazer isso, mas vou te ajudar – disse ele.
– E por que você faria isso? – Andy ia ajuda-la sem pedir nada em troca? Aquilo era estranho demais.
– Se não quiser, não precisa aceitar – ele disse, indiferente.
– Eu não disse que não queria, perguntei o porquê.
– Porque eu não aguento mais assombrar esse cemitério, e quando tudo acabar eu quero ir pra algum lugar onde eu e você possamos passar a eternidade sem sermos perturbados.
– Me diz logo o que eu tenho que fazer nessa porra de ritual – exigiu Scout, já de saco cheio daquela conversa.
– Tem que ser feito no túmulo de Mary. Traga 3 velas de sete dias; uma adaga de marfim; uma ágata lilás; um olho de tigre-
– UM OLHO DE TIGRE?! – Scout se assustou.
– Estou falando da pedra – ele especificou. É mesmo, havia uma pedra chamada Olho de Tigre. – Onde eu estava? Ah, um olho de tigre; uma aragonita; algum pertence da Mary, pode ser uma foto; algum pertence seu e um amuleto de jade.
– As velas de sete dias eu consigo arrumar, mas onde você espera que eu encontre uma adaga de marfim, um pertence da Mary e todas essas pedras?
– Não sei onde pode conseguir um pertence da Mary, mas quanto ao resto, vá até Los Angeles. Chegando lá procure por Madame Vanda, é uma cigana.
– Ir até L.A.?! E que desculpa eu dou pro meu pai?!
– Nisso você vai ter que se virar, ruiva – Scout não gostava da atitude de Andy, mas ela ia fazer o que? Pedir pra ele parar? Como se fosse adiantar.
– Volto no máximo em uma semana, aí fazemos o ritual.
– Estarei te esperando – ele a olhou examinando cada curva de seu corpo adolescente. Aquilo realmente a deixou desconfortável.
– Tem certeza de que esse ritual vai dar certo?
– Meu amor, olhe bem com quem está falando. Acha que alguém entende melhor de rituais do que o Andyzinho aqui? Se o assunto é ritual, pode confiar em mim de olhos fechados.
– Não confio em você nem de olhos abertos, que dirá de olhos fechados – respondeu Scout.
– Foi maneira de dizer, gata. Quando vier me ver, seria ótimo se me trouxesse uma amiga gostosa de lanchinho, não acha? Pro seu Andy que está te ajudando tanto – ele sussurrou em sua orelha e mordeu de leve o lóbulo.
– Seu- – ela não teve chance de pensar em algum nome para xingá-lo, quando se deu conta ele estava com uma das mãos tampando sua boca.
– Ssshh, sshh, ssh... Não termine esta frase, não me faça ficar nervoso. Seja boazinha – Scout apenas assentiu e ele tirou a mão de sua boca. Eles se encararam por alguns segundos e Andy quebrou o silencio: – Pode ir agora, só não demora pra vir me visitar de novo. Quando você voltar com tudo eu digo como fazer o ritual. Certifique-se de não me deixar muito tempo esperando, eu odeio esperar.
Scout não disse nada, apenas virou-se de costas para ir embora, sentindo o olhar pervertido de Andy sobre ela.
Foi um alivio quando ela finalmente conseguiu sair do campo de vista dele.
“Aquele filho da puta, cretino, nojento, miserável, argh! Eu o odeio! Não acredito que estou me submetendo a esse tipo de coisa!” Scout recriminava-se por dentro, mas no fundo ela sabia: Andy era sua única chance de acabar com Mary, e mesmo que ela odiasse essa ideia, ela teria que obedece-lo.
Notas finais
Mandem reviews, por favor *-*
Beijos s2
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