Notas iniciais
Capítulo 13 pessoar [sotaque caipira] Espero que gostem *-* Ficou curtinho, mas tá aí :3

Scout chegou em casa, entrou às pressas e foi até o quarto do pai.

– Acorda, pai! – ela o sacudiu bruscamente.

– O que? O que foi Scout? Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou um pouco atordoado devido ao jeito que Scout o acordou.

– Pai, a Taylor, ela-

– Scout, não acredito que me acordou no meio da noite pra falar sobre isso de novo! – ele esbravejou.

– Não, pai! Me escuta, tá legal? – pediu ela. Ele assentiu e Scout prosseguiu: – Depois que você saiu do meu quarto, eu saí pela janela e fui até a floresta.

– O que?!

– Deixa eu terminar, caramba! – Scout o cortou. – Eu fui até a floresta porque eu sentia... Não, eu sabia que a Taylor estava em apuros. Eu usei o GPS do celular pra achar o atalho que você falou e fui até lá, e eu... Eu a encontrei...

– Suponho que isso seja bom, certo?

– ...Morta. Eu a encontrei morta, pai. Ela caiu do precipício com a moto, e nesse exato momento tem uma rocha atravessada bem no meio do peito dela – disse Scout, lembrando-se da imagem de Taylor presa àquela rocha. Porém ela não derramou uma lágrima sequer enquanto descrevia para o pai o que viu. No momento ela só sentia ódio e sede de vingança, nada mais, ela não tinha tempo para perder chorando e lamentando.

– Morta?! – Richard ficou perplexo e sem ação. – Temos que contatar a polícia, ela não pode ficar lá mofando no meio das rochas! – disse ele, levantando-se apressadamente e pegando o celular em cima do criado mudo.

Scout foi até seu quarto, fechou a porta, pegou uma mochila de costas e começou a enche-la com roupas. Ela tinha que ir pra L.A.

De repente ela ouve passos de pés descalços vindo até seu quarto. Seu pai. Rapidamente ela jogou a mochila para debaixo da cama, sentou-se em sua cama e um segundo depois a porta se abre.

– Scout, eu já liguei pra polícia, eles estão indo pra lá – disse seu pai, e Scout assentiu com a cabeça.

Depois de alguns segundos encarando a filha, ele entrou no quarto e se sentou ao lado de Scout.

– Olha, a morte da mamãe, da Amanda e da Lorie em Manhattan, e agora a da Taylor... Eu sei que isso deve estar sendo horrível pra você, tanto quanto está sendo pra mim. Mas, por favor, Scout – ele a abraçou forte como se nunca mais fosse vê-la na vida. – Não faça mais isso. Não se coloque em perigo, eu te imploro. Você é tudo o que eu tenho, eu não quero te perder, eu não quero...

Aquilo partiu o coração de Scout. Ela era a pior pessoa do mundo. Como ela pôde se vender a Andy? O que aconteceria com seu pai agora? Ela deixara ele completamente sozinho, e não tinha mais volta, ela não podia quebrar o contrato com Andy. Ela era o tesouro mais precioso de Richard, e mesmo sabendo disso ela o trocou pela vingança.

– Pai... – Scout abraçou-o de volta, e chorou. Chorou as lágrimas que estava segurando há algum tempo. Chorou por Taylor, por sua mãe, por seu pai, chorou de ódio de si mesma.

– Eu te amo, querida – ele a soltou e beijou-lhe a testa. Secou uma lágrima que escorria pelo rosto da filha e sorriu. Eles se encararam por alguns instantes, até que Richard diz: – O melhor que temos a fazer agora é voltarmos a dormir. Amanha pensamos melhor no que fazer. Boa noite, Scout – ele deposita outro beijo na testa de Scout, sorri novamente e caminha até a porta do quarto.

– Boa noite pai – disse Scout, vendo seu pai se levantar da cama e voltar para seu quarto.

Merda, merda, merda! Mil vezes merda! Ela se arrependia até o ultimo fio de cabelo do trato que fizera com Andy. Ela tinha que ter pensado melhor no que fazer e em como convence-lo a ajuda-la, mas não, ela aceitou logo de cara aquele acordo imundo. “Burra! Idiota! Imbecil! Por que não usou o cérebro que Deus te deu pra pensar em outra solução?!” Scout se corroía de arrependimento.

Mas agora já era, não adiantava ficar se lamentando e se xingando mentalmente, isso não ia mudar nada, o que estava feito estava feito, não tinha mais volta, então se ela havia vendido a própria alma e sua castidade para Andy ela faria com que isso valesse a pena. Se Mary estava atrás dela por vingança, então quem estivesse junto com ela corria perigo, incluindo seu pai. Ela já havia perdido sua mãe, não suportaria perder seu pai, e o único jeito de impedir que isso aconteça é saindo de perto dele e acabando com Mary para que ela não venha atrás dele e nem de mais ninguém. Só aí ela poderia ver Richard de novo. Os dias de assassinato de Mary estavam contados.

Scout esperou o pai dormir, foi até seu quarto na ponta dos pés para não acordá-lo, abriu a terceira gaveta da cômoda e começou a revirar as roupas.

– Achei – disse para si mesma, baixinho para não acordar o pai, tirando um cartão de credito do meio de uma calça de moletom.

Se ela teria mesmo que ir à L.A., ela precisaria de dinheiro pra comprar a passagem do ônibus.

Scout foi até seu quarto, pegou a mochila de debaixo de cama e deixou um papel dobrado em cima do travesseiro. Por último, foi até o quarto do pai, beijou-o de leve na bochecha e cochichou:

– Desculpa, pai – e partiu.



(Richard)



No dia seguinte, Richard acordou e a primeira coisa na qual pensou foi em Scout. Ele levantou-se e foi até o quarto da filha ver como ela estava. Bateu na porta e disse:

– Scout? Está acordada, querida? – ele abriu a porta e não viu ninguém. A cama de Scout estava impecavelmente arrumada, mas não havia nem sinal dela lá. – Scout? – ele olhou no banheiro. Nada.

Richard sai do banheiro pronto pra olhar nos outros cômodos da casa, até que vê um papel dobrado em cima do travesseiro de Scout escrito “Richard”. Um bilhete. Ele o desdobrou e leu:

“Pai,

Sei que quando acordar e eu não estiver aqui vai ficar preocupado, mas não fique, eu estarei bem. Estou saindo de casa por um tempo, volto em uma semana. Não vou dizer onde estou, não quero que venha atrás de mim. Eu vou me cuidar, prometo, e eu não quero que me procure. Quando eu voltar te darei todas as explicações que você quiser ouvir. Acredite quando eu digo que estou fazendo isso pensando em você, perto de mim você corre perigo, e até que eu resolva isso eu quero que fique bem longe de mim. Me perdoa.

Eu te amo.

Ass. Scout

P.S.: Peguei seu cartão.”

Richard caiu sentado na cama de Scout, ainda segurando o bilhete com uma das mãos e levando a outra à cabeça, colocando as mechas de cabelo que caíam em seus olhos para trás, num gesto de incredulidade e desorientação. Aquilo era sério? A ficha não caía.

– A Scout não tá em casa? – ele foi surpreendido por uma garotinha parada perto da porta do quarto, dotada de pele alva e cabelos compridos, lisos e negros, vestindo um uniforme xadrez.

– Que susto! Como você entrou aqui? Está perdida?

– Pra onde a Scout foi? – a garotinha insistia.

– Quem é você? Como você conhece a Scout? – perguntou Richard, levantando-se.

– A Scout brinca comigo sempre – ela respondeu. – Por que ela foi embora?

– Qual é o seu nome?

– Mary. É um prazer te conhecer, Richard – disse ela.

– Como sabe o meu nome? – Richard começava a ficar desconfiado. Por algum motivo, apenas olhar para aquela garotinha fazia um calafrio correr pela espinha de Richard.

– Então Scout achou que se ela se afastasse de você poderia te salvar? Que tola – sua pele pálida começava a adquirir um aspecto acinzentado e sem vida e suas bochechas começavam a rachar enquanto ela tava um passo à frente.

– Fique onde está! – Richard gritou, levantando-se e dando um passo para trás. Um forte sentimento ruim o dominava. – O que você sabe sobre isso? O que você fez com ela?!

– Eu? Nada. Ela fez com si mesma – ela continuava se aproximando.

– Do que está falando?

– Acho que você merece saber antes de morrer. A Scout, seu precioso tesouro, vendeu a própria alma em troca de vingança.

– Eu não admito que faça esse tipo de brincadeira sobre minha filha! Saia da minha casa! – berrou Richard, expulsando a garota que não moveu um dedo.

– Brincadeira? Eu não estou brincando, Richard. Eu já sofri demais por causa da Scout, e agora eu finalmente a encontrei, depois de tantos anos procurando, eu a encontrei. Encontrei quem me fez passar por tudo aquilo, e não vou deixa-la viver por muito mais tempo. Mas antes eu vou fazê-la sofrer tanto quanto eu sofri, tirarei tudo dela assim como ela tirou de mim. Pobre Scout, não sabe o que o destino está reversado para ela.

– Se ousar tocar nela eu- – Richard tentou se aproximar da garotinha, mas em uma fração de segundo ela já estava a centímetros de distancia dele.

– Você o que, Richard? Vai me matar? – ela o agarrou pelo pescoço com mãos gélidas e fortes demais para serem de uma garotinha de 9 anos. – Eu matei sua esposa, eu matei Taylor, e agora, vou matar você! – nesse momento o rosto dela mudou para uma aparência horrível e ela o jogou para dentro do banheiro. Richard bateu com a cabeça no espelho, quebrando-o. A batida forte fez com que ele ficasse tonto e não conseguisse levantar. – Machucou? – ela ironizou, entrando no banheiro.

Ainda tonto e sentindo um filete de sangue escorrer por sua nuca e pelas laterais de seu rosto, Richard pegou um caco grande do chão numa tentativa de defesa.

– Fique longe de mim! – ele ameaçava, segurando o caco pontiagudo em direção à garota.

– Oba, você quer brincar comigo então? – ela caminhava em direção a ele.

– Vai pro inferno! – ele avançou em direção à garota e afundou o pedaço de espelho bem onde deveria ficar o coração dela.

Não houve reação nenhuma.

– Garoto mau – disse ela, e de repente Richard não via mais nada, e sentia uma terrível dor na região dos olhos que o fazia gritar. Ela havia arrancado seus olhos. A garota começa a arrancar o caco cravado em seu peito e olha para Richard, que estava com as mãos cobrindo os dois buracos que agora substituíam seus olhos – Melinda mandou um “oi” – ela diz, e logo depois corta a garganta de Richard, sufocando seus gritos e transformando-os em engasgos. Agora eles soavam um pouco estrangulados, até que ele não tem mais força para gritar, nem para respirar. A única coisa que restara era o corpo sem vida no chão do banheiro.

Notas finais
Aaww, Richard >.