Verdade Ou Pesadelo

22 This Prayer For You


Notas iniciais
Oii gente :3 Pra alegria geral da nação - espero - estou de volta com o cap 22 o/ OBRIGADA À 'IM ONLY HUMAN' PELA RECOMENDAÇÃO MARAVILHOSA *0* E AO LEO TAEYEON TAMBÉM, QUE JÁ MANDOU A RECOMENDAÇÃO A ALGUM TEMPO, MAS NÃO TIVE OPORTUNIDADE DE AGRADECER, ENTÃO OBRIGADA AOS DOIS, FIQUEI SUPER FELIZ *--------* Saindo um capítulo fresquinho do forno, espero que gostem ^^

Scout foi abrindo os olhos devagar. Suas pálpebras ainda estavam pesadas e hesitaram um pouco em se abrirem, sua cabeça latejava como nunca.

Quando seus olhos decidiram se abrir, Scout se deparou com um teto de vidro embaçado. Ela fechou-os novamente e apertou-os para normalizar sua vista, e quando abriu de novo percebeu que ainda estava deitada no meio do banheiro, sozinha.

Ela se sentou apoiando-se em uma das mãos e colocou a outra na cabeça para aliviar a dor, fechou os olhos e de repente tudo o que acontecera veio à tona em sua mente de uma vez só.

Scout olhou em volta procurando pela pessoa que afugentara Mary, porém a essas horas não devia haver mais ninguém ali, seja lá quem tivesse entrado já devia ter ido embora.

Ela se levantou cambaleando um pouco até se estabilizar. Os espelhos estavam intactos, não havia um caco sequer no chão, porém os cortes que Scout recebera quando os espelhos se espatifaram ainda permaneciam em seus braços.

– Eu tiro os olhos de você por um momento e você consegue quase virar picadinho? – disse uma voz conhecida.

– Andy?! – Scout olhou na direção da voz de Andy e o viu parado observando-a, agora em sua forma de sempre. O mesmo rosto belo que vira no cemitério Morgantown daquela vez, os mesmos cabelos negros. – Como você entrou aqui?!

– Achou mesmo que eu iria te esperar pacientemente enquanto você ficava com a parte boa? – disse ele. – Assim que você me disse que estava vindo pra cá eu te segui, e não é a coisa mais difícil do mundo pra um espírito invadir lugares. Eu não ia perder toda a ação.

– Ah, sim, há muita ação em procurar coisas de uma garota que viveu há quase um século – ironizou Scout.

– Eu diria que o que aconteceu aqui há poucas horas contou com bastante ação – rebateu Andy.

– Falando nisso, como você afugentou a Mary? – perguntou Scout, lembrando-se de como Mary pareceu surpresa ao ver Andy adentrando o banheiro.

– Eu estou te vigiando desde que você pisou no terreno do orfanato, esperando você ficar sozinha pra poder te pegar de surpresa, sabe? Quando ouvi você falar que iria tomar banho, eu não seria louco de perder o show – como assim ele estava vendo ela tomar banho escondido o tempo todo?! Ela queria matá-lo, isso se não fosse o fato de que ele já estava morto. – Quando Mary apareceu eu não podia interferir, eu tinha que deixar você ver e lembrar do que aconteceu naquela época. Eu fui um monstro para a Mary enquanto estávamos vivos, é natural que ela tenha medo de mim, por isso ela fugiu ao me ver.

– Agora que você tocou nesse assunto... – Scout fez uma pausa antes de continuar. – Mary me fez ver uma lembrança dela em minha mente, assim como você fez aquela vez no cemitério. Na lembrança, eu vi Mary, vi você e vi a mim mesma, só que eu era uma freira chamada Dolores.

– E daí?

– Parecia que você já conhecia a Mary antes daquele dia, parecia que tudo fora combinado antecipadamente quanto à escolha da órfã que seria designada para... Você sabe – Scout preferiu não terminar a frase.

– Dolores, uma de suas encarnações passadas, era uma velha amiga da família Campbell – começou ele. – De vez em quando eu passava aqui para lhe fazer uma visita rápida. Na verdade nós não nos dávamos bem, eu só ia até ela para entregar cartas de minha mãe para Dolores. Porém depois de algum tempo o propósito das minhas visitas passou a ser mais do que bancar o carteiro. Esse propósito maior era a Mary. A primeira vez que a vi ela estava sozinha balançando no playground. Sempre que eu a via ela estava sozinha, as outras crianças tinham medo dela por ser uma criança tão séria e antissocial. E ela estava sempre com o mesmo uniforme, Dolores dizia que em suas gavetas só haviam mais uniformes iguais àquele. Ela era realmente linda, mesmo no auge de seus 9 anos de idade conseguiria superar qualquer mulher de 20, 25 anos. Eu tinha um fascínio enorme por ela. Quando o orfanato começou a afundar, Dolores veio até mim pedir ajuda. Vi que era a chance perfeita. Propus um acordo à Dolores: eu doaria dinheiro mensalmente ao orfanato, e em troca, Mary seria minha uma vez por mês. Eu não queria outra órfã, eu queria Mary. Se Dolores a entregasse para mim, não haveria acordo.

Ao final daquela história, Scout sentiu que seu nojo por Andy aumentara ainda mais.

– Você merecia estar no inferno – disse ela.

– Pense bem, ruiva: se eu estivesse no inferno, eu não teria como te ajudar nessa luta – disse Andy com uma piscadela esnobe. – Por outro lado, acostume-se, logo mais será você quem tomará o lugar da Mary – até aquele dia, Scout nunca havia visto tanta malicia num único sorriso.

Sua raiva era tanta que ela podia jurar que a qualquer momento sairia fumaça de seus ouvidos. Andy começou a se aproximar de Scout, que ia andando para trás à medida que ele se aproximava, tentando manter distância.

– Fica longe! – avisou ela.

– Por que? Eu tava pensando em um treino básico, afinal você já tá no jeito mesmo – disse ele, correndo os olhos pelo corpo de Scout.

Foi quando Scout notou. Sua toalha havia caído há provavelmente um século, e estava longe para que ela pudesse pega-la.

– AAAAH! – a única reação que Scout conseguiu ter foi gritar, mas seu grito foi rapidamente abafado por uma das mãos de Andy, que a prensou contra a parede do banheiro e deixou seus rostos a alguns centímetros de distância.

– Ssshh... Não queremos acordar ninguém – Andy falava quase que num sussurro. – Você não sabe o quanto estou me segurando, ruiva. O desejo que eu sinto por você é quase o dobro do desejo que eu sentia pela Mary. Eu não sei o que é, mas isso acaba comigo, essa vontade de você que eu não consigo saciar. Eu cheguei ao meu limite – Andy passava a mão livre pela cintura de Scout, subindo até chegar aos seus seios. Ao perceber as intenções de Andy, ela tentou usar sua tática do joelho, porém assim que ela o moveu Andy segurou-o. – Dessa vez não – Ele sorriu de canto e tirou a mão da boca de Scout, logo em seguida encaixando seus lábios nos dela, impedindo-a de dizer qualquer coisa.

Andy levantou Scout um pouco e colocou-se por baixo dela, começando a esfregar sua excitação na intimidade da ruiva que tentava desesperadamente se desvencilhar de Andy.

Porém, de um segundo para o outro, ela parou de tentar escapar. Ela simplesmente não queria escapar, até um segundo atrás ela sentia nojo de Andy, mas agora ela o desejava, correspondia seu beijo com a mesma intensidade.

Andy começou a massagear seus seios enquanto Scout levou as mãos até o zíper da calça de Andy, abrindo-o e abaixando um pouco a jeans. Agora a única coisa cobrindo a excitação de Andy era a boxer preta, por cima da qual ela começou a massagear.

Ambos soltavam gemidos abafados por entre beijo.

Foi aí que o lado são de Scout retomou o controle de sua mente e ela empurrou Andy para longe de si, e logo depois correu até a toalha jogada no chão e se enrolou nela.

– O que foi isso?! – perguntou ela, perplexa.

– Eu é que pergunto! – Andy parecia puto e ao mesmo tempo surpreso. – Porra, a gente tava quase lá! Quase! Faltava tão pouco! Quero explicações!

– Como é?! Se tem alguém aqui que merece explicações esse alguém sou eu! Foi você que ficou me olhando pelada e depois veio me agarrando, lembra?! – defendeu-se Scout.

– A culpa é sua por não amarrar a toalha direito!

– Desculpa se a toalha não resistiu à minha queda!

– Usasse super bonder!

– Para de gritar ou vai atrair a atenção de alguém! – disse Scout, abaixando o tom de voz.

– Tá, tá – Andy disse num volume mais baixo.

– Chaves já deve ter levado minha bagagem pro quarto – disse Scout, mudando de assunto. – Vou colocar uma roupa e então começamos a procurar alguma coisa da Mary.

– Eu mereço uma compensação pelo o que acabou de acontecer – aí vem. – Quero um strip tease.

– Vai continuar querendo – disse Scout, andando em direção à porta e pegando suas roupas sujas que deixara dobradas no chão.

– Ah, por favor, Scout! – Andy fez manha e abraçou-a por trás. "Agora ele lembra meu nome, né?!", pensou ela.

– Sai de mim, praga! – Scout deu uma cotovelada na barriga de Andy, que afastou-se rapidamente.

– Ai! Por que você sempre me bate?!

– Por que você nunca aprende?!

– Chata!

– Eu odeio você!

– Você me ama – disse Andy, convencido.

– Nem aqui e nem em Marte! – negou Scout.

– Então o que foi aquilo agora há pouco? – perguntou Andy, deixando Scout sem argumentos e fazendo-a corar.

– A-Aquilo foi você tentando me estuprar! – gaguejou ela.

– Engraçado, porque você correspondeu – disse ele.

– Vamos ficar a noite toda falando sobre isso?! Temos uma coisa pra procurar, não temos tempo a perder falando desse tipo de besteira! – disse Scout por fim, abrindo a porta do banheiro e saindo no corredor escuro, já com as luzes apagadas àquelas horas. Já devia ter passado muito do toque de recolher. – Vê se fica quieto pra não acordar ninguém, em? – sussurrou Scout, e foi andando na ponta dos pés até a porta de seu dormitório.

Abriu-a cuidadosamente para não acordar Erika e Akira, que dormiam feito pedras.

– Me espera aqui, não vou levar mais do que cinco minutos – disse Scout.

– Fazer o quê? – disse Andy, escorando-se na parede e armando uma tromba na cara.

Scout entrou, pegou qualquer roupa dentro da mala de viagem e saiu do quarto, novamente tomando cuidado para não acordar as colegas de quarto.

– Gostei – disse Andy, examinando Scout dos pés à cabeça.

– Para de olhar! – disse ela. – Eu não consegui ver que roupa eu tava pegando, tá?!

Acidentalmente Scout vestira um shorts um pouco curto demais e um moletom velho e surrado, e pra completar uma pantufa rosa de cachorrinho.

– Sua pantufa tem namorado? Me passa o número dela? – Andy tentou fazer graça.

– Prefere ficar flertando com a minha pantufa ou me ajudar? – perguntou Scout, cruzando os braços.

– Seu senso de humor mandou lembranças. E você não prefere se livrar desses cortes antes? Não estão doendo? – perguntou Andy.

– Nada que não seja suportável – disse Scout.

– Eu posso fazer aquilo de novo se quiser, com a ágata – ofereceu Andy.

– Eu posso acabar acordando a Erika e a Akira se eu entrar no quarto de novo – disse ela.

– Para de ser teimosa, não quero ter que te aguentar reclamando de dor depois. Se não entrar aí e pegar a ágata, eu mesmo entro e pego.

– Tá bom, tá bom! Eu pego, você fica aqui! – disse Scout entrando no quarto novamente e com todo o cuidado pegando a ágata lilás de dentro de um dos bolsos da mochila de costas, depois saindo e fechando delicadamente a porta. – Tó – disse ela entregando a pedra a Andy.

– Tira o moletom – pediu Andy.

– Uhm... Não vai dar não – disse Scout.

– Ué, por que não?

– Eu meio que só tô com ele.

– Melhor ainda – animou-se Andy. – Deixa de frescura, ruiva. Eu já vi tudo mesmo.

Mesmo desconfortável, Scout tirou o moletom, expondo o tronco nu com alguns cortes nos braços e nos ombros feitos pelos cacos dos espelhos.

Andy pressionou um pouco um deles para que sangrasse na pedra – não antes de dar uma boa olhada no corpo de Scout.

Depois começou pronunciar as mesmas palavras em latim de antes. Ao terminar a “prece”, Andy e Scout observaram os cortes desaparecerem sem deixar rastros, e ela logo tratou de vestir o moletom de volta, envergonhada.

– Fico imaginando quantas vezes ainda terei que fazer essa oração pra você – disse Andy, limpando a pedra e entregando-a para Scout.

– Espero que não muitas – respondeu Scout, guardando a pedra no bolso do shorts.

Depois disso, começaram a andar sem rumo pelos corredores do orfanato. Por onde eles começariam?

Notas finais
Vão querer me prender por eu ter feito a Scout desistir bem na hora do bem-bom... Por favor não me matem [fugindo das pedradas]Me digam nos reviews o que acharam do cap o/E se você ainda não conferiu a fanfic da minha irmã, digo e repito: leia, você não vai se arrepender.Título: O AbismoGênero: Aventura, Universo Alternativo, RomanceLink: http://www.fanfiction.com.br/historia/242890/O_Abismo/É isso. Espero que tenham gostado do cap, nos vemos no próximo meus amores o/Beijos s2Nyuu-chan :3