Verdade Ou Pesadelo
3 Sonhos
Notas iniciais
– Tem certeza de que não esqueceu nada, Scout? – perguntou Melinda, mãe de Scout, pela centésima vez.
– A única coisa que eu esqueci foi de impedir que as minhas amigas morressem – respondeu Scout.
Os pais de Scout haviam chegado por volta das 6:00am. Deu trabalho contar tudo o que havia acontecido, e a morte de Amanda ainda estava mal explicada.
– Não seja tão dura consigo mesma, você não teve culpa, você não poderia fazer nada para impedir nada do que aconteceu – disse Melinda. – Eu marquei psicólogo pra você. Todos os sábados, às 9:00am.
– Você me acha louca? – perguntou Scout.
– Não, só acho que depois de um trauma desses seria melhor você ir ver um psicólogo, ele pode ajudar a descobrir o que aconteceu com a Amanda.
– Eu já disse, ela morreu no banheiro, não sei o que matou ela – Scout já havia dito isso milhares de vezes para sua mãe, mas quem iria acreditar se não tivesse testemunhado?
– Certo, Scout. Se já se despediu da casa podemos ir.
– Eu não quero me despedir das paredes manchadas com o sangue da Amanda, muito menos da rua manchada com o sangue da Lorie. Quanto mais rápido sairmos daqui, melhor – disse Scout, indo para o carro de seu pai estacionado na frente da casa, seguida de sua mãe.
– Podemos ir então? – perguntou o pai de Scout, Richard, já dando a partida no carro, empurrando o breque de mão e pisando no acelerador, seguindo caminho para o aeroporto.
Já no avião, Scout se acomodava em sua poltrona ao lado de sua mãe.
Ela não havia dormido nada, estava exausta, mas sempre que fechava os olhos os acontecimentos daquela noite vinham todos à tona em sua mente nos mínimos detalhes. Amanda morta e mutilada no chão do banheiro. O cheiro de sangue. O sangue de Lorie respingandoem Scout. Ela queria esquecer aquilo o mais rápido possível, mas pelo jeito iria demorar.
Scout sabia que sonharia com a morte das amigas por um bom tempo e não esqueceria Manhattan tão cedo, mas o que ela podia fazer? Não dormir nunca mais? O que era aquilo? “A Hora do Pesadelo”? Ela estava exausta, e como seria uma viagem demorada decidiu dormir, rezando para não sonhar com nenhum acontecimento da noite passada.
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– Scout... Scout...
“Uma voz... De onde vem?”
– Não reconhece o som da minha voz?
“Essa voz...”
– Está lembrando?
“Lembrando de que?”
– Não se lembra de nada então... Que cruel de sua parte esquecer algo assim...
“Do que você está falando?”
Scout estava sozinha em algum lugar escuro, ouvindo apenas o eco de uma voz que não sabia de onde vinha. Parecia a voz de uma criança.
– Você vai descobrir em breve, sozinha.
“Quem é você? Apareça!”
– Mas eu já estou aqui.
Scout olha para o lado e da de cara com uma garotinha vestindo um uniforme escolar xadrez antigo, meias brancas até os joelhos e sapatos pretos de verniz.
“Quem é você?”
– Não se lembra mesmo de mim?
“...”
– Não importa. Vem brincar comigo, é muito solitário ficar aqui sozinha...
A garotinha começa a guiar Scout por aquele ambiente escuro, e quando Scout se deu conta o espaço outrora escuro começara a se transformar no corredor de sua casa à noite.
“Onde estamos?! Por que me trouxe aqui?!” Scout puxou o braço fazendo com que a garotinha o soltasse.
Ela olha para o final do corredor e vê Amanda e Lorie, ambas parecendo defuntos em decomposição.
– Eu brinquei com elas, foi muito divertido! Você... quer brincar comigo também?
Assustada, Scout começa a correr, e quando dá por si está em outro corredor, não mais em sua casa, porém ela não sabia onde estava, pois seja lá onde fosse, estava um breu total, ela não conseguia enxergar um palmo à sua frente. Scout acendeu um isqueiro antigo de sua vó que sempre levava consigo e notou estar no que parecia ser um beco sem saída.
– Por aqui – disse a voz da garotinha, vindo de uma porta entreaberta no topo de uma escadinha de 3 degraus do beco.
Scout entrou e seguiu o som da voz até chegar na frente de um quarto cuja porta estava entreaberta. Ela empurrou a porta e entrou no quarto escuro e vazio. Começou a andar pelo cômodo e viu que era uma suíte de casal. Ela devia ter entrado num tipo de casa de hospedagem.
– ...8, 9, 10! Lá vou eu! Espero que esteja bem escondida! – disse o eco da voz da garotinha.
[Tum... Tum...] Passos de algo claramente não-humano vindo em direção ao quarto.
Scout apagou o isqueiro, foi para baixo da cama e tampou a boca para não gritar.
[ Tum... Tum... TUM...] Mais perto...
De repente o ranger da porta ecoa pelo cômodo, e apesar da escuridão Scout consegue ver algo vir mancando na direção da cama.
Chegando mais perto...
[Tum...]
Scout fecha os olhos com força e quando os abre novamente não vê mais nada se aproximando. Suspira aliviada e tenta sair pelo outro lado da cama. Um rosto podre a milímetros do seu é o que ela vê.
– AAAAH! – Scout acorda gritando e agitada no avião.
– Scout! Scout! Calma, foi só um pesadelo! – Melinda tentava acalmar Scout.
– Não! Ela tava... Ela... Ela matou a Amanda, ela ia me matar! – Scout parecia perturbada.
– ...
– Eu... – ela devia estar parecendo uma louca. Não só sua mãe e seu pai a encaravam, mas também boa parte dos passageiros. – Eu vou lavar o rosto – disse Scout, levantando-se e se dirigindo ao banheiro rapidamente, evitando os olhares dos passageiros.
Ela entra, fecha a porta, abre a torneira, lava o rosto se apoia na pia de olhos fechados, lembrando do sonho. Quem era aquela garota? O que foi tudo aquilo?
Quando Scout abre os olhos e olha para o espelho vê a garotinha com o rosto podre atrás de si. Ela grita e olha para trás, mas não há ninguém além dela naquele banheiro.
Scout sai do banheiro e volta para a poltrona.
– Com o que você estava sonhando? Parecia agitada, e acordou gritando desse jeito – perguntou Melinda, preocupada com a filha.
– Acho que você tem razão, um psicólogo pode não ser má ideia – disse Scout.
Ela não culpava sua mãe por acha-la uma doida. Talvez ela estivesse mesmo.
Scout sentia que nunca mais seria a mesma.
Notas finais
Já to escrevendo o 4º capítulo, acho que no máximo em 3 dias sai o/
Beijos s2
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