Verdade Ou Pesadelo
17 Savior Part I
Notas iniciais
Andy's POV
– Scout! Scout! – eu a sacudia. Eu a havia encontrado desmaiada numa grande poça d’água. – Qual é, ruiva! SCOUT! – gritei.
Nesse momento ela acordou, cuspindo água e tossindo muito, devia ter se engasgado com toda aquela água. Ela estava ofegante e parecia perturbada.
– Cara, que susto você me deu! Eu achei que Baal já tivesse te pegado e você estivesse morta! – disse eu, e por algum motivo eu estava mais aliviado do que realmente deveria estar. – O que aconteceu?
– Eu... Pra falar a verdade, eu acho que Baal quase me pegou... – disse ela.
– Como assim?
– Eu acho que eu entrei num tipo de transe por causa da maldição, eu estava presa numa ilusão, eu vi meu pai e minha mãe no momento em que eles morreram, e eu acabei escorregando em um buraco e caí na água, e alguma coisa me puxou pra baixo e me segurou lá e... – ela fez uma pausa e em seguida continuou: – Eu acho que era Baal.
– Ele tentou te matar afogada numa ilusão? Tipo Freddy Kruegger?
– Isso.
– Filho da puta! – xinguei, batendo a lanterna no chão.
– Pelo menos eu não tive minhas tripas arrancadas que nem a Madame Vanda disse que poderia acontecer.
– Mas e a adaga? Algum sinal? – perguntei.
– Nada...
– Que ótimo. Já era – disse eu, me levantando e sentando perto da parede da caverna.
– O que está fazendo? – me perguntou ela, levantando-se também.
– Esperando Baal vir nos pegar.
– Para de ser dramático!
– Você me ouviu? Já era, essa caverna deve ser enorme, não tem como duas pessoas sozinhas acharem uma adaga aqui dentro. Desista e se conforme, afinal você não vai pro inferno, eu vou.
– Quer calar a boca? Esse teatrinho não faz seu tipo. Levanta e vem comigo, eu acho que já sei onde a adaga está – disse ela, agachando para pegar a lanterna e indo em direção a um caminho estreito. Vendo que eu não mexi um músculo, ela disse: – A menos, é claro, que prefira ficar aqui e esperar Baal te mandar lá pra baixo.
– Beleza, ruiva, você ganhou – entreguei os pontos e me levantei. – Onde você acha que a adaga está escondida?
– Só me segue – disse ela, andando pelo caminho estreito seguida por mim.
Andamos por alguns minutos, até que subitamente ela parou e disse:
– Não se mexe!
– O que? Por quê? – perguntei, sem entender.
– Olha – ela iluminou o chão. Havia um buraco bem na frente dela. – Foi aqui que eu caí.
Olhei para o buraco. Era uma queda e tanto.
– Acha que a adaga tá lá embaixo?
– Ele deve estar protegendo não só a caverna, mas a adaga também, afinal ela é um objeto precioso, e o melhor meio de protegê-la é ficando perto dela. É ali embaixo que ele está.
– Tem certeza? – quis confirmar.
– Você tem algum outro palpite por acaso?
– Se ele fica perto da adaga o tempo todo, como ele mata aqueles que invadem a caverna? Afinal, nem todos que entram aqui acabam indo parar onde ele está.
– Ele deve atrai-las pra cá, que nem fez comigo.
– E você vai simplesmente mergulhar na jaula do tubarão e torcer pra sair de lá viva?
– Basicamente, sim – disse ela, tirando o tênis ensopado.
– Que plano cretino!
– Se tiver algum melhor é só falar – disse ela.
Eu não respondi.
– Foi o que pensei – disse ela, sentando-se na beira do buraco e respirando fundo.
Sei que se temos uma chance de pegar a adaga, é essa. Mas isso é quase o mesmo que sacrificar Scout. Se isso acontecer, eu não poderei me divertir com ela depois. Mas já que não temos outra opção... O jeito é bancar o anjo da guarda.
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Scout’s POV
Se eu estava com medo? Eu estava apavorada! Eu estava prestes a me jogar no “berço” de Baal. Eu teria que ser muito rápida.
Foi então que me lembrei que estava usando o amuleto de jade, segundo o que Andy disse ele me protegeria.
– Esse amuleto funciona mesmo? – perguntei.
– Se não funcionasse, Mary já teria arrancado seus olhos das órbitas e mutilado sua garganta. Só não sei se ele funciona contra demônios – respondeu Andy.
Engoli em seco.
– Fica com ele então. É meio pesado, vai me atrapalhar – disse, tirando o amuleto e jogando-o para Andy. – Fica com o isqueiro também – tirei o isqueiro do bolso e entreguei-lhe. – Pelo menos assim você não fica no escuro. E confie um pouco mais em mim, eu nado bem, sempre levava a medalha de ouro nos campeonatos de natação da minha escola em Manhattan.
– Prefere ficar se gabando ou pegar a adaga? – perguntou ele, sarcástico.
Eu apenas olhei torto e respirei fundo.
Contei até três.
1, 2... 3.
Impulsionei o corpo para frente e caí na água fria. Rapidamente dei impulso com os pés para subir para a superfície.
– Ruiva! Tá tudo bem? – o maldito gritou lá de cima.
– É SCOUT, seu bastardo! – gritei de volta.
– Acha logo a adaga! – disse ele.
Eu então tomei folego e mergulhei.
Abri os olhos e comecei a iluminar com a lanterna todos os lados, procurando pela adaga e atenta a Baal. A água não era muito funda, mas era funda o suficiente para que eu pudesse nadar livremente.
Por sorte ainda não havia sinal de Baal, mas também não havia sinal da adaga. Eu estava quase desistindo. Espera, o que era aquilo ali na frente? Parecia uma gruta submersa.
Nadei até lá e entrei. Até que era bem grande. Nadei até o fundo e iluminei por alguns segundos um amontoado de pedras, e pude jurar ter visto alguma coisa brilhar. Iluminei de novo, e novamente vi um brilho entre as pedras. Me aproximei destas para olhar de perto, e vi a adaga bem no meio delas.
As pedras estavam fincadas no chão, e a adaga não queria passar pelo vão entre elas. Consegui colocar uma das mãos entre as pedras e segura-la, porém tirá-la dali era uma história um pouco mais difícil.
Tentei pensar rápido em algum plano pra facilitar tirar a adaga de lá, mas meus pensamentos foram interrompidos quando senti um movimento na água. Olhei pra trás e iluminei com a lanterna. Vi uma sombra nadando rapidamente, uma sombra mais negra que a própria escuridão daquela gruta. Eu não me movi, apenas fiquei paralisada de medo procurando pela tal sombra, e de repente a vi passando tão rápido quanto antes. Minhas mãos gelaram, meu coração acelerou, o desespero tomou conta de mim, a única coisa na qual eu conseguia pensar era em sair dali.
Tentei nadar até a entrada da gruta para sair de lá. Eu estava bem próxima de alcança-la, quando dou de cara com aquele sorriso insano e macabro que ia de uma ponta a outra, e aqueles olhos vermelhos e arregalados, os mesmos que vi enquanto estava presa naquela ilusão. Era ele. Baal.
Não tive tempo nem mesmo de pensar no que fazer, quando me dei conta ele já havia nadado rapidamente para cima e eu já estava sentindo aquela dor terrível no rosto. Alguns filetes avermelhados apareceram na água. Sangue. Eu estava sangrando. Havia um corte consideravelmente profundo em minha bochecha feito por uma garra. Um segundo depois Baal retorna e passa rapidamente por mim, e logo depois sinto uma dor tão forte quanto a de me rosto em meu antebraço. Isso fez com que eu acabasse soltando a lanterna. Mal tive tempo de verificar e Baal novamente passa por mim, e de novo, e de novo, e de novo, cada vez atacando um lugar diferente, fazendo-me sangrar cada vez mais, me atacando em intervalos de no máximo 2 segundos. A cada novo ataque eu era empurrada para cima ou para baixo, para frente ou para trás.
Minhas roupas estavam destruídas, eu sangrava tanto que podia sentir o gosto de sangue na água que entrava por minha boca entreaberta. Baal não parava nem por um momento. A única coisa que eu sentia era a dor dos golpes rápidos de suas garras. Assim como na ilusão, minha cabeça começou a ficar pesada, a temperatura da água pareceu baixar mais ainda, minhas forças foram se esvaindo, e eu estava pronta para receber o último ataque, mas este não veio.
Abri os olhos e pude ver Baal a centímetros de distância, prestes a dar o golpe que tiraria minha vida de vez. Estava pronta para recebe-lo, quando vejo... Andy, segurando alguma coisa que brilhava muito em suas mãos. Minha vista estava quase sumindo, não pude distinguir o que ele segurava, mas o que quer que fosse, afugentou Baal. Andy me encarou, e 1 segundo depois soltei a respiração e apaguei.
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