Notas iniciais
Volteeeeeeeeeeei *0* ~le eu fugindo dos tomates imaginários que vocês devem estar jogando em mim mentalmente~ Mil e um perdões pela demora ><' Esse capítulo me deu um trabalho lascado pra escrever, e algumas coisas aconteceram e atrasaram mais ainda, então por favor não me condenem por isso ><' Maas sempre tem um lado bom quando eu demoro pra postar :3 Hoje tem três capítulos *w* Vamos ao primeiro o/ Espero que vocês gostem ^^

Roendo as unhas em um ato de nervosismo, Scout observava Andy arrumar um tipo de altar em frente ao túmulo de Mary.

Usando o isqueiro de Scout, Andy acendeu uma das velas e inclinou-a para baixo, deixando que a parafina derretida pingasse no chão e se compactasse, movendo a vela em um longo e demorado movimento circular, formando um círculo consideravelmente grande de parafina, dentro do qual ele continuou a usar a parafina derretida que pingava da vela para desenhar um pentagrama de cabeça para baixo e alguns símbolos que, para Scout, eram totais icógnitas – cinco no total. O processo levou pouco mais de meia hora.



Em seguida, Andy acendeu as outras duas velas aproveitando a chama da primeira e arrumou-as na parte de fora do círculo de modo que formassem um triângulo – uma em cima do círculo e duas embaixo.



Colocou o antigo ursinho de pelúcia de Scout numa das laterais do desenho e a faixa de Mary na outra.



Em cima de cada um dos símbolos ele colocou uma pedra, deixando apenas um sem nada em cima.



Andy pegou a adaga de marfim e passou-a duas vezes pela chama das três velas, sussurrando algo repetidamente em um idioma que Scout não pôde decifrar, porém ela tinha certeza de que nunca o havia ouvido antes. Não era latim, nem inglês, muito menos português. Quando passou a adaga pela segunda vez na chama da terceira vela, colocou-a de ponta-cabeça no meio do pentagrama.



Ele levantou-se e olhou para o altar, examinando-o e verificando se se esquecera de algo ou se fizera alguma coisa errada. Os procedimentos deviam ser seguidos exatamente de acordo com o protocolo para que o ritual funcionasse, cada mísero detalhe era altíssima importância, desde o preparo do altar até a prece de finalização do ritual.



– Está pronto – concluiu ele.



– Brilhante. Agora pode me explicar que maracutaia você fez aí? – disse Scout, analisando o altar com cara de interrogação.



– Esse é o famoso pentagrama satânico, como você já deve ter percebido – começou Andy. – Os símbolos dentro dele representam a terra – ele apontou para o símbolo com a aragonita em cima –, o ar – dessa vez, ele indicou o símbolo coberto pela ágata lilás –, o fogo – agora ele se referia ao olho de tigre –, a água – coberta pelo amuleto de jade – e os espíritos – por fim Andy mostrou o símbolo que deixara sem nada em cima. – Queremos fazer contato com um espírito, então só precisaremos usar as propriedades espirituais do pentagrama, por isso deixaremos todas as outras de lado, você não imagina o caos que seria se alguém tentasse usar todas elas juntas, a única com poder para isso é a mãe natureza. As pedras servem para bloquear as propriedades dos elementos que não usaremos, cada uma só bloqueia seu respectivo elemento. As velas em forma de triangulo representam o triângulo da pirâmide, que quando está virado para cima, permite que tenhamos controle total sobre algo específico. Ele nos ajudará a ter algum controle sobre Mary. A faixa dela está na lateral esquerda do círculo, ou à oeste, enquanto seu ursinho está na lateral direita, ou à leste. O leste representa Lúcifer, e o oeste, Leviatã, dois dos quatro príncipes coroados do inferno. Lúcifer é conhecido por ser um anjo caído que foi expulso do céu e deu origem a todo o mal, o que pode representar Dolores, que deu início a todo esse legado maldito e maligno, e sendo você uma reencarnação dela, é necessário um objeto seu para representa-la, já que ela simboliza Lúcifer nesse ritual. Leviatã é conhecido por ser um dos maiores e mais poderosos demônios existentes, e é responsável pela maior parte da atuação maligna no mundo, o que pode representar Mary, já que é ela quem vem atuando nas mortes e desgraças do seu cotidiano.



– E o que foi aquilo com a adaga? Eu nunca ouvi aquele idioma que você estava falando, o que era?



– Aramaico. É uma língua morta, era falada na época em que Jesus ainda caminhava pela Terra. Quanto à adaga, é preciso passa-la pela chama das velas para purifica-la – explicou ele.



– Em que exatamente consiste esse ritual? – perguntou Scout.



– Quando Xólotl nos trouxer Mary, o triângulo da pirâmide formado pelas velas vai segura-la por um tempo, porém não muito. Ela teve tempo suficiente para se fortalecer, mesmo o triângulo só conseguiria prende-la por um curto prazo. Nesse pouco tempo em que ela estará presa e vulnerável, eu vou mantê-la lá e enfraquece-la, e é aí que você entra – Andy pegou a adaga do chão e entregou-me. Enquanto eu a analisava, ele continuou: – Quando ela estiver fraca o bastante, eu darei o sinal. Não hesite, ou serão as nossas almas que sofrerão as consequências. Chegará um ponto onde a única coisa que ainda estará dando forças a ela será a energia espiritual que o pentagrama estará exalando. Se a cortarmos, digamos que Mary morrerá pela segunda vez. Mas para isso, precisaremos do seu sangue. Faça com que ele caia sobre o símbolo da espiritualidade no pentagrama de modo que ele fique completamente coberto, isso vai deter a energia espiritual do pentagrama.



– Então, a essas alturas essa energia será como a energia vital de Mary?



– Sim. Se acabarmos com ela, acabamos com Mary.



– Uma última pergunta: para trazermos Mary até nós, precisaremos de Xólotl, certo? Como vamos invoca-lo?



– Deixa essa parte comigo – disse Andy. – Mas antes, me espera aqui, volto em dois minutos – ele começou a se distanciar e logo Scout o perdeu de vista em meio a escuridão do cemitério.

Scout’s POV

Ser deixada sozinha num cemitério no meio da noite era tudo o que eu precisava. As árvores altas que rodeavam o cemitério, os túmulos, a neblina que pairava sobre o lugar e os barulhos de origem desconhecida estavam me dando calafrios.

Eu não sabia exatamente quanto tempo fazia que Andy havia sumido, mas quando parei para pensar nisso, vi sua silhueta aparecer ao longe um pouco escondida pela neblina e tornando-se mais nítida à medida em que ele se aproximava.



– Que idéia foi essa de me deixar sozinha num lugar desses?! – exaltei-me.



– Ficou com medo, foi? – ele tirou sarro.



– Vou me poupar de responder a essa pergunta – disse eu. – O que você foi fazer, afinal?



– O número 1 – respondeu Andy, fazendo-me arquear uma sobrancelha, indicando descrença. – O que? Espíritos também precisam ir ao banheiro de vez em quando.



– Deixando isso de lado, precisamos falar com Xólotl logo.



– Eu já disse, ruiva: eu cuido disso. Apenas assista – Andy caminhou até uma parte vasta do cemitério, livre de lápides, composta apenas por um gramado mal cuidado coberto por folhas e galhos secos.



Eu o segui, parando um pouco atrás dele, porém perto o suficiente para ouvi-lo recitar algo em outra língua que eu também nunca havia ouvido na minha vida, e dessa vez não era aramaico ou sei lá o que.



Ao concluir seja lá o que Andy estivesse falando, ele virou-se para mim e encarou-me sem dizer uma única palavra.



– O que foi? – perguntei, inquieta, e foi quando notei que o olhar de Andy não estava fixo em mim, ele parecia estar olhando para outra coisa.



Virei-me de costas e um calafrio intenso percorreu todo o meu corpo ao me deparar com a figura de um imenso cão preto saindo de trás de uma árvore, caminhando até mim e Andy em posição de ataque e rosnando, exibindo os dentes afiados aparentando serem capazes de mastigar um caminhão de aço inteiro sem o mínimo de esforço. Nunca havia visto um cão daquela raça antes, era maior do que qualquer raça gigante de cachorros que eu já havia visto na vida. Suas quatro patas eram apenas carne e sangue dos tornozelos pra baixo.



– Q-que cão é esse, Andy? – perguntei.



– Apresento-lhe Xólotl – respondeu Andy. – Os astecas representavam-no como um grande cão negro e feroz. Não se preocupe, ele não vai te atacar. O único motivo de ele ter atendido ao nosso chamado são as memórias adormecidas dentro de você, encare-as como um seguro de vida no momento.



– Faça logo o que tem que fazer pra que ele vá embora de uma vez! – apressei-o, tentando não demonstrar medo, porém falhando nessa tarefa.



Andy passou por mim e foi andando em linha reta em direção ao cão, parando a poucos metros do animal somente quando este emitiu um latido ensurdecedor e ameaçador, que apesar de ter feito com que eu tampasse as orelhas instintivamente, pareceu não afetar Andy.



Novamente Andy começou a dizer algo no mesmo idioma de antes, ele parecia estar conversando com o cão, que o respondia com rosnados e bufadas. Quem o visse o chamaria de louco.



De súbito, Xólotl desviou o olhar para mim, olhando-me fixamente por alguns instantes, e depois novamente para Andy. Nesse momento, Andy afastou-se para o lado, dando passagem ao cão que agora vinha em minha direção. Quando tentei dar um passo para trás, vi a agressividade estampada na expressão do animal, que rosnava deixando filetes de saliva escorrerem pelas laterais da bocarra.



– Não se mexa! – disse Andy, fazendo-me ficar imóvel a ponto de quase parar de respirar.



Xólotl continuou se aproximando, e só pude perceber realmente o quão grande ele era quando chegou perto o suficiente para que eu pudesse sentir o ar quente de sua respiração atingir meu rosto e meus cabelos. Sua forma animal chegava a ser um pouco maior do que a árvore da qual saíra de trás.



– Não se mexa. Não se mexa. Não se mexa – eu repetia para mim mesma de olhos fechados enquanto Xólotl abaixava a cabeça para me cheirar, ainda bufando.



De repente sinto um focinho grande e molhado tocar minha testa, e depois disso só me lembro de abrir os olhos e ser cegada por uma luz branca intensa.



Quando a vigorosa claridade se dissipou, abri os olhos e não havia mais nenhum cão gigante ali. A única coisa que vi foi Andy andando até mim com uma expressão no rosto que eu não consegui distinguir. Algo como... Preocupação? Medo? Ansiedade? Eu não sabia.



– Você tá bem, ruiva? – me perguntou ele, porém eu ainda estava em transe e não conseguia formular uma resposta. – Ei, ruiva! – ele me sacudiu pelos ombros, me trazendo de volta à realidade. O olhei um pouco confusa, ainda relembrando o que havia acontecido. – Tudo bem? – ele repetiu a pergunta.



– Tá tudo bem sim, eu tô legal. Na verdade eu tô ótima. Bem até demais... – respondi, lembrando-me do que Andy disse que aconteceria caso eu deixasse Xólotl pegar as memórias de Dolores. Quando ia perguntar sobre isso, outra questão me veio à cabeça: – Que idioma estranho era aquele?



– Chama-se náuatle – disse ele, soltando-me. – Era o idioma falado pelos astecas.



– O que aconteceu? Ele levou as memórias com ele? – perguntei, e Andy assentiu com a cabeça. – Então por que eu não fui afetada? Que eu me lembre, você disse que eu ia ser bombardeada por todas aquelas lembranças e destruída de dentro pra fora. Por que nada disso aconteceu?



– Talvez ele tenha sido gentil ao retira-las, por isso você não está sentindo os efeitos que eu falei – eu devo ter cara de tapada.



– Acho que essa foi a desculpa mais esfarrapada que você já inventou, Andy. Que motivos ele tem pra ser bonzinho comigo?



– E você pergunta pra mim? – ele deu de ombros. – O que interessa é que você está bem e podemos prosseguir com o ritual. Prefere começa-lo logo ou ficar aí parada pensando sobre coisas sem sentido?



– Andy – uma hipótese surgira em minha mente, e eu tinha que coloca-la à prova. – Por acaso você teve alguma coisa a ver com isso?



– Isso o que? – ele tentou se fazer de desentendido.



– Não se faça de cínico. Tem o seu dedo nessa história, né? Você fez alguma coisa pra que eu não virasse um vegetal retardado quando Xólotl arrancasse as memórias de mim, e eu tenho certeza de que não é coisa boa. Admita, você tá metido nisso!



– E se eu estiver? No que isso influencia? Você tá bem, e isso é tudo, vamos logo fazer a droga do ritual! Quanto tempo você ainda pretende perder com essa conversa desnecessária? – Andy mal terminou de falar e se dirigiu ao túmulo de Mary.



Já faz um tempo que parei de me perguntar por que me preocupo tanto com ele, a questão é que eu estou com um péssimo pressentimento sobre isso. “Por favor, Andy, não tenha cometido nenhuma besteira” era a única coisa na qual eu conseguia pensar. Mas o conhecendo como eu o conhecia, eu tinha certeza de que ele tinha feito no mínimo uma idiotice das grandes.



– O que fazemos agora? – perguntei, parando ao seu lado em frente ao altar.



– Eu darei o sinal a Xólotl, e então ele nos trará Mary.



– Falando assim, parece a coisa mais ridiculamente fácil do mundo.



– E é. A parte difícil vem depois, quando Mary estiver aqui. Mas primeiro temos que fazer a prece de inicialização. Abra seus braços em forma de cruz e repita tudo o que eu disser.



– Vou me esforçar – assenti.



Sodalium pro Arch protectionis divinae in senatu petere (pedimos a proteção divina da irmandade dos Arcanjos) – começou ele, e com um pouco de dificuldade, repeti as mesmas palavras. Eu não estava prestando muita atenção no que Andy dizia, apenas o suficiente para conseguir repetir tudo.



– Tudo pronto – disse Andy ao término da prece. – Preparada? – me perguntou ele. Respirei fundo, soltei o ar pela boca e, segurando a adaga firmemente com uma das mãos, respondi:



– Estou preparada há muito tempo – sorri com determinação e vi o mesmo sorriso aparecer nos lábios de Andy.



– Não importa o que você ouça ou veja, não faça nada estúpido ou precipitado – disse Andy. – É melhor se afastar – ele recomendou. Eu o obedeci, mantendo uma certa distância do túmulo.



Andy fechou os olhos, se concentrou e proferiu uma única palavra em náuatle.



Segundos depois, uma forte ventania atacou o cemitério, fazendo as chamas das velas oscilarem, porém sem se apagarem. Não demorou muito para que elas começassem a mudar de cor, agora tornando-se negras e oscilando violentamente sem se extinguirem. De repente, foi como se alguém jogasse gasolina nas três velas ao mesmo tempo, as chamas cresceram colossalmente e pareciam incendiar o interior do pentagrama, logo em seguida diminuindo tão rápido quanto aumentaram.



O fogo negro que antes ocupava o interior do pentagrama agora dava lugar a uma garotinha de 9 anos de cabelos negros lisos e compridos, com duas órbitas vazias das quais escorria um rastro de sangue, rachaduras na pele e vestindo um uniforme xadrez sujo e rasgado.

Notas finais
Antes de irem pro próximo, deixem um review dizendo o que acharam desse cap *-*E também estou aberta a sugestões, críticas e cia., como vocês sabem X3Agora sim, próximo capítulo o/