Verdade Ou Pesadelo
10 Rebel Yell
Notas iniciais
– Eu exijo ver minha filha! – Scout ouviu uma voz familiar gritando ali perto.
– Tenha calma, sr. Carter. Espere aqui, vou chama-la.
Seu pai estava ali! Finalmente, finalmente Scout teria alguém para lhe dar pelo menos o mínimo de conforto.
– Senhorita Carter, seu pai veio visita-la – chamou um policial, abrindo o portão da cela de Scout.
Ele a guiou até a porta de uma sala, abriu-a e deu passagem para Scout. Ela não pôde conter uma lágrima quando o viu.
– Pai... – Scout sorriu pela primeira vez em muito tempo.
– Scout! – o pai de Scout foi até ela e abraçou-a. Isso era o que Scout mais queria no momento: um abraço reconfortante.
– Que bom que você tá aqui agora! – Scout apertava o casaco do pai com força e afundava o rosto em seu ombro.
– Scout, olha pra mim – o pai de Scout afastou-a pelos ombros. – Você vai sair daqui, ok? Eu vou falar com o delegado William, eu vou te tirar daqui, não se preocupe.
– Pai, você tem notícias da Taylor?! – Scout perguntou preocupada, lembrando do que a garota lhe dissera em seu sonho.
– Não, Scout. Um pouco antes de entrar no vôo recebi uma ligação da polícia dizendo que você estava aqui, assim que cheguei de viagem vim direto pra cá. Por que a pergunta?
– Eu acho que ela pode estar correndo perigo.
– Como assim? Como você sabe?
– Eu... – e agora? Ela deveria contar tudo ao pai e correr o risco de parecer uma louca, ou continuar omitindo tudo? – Eu tive um sonho essa noite, eu sonhei com a morte da Taylor.
– Filha, foi a primeira vez que você dormiu num lugar como esse, e levando em conta os últimos acontecimentos, acho que um sonho desses é o mínimo que se espera.
– Não, pai, não foi um sonho qualquer, esse foi diferente – ela não queria contar sobre a garota.
– Prometo quer pergunto para os pais da Taylor sobre ela, mas depois de tirar você daqui – disse o pai de Scout.
– Com licença, sr. Carter – o policial que acompanhara Scout até a sala abriu a porta. – O delegado William quer falar com o senhor.
– Perfeito. Querida, nos vemos mais tarde – o pai de Scout deu um beijo em sua testa e acompanhou o policial, enquanto Scout foi levada de volta para a cela por outro policial.
(Richard)
– Com licença, delegado William – o policial abriu a porta da sala do delegado. – Trouxe o sr. Carter.
– Mande-o entrar – disse o delegado.
– Delegado William? – disse o pai de Scout entrando na sala e estendendo a mão ao delegado.
– Eu mesmo, Richard Carter – o delegado apertou a mão do pai de Scout. – Sente-se, por gentileza.
– Não, obrigado. Quero falar sobre minha filha.
– Eu imaginei. Scout Carter. Veio pedir para que eu mande soltá-la, certo?
– Scout nunca fez mal a ninguém, ela é só uma criança, tem 17 anos, seja prudente, delegado!
– Do meu ponto de vista, estou dentro do padrão de prudência, sr. Carter. Por mais que queira negar, sua filha foi testemunha de dois crimes semelhantes, dos quais apenas ela saiu ilesa. Desculpe, mas até conseguirmos outra pista, não posso fazer nada a não ser supor que Scout é a assassina.
– Se me permite dizer, isso não tem fundamento nenhum.
– Lamento, sr. Carter. Scout ficará no departamento policial até sua inocência ser comprovada.
Richard olhava com raiva o delegado William. Quando tomou fôlego para retrucar, batidas na porta interromperam a conversa.
– Hein? – disse o delegado, em resposta às batidas.
A porta se abriu, e atrás dela estava o mesmo policial que guiara Richard até a sala do delegado William.
– Desculpe a interrupção, delegado – começou ele –, mas o senhor está sendo requisitado no acompanhamento de uma perícia. Acabamos de receber outra denúncia, parece que aconteceu de novo.
O olhar do delegado assumira um aspecto mais sério e preocupado agora. Vendo que Richard havia percebido a mudança, William suspirou enquanto recostava o corpo no encosto da cadeira de escritório, relaxando-o e tentando descontrair um pouco a atmosfera do lugar.
– Terei que pedir licença, sr. Carter. Preciso averiguar algo.
– E minha filha? Ela vai passar outra noite na prisão? – perguntou Richard, visivelmente irritado, enquanto o delegado abria uma gaveta trancada à chave de sua mesa.
– É o que descobrirei daqui a quinze minutos – respondeu o delegado, retirando da gaveta uma pistola 9.mm que prendeu em seu cinto, e logo em seguida um par de algemas, que colocou em seu bolso. – O policial Perez lhe acompanhará até a saída, sr. Carter – ele prosseguiu, referindo-se ao policial parado na porta, que bateu continência assim que o delegado terminou sua fala. – Tenha uma boa noite.
– Igualmente, delegado – Richard disse, enquanto respirava fundo e via o delegado William deixar a sala.
Depois que o policial Perez acompanhou-o até saída da delegacia, ele se dirigiu até o carro, voltou para casa e passou horas andando à esmo pela casa, pensando na última coisa que o delegado havia lhe falado. Sentado no sofá com a cabeça baixa apoiada nas mãos, Richard tentava decidir qual seria a coisa mais sensata a se fazer. Ele deveria agir? Chamar um advogado? Esperar? Mas já haviam se passado horas desde a conversa com o delegado William na delegacia, controlar a impaciência estava se tornando uma tarefa mais difícil a cada minuto. Por outro lado, a família Carter não era pobre, mas também não era rica, não havia condições de contratar um advogado, principalmente com os gastos do funeral da mãe de Scout, que seria na manhã seguinte.
Richard ligou a TV no noticiário e se deparou com uma matéria ao vivo sobre três assassinatos.
“Dois garotos estudantes do colégio West Virginia foram encontrados mortos no banheiro de suas casas esta noite, aparentemente todos eles morreram da mesma maneira misteriosa e brutal. A polícia ainda não sabe quem é o assassino, porém o delegado William afirma que não é a primeira vez que ele atua.
‘O assassino parece deixar sua marca nas vítimas. Já houveram casos parecidos com esse em Manhattan, há quase um mês; dois dias atrás, outro caso igual a esse aqui em Hollywood; e agora, o terceiro homicídio, semelhante aos outros dois. Todos têm algo em comum: as vítimas têm a garganta cortada e os olhos arrancados, e sempre são encontradas no banheiro. No momento não temos suspeitos, não há digitais na cena do crime e nem nada que denuncie que alguém esteve lá no momento das mortes. Aparentemente, o último lugar visitado pelas vítimas foi o famoso cemitério Morgantown, que dizem ser assombrado. A polícia ainda está verificando o local, ainda não temos pistas de quem possa ter cometido os assassinatos. Por ora, isso é tudo.’
Esse foi o depoimento do delegado aos repórteres. Fique com as notícias do tempo agora. Aqui é Megan Stewart e você está assistindo ao Hollywood News.”
Richard desligou a TV. Se o delegado William havia dito em seu depoimento que não haviam suspeitos por enquanto, significava que Scout não era mais uma suspeita? Ele precisava ir à delegacia imediatamente.
–---------
– Delegado William! – Richard chamou. Ele chegara na delegacia junto com o delegado.
– Sr. Carter, que conveniente, ia pedir para chama-lo. Já que está aqui, suponho que tenha visto o noticiário.
– Sim, e vi o depoimento do senhor. Disse que não há suspeitos, quer dizer que minha filha não é mais suspeita?
– Vamos para a minha sala, lá discutiremos isso.
Eles entraram e foram para a sala do delegado.
– Delegado, seja direto: o senhor vai ou não vai mandar soltarem minha filha?
– De início, realmente achei que Scout pudesse ter tido algo a ver com as mortes. Mas mesmo depois de mantê-la aqui, os assassinatos continuaram, isso reduz as chances de Scout ser a assassina a 5%.
– O que?! Quer dizer que ainda tem duvidas?!
– Não posso ignorar a hipótese de ela ter um "cúmplice" que continue com os assassinatos enquanto ela está aqui.
– Não pode estar falando sério, delegado! – Richard começava a exaltar-se.
– Acalme-se, sr. Carter. Eu não disse que não iria soltá-la, apenas disse que ela não deixou totalmente de ser uma suspeita.
– Então, ela vai poder ir embora daqui?
– Sim. Não há provas o suficiente para mantê-la aqui. Mas para o próprio bem dela, avise-a para que fique longe de encrenca, principalmente de qualquer coisa que tenha relação com esses homicídios – disse o delegado, enquanto assinava um papel em sua mesa. – Me acompanhe, sr. Carter.
O delegado saiu de sua sala, foi até a ala das celas seguido por Richard, entregou o papel assinado para um dos policiais e disse:
– Quero que libere Scout Carter – o policial assentiu e foi até a cela de Scout.
(Scout)
– Senhorita, você pode sair – disse o policial, abrindo a cela de Scout.
Ele a guiou até seu pai e o delegado William.
– Pai! – Scout correu até o pai e abraçou-o.
– Nós vamos pra casa, Scout – seu pai deu um beijo no alto de sua cabeça.
– Até mais, senhor e senhorita Carter – despediu-se o delegado William.
– Com todo o respeito, sr. delegado, mas eu espero que não – respondeu Richard, guiando a filha até a saída.
Quando entraram no carro, Scout lembrou:
– Pai, precisamos parar na casa da Taylor.
– Scout, ela deve estar perfeitamente bem, foi só um sonho – respondeu seu pai, colocando o cinto de segurança.
– Você prometeu, lembra? – agora não havia mais jeito, ele teria que ir até a casa da Taylor.
– Certo, Scout – disse Richard, dando a partida no carro e seguindo para a casa de Taylor.
–---------
Ao chegar lá, Scout toca a campainha e é atendida pelo irmão mais velho de Taylor.
– Boa noite, desculpe incomodar a essas horas, mas poderia chamar a Taylor, por favor?
– Sinto muito, ela não está em casa. Ela saiu há algumas horas e ainda não voltou.
– Ela saiu e não voltou?! – por favor Taylor, esteja bem... – Sabe pra onde ela foi?
– Acho que ela estava indo visitar uma amiga na delegacia.
– Qual caminho ela pegou?
– Eu lá vou saber, menina? Ela deve ter pegado algum atalho perto da floresta, ela parecia com pressa e estava um trânsito do caralho quando ela saiu – pelo jeito, a simpatia de Taylor era de família.
Scout nem agradeceu, correu de volta para o carro do pai.
– Pai, você conhece algum atalho perto da floresta?! – perguntou Scout.
– Sim, conheço um perto de um desfiladeiro, por que?
– Vai pra lá agora! – Scout estava perplexa.
– Ir pra perto da floresta a essas horas?! De jeito nenhum! Ficou maluca?!
– A Taylor foi pra lá há horas e não voltou até agora, ela pode estar em perigo, ou pior!
– Scout, já chega! Foi um SONHO, tenho certeza de que a Taylor está super bem. Nós viemos até aqui, como prometido, e ela não está em casa. Chega dessa história, nós vamos pra casa – disse Richard, decidido, seguindo caminho pra casa.
–---------
– Durma bem, querida – Richard deu um beijo na testa de Scout, que estava e coberta na cama.
– Pai, e a mamãe? E a Taylor? – Scout não tivera notícias da mãe desde a noite de sua morte.
– Ela está num lugar melhor agora – o tom de tristeza na voz de Richard era nítido, embora tentasse disfarçar a vontade de chorar com um sorriso tristonho. – E sobre a Taylor, pare de pensar nisso e durma – ele foi até a porta do quarto, apagou a luz e fechou a porta.
Scout jogou o edredom para o pé da cama, levantou, abriu a janela do quarto, subiu no parapeito e começou a descer pela parede do lado de fora. Ela tinha certeza de que Mary tinha ido atrás de Taylor, e ela não podia ficar parada.
Ela foi correndo para a floresta, ligou o GPS do celular e viu um caminho perto de um barranco do outro lado da floresta. Ela seguiu para lá o mais rápido que pôde.
Quando chegou, olhou para a estrada de terra e viu marcas de pneu de moto quase desaparecendo, mas ainda um pouco à vista. Taylor... Ela tinha passado com Stacy por ali, com certeza.
– Taylor! Cadê você?! – Scout chamava, mas ninguém respondia. – Taylor! – ela tentou de novo. Nada.
Scout olhou para o fundo do precipício e viu a moto de Taylor destruída em meio às pedras deformadas.
– Não... – Scout não podia acreditar, ela não queria acreditar, Taylor não podia ter caído lá... – Taylor! – ela chamava, usando o pingo de esperança que havia lhe restado, mas não houve resposta.
Scout continuou andando e olhando pra baixo, procurando por Taylor. O que era aquilo? Tinha alguma coisa presa em uma das pedras. Espera um pouco... Não podia ser...
– TAYLOR! – sim, era Taylor. Atravessada por uma rocha pontiaguda. – NÃO!
Scout se agachou perto da borda do precipício e começou a chorar. Ela cogitou se jogar dali, mas ela não podia morrer antes de se vingar. Só lhe restava uma saída agora: ela iria à Morgantown imediatamente. Andrew Campbell teria que ajuda-la.
Fale com o autor