Notas iniciais
Último cap do dia gente o/

Esse dá dó da Mary...

[Orfanato East Village – Agosto de 1917]


Mary ainda estava jogada no chão do quarto de Dolores. Ela não conseguia se levantar, o menor movimento que fazia com a perna resultava numa forte dor em sua intimidade devido à forma brusca e indelicada com que Andy a tratara.

Conseguiu se levantar apoiando-se na cama, e com dificuldade vestiu suas roupas. Andou até a porta e tentou abri-la. Estava trancada, e Andy havia levado a chave com ele. Uma coisa era certa: Dolores tinha algo em mente, caso contrário ela não teria dito a Andy para que deixasse-a no quarto, e com certeza não era coisa boa.


– Ei! Tem alguém aí?! – gritava Mary, balançando a porta, tentando chamar a atenção de alguém que estivesse passando por ali, porém ela não obteve resposta. – Socorro! Eu to trancada aqui, alguém me ajuda! Me tira daqui, por favor! – ela sacudiu mais rápido a porta, nada. – Socorro... – Mary choramingou, desistindo e apoiando as costas na porta, deixando que o corpo escorregasse até chegar ao chão, onde encolheu-se, abraçou os joelhos e começou a chorar baixinho. Será que alguém iria lhe fazer acordar daquele pesadelo? Por que ela? Ela nunca havia feito nada de mal à ninguém, por quanto tempo ainda teria que passar por tudo aquilo? Essas eram as perguntas que martelavam a cabeça de Mary.

Passou o resto da tarde e o começo da noite chorando, encolhida perto da porta.


Quando Mary se deu conta de que havia passado tanto tempo chorando, levantou-se e olhou no relógio do criado-mudo. Oito e quarenta e cinco. O toque de recolher fora há quinze minutos, e ela ainda esta presa ali. À essas horas, as irmãs deveriam estar terminando de colocar as crianças em seus dormitórios e finalizando seus afazeres.


O silêncio foi rompido pelo barulho de passos, passos que vinham em direção ao quarto e que fizeram com que Mary ficasse paralisada. Pareciam estar um pouco longe, porém iam se aproximando gradativamente, cada vez mais perto. Ela agachou-se perto da cama, tremendo, e pôde ver pela fresta embaixo da porta que havia alguém parado do lado de fora. Ouviu-se a chave se encaixar fechadura e em seguida o barulho desta girando lentamente e fazendo com que a tranca abrisse, revelando Dolores com a expressão mais atormentada e enlouquecida que Mary já havia visto. Psicótica e assustadora.

– Espero que tenha aproveitado bem a tarde, Mary – disse a freira, adentrando o cômodo e trancando a porta atrás de si. – Porque agora é hora da sua punição.


– Por favor, não faça nada comigo... – implorava Mary.


– Devia ter pensado nisso antes de ousar me responder daquele jeito, fedelha – Dolores começou a se aproximar da garotinha aterrorizada, que se pressionou mais contra a cama na tentativa de se afastar de Dolores. – Não tenha medo, criança. Será rápido – Dolores tirou um lenço umedecido de um dos bolsos de suas vestes.


– O que é isso?! O que vai fazer comigo?! Afaste isso de mim! Não! Hmm! – já era tarde, Dolores já estava pressionando o lenço contra o nariz de Mary, ao mesmo tempo impedindo-a de gritar.


Mary sentiu-se tonta, sua visão foi ficando turva, e um segundo depois ela apagou.



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Ainda um pouco tonta e com uma leve dor de cabeça, Mary tentou abrir os olhos. De início eles se recusaram a abrir, mas depois cederam. Ela piscou algumas vezes para normalizar a visão.

Quando Mary finalmente recobrou os sentidos se deu conta do que estava acontecendo. Ela estava pendurada pelos pés de cabeça para baixo, com as mãos amarradas e nua. Em sua boca havia uma mordaça amarrada com força, chegando a machucar. O sangue que descia para sua cabeça fazia com que ela ficasse pesada e acumulasse um pouco de pressão. Dolores andava em círculos ao seu redor, segurando algo em uma das mãos. Parou de frente para Mary e observou-a.

– Estava pensando se iria demorar a acordar, queria começar a diversão logo – disse ela, sádica. – Você realmente não devia ter pensado em me desobedecer, meu bem. Ah, não devia – dizia Dolores, agora permitindo que Mary visse o que estava segurando. Um chicote. Ela segurava-o com as duas mãos, examinando-o e analisando cada detalhe. – Espero que isso lhe sirva de lição – ela desenrolou o chicote e primeiro chicoteou o chão para testá-lo, deixando uma falha consideravelmente funda na tábua de madeira.

Em seguida, fez o chicote estalar no abdômen de Mary, fazendo-a soltar um grito abafado pela mordaça. Depois, outra chicotada. E outra. E outra. A cada estalo do chicote Mary recebia um corte em um lugar diferente, e apertava com força os olhos, fazendo com que as lágrimas pingassem no chão com mais facilidade.

– Toma! Toma! – dizia Dolores com raiva, chicoteando sem dó e cada vez mais rápido e forte a pobre garotinha.

Depois de quase quarenta minutos de chicotadas e mais chicotadas, Mary quase não aguentava mais.


Dolores fez o chicote estalar uma ultima vez na perna de Mary e jogou-o no chão. Com a respiração acelerada, ela aproximou-se da garota e encarou-a nos olhos.


– Eu estou só começando, Mary – disse ela, para desespero de Mary.


Dolores foi até o baú que ficava perto da janela do quarto, abriu-o e tirou de lá um instrumento que Mary nunca tinha visto antes. Era algo parecido com uma pinça, porém maior e mais grosso, e de aparência afiada. As extremidades da tal pinça eram curvadas e pontiagudas. Dolores fitava o objeto com gosto. Aproximou-se novamente de Mary, passando a ponta do dedo pelo instrumento.


– Sabe o que é isto, Mary? – perguntou ela. – Era conhecido como Mutilador de Seios ou Estripador de Mamas antigamente. Foi um instrumento usado na idade média para torturar e punir as mulheres que eram condenadas por adultério, causava uma grande agonia à vítima, era usado para mutilar os mamilos e os seios. Tenho este há muito tempo, porém nunca o usei. Gostaria de ser a primeira, Mary? – Dolores começou a aproximar o Mutilador dos seios mal desenvolvidos de Mary, enquanto ela fazia súplicas ininteligíveis por baixo da mordaça. – Vejamos o que acha disso – Dolores apertou um dos mamilos de Mary com o instrumento, e nesse momento Mary desejou que ela tivesse continuado com as chicotadas, assim ela estaria sofrendo menos.


Dolores soltou o mamilo da garota e viu um filete de sangue escorrer dele.


– Que tal isso? – novamente ela pressionou o mamilo de Mary entre o Mutilador, o mesmo de antes.


Após soltá-lo e ver outro rastro de sangue aparecer, outra idéia surgiu na mente doente de Dolores. Ela foi até a penteadeira, acendeu uma vela e começou a passar o Mutilador pelo fogo. Alguns minutos depois, quando o objeto já estava quente, ela voltou até Mary.


– Vamos ver agora – disse ela, e colocou o objeto no outro mamilo de Mary, dessa tão quente quanto um metal que tivesse ficado ao fogo por meia hora.


Depois de diferentes torturas, uma pior do que a outra, Dolores desamarrou os pés e as mãos de Mary. Em seguida, tirou a mordaça manchada com o sangue que acabara saindo pela boca de Mary e virou o rosto da garota em direção ao seu, amassando-lhe as bochechas.


– Espero que tenha aprendido a lição – disse Dolores. – Da próxima vez será pelo menos duas vezes pior, eu lhe prometo isso, Mary – e soltou-a.

Mary caiu ao chão exausta, quase sem energia. Sua respiração estava ofegante e falhando, algumas gotas de sangue manchavam o chão cada vez que ela tossia. Seu corpo estava muito dolorido, parecia que ela tinha sido pisoteada por uma manada de elefantes.

– Vista essas roupas e saia do meu quarto – ordenou Dolores, jogando as roupas de Mary nela. – E antes de voltar ao dormitório, dê um jeito de esconder esses machucados. Vá até o banheiro e limpe todos eles, tente esconde-los o máximo que der. E lembre-se, da próxima vez será muito pior. Se abrir a boca para alguém, considere-se morta.


Com muito custo e muita dor, Mary começou a se vestir. Cada mero movimento era como se fosse uma paulada em um lugar diferente.

– Ah, sim, esqueci de uma coisa. Dê-me a mordaça – ordenou Dolores.


– O... Oqu-e? – Mary teve dificuldade para formular e pronunciar as palavras.


– A mordaça, pirralha! Entregue-me! Quero guardar uma lembrança deste dia – disse a freira, impaciente.


Mary olhou para suas roupas e viu no meio delas sua faixa de cabelo suja de sangue, que devia ter lhe servido de mordaça, porém ela só notara isso agora. Mary pegou a faixa e estendeu o braço até onde pôde, entregando-a para Dolores.


– Agora pode ir – disse Dolores, dirigindo-se até a cama, arrastando-a um pouco para o lado e agachando-se, começando a tatear o chão como se estivesse procurando por algo.


Ela levantou uma das tábuas do chão, revelando um compartimento secreto no qual havia uma caixa que Dolores tratou logo de retirar, abrir e guardar a faixa dentro, dobrada cuidadosamente. Fechou-a, colocou-a de volta no compartimento, ajeitou a tábua e arrastou a cama de volta, escondendo o local.


– Esta será a primeira e a última vez que você pisa em meu quarto.



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[barulho de sirene]

Scout acordou assustada e rapidamente sentou-se em sua cama.


– Quem?! Quando?! Onde?! – Akira atropelou as perguntas, acordando meia atordoada e caindo no chão.

A porta se abre e Erika aparece.


– É a segunda sirene do dia, vocês estão atrasadas! – alertou ela.


Scout olhou no relógio pendurado na parede do dormitório. Seis e quinze! Ela se levantou às pressas e pegou a primeira roupa que viu dentro da mala de viagem – ela ainda não havia tido tempo para arrumar suas coisas nas gavetas.


– Pode ir, encontramos você na capela daqui a pouco – disse Scout, tirando o shorts com o qual dormira e colocando uma saia preta que batia na metade de suas coxas no lugar e substituindo o moletom por uma blusa branca simples tomara-que-caia. – Então, você decidiu entrar na Akira? – perguntou ela, dobrando o pijama improvisado.

– Droga, achei que você fosse demorar mais pra descobrir.


– É, Andy, você é realmente um péssimo ator – disse Scout. – Talvez se tivesse acordado na primeira sirene junto com Erika, como Akira provavelmente faria, não teria deixado tão na cara. Além disso, não ficar me secando enquanto eu trocava de roupa também teria ajudado a disfarçar.


– Não consigo me segurar – disse Akira. Ou Andy? – É estranho ser mulher... Olha, eu tenho peitos!

– Deixando isso de lado – Scout interrompeu-o antes que ele continuasse com suas descobertas sobre o corpo feminino de Akira –, tive um sonho muito estranho essa noite.


– Que sonho? – perguntou terminando de vestir uma blusa qualquer.


– Na verdade acho que era uma lembrança, uma memória oprimida dentro de mim por todos esses anos, uma memória da Dolores. Eu me lembrei de tudo o que aconteceu no quarto dela naquele dia, lembrei de tudo o que Dolores... Ou melhor, lembrei de tudo o que eu fiz a Mary.


– E o que foi?


– Eu... Prefiro não dizer – respondeu Scout, com vergonha de si mesma por um dia ter cometido tal atrocidade, mesmo que em outra vida.


– Qual é, ruiva – Andy terminara de se vestir e se aproximou de Scout. – O que pode ser pior do que ter estuprado uma menina quase um ano inteiro todo mês? Vamos lá, pode me falar.


– Eu... – ela fez uma pausa, fechou os olhos, respirou fundo e continuou: – Eu a torturei. Fiz coisas horríveis a ela, coisas que eu desejaria não ter feito... Não havia qualquer marca de solidariedade, eu fui um verdadeiro monstro, eu era um demônio naquele momento... Era eu quem merecia estar no inferno.


– Não faça isso consigo mesma. Não deixe seu passado te condenar, afinal o que importa não é o que você fez, e sim o que você está tentando fazer para reparar isso. Todos temos um passado, nem sempre dos mais bonitos e honestos, mas o passado de todos está enterrado, não pode ser reescrito. O que cabe a nós é escrevermos nosso futuro, e nele tentarmos compensar o que fizemos de mal no passado.


– Isso foi tão... Gay vindo da sua parte.


– Eu estou dentro do corpo de uma menina, estou liberado para dizer coisas gays sem parecer gay – disse ele.


– Ainda tem mais uma coisa.


– O que?


– Eu sei onde está a faixa da Mary.



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Tentei colocar uma foto do mutilador de seios, mas a foto era sempre substituída por um anúncio ou então ela não abria -.-'


Então, eu não inventei esse instrumento, ele realmente existiu, é esse aqui ~> http://smokintops.com/img/items/161/image_url02-10-2009-015947.jpg

Bom, era isso :3

Notas finais
Esse foi o último de hoje ><'

Não sei quando vou ter tempo pra escrever o próximo, tenho um trabalho de geografia, um de ciências e uma prova de história chegando...

Mas fiquem tranquilos, se eu acabar demorando pra postar eu vou recompensar postando mais de um cap de uma vez o/

Enfim, espero que tenham gostado de todos :3

Deixe um review por favor o/

E mesmo que os leitores fantasmas continuem ignorando meus pedidos de review, por favor deixem só unzinho pra eu saber quem são vocês ><'

Beijos s2

Nyuu-chan :3