Verdade Ou Pesadelo
27 More chores?!
Notas iniciais
– Você não está raciocinando direito. Vou te dar uma semana para pensar. Se até lá Andy não estiver em minhas mãos, pode ir dando adeus às esperanças de salvar seus pais – foi a ultima coisa que Mary disse antes de desaparecer no ar, deixando Scout sozinha com seus pensamentos naquele porão escuro e imundo.
– Ruiva! – Scout ouviu Andy chamar.
– Já vou! – gritou ela, apagando o isqueiro, subindo pela escada e trancando novamente o porão.
– O que você tava fazendo lá embaixo? – perguntou Andy, observando Scout levantar-se e bater na saia para tirar a poeira.
– Eu? Nada, só queria ver como era o porão, só por curiosidade – mentiu ela.
– Ah – murmurou Andy, olhando-a desconfiado.
– Ouvi você me chamando. O que queria? – Scout tentou mudar de assunto.
– Terminei de cortar o gramado do playground e da capela.
– Ah, ótimo, já estou terminando por aqui também – disse ela ligando o cortador. – Comece a aparar lá na frente enquanto eu termino aqui, depois irei para lá.
– Certo – concordou Andy, indo em direção ao seu cortador que ele havia deixado perto do playground.
– NÃO LIGA AGORA! – tarde demais, Scout. E lá se vai o cortador mais uma vez.
– Lá vamos nós de novo – suspirou Andy, logo em seguida indo atrás do cortador.
Ao terminar de aparar a grama perto do porão, Scout dirigiu-se até a parte da frente do prédio, onde Andy já começara a aparar.
– Cara, eu não achei que o terreno do orfanato fosse tão grande – disse Andy, desligando o cortador e apoiando-se neste, secando o suor da testa com as costas de uma das mãos.
– A culpa de estarmos fazendo isso é sua – Scout fez questão de lembrar. – Quanto menos você reclamar, mais rápido terminaremos isso.
– Me dá um tempo, minha aparência me permite ser frágil – disse Andy.
– Até quando pretende usar o corpo da Akira como desculpa pra tudo? – perguntou Scout.
– Provavelmente até eu sair dele – respondeu Andy.
– Que ótimo, vou ter que aguentar uma japonesa reclamando na minha orelha o dia todo – ironizou Scout.
– Tirou a sorte grande, em? – rebateu Andy, agora apoiando um dos pés no cortador.
– CUIDADO, ANDY! – alertou Scout ao ver onde ele estava prestes a pisar. É, não deu tempo. Ele pisara no interruptor que ligava o cortador. – Porra, Andy! É a terceira vez! TERCEIRA!
– Foi sem querer!
– Não fica aí parado, vai atrás daquela coisa antes que-
BUM! – estrondo from hell. O silêncio absoluto reina.
– Me diz que não é o que eu estou pensando – Scout fechou os olhos tentando afastar aquela ideia.
– Não sei, não tenho coragem de olhar – Andy fez o mesmo que Scout.
– No três – disse ela, e Andy captou a mensagem. – Um, dois... Três! – eles viraram ao mesmo tempo, e ao verem a cena quase caíram para trás.
O cortador havia destruído a parede da frente do depósito, feita de madeira frágil, e continuava seguindo depósito adentro derrubando tudo em seu caminho, quebrando alguns objetos e derrubando algumas ferramentas, fazendo com que o barulho se prolongasse.
Scout encarou Andy, fuzilando-o com os olhos. Ela estava começando a considerar mata-lo ali mesmo.
– Um pedido de desculpas vai adiantar? – perguntou ele, sorrindo amarelo, porém antes que Scout tivesse chance de responder as portas da capela e do prédio se abriram e todos vieram ver o que havia causado aquele imenso barulho.
Não demorou muito para que se formasse uma muvuca de adolescentes, crianças e freiras em frente ao depósito. Entre eles, Scout e Andy reconheceram uma freira, a mesma que estava lendo a bíblia há poucas horas atrás na capela e havia lhes designado o trabalho de cortar o gramado, e pelo jeito ela também notou-os ali, parados e observando a tudo de longe. Quando o olhar da freira encontrou Andy e Scout, sua expressão tornou-se carrancuda e assustadora. Será que dava pra ficar pior?
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– Terão tarefas para ocupar a manhã inteira de vocês – disse a freira, entregando para Scout uma lista com coisas que ela e Andy deveriam fazer como punição. – Espero que isso não se repita. Com licença – despediu-se a freira, deixando-os sozinhos em frente ao depósito.
– Primeiro você quebra um vaso enorme dentro da capela e me faz ter que cortar o gramado. Depois, consegue quase demolir o depósito. Nesse ritmo o orfanato não vai resistir até o final do dia – disse Scout, entrando no depósito e pegando dois rastelos e entregando um a Andy. – Mexa-se.
– O que quer que eu faça com isso? – perguntou ele examinando o objeto.
– A primeira tarefa da lista é varrer as folha do gramado.
– Esse lugar é pior do que um presídio – disse Andy.
– Acho que os presidiários não são obrigados a aparar e varrer o gramado – Scout falou, dando um fim à conversa.
Alguns minutos depois, eles já haviam juntado um grande monte de folhas secas e marrom alaranjadas perto de uma árvore.
– Finalmente, terminamos – disse Scout, com um certo ar de alívio na voz. – O próximo item é... Andy? – ela olhou em volta e se viu sozinha. Onde ele estava?
– VAI FILHÃO! – Scout mal teve tempo de olhar na direção da voz de Andy antes de sentir um forte impacto nas costas que arremessou-a para frente. Ele havia empurrado-a no meio das folhas, fazendo com que elas se espalhassem para todos os cantos novamente e fazendo com que Scout se sujasse de terra e grama. Andy desandou a gargalhar, curvando-se para frente com as mãos na barriga. – Ops, eu esbarrei em você? – ele foi irônico.
– Você me empurrou! – disse Scout alterando-se e se levantando, tentando tirar o excesso de terra e grama. – Olha só o que você fez, seu idiota! Agora vamos ter que catar tudo outra vez! Sem contar no meu estado!
– O que há de errado em parecer uma simpatizante do greenpeace? – ele tirou sarro, enxugando uma lágrima no canto do olho e recuperando o fôlego. Vendo que Scout permanecia séria, ele controlou o riso e se recompôs. – Relaxa, ruiva, foi só uma brincadeira – disse Andy, pegando o rastelo que havia deixado encostada na árvore. – As folhas nem se espalharam tanto assim, eu junto elas de novo, beleza?
– É melhor mesmo – disse Scout, sacudindo a listinha para tirar a grama e a terra desta e poder ler a próxima tarefa. – A boa notícia é que o próximo item da lista é limpar os boxes do banheiro feminino da ala leste. Antes de limpa-los vou tomar um banho rápido, já que alguém teve a brilhante idéia de me jogar no meio das folhas e da terra – ela lançou um olhar acusador para Andy.
– Agora está começando a ficar divertido – animou-se ele.
– Pode ir parando por aí – disse Scout. – Depois de arrumar essa bagunça que você fez, você vai lavar as roupas de cama de todos da ala leste, é a terceira tarefa. Aqui diz que já estão na lavanderia.
– Tá de sacanagem com a minha cara, né?! – Andy tomou a lista das mãos de Scout e começou a lê-la para confirmar. – Por que não podemos limpar os boxes juntos? Ou aproveitar pra tomarmos um banho juntos?
– Porque terminaremos mais rápido se dividirmos as tarefas – explicou ela, pegando a folhinha de volta e guardando-a no bolso na saia.
– Fala sério, ruiva – Andy fez uma careta de tédio.
– Nos vemos daqui a pouco – disse Scout, indo em direção à porta do prédio.
– Se eu terminar antes de você eu posso te encontrar lá?! – gritou Andy.
– Desista, enquanto você se parecer com a Akira você não conseguirá fazer nada do que pretende comigo! – Scout gritou de volta, prevendo as segundas intenções de Andy.
– Espera aí! Isso quer dizer que se eu fosse eu, teria alguma chance?! – Scout podia jurar que vira os olhos de Andy brilharem.
– Tchau, Andy! – ela deixou-o sozinho de vez.
– Ei, pera aê! – ele tentou chama-la, mas ela ignorou-o e entrou no prédio, fechando a porta atrás de si. – Cara, ser mulher não é a maravilha que eu pensei que fosse.
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