Notas iniciais
Aloha o/ Voltei *-* Esse capítulo é mais informação do que ação, o próximo vai ser mais agitado, prometo ><' Enjoy the chapter o/

– Com licença, o senhor sabe onde encontro Madame Vanda? – perguntou Scout a um desconhecido que vinha passando. Era a milionésima vez que ela fazia aquela pergunta, e a resposta era sempre a mesma:

– Desculpe, não sei de quem está falando.

– Que má sorte você tem, em, ruiva? – disse Andy. Scout estava tentando esquecer que ele estava ali, ela realmente estava tentando, mas era impossível.

– Meu nome é SCOUT. Não me chamo Ruiva, muito menos Anjinha Ruiva – disse ela. – Tô começando a achar que você me enrolou com essa história de cigana e não existe madame Vanda nenhuma.

– Quando se tratam de negócios, pode confiar em cada palavra que digo – garantiu Andy. Como se Scout acreditasse nele.

– Então pode me explicar por que ninguém nessa cidade conhece essa mulher?

– Você está perguntando para as pessoas erradas. Madame Vanda só atende a uma seleta freguesia, não é qualquer pessoa que passa na rua que sabe quem é ela, muito menos onde encontra-la.

– Se não vai me ajudar, não precisa diminuir minhas esperanças – disse Scout. – Maravilha de situação. Já fazem quase duas horas que estou perguntando sobre essa cigana e não tem ninguém que possa me dar uma pista sequer de onde ela está, e pra piorar tem um pervertido de quinta me seguindo pra cima e pra baixo!

– Mais respeito com o seu futuro dono!

– Mais tarde eu me preocupo com isso, pode ser?! Por enquanto minha única preocupação é achar a Madame Vanda.

– Madame Vanda? – disse uma voz desconhecida. Scout e Andy olharam na direção que vinha a voz e depararam com um velho mendigo sentado na calçada.

– O senhor a conhece? – Scout se aprontou em perguntar.

– Já a vi uma vez. Da ultima vez que nos vimos eu ainda era bilionário, viciado em cassinos, Vegas era meu território. Muito embora eu não tenha dito uma palavra sobre isso a ela, ela me alertou para que eu mudasse o rumo da minha vida e ficasse longe do vício, caso contrário eu iria perder tudo, e ela acertou. Isso foi há quase vinte anos. Perdi minha esposa, minha filha, minha casa, a única coisa que me sobrou foi a sarjeta. Hoje em dia, sou apenas um mendigo andarilho.

– Senhor, poderia me dizer onde eu posso encontra-la?

– Isso depende, senhorita. Poderia me arrumar alguns trocados?

– Será possível que ninguém faz um favor de bom grado sem esperar algo em troca?! – Scout se revoltou por um momento, e ela podia jurar ter visto uma risadinha escapar da boca de Andy. Ela esvaziou os bolsos e deu todo o dinheiro que encontrou para o velhinho. – É tudo o que tenho. Agora me diga onde encontrar a Madame Vanda.

– Há um matagal ao leste, 15 minutos de caminhada daqui até lá. Nesse matagal, há uma cabana. É lá que ela mora, e é lá que ela atende.

– Obrigada – agradeceu Scout, saindo apressadamente na direção indicada pelo velho.



15 minutos de caminhada depois...

– Só pode ser aquela – concluiu Scout ao avistar uma pequena cabana no meio do mato.

– Cara, isso foi pura cagada – desdenhou Andy. – O que seria de você sem aquele velho?

Scout tentou ignorar e continuou andando em direção à porta da cabana. Chegou perto o suficiente para bater, mas quando ergueu a mão para bater na porta, esta foi aberta por Madame Vanda, uma mulher que aparentava ter entre 50 e 55 anos, possuía cabelos cor de vinho, vestia uma saia longa, echarpe por cima da blusa e usava várias pulseiras, anéis e colares.

– Scout! Entre, querida! Eu estava à sua espera! Acabei de tirar o chá do fogo! – Madame Vanda tratava Scout como se fossem amigas de infância que não se viam há muito tempo, puxando-a para dentro da cabana pelo pulso.

Quando Andy vinha entrando atrás de Scout, foi barrado por madame Vanda.

– Você fica aqui fora – ela o olhou carrancuda. – Não vou permitir que um espírito tão perturbado como você estrague a energia equilibrada desse lugar – e bateu a porta.

– Pro seu governo, eu a estou ajudando, vovó! – Andy gritou do lado de fora, dando um soco na porta e logo se conformando em ficar esperando ali.

– Tem que prestar atenção às más companhias, Scout – disse Madame Vanda, referindo-se a Andy.

– Sabe meu nome? E sabia que eu viria?

– Claro! O que acha que eu sou? Uma cigana fajuta? – disse madame Vanda, rindo da própria piada. – Sente-se, querida. Aqui o seu chá, já está doce – madame Vanda colocou um pouco de chá numa xicara e ofereceu à Scout, que estava sentada numa poltrona à sua frente, atrás de uma mesa redonda onde repousava o bule de chá. Scout tomou apenas um gole para não fazer desfeita, mas seu propósito ali não era ficar para tomar o chá da tarde, então ela foi direto ao ponto:

– Madame Vanda, eu estou aqui para-

– Para me pedir os ingredientes necessários para que faça um certo ritual, eu sei. Sei tudo o que vem passando desde aquela noite em Manhattan, Scout. Sinto muito por todos – Scout teria ficado surpresa se não estivesse com tanta pressa em conseguir os ingredientes.

– Isso não ajuda em nada – Scout foi fria. – A senhora tem o que eu preciso para o ritual?

– Me acompanhe – disse ela, levantando-se de sua poltrona e entrando numa sala, seguida de Scout.

A sala na qual estavam agora possuía estantes lotadas de livros grossos e empoeirados, alguns potes de vidro com objetos não-identificados dentro flutuando num líquido viscoso, um relógio cuco antigo pendurado na parede em meio a alguns quadros e chão de carpete.

– Do que exatamente você precisa, meu bem? – perguntou Madame Vanda.

– Pra começar, uma adaga de marfim.



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Andy’s POV

Velha maldita, me deixou pra fora como se eu fosse um bichinho de estimação! Eu poderia muito bem acabar com essa espelunca só estalando os dedos, mas isso machucaria a Scout, e isso não seria legal. Quero aquele corpinho no melhor estado possível.

Essa garota é estranha, me interesso por ela cada dia mais. É a primeira vez que poupo a vida de alguém que ousou chegar perto daquele cemitério, e eu acho que isso valeu muito a pena. Agora posso observá-la de perto, monitorar cada ação, saber de cada decisão que ela toma. É impressionante o fato de ela ainda não ter ficado louca, depois de passar por tudo aquilo ainda ter sanidade o suficiente pra raciocinar e pensar no que fazer... Ela é mesmo interessante.

E falando nela, olha só quem aparece.



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– Obrigada por tudo, Madame Vanda – agradeceu Scout, abrindo a porta.

– Me deixar aqui plantado te esperando foi totalmente antiético – reclamou Andy quando Scout saiu.

– Feri seus sentimentos? Tô morrendo de dó. Me ajuda a conferir: uma ágata lilás, um olho de tigre, uma aragonita e um amuleto de jade. Ficou faltando alguma coisa? – dizia Scout, conferindo todos os objetos dentro de um dos bolsos da mochila que ainda estava carregando.

– Um pertence da Mary e uma adaga de marfim.

– Mas que droga, não tem como eu conseguir arrumar alguma coisa dela! Sem contar que eu não tenho muito tempo, ela já deve estar se preparando pra vir pra cima de mim agora que não tem mais ninguém que ela possa matar pra me fazer sofrer. Sua próxima vitima serei eu.

– Coloca o amuleto – disse Andy.

– O que?

– O amuleto de jade, coloca ele. Ele vai te proteger, é isso o que ele faz: protege, principalmente conta alguma entidade que esteja te seguindo. Enquanto você estiver com o amuleto, Mary não pode te fazer mal.

Scout obedeceu. Abriu o bolso da mochila no qual tinha colocado o amuleto e as pedras, retirou o amuleto e colocou-o no pescoço, escondendo-o por dentro da blusa.

– Vamos voltar pra Califórnia e fazer logo esse ritual – Scout se apressou.

– Ainda não podemos voltar – impediu Andy. – A madame Vanda não tinha a adaga de marfim, certo?

– Tem razão... Mas ela me falou algo sobre a adaga.

– O que exatamente vocês conversaram?



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(No consultório da Madame Vanda, há alguns minutos atrás)

– Então a senhora não tem a adaga? – Scout entristeceu.

– Não exatamente – disse Madame Vanda. – A adaga e marfim e a adaga de prata são muito usadas em rituais, porém a maioria desses rituais são rituais malignos, ou rituais que servem para atrair muito dinheiro. O mais comum é virem procurar por uma adaga de marfim para fazer um ritual que deixe seu autor rico. Porém esses rituais gananciosos são feitos por amadores que nunca acertam nos passos a serem seguidos, e sempre terminam mal. Boa parte dos clientes que já tive veio até mim procurando pela adaga para fazer um ritual desse tipo, e sabendo como isso ia terminar, eu sempre negava o pedido, até que começaram a aparecer pessoas tentando roubá-la já que eu não a entregava por bem. Isso me obrigou a esconde-la. Eu a tenho, porém não a guardo comigo.

– A senhora sabe que o ritual que pretendo fazer não tem nada a ver com dinheiro, e eu preciso da adaga pra faze-lo, então a senhora pode-

– Se eu posso se contar onde ela está? Certamente – madame Vanda previu a e concluiu a frase de Scout novamente. Ela caminhou até um pedestal onde repousava um grande, grosso e empoeirado livro, abriu-o e tirou um pedaço de pergaminho que estava servido de marcador no meio de duas páginas. – Esse mapa vai te levar até uma caverna – ela disse, enrolando o pergaminho e amarrando uma fita vermelha em volta deste. – A adaga de marfim está lá. Mas tome cuidado, Scout. Há um motivo para eu ter escolhido logo essa caverna. Há um ser protegendo-a.

– Um ser? – perguntou Scout, guardando o mapa dentro da mochila.

– Seu nome é Baal, ele é uma espécie de “demônio guardião”. Há milhões de anos atrás acreditava-se que Baal guardava os portões do inferno, mas qualquer estudioso de ocultismo sabe que ele também guarda lugares malditos.

– Lugares malditos? Então a caverna é amaldiçoada?

– A caverna que Baal guarda está lá há muitos anos, na época em que se acreditava em bruxas ela já existia, e era lá que jogavam os corpos das bruxas que não eram mortas queimadas, tanto que durante algum tempo aquele lugar era chamado de “cemitério das bruxas”. Certa vez, uma bruxa chamada Alana foi jogada na caverna. Todos acharam que estava morta, mas ela apenas estava moribunda, e antes de morrer, usou suas ultimas forças para rogar uma praga na caverna. Qualquer um que entrasse lá reviveria suas piores lembranças e enfrentaria seus piores medos. Poucos conseguem sair de lá, e os que saem ficam loucos.

– Considerando o que eu já passei, entrar numa caverna amaldiçoada não é nada pra mim. Se eu ainda não fiquei louca com tudo o que aconteceu comigo, duvido que fique louca por entrar lá.

– Mesmo assim, tome cuidado, e fique atenta à Baal. Se identificar qualquer sinal dele, ou simplesmente suspeitar que ele te achou, fuja. Ele não é de dialogar, não é alguém que se possa convencer com palavras, ele não vai hesitar em te estripar inteira. Assim que você pisar na caverna ele sentirá sua presença. Tenha certeza de não deixar que ele te ache.

– Muito obrigada, Madame Vanda – agradeceu Scout.



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(Em frente à cabana de Madame Vanda, agora)

– Então temos que seguir o mapa até a caverna, entrar lá, procurar a adaga e enfrentar uma maldição e um demônio estripador? – disse Andy.

– Resumidamente, sim – respondeu Scout.

– Não, obrigado.

– Como é?!

– Você ouviu, não vou. Se ele nos matar talvez você vá pra um lugar bonito e em paz, já eu vou direto pro inferno. Por que você acha que eu não atravessei para o "outro lado"? Eu fiz muita coisa ruim enquanto vivo. Acha que eu quero passar a eternidade sofrendo torturas piores do que as piores torturas? Nem fodendo, ruiva.

– Já disse, é SCOUT – ela repetiu pela centésima vez no dia. – Legal, se você não quiser ir, não vá. Só lembre-se de que se alguma coisa acontecer comigo, eu não poderei cumprir nosso contrato, o que significa que você não terá a mim, e será obrigado a passar o resto dos seus dias preso àquele cemitério – disse Scout, num tom chantagista

– Eu... – Andy tentava pensar em algum argumento. – Eu arrumo outra.

– Vai se foder! – Scout levantou o dedo do meio para Andy, colocou a mochila nas costas e saiu andando em direção ao mato denso.

Novamente Andy não iria ajuda-la, ela teria que se virar sozinha naquela caverna, ela só estava rezando pra conseguir sair de lá.

Notas finais
Estou à espera do seu review, crítica, opinião, sugestão e o que mais quiser mandar :3Obrigada por ler até aqui *0*/Beijoos e até o próximo capítulo s2Nyuu-chan :3