Verdade Ou Pesadelo
16 A Devil for Me
Notas iniciais
Andy's POV
– Eu... – eu não ia me render ao jogo dela. – Eu arrumo outra.
– Vai se foder! – Scout me respondeu, levantando o dedo do meio, virando as costas e desaparecendo no meio do mato.
Ela que vá pra aquela caverna, eu não vou me arriscar a ir pro inferno por causa de uma menina. Não importa a chantagem que ela fizer, eu não vou pra lá. Ponto final.
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E aqui estou eu seguindo o rastro da Scout. Que foi? Meu orgulho tem limites, ok?
No que eu estava pensando quando disse que arrumaria outra? Nem que eu procurasse durante 1000 anos eu acharia alguém igual a ela. Ela é diferente de todos os outros humanos mesquinhos e desprezíveis. Ninguém nunca conseguiu me atrair tanto quanto ela.
Não posso deixar alguém como ela escapar, qualquer um que tente encostar nela terá que se ver comigo, o único com permissão para isso sou eu.
Está cada vez mais difícil de enxergar alguma coisa no meio de tanto mato. Droga, olhos humanos são realmente inúteis.
Imagine essa situação: você está no mato denso, à noite, sem nenhuma iluminação, nem uma lanterna.
Opa, eu disse sem nenhuma iluminação? O que é aquilo? Uma lanterna caída no chão? Sim, tem uma lanterna ali na frente! Caída na frente de uma... Caverna. E um pouco à frente, uma mochila jogada no meio das pedras.
Scout. Com certeza isso é dela. Pelo visto ela já entrou. Se Baal encostar um dedo nela, eu arrasto ele pro inferno junto comigo.
Hora de entrar e pegar o que é meu.
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Scout’s POV
Já tinha me acostumado a ir a lugares sombrios sozinha à noite, mas aquela caverna realmente fez com que eu me arrepiasse inteira.
Tinha mesmo cara de caverna assombrada. As pedras irregulares e pontiagudas no topo da caverna faziam parecer com que a entrada fosse uma boca gigante com dentes afiados. Eu podia ouvir o eco de gotas d’água caindo do teto da caverna nas poças de água lá dentro.
Passei pela entrada devagar, iluminando com a lanterna todos os cantos, atenta a qualquer ruído.
– Scout... – não... De novo não, por favor...
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Scout conhecia muito bem aquela voz que ecoava pela caverna. Mary.
– Ei, Scout... – a voz parecia estar chegando bem perto de Scout.
Ela iluminava com a lanterna todos os cantos da caverna mas não encontrava nada, apenas ouvia a voz se aproximando e chamando seu nome. De repente um toque gelado em seu ombro, isso foi suficiente para deixa-la paralisada.
– Te peguei, tá com você.
– AAAAAH! – Scout largou a lanterna ali mesmo e correu pra dentro da caverna. Ela livrou-se da mochila também para que pudesse correr mais rápido.
Quanto mais adentrava a caverna, menos Scout conseguia ver alguma coisa, só podia sentir a água gelada das grandes poças no chão da caverna nas quais ela pisava espirrar, ensopando o tênis e a barra da calça. Depois de correr muito, Scout acabou perdendo o equilíbrio e caindo numa das poças, um pouco funda por sinal.
Ela levantou e ficou parada. Era impossível enxergar qualquer coisa. Instintivamente Scout arregalou os olhos na esperança de que isso a fizesse enxergar algo, mas de nada adiantou, então ela recorreu ao bom e velho isqueiro que, como de costume, estava no bolso de seu casaco de moletom.
Ao acender o isqueiro, Scout se viu completamente sozinha. Não havia nem sinal de Baal. Ela tinha que começar a procurar a adaga imediatamente e sair dali o mais rápido possível, mas por onde começar? Ela nem sabia o tamanho daquela caverna, a adaga podia estar em qualquer lugar. Sendo assim, o quanto antes ela começasse, melhor.
Scout começou a andar pela caverna escura e fria, iluminando com o isqueiro tudo o que conseguia, procurando pela adaga.
– Scout, me ajude... – disse uma voz familiar. Não, não era possível...
Scout virou o isqueiro para a direção da qual vinha a voz e teve que se esforçar para não deixa-lo cair com a surpresa que fez com que ela começasse a tremer.
– Pai... – ela disse, com um fiapo de voz, ainda não podendo acreditar no que via.
Seu pai estava ajoelhado ao seu lado, no chão da caverna, sua garganta estava rasgada e sangrava muito, o mesmo acontecia com seus olhos, ou devo dizer, com os dois buracos que estavam no lugar de seus olhos.
– Socorro, Scout... Me ajude... – dizia ele, tentando tampar o corte da garganta com as mãos, sem sucesso. – Não me deixei morrer, Scout... – continuava ele.
– Pai... Não... – Scout começava a chorar, dando um passo pra trás.
– Scout, por favor... – seu pai continuava implorando.
Só ver a imagem de seu pai agonizando fazia com que Scout pudesse sentir toda a dor dele.
– Por favor... – ele tentou se aproximar de Scout, que ficou encurralada pela parede da caverna. – ME AJUDE, SCOUT!
– NÃO! – Scout empurrou-o e começou a correr, chorando.
Ela corria à esmo sem prestar muita atenção pra onde ia, só queria sair dali, quando pisou em falso e caiu num buraco, e quando se deu conta do que tinha acontecido ela já estava embaixo d’agua. Quando sentiu o fundo, deu um impulso com os pés e foi para a superfície, respirando fundo para recuperar o folego.
Ela havia ido parar numa parte da caverna que não era totalmente escura devido a alguns buracos no topo por onde entravam os raios da lua. A água batia um pouco acima do umbigo de Scout. Ela olhou pra cima e viu o buraco do qual acabara de cair e constatou que era muito alto pra ela conseguir voltar por ali.
Na queda, Scout havia soltado o isqueiro e ele caiu na água. Ela se agachou e começou a procura-lo, tateando o chão e mexendo os braços embaixo d'água, e quando aproximou o rosto perto o suficiente da água, pôde ver que aquela não era uma água comum. A água estava vermelha, parecia sangue.
De repente Scout sente um corpo, bem perto do seu embaixo d’agua, que começa a boiar até a superfície, e quando Scout consegue ver o rosto fica quase sem ar.
– Socorro, Scout... Ajude... Me ajude...
Sua mãe, no mesmo estado de quando Scout a encontrou na banheira.
– AAAAAAAAAAH! – Scout gritou, empurrando o corpo para longe de si, que começou a afundar lentamente até desaparecer na água.
Ela tentava sair dali, mas o fato de suas pernas estarem afundadas na água fazia com que ela andasse vagarosamente.
Quando Scout estava quase alcançando a borda, algo a puxou para baixo d’água.
Ela tentava subir para a superfície, mas seja lá o que a estivesse segurando, não queria solta-la.
Scout tentou abrir os olhos para ver o que a estava segurando, mas as bolhas de ar que saíam de sua boca e de seu nariz atrapalhavam mais ainda a visão embaçada embaixo d’água. Mesmo assim ela pôde ver um corpo, alguém segurando suas pernas. No rosto, dois olhos vermelhos e arregalados e um sorriso insano que ia de orelha à orelha. Ela soltou um grito inaudível embaixo d’água e começou a mexer as pernas freneticamente tentando se soltar, mas era inútil. O folego estava acabando, sua cabeça começava a ficar pesada, a água parecia mais fria do que antes, até que ela não tinha mais forças para lutar para escapar. Ela parou de mexer as pernas, fechou os olhos e soltou a respiração.
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