Verdade Ou Pesadelo

34 It's My Turn to Save You


Notas iniciais
Último cap do dia ><' Esse é fofo :3 Acho que é o momento que todos mais esperavam (depois do ritual) Espero que voces gostem ^^

Devagar, Scout tentou abrir os olhos, arrependendo-se no mesmo segundo. A luz ofuscante do sol fez seus olhos doerem e ela os fechou novamente. Na segunda tentativa conseguiu abri-los e piscar algumas vezes para normalizar a vista. Ela deu de cara com um teto branco de onde pendia um lustre familiar. Olhou para o pé da cama na qual estava deitada e viu Andy sentado, inclinando-se e perguntando algo como “Como se sente?”

– Andy? Onde estamos? – a última coisa da qual Scout se lembrava era de ter apagado nos braços de Andy no cemitério.

– Não reconhece seu próprio quarto?

Só aí Scout percebeu que estava em casa, em seu quarto, protegida pelas paredes cor-de-pêssego de sempre, afagada pelo travesseiro fofinho de sempre, coberta pelo edredom grosso e lilás de sempre.

Ela olhou em volta e um sentimento de calma tomou conta de si. Em seguida, levou o edredom até o nariz e respirou fundo, inalando o bom e velho aroma de lavanda que ela tanto gostava e que agora lhe parecia nostálgico. Como era bom estar em casa outra vez.

Scout tentou se sentar, mas sentiu uma dor intensa na região das costelas, além das pernas e braços doloridos.

– Precisa de ajuda pra sentar? – perguntou Andy.

– Não, estou bem – respondeu ela. Só agora ela havia reparado numa atadura que cobria o corte em seu braço feito pela adaga no cemitério e alguns outros curativos mais simples nos demais machucados. – O que aconteceu depois que eu dormi?

– Eu te trouxe pra cá, te coloquei na cama, cuidei dos seus machucados e esperei até você acordar – disse Andy. Quando ele concluiu a frase e Scout tomou fôlego para agradecer, ela percebeu estar sem blusa e com uma faixa grossa enrolada na área das costelas.

– Você tirou a minha roupa?! – ela corou, puxando o edredom para si até o pescoço.

– De nada ¬¬ – Andy entregou-lhe uma blusa cinza e lisa de mangas compridas que ele havia separado e deixado em seu colo para quando Scout acordasse. – Não precisa se preocupar, eu juro pela minha alma que não te desrespeitei em nenhum momento.

– Obrigada por cuidar de mim – ela agradeceu, vestindo a blusa. – Então... Acho que agora nós dois sabemos o que acontece. Quer dizer, o nosso contrato, certo?

– Ah, sim, o contrato... – Andy se levantou e foi até a janela, visivelmente inquieto. – Temos que conversar sobre isso.

– Como assim conversar? Conversar o que? – ele virou-se para encara-la.

– Scout, eu estou te liberando do contrato – disse Andy, fazendo Scout ficar mais surpresa do que nunca. – Eu não quero fazer nada à força com você, e nem te obrigar a ser minha escrava sexual ou algo do tipo, você tem uma vida e um futuro pela frente, eu não quero destruir isso, não posso tirar isso de você – na verdade, o certo seria dizer que Andy não conseguiria fazer aquilo. – Então, bom, você está livre.

Scout’s POV

“Quem é você e o que fez com o Andy?!” era a única coisa na qual eu conseguia pensar. Andy estava mesmo me libertando? Mas por que ele faria isso? Afinal, o único motivo de ele ter passado por tudo o que passamos foi esse maldito contrato, como assim estava tudo bem em não cumpri-lo depois de tudo? E “eu não quero fazer nada à força com você”? Desde quando o Andy que eu conheço diria algo assim? Eu o conheço bem o suficiente pra saber que, quando ele quer alguma coisa, não importa se ele terá de usar a força bruta ou não, mas ele a consegue.

Fora isso, outra questão martelava em minha cabeça há mais tempo, e eu precisava saber a resposta.

– Você tá me contando toda a verdade ou isso tem a ver com o que aconteceu naquela hora no cemitério, quando você sumiu e reapareceu com uma desculpa muito suspeita de que “espíritos também vão ao banheiro de vez em quando”? – perguntei.

– Tá, tá, eu falo, você vai descobrir de qualquer jeito mesmo – do que ele estava falando? – Coloca o flashback aí.

Flashback ON

Andy’s POV

– Me espera aqui, volto em dois minutos – disse eu à Scout, não esperei resposta e fui até uma parte afastada do cemitério, não tão longe de onde Scout estava mas ainda assim fora de seu campo de vista. Eu precisava entrar em ação.

– Tenho algo de seu interesse – eu falava em náuatle. – Apareça logo, não tenho a noite toda.

O vento começou a soprar mais forte e trazia junto consigo um tipo de poeira negra, que aos poucos se acumulava e formava a figura de um enorme cão negro.

– Saudações, Andrew Campbell – cumprimentou-me Xólotl, fazendo uma reverencia.

– Olá, Xólotl – eu retribui a reverencia. Eu o entendia perfeitamente devido ao fato de que os animais são extremamente sensitivos a espíritos e vice-versa, porém uma pessoa normal ouviria apenas rosnados e latidos.

– À que se deve seu chamado?

– Preciso que faça algo pra mim – respondi.

– Você deve conhecer o protocolo, não? Favores não são o meu ramo, o que faço são trocas justas. Se quer minha ajuda, exigirei algo equivalente em troca. Diga-me o que quer e o que ganharei com isso, e caso eu avalie nossa negociação como justa, teremos fechado negócio.

– Preciso que me traga uma certa garota que já partiu deste mundo, e sei que você tem absoluto conhecimento sobre seu paradeiro e pode traze-la a mim num estalar de dedos. Seu nome é Mary Worth.

– Ah, a pobre e corrompida Mary. Conheço e tenho memorizada em detalhes a história de cada alma que passa por mim, e posso dizer que a dela não é das mais agradáveis e felizes. Curioso que seu estuprador e assassino queira agendar uma conversa com ela. Qual seria o motivo?

– Isso não faz parte do protocolo, não lhe devo satisfações. Agora, vamos falar sobre seu prêmio. A alma de uma freira chamada Dolores deve ter passado por você há pouco menos de um século, você deve conhecer a historia dela tintim por tintim.

– Uma das mais divertidas e intrigantes historias de vida que já vi. Sombria, cruel, triste e sádica. Realmente me interesso por ela. Onde quer chegar?

– Então que tal isso: você traz Mary Worth até mim e em troca eu lhe dou as memórias de Dolores. Todas elas. Você vai poder vê-las e revê-las como se fossem um filme de sua vida. Eu diria que temos um preço e um pagamento balanceados aqui, não?

– Me parece um bom trato – disse ele satisfeito. – Nós fechamos negócio, meu jovem – ele parecia pronto para partir.

– Agora, vamos à segunda proposta – falei, surpreendendo-o.

– Estou ouvindo – Xólotl mostrava interesse por um segundo acordo.

– A pessoa de quem você pegará as memórias de Dolores é alguém de extrema importância para mim.

– Imagino que deverá ser triste ver alguém importante ficar tão debilitado física e mentalmente como este ficará depois que eu levar as memórias.

– Eu ainda não terminei. O que eu quero que faça é que não deixe que ela veja as lembranças de Dolores quando as retirar de seu subconsciente.

– Ela? Então trata-se de uma garota?

– Como eu disse, não lhe devo satisfações. Só faça com que ela não as veja.

– Quer que eu prive a mim mesmo de sentir o prazer de ver minha vítima definhando? Cobrarei caro por isso. O que eu ganho em troca?

– Antes, me responda: do que os deuses mais gostam? – perguntei, mesmo já sabendo a resposta.

– Colecionar – Xólotl respondeu prontamente. – Na coleção de um deus são encontrados componentes como itens mitológicos, artefatos mágicos, objetos históricos, oferendas de alto valor e afins. Quanto maior e mais valiosa é a coleção de um deus, mais respeitado ele é. O nível da coleção define o seu status. Eu, por exemplo, tenho posse de uma ilustre, majestosa e inigualável senhora coleção de todos os itens que citei, do mais alto nível – disse ele, orgulhoso. – Por que pergunta?

– Já ouviu falar de algum deus que tivesse uma alma em sua coleção?

– Nunca vi coisa parecida.

– O que acha de ser o primeiro? Pense bem: você seria respeitado por todos os outros deuses, o nível de sua coleção seria inatingível, tenho certeza de que nenhuma outra alma se submeteria a esse tipo de coisa. Esta é uma chance única. Se fizer o que estou pedindo, pode me levar e me fazer parte de sua coleção.

– Você é bom negociante, rapaz – vou tomar isso como um elogio.

– Anos e anos de prática. Temos um acordo?

– Feito.

Flashback OFF

Scout’s POV

Enquanto eu tentava entender tudo aquilo, senti algo escorrer por uma de minhas bochechas. Uma lágrima que tratei logo de secar antes que ele a percebesse rolando rosto abaixo.

– Você se sacrificou por mim?! – foi a única coisa que consegui dizer enquanto afastava o edredom e me levantava. Ele ficou calado. – Por que você fez isso?! Por que estabeleceu um contrato que acabasse com o nosso?!

– Você preferia que eu te usasse como um objeto ou uma putinha qualquer pra me dar prazer?

– É claro que não... – eu só estou desesperada diante da possibilidade de nunca mais te ver e de saber que você será mantido em cativeiro pela eternidade, completei mentalmente. – Eu só não entendo por que você tá fazendo isso sendo que o único motivo de você ter me ajudado foi por causa desse contrato, não faz sentido você joga-lo fora agora.

– Sobre isso... – ele abaixou a cabeça e virou para a janela novamente. – Pode ser que esse não tenha sido o único motivo...

– Como assim?

– Só um segundo, tô pensando em como colocar em palavras o que eu quero dizer – disse ele, coçando a cabeça em um gesto de nervosismo. – Ok, inicialmente eu não queria nada com você além de foder. Não me entenda mal, eu ainda quero – Andy, você precisa aprender a selecionar melhor suas palavras. – Mas não é só isso o que eu quero.

– Estamos falando de sadomasoquismo?!

– Não! Não foi nesse sentido que eu falei! Não me interrompa, eu tô tentando me abrir aqui, caramba! – disse ele, num misto de perplexo com nervoso e virando-se para me olhar nos olhos. – Durante esse tempo que passamos juntos, apesar das circunstâncias, eu senti alguma coisa por você! E eu tô enlouquecendo pensando nisso, porque é algo novo pra mim! Eu não sei se existe alguma coisa boa em mim, mas se há, pode ter certeza de que foi você quem a colocou lá, e acredite ou não, eu gosto da sensação. Eu tinha que fazer alguma coisa, eu não podia ver você se sacrificar sem fazer nada! Era por isso que não estava tudo bem em entregar suas memórias a Xólotl, eu não falei nada naquela hora para não me mostrar fragilizado num momento daqueles! E eu realmente não tenho idéia de como se deve dizer isso, mas o que eu to tentando dizer é que eu... Eu te amo, Scout!

Outra lágrima escorreu de meus olhos por minhas feições surpreendidas e mais alegres do que nunca ao ver seus lábios pronunciarem aquelas palavras. Eu quis tanto que ele as dissesse, e finalmente ele as disse!

Corri até ele e juntei nossos lábios, iniciando um beijo calmo e necessitado, repleto de ternura, urgência e amor, eu passando minha mão em seus cabelos escuros e macios e por sua nuca e ele me envolvendo com seus braços, mantendo nossos corpos colados.

Nos separamos e devagar abri os olhos, encontrando aquelas lindas e profundas orbes azuis encarando-me de volta com o olhar mais doce que eu já vira.

– Eu te amo, Andy – disse, abrindo um sorriso largo e sincero que ele me retribuiu. – Nós vamos achar um jeito de te tirar dessa.

– Eu não estou tão certo disso – ele sorriu tristemente. – É impossível interferir num contrato selado com um deus. Agora é só uma questão de tempo – engoli em seco.

Não podia ser verdade. Ele não podia dizer todas essas coisas e simplesmente ir embora! Tinha que haver um jeito de consertar as coisas.

– Quanto tempo até Xólotl vir cobrar o contrato de vocês? – perguntei com a voz falhada devido ao nó que se formara em minha garganta.

– Até hoje à noite – respondeu Andy.

– É tempo suficiente pra pensarmos em algo – eu não ia desistir dele.

– Não perca seu tempo. Não há nada que possamos fazer.

– Sugere que eu fique sentada de braços cruzados esperando aquele vira-lata vir e te levar embora? – não dei a ele chance de responder e arrematei: – Você já me salvou muitas vezes, Andy. Agora é a minha vez de te salvar.

Notas finais
E fim.O que acharam dos caps de hoje?Me deram um baita trabalho pra escrever, espero que voces tenham gostado XP'Vocês já sabem: reviews, sugestões, críticas, opiniões, estou aguardando-as :3Até o próximo capítulo ^^Beijos s2Nyuu-chan :3