Verdade Ou Pesadelo
29 I'm Yearning for You
Notas iniciais
– O QUE ACONTECEU AQUI?! — me alterei diante da cena.
A lavanderia era um verdadeiro mar de espuma do qual água só não havia transbordado para fora da lavanderia por causa da escadinha de três degraus que havia depois da porta, o que fazia com que esta ficasse acima do nível do chão.
– E se eu disser que o Homem Sabão travou uma batalha com o Homem Tsunami bem aqui? – really, Andy?
– Me ajuda a desligar as máquinas! – disse, descendo um dos degraus e afundando meu tornozelo na água fria. Andy fez o mesmo.
Espera, eu disse “Andy fez o mesmo”? Eu quis dizer “Andy TENTOU fazer o mesmo”.
– ÊPA – pude ouvi-lo dizer. Ele pisou em falso e caiu, e como se não bastasse, me levou junto. Agora estávamos os dois caídos em meio a água e a espuma, ensopados do umbigo pra baixo. Encarei-o com um olhar assassino. – Você ainda não vai me matar, né? – ele quis confirmar, sorrindo torto.
– Se você continuar aí sentado, vou – ameacei, e imediatamente ele levantou-se e foi até as máquinas, tateando a região dos botões e apertando o OFF. Eu fiz o mesmo nas outras.
– Como vamos arrumar essa bagunça? – perguntou ele após termos desligado todas as máquinas.
– Temos que pegar baldes e esfregões, vai demorar um século pra toda essa água escoar pelo ralo. Vamos até o depósito, ou o que tiver sobrado dele – comandei.
Saímos da lavanderia e fechamos a porta. Quando fomos subir a escada fomos barrados por ninguém mais ninguém menos do que, rufem os tambores, a freira que nos havia dado a lista de tarefas. A mesma que nos obrigou a cortar a grama. E que teve sua leitura interrompida por Andy quebrando o vaso na capela.
Maravilha, era só o que me faltava.
– Ah, olá de novo Scout e Akira – ela nos cumprimentou. – Suponho que as roupas de cama estejam na máquina já que estão saindo da lavanderia, estou certa?
– As roupas de cama? Sim, claro, estão cheirando à jasmim! – tentei disfarçar. – Mas e a senhora? O que vai fazer na lavanderia?
– Deixei algumas roupas lavando, vim dar uma olhada nelas – falou, descendo o primeiro degrau.
– N-NÃO! – Andy se colocou em sua frente.
– Perdão? – ela olhava Andy confusa.
– É que a lavanderia está... Bem, ela está... – além de péssimo ator, é péssimo mentiroso.
– Cheia de ratos – me precipitei e disse a primeira coisa que me veio à mente.
– Ratos?! – repetiu a freira, num misto de nojo com horror.
– Na verdade, ratazanas – continuei com a lorota.
– Se há ratazanas na lavanderia eu devo averiguar a situação! – prontamente ela agarrou a saia de suas vestes e levantou-a para que pudesse descer a escada com mais rapidez.
– Não! – Andy barrou-a novamente. – Esses bichos são imundos, você pode acabar pegando uma doença, irmã... Qual o seu nome mesmo?
– Isabel. Acho melhor a senhorita ir ver Clarice, que, caso não se lembre também, é a enfermeira, peça para ela diagnosticar a situação da sua memória. Voltando ao assunto, sugere que eu deixe esses bichos perambularem pela lavanderia? – perguntou ela. – À propósito, por que estão molhadas? – só agora ela havia notado?
– A mangueira de uma das máquinas se soltou e começou a esguichar água em nós duas – disse Andy.
– Céus! Saia da frente, Akira, preciso ver o estado desse lugar – num segundo ela afastou Andy para o lado e terminou de descer a curta escada.
Isabel abriu a porta e nem pensou duas vezes antes de entrar.
– Mas o que- AAH! – ela escorregou no primeiro degrau e caiu no meio de toda aquela espuma, sumindo por um momento. – VOCÊS! – gritou, tentando se levantar e vir pra cima de nós, porém novamente escorregando e caindo.
– Estamos ferrados? – Andy me perguntou num sussurro.
– Ainda não me decidi entre ‘sim’ ou ‘com certeza’.
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– Muito bem, senhoritas, só sairão daqui quando essa lavanderia estiver brilhando! – decretou Isabel, entregando-nos dois esfregões. Agora que já havíamos retirado toda a água com o auxílio dos baldes e despejado-a no tanque, teríamos que nos encarregar de toda aquela espuma.
– Em quantas furadas mais você pretende me colocar, General Estupidez? – perguntei à Andy.
– Veja pelo lado bom, com tanta espuma não vai ser difícil deixar tudo brilhando – ele tentou amenizar a situação.
– Depois que terminarem aqui, esqueçam aquela lista de tarefas. Do jeito que as coisas vão, cada punição concedida a vocês duas será um desastre maior que o anterior – disse Isabel, deixando a lavanderia.
Após longas 2 horaas, terminamos de limpar a lavanderia.
– O que fazemos agora? – me perguntou Andy enquanto colocava o balde com os dois esfregões num canto da lavanderia.
– Você eu não sei, mas eu vou tomar outro banho, já que agora eu estou cheirando a sabão em pó Ariel – respondi.
– É Omo – me corrigiu a praga.
– Omo, Ariel, Linguado, não importa, só quero tirar esse cheiro de sabão em pó de mim – dei de ombros e saí da lavanderia.
Novamente passei no meu dormitório para pegar uma troca de roupas e me dirigi ao banheiro feminino. Entrei e fechei a porta.
– Paz e sossego – suspirei.
– Cheguei.
– Falei cedo – murmurei para mim mesma. – O que você quer, Andy?
– Me pareceu uma boa ideia tomar um banho, eu também estou cheirando à sabão em pó – ele entrou, fechou novamente a porta e me encarou. Deus, como podem caber tantas segundas intenções numa única expressão?!
– Eu já disse, com a aparência da Akira não tem a menor chance de você conseguir fazer qualquer coisa comigo – relembrei.
– Eu posso me conformar em só apreciar a vista – Andy passou por mim, pegou uma toalha na prateleira e seguiu em direção aos boxes. – Você não vem, ruiva? – ouvi o eco de sua voz perguntar.
Respirei fundo, peguei uma toalha também e o segui. Deparei-me com Andy se despindo de sua camiseta e jogando-a num canto qualquer.
– Não vai tirar a roupa? – perguntou ele.
– Não com você aí me olhando – respondi.
– Não me obrigue a tira-la para você – ele ameaçou.
– Não tente fazer nenhuma gracinha! – avisei-o.
Ele não respondeu, apenas se desfez de sua calça e, do mesmo jeito que fez com a camiseta, jogou-a em algum canto. Agora vem a parte que eu estava temendo: tirar a lingerie. Andy começou pelo sutiã, porém não conseguia nem ao menos abrir o feixe. Inclinava-se para frente num tipo de contorcionismo e tentava guiar-se pelo espelho para solta-lo, sem sucesso.
– Como vocês mulheres conseguem usar isto?! Incomoda e não é nada prático!
– Ofende-lo não é a melhor tática para tirá-lo – zombei, segurando a risada.
– Muito engraçado! Quem é você? O Patati ou o Patatá? Vem me ajudar logo! – apressou ele.
– Tá bom, tá bom, to indo – pendurei a toalha na porta de um dos boxes e fui até Andy. Desprendi o feixe e ele retirou o sutiã
– Uoooooou, eu tenho peitões! – Andy parecia entretido apalpando os seios de Akira e brincando com eles, cena que eu preferia não ver, então aproveitei para ir de fininho até um dos boxes. Entrei e só me despi lá dentro, jogando minhas roupas para o lado de fora por cima da porta de vidro com pouca transparência e visibilidade.
– Agora sim, paz e sosse-
– Achou que fosse escapar de mim, né? – uma asiática nua, no caso, Andy, entrou no mesmo box que eu.
– AAAAAAH! SAI DAQUI, ANDREW! – tentei esconder com as mãos, roxa de vergonha.
– Para de ser fresca, vamos tomar banho juntos – até o sorriso inocente de Akira se torna pervertido quando seu autor é Andy.
– Isso tá parecendo um filme pornô lésbico! Sai logo daqui, vai pra outro box!
– E que tal assim? – como que num passe de mágica, Andy retomou sua aparência masculina.
– V-Você pode fazer isso?!
– Na verdade não – disse ele. – Você está vendo o que eu quero que veja. Estou fazendo você ver por trás da Akira, afinal eu ainda sou eu. Vamos deixar as explicações pra depois, o que acha de continuarmos de onde paramos da outra vez? – Andy encostou-me na parede de azulejos frios do box e passou os braços em volta da minha cintura, descendo-os lentamente.
– Me solta, seu- – não pude terminar a frase, os lábios de Andy nos meus me impediam de dizer qualquer coisa.
Com suavidade, ele pressionou a língua macia em meus lábios, pedindo passagem. E eu concedi. Por que eu concedi?! O que estava acontecendo comigo afinal de contas?!
Levei uma das mãos até sua nuca e arrisquei um cafuné. Em seguida, entrelacei uma das pernas no quadril de Andy, que agarrou-a. Era como se meu corpo de movesse sozinho, naquele momento eu não tinha controle algum sobre mim.
Eu podia sentir a excitação de Andy em minha intimidade, não havia nada impedindo o contato entre elas. Suspirávamos e nos permitíamos carícias ousadas.
Andy desceu uma das mãos até o meio de minhas pernas, começando a massagear aquele local tão delicado e úmido, fazendo com que eu interrompesse o beijo e soltasse alguns gemidos e suspiros de prazer.
What the fuck am I doing?!
Andy’s POV
Essa garota consegue me fazer perder o controle! Eu a desejava mais do que tudo, mas ao mesmo tempo me preocupava se ela sentiria dor.
O que acontece comigo?! Desde quando Andrew Campbell se importa em como sua parceira se sentirá?! Ou com qualquer outra coisa que não seja seu próprio prazer?!
Talvez fosse porque aquela não era uma simples “parceira”, era a Scout, e eu não sei exatamente o porquê, mas eu não queria machuca-la de jeito algum, e eu sabia que a primeira vez de uma garota virgem não era a mais agradável de todas.
Parei de massagear sua intimidade de introduzi dois dedos nela, como um tipo de preparação para o “invasor” que estava prestes a adentra-la, porém não consegui manter essa técnica por muito tempo, seus gemidos ao pé de minha orelha estavam me deixando louco, eu precisava dela!
Dobrei um pouco os joelhos e posicionei-me. Vendo que ela estava nervosa, tentei acalma-la:
– Relaxe – sussurrei em seu ouvido. – Não vou te machucar – tentei passar confiança e beijei-lhe de leve o pescoço.
Comecei a penetra-la devagar. Eu teria ido até o fim, se aquela garota não tivesse aparecido. Eu devo mata-la ou tortura-la antes?
Scout’s POV
– Scout? Akira? Vocês estão aí- AIMEUDEUS! É o que eu estou pensando?! – eis que surge a salvadora da pátria, Erika Johnson.
– E-Erika! – rapidamente afastei Andy. Erika devia estar vendo-o como Akira.
– Eu não acredito! Vocês são lésbicas?! Akira, como pôde me esconder isso durante todo esses anos?! – Erika parecia surpresa, chocada e ao mesmo tempo um pouco intrigada.
– N-Não! Não é o que parece! – tentei explicar. Em todos os sentidos da frase, aquilo não era o que parecia.
– Qual é, gente, não precisam esconder de mim – disse ela.
– Não estamos escondendo nada! – exaltei-me.
– Claro, claro. Desculpa a interrupção, já estou saindo. Nos vemos depois – Erika saiu do banheiro e fechou a porta, deixando-nos sozinhos novamente.
– Minha colega de quarto pensa que sou lésbica. Satisfeito? – olhei torto para Andy.
– Que eu me lembre, você também teve parte nisso, não culpe só a mim – defendeu-se ele.
– Não interessa, sai daqui e vai pra outro box – disse eu.
– Deixa eu tomar banho com você, pelo menos? – pediu Andy, fazendo cara de cachorro abandonado.
– Sai logo – falei, firme.
– E se eu não quiser? – subestimou-me ele.
– Então eu saio – falei, em seguida pegando a toalha que pendurara na porta do box e abrindo a porta de vidro, dirigindo-me para o box ao lado.
Graças a Deus Andy permaneceu no outro box, acho que ele havia entendido. O ouvi suspirar e logo depois ligar o chuveiro. Fiz o mesmo e entrei embaixo da água quente.
Eu me sentia estranha e confusa. Mesmo que Erika não tivesse aparecido eu provavelmente teria me encarregado de nos interromper. Por que toda vez que eu e Andy chegávamos tão perto algo tomava conta de mim e fazia com que eu desistisse? O que era aquilo?
“Talvez, medo?” – as palavras de Mary vieram à tona, porém tratei de afastá-las imediatamente.
Tomei uma ducha de não mais do que 10 minutos, afinal eu havia me lavado há pouco tempo, só precisava tirar o cheiro de sabão em pó do corpo. Dez minutos pensando sobre o que acabara de acontecer e relembrando cada detalhe, cada toque, cada suspiro.
Não sei como, mas ele me passara tanta confiança.
Dessa vez havia sido diferente, havia algo a mais. Não foi só vontade, não foi só um gesto safado, dessa vez houve carinho e ternura emanando de Andy. Me entreguei de primeira, não tentei evita-lo. Eu sentia como se eu confiasse cada vez mais nele, e algo nele em relação a mim havia mudado também.
Sequei-me e vesti-me rapidamente antes que Andy terminasse e saísse também.
Fiquei esperando-o do lado de fora do banheiro, e não demorou muito para que ele aparecesse, agora como Akira.
– O que fazemos agora? – perguntou-me.
– São 12:10pm – respondi, olhando no visor do celular e guardando-o de volta no bolso da calça que havia vestido. – O almoço já começou a ser servido, e eu estou faminta.
– Ótima ideia! RANGO! – pelo visto, não só eu.
– Comporte-se como uma menina enquanto parecer com uma, pode ser? – o repreendi.
– Como você é chata.
– Vamos logo para o refeitório, antes que alguém confunda o ronco da minha barriga com um monstro – falei por fim, dando um tapinha amigável no ombro de Andy, e assim seguimos para o refeitório.
–---------
Depois de um dia todo seguindo o cronograma do orfanato, finalmente o sino da capela soou às 8:30pm, anunciando o toque de recolher. Enquanto as irmãs recolhiam as crianças, eu e Andy nos dirigimos ao nosso dormitório junto à Erika, que aliás nos perseguira o dia todo com perguntas referentes ao ocorrido no banheiro.
– Sério, como vocês puderam me esconder que estavam tendo um caso?! – Erika ainda estava indignada.
– Nós NÃO estamos tendo um caso, Erika – repeti pela milionésima vez no dia. – Eu já disse, você com certeza viu algo errado, o vidro da porta do box quase não tem visibilidade e estava embaçado, não se pode ver claramente através dele, principalmente de longe. Nós só estávamos tomando banho juntas, questão de economia de água.
– Admita, vocês estavam fazendo muito mais do que economizar água naquele box – disse ela, maliciosa.
– Que tal vocês duas continuarem debatendo sobre isso amanhã? – sugeriu Andy. – Estou morrendo de cansaço, meu corpo está todo dolorido.
– Também, depois de passar horas cumprindo aquelas punições é o mínimo que se espera – falou Erika. – Você não costuma ser desatenta, Akira. O que deu em você hoje?
– Não dormi direito noite passada, acho que foi o sono – disse Andy.
– O sono te fez inundar a lavanderia e demolir metade do depósito? – perguntou Erika, descrente.
– Que coisa, não?
– Estranho... Mas vindo de você, "estranho" é o mínimo que se espera mesmo – ela deu de ombros e terminou de vestir a blusa do pijama. – Boa noite, vocês duas. A última a deitar apaga a luz – ela deitou-se na cama do meio, se cobriu e fechou os olhos.
Andy vestiu-se e deitou-se na cama da parede, porém me encarava à espera de que eu começasse a trocar de roupa também.
Andei até a porta e desliguei o interruptor, transformando o dormitório num completo breu e aproveitando o escuro pra poder me vestir com privacidade.
– Ah, qual é! – ouvi Andy dizer baixinho para não acordar Erika.
Já vestida, deitei-me em minha cama e fingi estar dormindo.
Não demorou muito para que uma das irmãs viesse se certificar de que estávamos dormindo. Depois de alguns minutos, quando todos já haviam ido dormir, estendi o braço e acendi o abajur da mesinha de cabeceira.
– Pronto? – perguntei à Andy.
– Estaria mais preparado se pudesse ter desfrutado de um strip-tease há pouco – respondeu ele, insatisfeito.
– Que bom. Vamos logo, antes que a Erika acorde – apressei-o, apagando o abajur novamente.
Saímos sorrateiramente do dormitório e fechei a porta com delicadeza, tentando fazer a menor quantidade de ruídos possível.
Hora de pegar a faixa de Mary.
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