Notas iniciais
Oii leitores o/

To postando o capítulo mais cedo porq, bem... Porq eu ja terminei de escrever e não aguentei esperar XP

Ficou um pouco grande, mas tá aí ^^

Adiante queridos e queridas o/

[Pi... Pi... Pi...]

O despertador de Scout anunciava 7:00am. Hora de levantar. Scout se esticou para espantar um pouco a preguiça e conseguiu coragem o suficiente para sair da cama. Foi até a suíte de seu quarto, fechou a porta e começou a se despir enquanto a banheira enchia.

Ela sempre levava seu celular para o banheiro quando ia tomar banho e colocava uma playlist para tocar. Selecionou algumas músicas, apertou o play, colocou o celular em cima do gabinete e fechou a torneira que derramava água na banheira já cheia.

Scout afundou o corpo na água quente, fechou os olhos e começou a lembrar do sonho que teve na noite passada. Aliás, faziam alguns dias que ela vinha sonhando com a mesma coisa.


Flashback ON


– Aqui, Scout – chamava a mesma voz infantil de sempre.

Scout estava num lugar rodeado por mato, e à sua frente estava um enorme prédio atrás de dois muros altos e com arames farpados no topo e um grande portão largo separando os muros. Depois do portão ainda havia uma grande área gramada com árvores magras e quase sem folhas que o vento forte fazia balançar. Pendurada no portão estava uma placa onde lia-se Orfanato East Village. Exatamente no meio do gramado havia um grande caminho de pedra que levava até a porta do prédio. Ainda não havia anoitecido, mas o céu já estava ficando escuro. Scout não se lembrava como ela tinha ido parar lá, mas ela estava ocupada demais analisando cada detalhe da paisagem sombria à sua frente para pensar nisso.

Ela começou a caminhar em direção à entrada, e quando chegou a poucos metros de distância do portão, ele se destrancou sozinho e começou a abrir lentamente, fazendo um rangido pesado.

– Entre – convidou a voz infantil, e Scout seguiu o som, como sempre.

Ela atravessou o portão, olhou em volta e viu que ainda havia uma grande área que os muros escondiam da vista de quem olhava de fora. Do lado direito, bem perto do muro, havia um playground com dois balanços, duas gangorras e um gira-gira. O vento balançava de leve os dois balanços descompassadamente e mexia as folhas caídas no chão.

Scout seguiu pelo caminho de pedra e chegou à entrada do prédio. Uma porta alta de madeira escura que ficava no centro da parte da frente do prédio se destrancou sozinha, assim como o portão.

Ela ouviu o eco de uma risada de criança vindo do outro lado. Se aproximou da porta e empurrou-a, mas viu tudo escuro lá dentro, exceto pela parte que ficava mais perto da porta, porém ela só conseguia ver uma parte pequena do chão de tábuas de madeira iluminada pela luz externa. Ela deu alguns passos para dentro do prédio e ouviu a porta bater violentamente atrás de si. Ela tentou voltar e forçar a porta, mesmo sabendo que de nada adiantaria.

– Continue, Scout – chamou a voz, fazendo Scout parar de balançar a maçaneta. – Você já está quase lá.

Scout olhou pra trás, mas não viu ninguém. Óbvio que não viu ninguém, a única coisa que ela conseguia ver era a escuridão. Ela tirou do bolso o isqueiro que sempre levava consigo e acendeu-o, iluminando parcialmente o ambiente. Ela estava num corredor largo de paredes cinzas, nas quais residiam várias rachaduras e falhas na pintura; o corredor que Scout estava era interligado à vários outros, e no final havia uma escadaria. Parecia um labirinto assombrado.

Ela andava devagar pelo corredor, prestando atenção a cada ruído, segurando o isqueiro à sua frente. De repente ela sente como se algo passasse rapidamente bem ao seu lado. Ela direciona o isqueiro para a sua esquerda e consegue ver uma sombra indo rapidamente em direção a um dos corredores paralelos ao que Scout estava.

Scout segue o vulto e entra no corredor, que tem as mesmas características que o corredor que estava agora há pouco, porém esse era menor e mais estreito.

Ela continuou andando até chegar ao final do corredor, onde encontrou outra escadaria. Subiu 3 lances de escada e foi parar em outro corredor, porém esse tinha muito mais salas do que os outros, e na porta de cada uma havia uma placa.

Scout parava para ler as placas. Na primeira placa, lia-se:

“Dormitório 1: Rosally Tyler, Christina Roberts, Stephannie Collins”

Então não se tratavam de salas, eram quartos, aquele era o andar que começavam os dormitórios das crianças que viviam naquele orfanato, provavelmente as placas indicavam quem dormia em qual dormitório.

Scout lia com atenção cada placa, mas uma delas fez com que seu coração parasse por um momento. Ela ficou parada na frente da porta lendo e relendo mil vezes a placa.

“Dormitório 6: Stella Parker, Sarah Evans, Mary Worth”

Mary Worth.

Não era a menina da história da Amanda? Aquilo não era só uma história? O que estava acontecendo ali? Por que o nome de Mary Worth estava na placa? Ela vivera ali durante a infância? Mas então a história que Amanda contara não fazia sentido, pois ela não precisava sair do orfanato para ir à escola, ela devia estudar lá mesmo, não é?

De repente a maçaneta da porta começa a mexer e a porta começa a balançar como se alguém a estivesse forçando sem parar. Scout se assusta e deixa o isqueiro cair no chão, fazendo com que ele se apague.

Quando Scout se vê novamente no escuro, a porta para de balançar e a maçaneta para de mexer. Ela ouve o som da tranca da porta girando, alguém estava destrancando a porta. Ela começa a procurar o isqueiro no chão desesperadamente pra poder sair dali, afinal ela não ia conseguir achar a saída naquele breu. Quando Scout encontra o isqueiro, ela tenta acendê-lo, mas não adianta, o isqueiro teimava em não acender. O som da maçaneta girando intensifica o medo e o desespero de Scout.

– Acende! Acende, droga! – ela dizia com a voz chorosa, mas nada do isqueiro acender.

De repente Scout fica paralisada: a porta estava abrindo. E tinha algo saindo de trás dela. Scout se pressionou contra a parede e tampou a boca com as mãos trêmulas. Tinha alguém ali, bem na sua frente, saindo de trás da porta. Mesmo no escuro ela conseguia ver uma silhueta vindo engatinhando em sua direção como se estivesse tendo espasmos nervosos por todo o corpo. Ela queria levantar e sair correndo dali, mas suas pernas estavam duras, pareciam pesar 2 toneladas cada uma.

A silhueta estava a centímetros de distância do rosto de Scout, o que a permitiu ver os cabelos negros e lisos caídos sobre o rosto. Quando a coisa levantou o rosto e olhou para Scout, ela viu um rosto aparentando estar em decomposição, com rachaduras na pele e dois buracos que pareciam não ter fundo no lugar dos olhos, pelos quais escorria um filete de sangue que manchava suas bochechas.

Scout fechou os olhos com toda a força que tinha, na esperança de que quando abrisse ela estaria em outro lugar, bem longe dali. Quando abriu os olhos, não viu nada. Não tinha mais nada ali, tinha ido embora. Ela respirou fundo tentando se acalmar e colocou o isqueiro no bolso da jaqueta.

Quando Scout virou o rosto para o lado, deparou com a face deformada gritando a milímetros de seu rosto.

– AAAAAH! – Scout gritou, e por incrível que pareça ela conseguiu raciocinar rápido o suficiente pra levantar e começar a correr. Ela acendeu o isqueiro para tentar achar o caminho de volta, quando lembrou que a porta pela qual entrou estava emperrada. Ela tinha que achar outro jeito de sair dali. Devia ter alguma saída de emergência, aquele lugar era enorme, não podia ter só uma entrada. Scout foi iluminando as paredes procurando por alguma placa que indicasse “saída de emergência”, até que achou uma, indicando uma saída no final do corredor. Ela correu até uma porta simples no final de um dos corredores, saiu do prédio e bateu a porta. Já estava de noite.

Scout estava pronta pra correr de volta ao portão e sair dali, quando se depara com o playground que mais cedo viu de longe, e sentada em um dos balanços estava a garota.

Scout deu a volta por trás do prédio e conseguiu ver o portão lá longe ainda aberto. Correu o máximo que pôde, e quando faltava pouquíssimo para que ela alcançasse o portão, ele fechou-se bruscamente.

– NÃO! – Scout balançava o portão tentando fazer com que ele abrisse. Aquele era seu fim, ela tinha certeza disso, até que o portão abre e ela cai na grama.

Scout se levanta e olha em volta, o orfanato sumiu, agora ela estava... No cemitério Morgantown?! O que diabos ela estava fazendo ali?! E onde estava o tal Andrew Campbell? Não era pra ele estar guardando a entrada do cemitério? Ela olhou para os lados e não viu ninguém.

– Aqui, Scout – chamou a voz da garota, vindo de dentro do cemitério.

Scout começou a adentrar o cemitério, que era pelo menos cem vezes mais macabro por dentro do que por fora. Ela caminhava por entre as lápides sem saber o porquê de estar fazendo aquilo, mas alguma coisa parecia estar guiando ela a algum lugar. Uma lápide em especial lhe chama a atenção, e Scout caminha até ela. Na lápide via-se:

“Mary Worth 1908 – 1917”

Scout fica boquiaberta por um momento, e de repente uma mão sai do solo e agarra seu tornozelo.


Flashback Off


Tudo o que Scout lembrava era de ter acordado gritando e suando em sua cama depois desse sonho. A primeira vez que sonhou com esse orfanato fora há 4 dias. Desde então, todas as noites têm sido iguais: o mesmo pesadelo, Scout acorda gritando, e sua mãe tem cada vez mais certeza de que sua filha é perturbada.

– Scout! Vamos nos atrasar! – gritava o pai de Scout de dentro do closet de seu quarto, que era de frente para o quarto de Scout, enquanto ajustava o nó da gravata. Ele viajaria à trabalho e ficaria fora durante uma semana e 3 dias. O novo emprego na área de montagem industrial faria com que ele viajasse bastante dali em diante.

Scout olha as horas no celular e vê que já são 7:30am. Ela tinha perdido tempo demais lembrando daquele sonho, seu pai estava certo, ela precisava se apressar. Saiu da banheira, se vestiu o mais rápido que conseguiu, parou a música e desceu para a cozinha.

– Bom dia – cumprimentou sua mãe. – É raro você demorar no banho, aconteceu alguma coisa? – perguntou ela, entregando uma caneca de café com leite para a filha.

– Não to me sentindo bem, não quero comer nada – disse Scout, afastando a mão de sua mãe.

– Se você não colocar alguma coisa no estômago vai passar mal – respondeu sua mãe.

– Não vou não, eu compro alguma coisa pra comer na escola quando eu estiver melhor.

– Vou buscar um comprimido pra você – disse sua mãe, colocando sua xícara de café preto em cima do balcão para ir até o quarto pegar a nécessaire na qual ela guardava todos os remédios.

– Não, mãe – Scout entrou na frente da mãe. – Não precisa, eu tomo o café com leite, já to melhor – disse ela. Ela não queria que sua mãe achasse que além de perturbada ela sofria de algum distúrbio alimentar.

– Tem certeza?

– Claro, eu to bem, vou ficar melhor depois de comer alguma coisa.

– Se você diz – sua mãe a olhava com desconfiança. – Sua primeira consulta no psicólogo é amanhã, esteja pronta às 8:30am.

– Eu não preciso de um psicólogo, mãe – Scout não gostava da idéia de chegar num consultório, sentar num sofá e se abrir com um homem que ela nem mesmo conhecia, contar para um estranho tudo o que tem acontecido, coisas que ela não havia dito nem à Taylor, ela não estava nada à vontade com essa história de psicólogo.

– Eu só acho que ele pode te ajudar a melhorar.

– Melhorar de que? Eu to super bem, não preciso de ninguém pra me ajudar a “melhorar” – respondeu Scout.

– Você chama isso de bem? – disse sua mãe. – Scout, olhe bem pra você! Você percebeu como vem agindo estranho desde aquela noite em Manhattan? Você se afastou de mim e do seu pai. Éramos tão próximos antes, tão unidos, e agora o que somos?

– Eu não me afastei, eu só queria um tempo sozinha pra colocar as ideias em ordem, tentar superar tudo, mas você não me dá um tempo, você tinha que marcar um psicólogo logo de cara! Você acha que vai me ajudar assim? Acha que eu não consigo superar o que aconteceu em Manhattan sem a ajuda de um psicólogo? Por que você não me deixa tentar primeiro? – Scout levantou da mesa e levou sua caneca até a pia.

– Não é isso, Scout! – disse sua mãe. – Você não ve como eu estou preocupada com você? Você nem me dá mais bom-dia, toma café-da-manha sem nem olhar pra mim ou pro seu pai, e quando chega da escola se tranca no quarto e só sai no dia seguinte. Como você acha que eu me sinto, como mãe, ao ver minha filha assim? Acha que eu não percebo que você não tá nada bem?

– Mãe, eu sei que a senhora tá fazendo de tudo pra me ver bem, e eu te agradeço muito por isso, mas psicólogo não é algo que vá me ajudar – respondeu Scout.

– Vamos indo, Scout, depois você e sua mãe terminam essa conversa – o pai de Scout descia as escadas, colocando o paletó às pressas.

– Te vejo depois da escola – disse Scout, pegando sua bolsa e indo para o carro do pai.

Ela chegou na escola 8:00am, todos já se dirigiram para suas respectivas salas. Enquanto Scout fazia seu caminho até a sala de matemática, Taylor a surpreende:

– Achei que você não fosse aparecer – disse ela, assustando Scout.

– Chega de sustos pra mim por um tempo, por favor Taylor – disse Scout. – Eu tive uma discussão com a minha mãe e acabei me atrasando.

– Tem certeza de que foi só isso? Porque, pela sua cara, parece que você não dormiu a noite inteira.

– Eu... Sofro de insônia – mentiu Scout. – Vai ter que se acostumar com a minha cara de sono.

– Tudo bem, vamos logo pro período de matemática – disse Taylor.

Scout realmente devia estar com uma aparência horrível. Desde que havia chegado de Manhattan não dormia direito, e depois que os pesadelos começaram ela passou a não dormir nem três horas por noite. Aqueles sonhos estavam deixando Scout louca. Às vezes ela tinha alucinações com a tal garota mesmo quando estava acordada. Aquilo já era rotina. A cada dia que passava Scout começava a acreditar mais na opinião de sua mãe sobre sua saúde mental.

O dia na West Virginia foi normal, não houve nada realmente intrigante, foi um dia como outro qualquer, e novamente não havia sinal de nenhum dos garotos do cemitério.

Como o pai de Scout estava viajando, ela teria que voltar à pé para casa. Despediu-se de Taylor no final do dia e seguiu caminho para casa, 15 minutos de caminhada e estava na rua de casa.

Abriu a porta de sua casa, entrou, jogou a bolsa no sofá como sempre fazia e gritou:

– Voltei, mãe!

Silêncio.

– Mãe? – Scout chamou de novo. Não houve nem um ruído. – A senhora tá em casa?

Scout começou a andar pela casa procurando pela mãe. Ela não estava na sala, nem na cozinha, nem na área de serviço.

– Mãe, você tá aí em cima? – perguntou Scout enquanto subia as escadas.

Ela olhou no quarto da mãe, no banheiro da mãe, na sacada, nada. Só restava o quarto de Scout.

– Mãe? – Scout chamou e abriu a porta do quarto. Ela ficou muda. Sangue. Havia sangue respingado no chão do quarto. Scout estava rezando para não ser o que ela estava pensando. – Mãe...? P-por favor, mãe... Esteja bem... Esteja bem... – Scout repetiu isso baixinho como se estivesse rezando.

Ela andou devagar até a porta fechada do banheiro. Ficou alguns segundos encarando a porta e finalmente conseguiu reunir forças para abri-la.

Havia sangue por todos os lados, e na banheira o corpo nu de sua mãe mergulhado numa água vermelha, que adquirira aquela cor devido ao sangue derramado nela. Seu rosto estava igual ao de Amanda: sem olhos; e sua garganta cortada de uma ponta à outra, um corte fundo, fazendo com que o pescoço ficasse pendurado para o lado.

– AAAAAAAAAH! – Scout gritava e chorava compulsivamente. Ela fitava, entre lágrimas, o corpo morto da mãe na banheira. Scout tentou se aproximar do corpo da mãe, esticou a mão trêmula para tocá-lo, mas não teve coragem. – Mãe... Desculpa... A culpa é minha, se eu tivesse avisado vocês isso não teria acontecido... – Scout dizia, entre soluços.

Scout saiu do banheiro, bateu a porta, se apoiou nesta e deixou o corpo escorregar para o chão. Colocou as duas mãos na cabeça e começou a gritar. Ela não sabia se queria gritar, chorar, se matar, milhares de ideias insanas lhe vinham à mente. Sua cabeça estava latejando, sentia como se ela fosse explodir.

Ela tentou usar o pouco de sanidade que ainda lhe restava para pensar. Não haviam duvidas, aquilo fora obra daquela maldita garota que assombrava os sonhos de Scout. Enquanto ela só estava se envolvendo com Scout, a situação estava sob controle. Mas agora ela escolheu a pessoa errada para “brincar”. Ela havia matado sua mãe. Sua mãe. Aquela que lhe deu amor e carinho como ninguém durante toda a sua vida. Scout era um poço de ódio e vingança agora.

– Ei! Eu sei que está me observando, sua vagabunda! – Scout gritava para as paredes. – Eu sei que foi você! E eu vou te fazer pagar por isso, nem que eu tenha que entrar no inferno e atravessá-lo sozinha, eu vou te fazer pagar pelo o que fez comigo! Pelo o que fez com a minha mãe! EU VOU ACABAR COM VOCÊ!

Scout iria destruir aquela garota, nem que fosse a ultima coisa que ela fizesse.

Notas finais
Foi longo mas espero que tenham gostado *-*

Agradeço a todos que estão acompanhando a fic até agora o/

A quem estou querendo enganar? 2 pessoas são leitores oficiais ~forever alone~

Enfim, agradeço aos 2 que estão acompanhando a fic, e a todos os outros leitores não-oficiais

E se voce estiver gostando, deixa um review, estimula a continuar escrevendo (:

Vou-me indo o/

Beijos s2