Verdade Ou Pesadelo

7 God Bless You (Pt. I)


Notas iniciais
Volteeeei com o 7º capítulo, meus lindos *0*/

Ficou maior do que o esperado, então dividi ele em duas partes (sério gente, deu 9 páginas no word, eu tive que dividir :s)

Enfim, espero que gostem ^^

Scout ainda estava sentada no chão de seu quarto, encostada na porta, chorando baixinho. Há quando tempo ela estava ali? Nem ela mesma sabia dizer. Droga, o que ela ainda estava fazendo sentada e chorando? Ela tinha que se levantar e ir atrás daquela garota. Mas por onde começar? E como ela iria conseguir sozinha?

Ela estava tentando evitar isso até agora, mas não tinha mais jeito, ela precisaria de ajuda.


Scout se levantou, foi até a sala, andou até o telefone preso na parede, tirou o fone do gancho e começou a discar.

– Alô? – uma voz cansada atendeu.


– Taylor, vem até a minha casa – disse Scout.


– O que aconteceu? São 2:00am, Scout! – disse Taylor em meio a um bocejo.


– Não dá pra explicar, você tem que ver. Vem rápido, por favor – assim que terminou de falar, Scout desligou o telefone.


Não demorou muito para a campainha tocar. Scout foi até a porta e assim que a abriu Taylor entrou e passou reto por Scout, sem nem desviar o olhar para ela.


– É bom que seja importante, porque além de me acordar no meio da noite e me fazer vir até sua casa, se meus pais descobrirem que eu saí escondido eu serei uma menina morta – quando terminou de falar, Taylor olhou para Scout e sua expressão mudou ao ver a blusa da amiga suja de sangue, a essas horas já seco. – Que sangue é esse? Esse sangue é seu?


Scout não disse nada, apenas guiou a amiga até seu quarto.


– Olha no banheiro – disse Scout, e Taylor obedeceu.


Quando a porta do banheiro foi aberta, elas puderam sentir um cheiro de podridão saindo de lá. Taylor colocou a cabeça para dentro do banheiro, e ao ver a cena simplesmente fechou os olhos, prendeu o fôlego e fechou novamente a porta.

– O que aconteceu aqui?! – ela perguntou, assustada. – Me diz que não foi você quem fez isso! – Scout apenas fez que não com a cabeça. – Então quem foi?!

– A pergunta é: O QUE fez isso – disse Scout.


– Como assim “o que”?! – Taylor tentava se acalmar, mas estava difícil se manter calma diante de uma situação daquelas. – Scout, eu to com medo, me diz logo o que aconteceu, pelo amor de Deus! Quem... O que fez isso com a sua mãe?!


–--------


– Tá querendo que eu acredite que um jogo inocente de “Verdade ou Desafio” desencadeou algum tipo de fúria que matou suas amigas e sua mãe? – disse Taylor, incrédula, levantando-se do sofá da sala e olhando para Scout.

– E não é só isso, desde a noite que eu joguei esse jogo em Manhattan eu tenho sido assombrada por uma garotinha.


– Scout, me escuta – disse Taylor –, o que aconteceu com a sua mãe pode não ser a coisa mais normal do mundo, mas isso? Isso é a explicação mais lunática que eu já ouvi na vida, e eu já vi e ouvi muitas coisas anormais.


– Você acredita na droga da lenda do cemitério Morgantown e no tal Andrew Campbell, por que não pode acreditar em mim?


– É que isso é diferente...


– Diferente, é? Diferente por que? Porque o Aidan morreu por causa da história do cemitério? – Scout tocou na ferida. – Acontece que isso matou a minha mãe, Taylor. Você também perdeu uma pessoa importante de um jeito quase inacreditável, só você sabe como eu estou me sentindo. Por favor, eu só tenho você, ninguém mais vai ser capaz de acreditar nessa história.


– Eu... – Taylor colocou a mão na consciência. Respirou fundo e disse: – Tá, tá, e o que você pretende fazer?


– Ir atrás dela e acabar com ela – respondeu Scout.


– E como você vai fazer isso?


– Essa é a parte que eu ainda não pensei...


– Brilhante! – disse Taylor, sarcástica. – Como você pretende mata-la sem nem mesmo um plano? Você nem sabe se isso é mesmo possível, afinal, pelo o que você me contou, ela já está tecnicamente morta.

– Bem... – Scout fez uma pausa para pensar. – Eu não sei ao certo... Na história que a Amanda me contou em Manhattan, ela disse que Mary estava voltando da escola e passou por um beco onde havia alguns caras bêbados, que levaram ela pro banheiro de um bar e estupraram-na, mas...

– Mas...?


– Há algumas noites eu venho sonhando com um orfanato, e nos dormitórios do orfanato há placas com o nome das crianças que dormem neles.

– E daí?


– Na história, a garota se chamava Mary Worth, e na placa do dormitório número 6 do orfanato dos meus sonhos está escrito o nome Mary Worth também.

– O que significa que ela viveu lá? Mas isso não bate com a história. Se ela viveu no orfanato, ela não devia ir para a escola, afinal as freiras ensinam os órfãos, certo?

– Eu acho que eu sei quem pode esclarecer essa história – disse Scout.


– Então tem mais gente que sabe dessa história?


– Não exatamente.


– Obrigada, foi muito esclarecedor ¬¬ Não dá pra ser um pouco mais específica?


– Quando fomos a Morgantown, aquele rapaz, Andrew, ele sabia sobre a garota, de alguma forma ele sabia de tudo – explicou Scout.


– Não está pensando em voltar lá, está?!


– Taylor, pensa bem! Ele pode me dar as peças que faltam pra completar esse quebra-cabeças. Eu sei que é perigoso, mas ele é a minha única esperança de conseguir descobrir um jeito de acabar com ela. Eu não sei como, mas ele sabia sobre a Amanda e a Lorie, sobre o jogo que fizemos, sobre os meus sonhos, sobre a Mary, ele pode ajudar!


– É, ou pode não ouvir nem uma palavra do que a gente tem a dizer e nos matar!


– Ele não me matou da última vez, por que me mataria agora?


– Por que da ultima vez ele já tinha enchido o bucho quando te encontrou!


– Se não quiser ir, não precisa, eu posso ir sozinha, só peço que me ajude quando eu descobrir como acabar com ela.


– Sem chances, não vou deixar você ir sozinha até lá – disse Taylor. – Já que você não vai desistir mesmo dessa idéia de ir até Morgantown, eu vou com você.


– Você vai mesmo se arriscar por mim?

– Cala a boca antes que eu mude de idéia – pediu Taylor. – Fora isso, a gente tem que chamar a polícia, não podemos deixar sua mãe lá daquele jeito...


– Eu estava atordoada demais pra lembrar disso... Liga pra polícia, eu vou ligar pro meu pai e... Dar a notícia né – disse Scout, pegando a bolsa que tinha jogado no sofá quando voltou da escola e procurando o celular.


– Alô? Eu queria denunciar um homicídio – dizia Taylor ao telefone, indo para a cozinha.


Scout abriu a agenda telefônica do celular e achou o numero do pai, mas não tinha coragem de discá-lo. Como ela iria explicar aquilo? Como iria dizer que sua mãe morrera, ainda mais daquela maneira? Como?


– A polícia já está a caminho – disse Taylor voltando da cozinha e vendo Scout olhar fixamente para a tela do celular. – Scout? Você quer que eu ligue?


– Não, eu mesma ligo. Só preciso pensar em como contar tudo isso pra ele primeiro.


– Quantos dias até ele chegar aqui?


– Provavelmente até amanha de tarde ele já estará aqui – disse Scout. – A empresa do meu pai está patrocinando a viagem, e os funcionários convocados iriam primeiro para um hotel no Oregon e só no dia seguinte seguiriam viagem para o Kansas, e o dia seguinte é hoje, mas o vôo dele só deve sair ao amanhecer, e ainda são 3:00am. Dá tempo de ligar pra ele e pedir pra ele voltar pra cá, só não sei como contar sobre tudo isso...


– Tem certeza de que não quer que eu ligue? – perguntou Taylor.


– Tenho – respondeu Scout. – Eu vou fazer isso agora – ela começou a discar o número do pai.


[Tu... Tu... Tu...]


– Alô?


– P-Pai?


– Scout! Como você está, querida? Tudo bem por aí? E a mamãe? Como ela está? Já estou com saudades de vocês duas.


– Pai, eu... É que... – as palavras não saíam.


– O que foi? Aconteceu alguma coisa? – o pai de Scout falava com um tom mais preocupado agora.


– Sim...

– O que aconteceu?!


– A mamãe... Ela... – Scout respirou fundo e disse: – Ela tá morta.


Notas finais
Segunda parte de God Bless You será postada daqui a alguns minutos, me aguardem o/