Verdade Ou Pesadelo

8 God Bless You (Pt. II)


Notas iniciais
Segunda parte de God Bless You pra vocês *-*

Essa eh um pouco maior do que a primeira

Espero que gostem o/

– A mamãe... Ela... – Scout respirou fundo e disse: – Ela tá morta.

Silêncio.


– Ela... Ela o que?


– Eu cheguei da escola e ela estava morta no banheiro do meu quarto... Pai, eu não sei o que aconteceu, eu preciso de você aqui – dizia Scout, chorando ao telefone, e Taylor assistia a tudo sentada ao lado da amiga no sofá. – Por favor, volta pra Califórnia o mais depressa possível, quando você chegar aqui eu dou os detalhes. Tá. Eu também te amo. Beijo. Tchau – Scout desligou o celular, jogou-o no sofá e desandou a chorar com a cabeça afundada no ombro de Taylor, que a abraçava.


– O que ele disse? – perguntou Taylor.


– Ele vai voltar pra Califórnia imediatamente – respondeu Scout entre soluços. – Eu quero morrer.


– Não diga coisas assim! – disse Taylor, levantando a cabeça de Scout e enxugando as lágrimas que escorriam por seu rosto. – Chega de chorar, eu sei que não é fácil encarar a morte da própria mãe, mas chorar não vai trazer ela de volta, você sabia?


– Sem clima pra sarcasmo agora, Taylor.


– Para com isso, não era você quem estava falando em acabar com a garota que tá te fazendo passar por tudo isso? Como você acha que vai conseguir seu objetivo nesse estado?


– Eu sei, Taylor, eu só precisava desabafar um pouco – disse Scout.


– Agora que já desabafou, que tal trocar de roupa? Sua blusa suja de sangue não vai contribuir para a sua situação quando a polícia chegar – disse Taylor.


– Tem razão, vou subir e trocar de roupa – Scout levantou do sofá e se dirigiu para a escada.


– E eu vou ficar esperando a polícia lá fora – Taylor levantou do sofá e foi até a porta.


– Taylor! – Scout chamou, antes que Taylor atravessasse a porta.


– Precisa de alguma coisa?


– ... Obrigada por acreditar em mim – disse Scout, subindo o restante dos degraus. Taylor apenas sorriu, foi para a varanda da frente e ficou esperando a polícia e os legistas.


Scout pegou a primeira blusa que encontrou e vestiu-a. Enquanto terminava de vestir a blusa, ouviu alguém rindo, parecia uma criança, a mesma risada que ouvia em seus sonhos.


– Ela vai queimar pra sempre no inferno, você não pode fazer nada para salvá-la – dizia uma voz dentro de sua cabeça. – Você vai se juntar a ela em breve, Scout.

– NÃO! CALA A BOCA! ME DEIXA EM PAZ! – Scout gritava com as duas mãos na cabeça, mas seus gritos foram interrompidos com o susto que levou quando a porta do quarto bateu.

Ela correu até a porta, abriu-a e desceu as escadas o mais rápido que pôde. Saiu da casa e foi correndo até o jardim, passando reto por Taylor, que estava sentada numa cadeira na varanda da frente da casa de Scout.


– Scout?! O que houve?! – Taylor se levanta e vai até Scout, que se ajoelha no meio do jardim, chorando. – O que aconteceu, Scout?! – Taylor se agachou ao lado de Scout.


Scout não estava em condições de falar nada, e mesmo que quisesse não conseguiria, os soluços do choro não a deixariam dizer qualquer coisa inteligível.


– Scout, o que aconteceu?! – Taylor insistia.


– Ela disse... – Scout tentava formular as palavras. – Ela tá queimando...


– O que?


– Uma voz me disse... Que ela tá queimando...


– Sua mãe? – Scout balançou a cabeça positivamente. – Como assim queimando?


– No inferno...


Elas ouvem sirenes chegando perto e ao olharem para a rua veem um carro da polícia seguido de um carro da funerária encostarem em frente à casa de Scout.

Dois homens descem do carro da funerária e entram na casa de Scout levando consigo um saco preto.


O policial sai do carro e vem até Scout e Taylor segurando uma prancheta.


– Quem fez a denúncia? – pergunta ele, tirando uma caneta do bolso da camisa.


– Eu – diz Taylor enquanto se levanta e ajuda Scout a levantar também.


– Preciso que me conte exatamente o que aconteceu – disse o policial, posicionando a caneta na prancheta como se fosse começar a escrever.


– Eu não sou a pessoa mais indicada pra relatar o ocorrido – disse Taylor, olhando para Scout.


– Eu... Eu sou a filha da vítima... Fui eu que a encontrei – disse Scout.


– Poderia me dizer o que aconteceu?


– Bom, eu voltei da escola e não a encontrei em nenhum lugar da casa, e quando olhei no banheiro do meu quarto eu... – Scout deu uma pausa e respirou fundo para continuar: – Eu a vi morta na banheira.


– Qual era o estado do corpo? – o policial anotava tudo o que Scout falava na prancheta.


– A garganta cortada e os olhos arrancados.


– Nome e idade?


– Melinda Carter, 43 anos.


Scout respondeu as perguntas seguintes sem nem prestar atenção no que estava falando. Era como se seus lábios se mexessem sozinhos e as palavras pulassem de sua boca. Naquele momento seus pensamentos estavam voltados para as palavras que ouvira em seu quarto há poucos minutos. Sua mãe estava mesmo queimando? Ou aquilo era apenas uma tentativa de mexer com o psicológico de Scout? Mas podia ser verdade, e se ela estivesse mesmo sofrendo? E Scout não poderia fazer nada para salvá-la?


– Senhorita? – o policial tirou Scout do transe.


– Desculpa, precisa de mais informações?


– Não, isso já é suficiente – respondeu o policial. – Ah, sim, outra coisa: poderia nos acompanhar até a delegacia?


– ...Claro – disse Scout.


– Tudo bem se eu for junto? – perguntou Taylor.


– Claro – respondeu o policial, virando-se e indo em direção ao carro, seguido de Taylor e Scout.



–---------


– Então, senhorita Carter – dizia o delegado William. – De acordo com o que disse, você chegou da escola e encontrou Melinda Carter morta na banheira?

– Sim.


Scout estava sozinha com o delegado William em uma sala pequena com apenas uma mesa no centro, sentada numa cadeira de frente para o delegado.

– Sabe de alguém que tenha motivos para cometer tal atrocidade?

– Não, que eu saiba minha mãe se dava bem com todo mundo, ela não se envolvia em muitos conflitos.


– Tem alguma idéia de quem pode ter sido a última pessoa com quem ela teve contato?


– Eu acho... Que foi comigo e com meu pai.



– Você passa o dia na escola, e seu pai, Richard Carter, certo? – perguntou o delegado, e Scout assentiu. – Bom, ele viajou hoje cedo para o Oregon, o que nos leva a outra possibilidade: alguém pode ter entrado na casa durante o dia e cometido o homicídio, porém, segundo o que você disse, a casa fica o dia todo trancada já que sua mãe não sai e não havia sinais de que as portas tivessem sido forçadas e nenhuma fechadura de porta ou janela foi arrombada, correto?


– Sim.


– Senhorita Carter, sua ficha diz que há algum tempo você presenciou um caso parecido com esse, em Manhattan, estou certo?


– S-Sim.


– Amanda Turner foi a vítima. Encontrada morta no banheiro, o corpo estava no mesmo estado que o de sua mãe. Na noite do ocorrido, só estavam presentes você, Amanda e Lorie Prescott. A polícia foi verificar o corpo de Amanda e quando saíram da casa Lorie estava destroçada na rua, atropelada por um caminhão.


– Onde quer chegar com tudo isso, delegado?


– Senhorita Carter, ouça bem: você testemunhou dois casos de terríveis homicídios, e nos dois você tinha contato com as vítimas. Amanda Turner morreu no banheiro de sua casa em Manhattan, e as únicas presentes fora Amanda eram você e Lorie, porém Lorie morreu num momento em que só estavam você e ela em frente à sua casa enquanto a polícia verificava a cena do crime.


– Acha que fui eu?!


– Não posso negar essa hipótese. Você tem que entender que não há nenhum outro suspeito, não posso fazer nada a não ser assumir que a senhorita matou Amanda Turner e livrou-se da única testemunha, Lorie Prescott, empurrando-a para a rua enquanto um caminhão passava. E agora, em Hollywood, matou Melinda Carter.


– Que absurdo! – revoltou-se Scout. – Eu não mataria minhas melhores amigas, muito menos minha própria mãe!


– Então como explica o fato de elas terem morrido quando as únicas presentes eram você e elas, e até agora você ser a única viva?


– Eu... – Scout estava sem argumentos.

– Foi o que pensei – disse o delegado. – Não posso afirmar nada com certeza por ora, mas não posso deixar que saia daqui.

– O que?!


– Terei que mantê-la no departamento policial até segunda ordem – o delegado pega uma algema de cima da mesa e prende os pulsos de Scout nas costas.


– Eu não matei ninguém, eu juro pela minha vida! – Scout tentava convencer o delegado.

– Se não foi você, então devo presumir Amanda caiu morta no chão do banheiro sem nenhuma explicação e que Lorie se jogou em frente a um caminhão em alta velocidade por livre e espontânea vontade?

– Colocando dessa forma parece loucura. É loucura. Mas eu nunca encostaria um dedo nelas! Não pode me prender!


– Encare isso como uma precaução, não como uma prisão – foram as palavras finais do delegado.


Como Scout iria atrás de Mary Worth agora? Como iria descobrir a verdade sobre ela? E como iria descobrir por que Mary a estava assombrando? Ela não podia ser a única pessoa que já tinha chamado 3 vezes “Bloody Mary” no espelho do banheiro, porém nunca acontecera nada com os outros que tentaram antes dela, por que justo ela?


Scout não estava com tempo para esperar sentada numa cela de delegacia, ela tinha que começar a procurar as respostas que precisava o mais rápido possível. “Já era”, pensou ela. “A menos que...”


– Preciso dar uma palavrinha com a minha amiga, se me permite, senhor delegado – pediu Scout.


– Contanto que não leve mais do que 2 minutos.


– Será rápido.


– Certo – o delegado caminhou até a porta, abriu-a e pediu para um dos policiais chamar Taylor, que não demorou para ir ao encontro de Scout.

– Dois minutos – o delegado repetiu, e fechou a porta.


Taylor sentou-se na cadeira em frente à Scout.


– E então? – quis saber ela.


– Mudança de planos – disse Scout. – Eu não posso mais ir à Morgantown. Na verdade, não posso sair daqui por enquanto. Preciso que descubra o máximo de informações sobre Mary Worth que você puder, Taylor.


– COMO É?! VOCÊ TÁ PRESA?!


– Não é bem isso, não dá tempo de explicar, só faça o que eu estou pedindo, e me avise se descobrir qualquer coisa.


– Você vai ficar me devendo, em? – disse Taylor. – Mais importante do que isso, tem alguma ideia de por onde posso começar?


– Pesquise sobre o orfanato East Village e verifique se alguma Mary viveu lá, mas não vá até Morgantown, entendeu? Ir sozinha até lá é suicídio, quando eu sair daqui nós iremos juntas, eu não devo ficar por muito tempo.


– Disse a menina que há algumas horas atrás estava falando em ir até Morgantown sozinha – disse Taylor. Scout apenas a encarou com um olhar sério. – Desculpa, não tá mais aqui quem falou.


– Com licença, senhoritas. Preciso que saia agora – disse o delegado, abrindo a porta.


– Certo. Tchau, Scout – despediu-se Taylor.


– Tchau.


Taylor saiu da sala e o delegado entrou.


– Me acompanhe, por favor – disse ele, fazendo Scout se levantar e guiando-a até a ala das celas. Abriu o portão de uma delas, entrou com Scout e soltou as algemas. – É aqui que vai ficar por enquanto. O horário de visitas é das 7:00am até 2:00pm, às segundas, quartas e sextas. Sábados e domingos não são permitidas visitas. Se precisar de algo, haverá policiais rondando os corredores. Isso é tudo – disse o delegado, saindo da cela e trancando-a.


Scout sentou na cama se solteiro de sua cela e se pôs a pensar. Ela estava tentando juntar as informações que já tinha sobre Mary Worth para tentar entender melhor essa história.


Se Mary viveu mesmo no orfanato East Village, havia alguma coisa errada com a história que Amanda contara em Manhattan, então seria melhor desconsiderá-la, não por completo, mas parcialmente. Mas por que Mary estava seguindo Scout e matando seus entes queridos?

A única coisa da qual Scout tinha certeza era que Mary era um espírito assassino que não iria parar enquanto não fosse impedido. E ela iria fazer isso, não importa qual fosse o preço a ser pago.


Notas finais
Estão gostando? O que será que a Taylor vai descobrir sobre a tal Mary Worth? E por que Scout sonha com aquele orfanato? O que realmente aconteceu com Mary?

Scout está perguntando se vocês querem que a história continue X)