Verdade Ou Pesadelo
5 Cemitério Morgantown
Notas iniciais
Voltei com o capítulo 5 :D
Acabei de terminar de escrever. Eu pretendia postar amanha pra completar uma semana desde que eu postei o 4º capítulo, mas decidi postar mais cedo porque... Não tem motivo, só quis postar mais cedo XP
Enfim, vamos ao capítulo:
– Taylor, não tinha um caminho pior do que esse? – ironizou Scout, se abaixando pra não bater a cabeça num galho baixo de uma árvore. Elas já estavam andando há pelo menos dez minutos.
– Para de reclamar, é mais rápido ir por aqui – disse Taylor.
Elas estavam se dirigindo ao cemitério Morgantown, Taylor disse que ir pelo mato era um jeito de cortar caminho e chegar antes dos garotos no cemitério.
– Taylor, já está escurecendo, daqui a pouco não vamos conseguir ver nada no meio de todo esse mato – disse Scout.
– É só falar menos e andar mais que a gente consegue sair daqui antes de anoitecer – respondeu Taylor. – Além disso, já estamos chegando, eu disse que o cemitério ficava a apenas algumas quadras de distância da escola, não disse?
Caminharam por mais cinco minutos e avistaram o grande portão do cemitério.
Aquele lugar era ideal pra um cemitério. Rodeado por mato denso, deserto e com uma atmosfera sombria. Como já era noite, o lugar ficava ainda mais assustador.
A entrada do cemitério parecia a entrada de uma mansão mal assombrada: muros cinzas altos com a pintura descascada e um portão preto de grades. Depois do portão, via-se uma infinidade de lápides.
– Se eu me lembro bem da história, era pra ter um garoto super atraente bem na frente do cemitério pra atrair as vítimas pra dentro, né? – disse Scout, agachada atrás de uma árvore junto com Taylor, as duas observando de longe qualquer movimento perto do cemitério.
– Talvez um garoto não seja a forma definitiva da coisa que atrai as pessoas pra dentro do cemitério – falou Taylor. – Talvez essa coisa mude de forma, talvez ela possa ter tanto a aparência de um garoto quanto de uma garota, caso contrário como iria atrair homens pro cemitério?
No momento em que Taylor terminou sua fala, elas olharam novamente para o cemitério, e em frente ao portão estava uma garota de pele pálida, cabelo loiro caído até os ombros, vestindo uma saia preta curta, blusa branca lisa de manga curta, colete preto sem mangas por cima da blusa e um coturno preto até um pouco abaixo dos joelhos.
Ela olhava fixamente pra uma direção. Scout e Taylor tentaram olhar pro mesmo lugar que a garota para ver o que ela olhava com tanta atenção. Viram os três garotos que Scout ouvira conversando sobre o cemitério Morgantown se aproximando.
– Me belisca, mas aquilo é um anjo parado em frente ao cemitério? – disse um dos garotos.
– Hoje a noite vai ser boa! – comentou o outro.
– Andrew Campbell, pff, sabia que ele era só lenda – zombou o ultimo.
– Ei, vocês! – Taylor saiu de trás da árvore e foi ao encontro dos meninos. – O que fazem aqui a essa hora da noite?
– Já nos vimos antes? – disse um deles. – Enfim, não importa, nós-
– Cala a boca, idiota! – disse o outro, dando um tapa na cabeça do primeiro. – Não te interessa o porquê de estarmos aqui – dessa vez ele se dirigiu a Taylor.
– Eu tenho um palpite de que vocês pretendiam entrar no cemitério e tirar essa historia do tal Andrew Campbell a limpo – Scout interferiu.
– E se for? – desafiou o terceiro garoto.
– Vocês são testemunhas de que toda vez que alguém entra nesse cemitério de noite, nunca mais sai e outra pessoa morre, isso já aconteceu inúmeras vezes, ainda precisam de mais evidências? – perguntou Taylor.
– Estão mesmo dispostos a arriscarem a vida de vocês e vida de outra pessoa só pra comprovar ou não se um mito idiota não é tão mito assim? – completou Scout.
– Já comprovamos, ou vocês estão vendo algum cara super bonitão por aqui fora eu? – disse o mesmo garoto. – Isso não é lugar pra garotas, caiam fora daqui.
Taylor estava pronta para retrucar, quando todos ficam em silêncio. Um barulho perto da entrada do cemitério. Todos olham para a direção da qual veio o barulho. Alguma coisa se mexeu.
É mesmo, a garota! Elas tinham se esquecido da garota! Onde ela estava?
– Vamos embora daqui – disse Scout.
– Pensando bem, não faço mais questão de entrar aí – disseram os garotos.
Assim que se viram para sair daquele lugar, deparam com a figura da garota que até agora estava na frente do portão do cemitério.
– Tentando roubar minha comida? – ela disse com a voz rouca e sua aparência começou a mudar. Os cabelos começaram a escurecer, seu corpo feminino começou a assumir uma forma masculina e seus olhos tornaram-se cinzas um pouco azulados. Agora era um garoto. Mesmo assim, ainda era um garoto muito bonito, porém ao mesmo tempo assustador.
Ele começou a andar em direção ao grupo de adolescentes sem dizer uma única palavra. Ele mantinha os olhos fixos no garoto que Scout vira convidando os outros dois para virem ate o cemitério. Ele passou reto por Taylor e Scout e continuou indo em direção ao garoto.
– Fique longe de mim! – gritou ele. Como se fosse adiantar alguma coisa.
Os outros dois garotos correram, e Scout e Taylor não estavam afim de ficarem ali paradas assistindo pra ver o que ia acontecer. Se esconderam atrás da mesma árvore que estavam agora há pouco.
– Pra trás! – elas ouviam o garoto gritando, mas nenhuma das duas tinha coragem de olhar. – NÃO! – foi a última coisa que ele disse. Depois disso, tudo o que elas ouviam eram os gritos desesperados. De repente ele ficou mudo, os gritos cessaram, não se ouvia um ruído sequer. Em compensação, um cheiro horrível tomava o ar.
– A gente precisa sair daqui – sussurrou Scout para Taylor.
– Se a gente sair de trás dessa árvore vamos morrer! – disse Taylor.
– Se ficarmos aqui paradas vamos morrer com certeza! – respondeu Scout. – Eu vou olhar.
Scout respirou fundo e espiou pela lateral da árvore. Seria melhor não ter olhado. Scout viu o corpo do garoto pendurado numa árvore não muito longe, coberto de sangue e completamente mutilado. Os restos de seus órgãos caídos abaixo do corpo, como se uma parte deles tivesse sido devorada, mas não havia nem sinal do garoto dos olhos cinza azulados. Scout fechou os olhos, sentou-se encostada no tronco da árvore, olhou para Taylor e tentou dizer de uma forma não tão brusca o que acabara de ver:
– O garoto está morto, os outros dois devem ter fugido, e não tem ninguém aqui – começou ela. – Aquele cara, aquela coisa, seja lá o que for, deve ter ido atrás deles, vamos aproveitar pra sair daqui!
Scout e Taylor se levantaram para ir embora, mas assim que saíram de trás da árvore depararam com o menino dos olhos cinzas a alguns centímetros de distância. Suas mãos estavam sujas de sangue, assim como sua boca, pescoço e roupas. O susto foi tamanho que elas sentiram como se perdessem os sentidos por um momento, o máximo que conseguiam fazer era andar pra trás.
Elas começaram a correr e Taylor puxou Scout para trás de uma grande rocha, e ficaram ali paradas recuperando o fôlego.
– Ele não vai deixar a gente sair daqui! – disse Taylor.
– A gente vai sair daqui, eu prometo – disse Scout.
– E tem certeza de que você pode cumprir isso?
– ...Não – respondeu Scout. – Mas eu posso tentar.
– Eu não acho que vá adiantar – uma voz rouca respondeu, parecia vir do outro lado da rocha. Elas podiam ouvir o som de algo andando na grama e se aproximando lentamente de onde elas estavam.
Scout olhou para o lado e viu um barranco não muito alto, e no fundo um rio.
– Pelo menos uma de nós vai sair viva – disse Scout, empurrando Taylor para o barranco.
– SCOUT! – Taylor gritou, mas quando percebeu já estava em queda livre, e um segundo depois caiu no rio.
Scout olhou pra baixo pra se certificar de que Taylor estava bem, e a viu saindo da água e nadando até a borda. Mas ela ainda não estava aliviada, afinal agora ela estava sozinha com aquele cara.
– Que gesto nobre, mas agora como você vai se salvar? – disse a voz rouca bem ao pé da orelha de Scout.
Quando olhou pro lado deparou com o garoto de olhos cinzas.
– AAAAAAH!
– Ssssshhhh! Como você é barulhenta! Não me faça ter que jantar seus órgãos! – disse o garoto.
– Hein? – como assim ele não ia mata-la?
– Se perguntando por que eu não vou te matar? – ele lia mentes ou isso estava óbvio demais? – Meu estômago já está cheio, não tenho interesse você e nem na sua amiga. Eu até poderia te matar e guardar pra mais tarde – disse ele.
– E por que não vai fazer isso? – perguntou Scout, se pressionando contra a rocha, ainda com medo.
– Essa pergunta é meio suicida. É divertido ver as pessoas assustadas, com medo da morte. Prefiro curtir um pouco com você em vez de te devorar logo de cara.
– E quanto aos outros meninos? Os que fugiram – disse Scout.
– Você sabe que eu posso te matar agora mesmo se eu quiser e mesmo assim se preocupa com os outros? – disse ele. – Não há necessidade de ir atrás deles, ela vai cuidar deles por mim.
– Ela? – Scout não havia entendido. – Ela quem?
– Você sabe quem, Scout – respondeu ele.
– Você é Andrew Campbell, certo? Espera... Como sabe o meu nome?
– Que pergunta clichê, mas estou vendo que você sabe o meu. Eu sei de tudo. Sei o seu nome, sei que veio de Manhattan, eu sei da Amanda e da Lorie, eu sei o que você fez na noite que elas morreram, e acredite quando eu digo que a culpada pela morte delas é você.
Scout estava sem palavras. Como ele sabia de tudo aquilo?
– Eu sei dos seus sonhos também Scout – continuou ele. – Sei por que você os tem, sei por que você sonha toda noite com aquela menina, e eu sei como fazer isso parar.
– Como pode saber de tudo isso? E como pode saber como fazer isso parar? Você nem tem nada a ver com isso, como pode saber sobre a garota? – Scout estava atordoada.
– Eu disse que gosto de me divertir com as pessoas, não disse? Acha que vou te dar todas as respostas de cara? – ele disse num tom esnobe. – Vou deixar você matutar isso um pouco mais antes de contar tudo, quero ver como você vai lidar com esses sonhos, quero ver se você vai se lembrar de tudo, quero ver como você vai se sair.
A garota de seus sonhos não havia dito algo parecido sobre lembrar de alguma coisa?
– Scout! – era Taylor. Um segundo que Scout se distraiu olhando para a direção de onde vinha a voz de Taylor foi o tempo que o garoto levou para sumir, porém Scout ainda pôde ouvi-lo dizer:
– Nos veremos de novo. Até mais, Scout Carter.
– Scout! Você está bem?! – Taylor veio correndo até Scout.
– Sim, e você?
– De alguma forma, sim – respondeu Taylor. – Quer dizer, fora o fato de ter sido jogada de um precipício num rio e estar toda molhada e tremendo de frio, estou bem.
– Considerando que poderíamos estar mortas, estar molhada e com frio é o menor dos seus problemas – disse Scout.
– Falando nisso, como você está viva? E o garoto? O que aconteceu?
– Vamos indo, eu não quero passar mais nem um minuto aqui, eu explico no caminho – respondeu Scout.
Andrew Campbell... Quem foi ele? Como ele sabia de tanta coisa? E como ele sabia da garota? Será que ele tinha alguma relação com ela? Ele sabia mesmo como fazer aqueles sonhos pararem? E “nos veremos de novo”? Eram muitas perguntas sem resposta, mas uma coisa era certa: ele sabia mais sobre Scout do que ela mesma, e ela o faria contar tudo de qualquer jeito.
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– Deixe-me ver se eu entendi direito: ele não arrancou suas tripas porque ele tinha acabado de jantar, portanto não tinha interesse em nós duas? – disse Taylor, e Scout fez que sim com a cabeça. – O que significa que eu fui jogada de um abismo num rio à toa?!
– Até quando vai me condenar por isso?! – perguntou Scout. – Eu achei que fossemos morrer! E nem era tão alto assim
– Foi só isso?
– Sim – respondeu Scout. Ela não havia contado sobre a parte de ele saber tudo e um pouco mais sobre Scout. Mesmo que ela tivesse contado, de que adiantaria? Taylor não sabia de nada do que havia acontecido em Manhattan, ela ficaria mais confusa do que Scout.
Definitivamente aquilo seria um segredo que Scout guardaria só pra ela.
– Vamos parar de falar nisso, foi muito traumático – disse Taylor. – Já tá na hora do primeiro período, hoje é educação física.
Elas se dirigiram ao vestiário, trocaram de roupa e foram para o ginásio.
– Eu sei que acabamos de dizer que não íamos mais falar nisso, mas você viu algum sinal dos garotos de ontem à noite? – perguntou Scout para Taylor, enquanto se alongavam.
– Não os vejo desde a noite passada – respondeu Taylor.
– Será que estão mortos também?
– Pelo o que sei, alguém morre quando outra pessoa entra no cemitério, mas ninguém chegou a entrar no cemitério ontem, então acho que não vai haver uma vítima dessa vez – disse Taylor. – Provavelmente eles ficaram com medo até de sair na rua depois de ontem.
– Se você diz – disse Scout por fim.
Scout não parou de pensar em no garoto do cemitério o dia inteiro. Repassava os acontecimentos na cabeça e lembrava perfeitamente de cada palavra que ele dissera. Aquelas palavras socavam os ouvidos de Scout sem dar trégua, aquilo a estava enlouquecendo. Ela não aguentava mais. Estava decidido: se as coisas não começassem a se desenrolar sozinhas, Scout voltaria a Morgantown, não importa o que acontecesse.
Notas finais
No começo das férias talvez eu viaje e vá pra casa da minha amiga em Caucaia, não sei ainda, mas se eu for eu vou passar uma semana mais ou menos lá e não sei se eu vou conseguir postar o capítulo semanal >.<
Maas, como eu prometi, se eu não conseguir postar o capítulo da semana, vou postar 2 capítulos de uma vez na semana seguinte o/
Vou indo. Beijos s2
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