Verdade Ou Pesadelo

19 Beautiful Remains


Notas iniciais
Buu :3 Voltei com o cap 19 gente *0*/ Desculpem de novo pela demora, mas depois que as aulas começaram tá um pouco dificil de conseguir escrever os caps, os professores não dão sossego -.- e a minha internet não tá colaborando também, toda hora tá caindo ><' Enfim, rufem os tambores: capitulo 19! Are you ready? Go!

– Então, ruiva? É pra hoje? – perguntou Andy para Scout, que estava na fila para comprar as passagens de volta para a Califórnia.

– Talvez se nós não tivéssemos parado de 5 em 5 minutos pra você tentar abusar da minha pessoa no meio do mato, não teríamos pegado uma fila tão grande – respondeu ela.

– Com licença, Scout Carter? – Scout virou-se para ver quem a chamava e deu de cara com um homem robusto e maduro, de seus 45 anos, alto, com um furinho no queixo e barba mal feita, fumando um charuto.

– Sim – respondeu Scout. – Algum problema, senhor?

– FBI – o homem tirou um distintivo do FBI de dentro do bolso do sobretudo e mostrou-o à Scout, e logo em seguida guardou-o no bolso novamente. – Vou ter que leva-la comigo para a Califórnia.

– Me levar?! Como assim?!

– Essa não é uma conversa adequada para se ter aqui.

– Mas eu-

– Senhorita, se não vier comigo por bem, virá por mal – não haviam dúvidas de que o homem estava falando sério.

– T-tá.

– E você, rapaz? – dessa vez ele se dirigiu a Andy.

– Eu to com ela – respondeu Andy. O homem olhou para Scout como se esperasse que ela confirmasse.

– É, somos-

– Namorados – Andy a cortou. Scout fuzilou-o com os olhos. Fazer o que? Agora ela teria que entrar nessa.

– Isso, namorados... – confirmou ela a contragosto.

– Certo. Quero que os dois andem na minha frente, eu digo pra onde ir – disse o homem, dando passagem para Andy e Scout, que começaram a caminhar seguidos por ele.

– Namorados?! – disse Scout baixinho para Andy.

– Não gostou? – perguntou Andy no mesmo volume, sorrindo de canto.

– Pelo menos só vai durar até chegarmos à Califórnia – ela tentou parecer indiferente com aquilo.

– Quando sairmos da rodoviária atravessem a rua e virem à direita – instruiu o homem.

Andy e Scout foram seguindo os comandos do policial até chegarem a um prédio sofisticado de muitos andares. Entraram, tomaram o elevador e subiram até o terraço do prédio, onde um helicóptero esperava-os.

O homem acelerou os passos, passou na frente de Andy e Scout e abriu a porta do helicóptero. Havia espaço para acomodar o piloto e mais quatro pessoas atrás.

– Entrem – ordenou o homem.

Andy e Scout obedeceram e entraram no helicóptero, em seguida o homem entrou e fechou a porta ao seu lado.



–---------



Depois de algumas horas – que pareceram séculos – o helicóptero aterrissou num heliporto na Califórnia.



Todos desceram e o homem guiou Scout e Andy até a entrada do heliporto, onde havia uma viatura policial estacionada. Eles entraram e sentaram-se no banco de trás, enquanto o homem sentava-se no banco do carona.

Alguns minutos depois, chegaram à delegacia. O homem saiu do carro e abriu a porta para Andy e Scout, e em seguida levou-os para dentro da delegacia.

– Rapaz, você espera aqui – o homem dirigiu-se a Andy, e depois olhou para Scout. – A senhorita, me acompanhe. O delegado quer vê-la.

Scout assentiu e seguiu o homem até a sala do delegado. Ele bateu na porta três vezes.

– Pois não? – disse uma voz de dentro da sala, uma voz que Scout reconheceu assim que ouviu.

– Delegado William, estou com Scout Carter – respondeu o homem.

– Entre – disse o delegado, e o homem abriu a porta e deu passagem para Scout. – Olá de novo, senhorita. Pelo jeito, não seguiu meu conselho. Eu avisei para que ficasse longe de encrenca.

– O que está acontecendo, delegado? – perguntou Scout, sentando-se de frente para o delegado.

– Suponho que ainda não lhe explicaram porque a senhorita está aqui – disse o delegado. Scout apenas encarou-o e ele continuou: – Scout, seu pai, Richard Carter, foi encontrado morto no banheiro de seu quarto. E veja só, que inacreditável coincidência: sua garganta estava cortada e ele estava sem os olhos.

– Delegado, não está pensando que fui eu, está?!

– Não, Scout. Você não está na lista de suspeitos. Um bilhete seu foi achado na cena do crime, onde você dizia que estava saindo de casa por uma semana, porém não revelou para onde ia. A polícia checou os registros de todas as rodoviárias da região, e um deles indicava que Scout Carter retirou uma passagem para L.A. há dois dias, às 7:45am, estou certo? – Scout fez que sim com a cabeça e o delegado prosseguiu: – O que foi fazer em L.A., senhorita? Por que não queria que seu pai a seguisse? E por que logo depois ele foi encontrado brutalmente assassinado no banheiro de seu quarto? Poderia o responsável pelos homicídios estar atrás de você, por isso a fuga repentina? Mas para isso seria preciso que você soubesse de antemão que o assassino iria atrás de você e, com isso, há uma grande chance da senhorita saber quem é o assassino. Não acha tudo isso uma coincidência estranha até demais?

– Eu... – Scout tentava pensar numa desculpa. – Eu fui visitar meu namorado. Ele está ali do lado de fora me esperando. Estávamos namorando escondido, meu pai não podia saber, por isso não disse pra onde ia.

– A notícia da morte de seu pai não parece ter te abalado tanto quanto eu pensei que abalaria. Parece até que você já estava preparada para recebe-la – o delegado usava um tom desconfiado. – Se está escondendo alguma coisa, senhorita, eu sugiro que fale. Até o FBI se envolveu no caso.

– Não estou escondendo nada, delegado – ela respondeu firme, tentando ser o mais convincente que podia. – Pode ter certeza de que, se eu soubesse quem está por trás de tudo isso, eu seria a primeira a falar, não tem ninguém que deseja ver essa pessoa atrás das grades mais do que eu. É só que depois do que venho passando, me acostumei a receber notícias desse tipo – mentiu Scout. Ninguém nunca se acostumaria a ouvir uma notícia dessas, ela sabia muito bem o quanto era difícil segurar as lágrimas cada vez que a morte de alguém era trazida à tona. Falando nisso... – Ah, é! Delegado, o que aconteceu com Taylor?! E com meu pai?! E o funeral da minha mãe?!

– O corpo de seu pai foi achado na manhã do funeral de sua mãe, então foi feito um único funeral para ambos, ocorreu na manhã em que a senhorita foi para L.A. Quanto à Taylor, seu corpo foi achado em meio às pedras no fundo de um desfiladeiro, na floresta. Aparentemente, Taylor perdeu o controle da moto e caiu. O funeral ocorreu ontem. Os corpos foram enterrados no cemitério Morgantown, caso queira visita-los.

– Entendo... – Scout baixou o olhar. Havia um mar de lágrimas em seus olhos que ela estava relutante em deixar escorrer. Percebendo o estado da garota sentada à sua frente, o delegado tentou amenizar a situação:

– Ouça, sei que não é fácil aceitar os últimos acontecimentos. Está tudo bem em chorar.

Scout já não podia mais conter as lágrimas e os soluços. Mesmo o delegado William, com toda a sua frieza, se sensibilizara com a situação. Aquele era de longe o caso mais estranho e assustador para o qual ele já fora designado.

– A senhorita não tem parentes aqui na Califórnia, certo? – perguntou o delegado.

– Certo – respondeu Scout, secando as lágrimas e ainda soluçando um pouco.

– Não tem avós ou tios com quem possa ficar?

– Não tenho tios. Meus avós paternos já morreram, assim como minha avó materna. Meu avô materno está num asilo em Manhattan há alguns anos, eu só tinha meus pais.

– Entendo – disse o delegado. – Scout, você deve entender que nesse caso não há outra alternativa a não ser-

– Me colocar num orfanato? – Scout cortou-o.

– Na verdade, eu já tratei de arrumar um orfanato no qual você pudesse ficar. Chama-se Orfanato East Village e-

– Orfanato o que?! – perguntou Scout, surpresa. Ela tinha ouvido direito?

– Orfanato East Village – repetiu o delegado.

Orfanato East Village. Era tudo o que Scout precisava. As coisas finalmente estavam começando a dar certo. Aquele era o orfanato no qual Mary vivera, lá devia ter algum pertence dela que pudesse ser usado no ritual, nem que fosse uma foto.

– Já foi decidido, está tudo certo, você vai para o Orfanato East Village hoje mesmo – decretou o delegado. – Vou mandar alguém para leva-la até sua casa para que possa pegar seus pertences.

– Certo... – Scout permanecia de cabeça baixa.

– Sinto muito, Scout – consolou o delegado. Scout apenas fechou os olhos na tentativa de se desligar de tudo, na esperança de que quando abrisse novamente ela acordasse daquele longo, cruel e assustador pesadelo. Obviamente, não funcionou. – Já pode ir. Peça para que o homem que a trouxe até aqui venha até minha sala, por favor.

– Certo. Com licença – disse Scout, levantando-se e saindo da sala do delegado.

Foi até a recepção, onde encontrou Andy observando um enorme aquário com diversas espécies de peixes. Ele parecia bem entretido com aquilo, como uma criança que admirava a vitrine de uma loja de brinquedos.

Ela ignorou-o e começou a procurar com os olhos a figura do policial robusto. Scout o encontrou perto da porta, fumando seu charuto e observando o vácuo.

– Com licença – pediu, se aproximando do homem, que lhe lançou um olhar rabugento. – O delegado William quer vê-lo.

– Certo – disse o homem, tirando o charuto da boca e soltando a fumaça, logo depois começando a caminhar em direção à sala do delegado. Scout observou-o bater duas vezes, entrar e fechar a porta.

Ela foi até Andy, que ainda observava os peixes. Agora ele começara a acompanha-los, movendo o corpo imitando o movimento dos peixes, com a cara quase grudada no aquário; todos por ali observavam-no como se ele fosse um marciano. A vontade de Scout era de sair correndo dali e fingir que não o conhecia, mas ela tinha que impedi-lo antes que ele tivesse a brilhante ideia de entrar no aquário e se juntar aos peixes.

Ela se aproximou do dito cujo e ficou parada, esperando Andy nota-la ali, mas ele continuava movendo o corpo acompanhando os peixes, como se estivesse fazendo nado sereia fora d’agua.

– Andy, quer me matar de vergonha?! – disse Scout, tirando Andy do transe aquático.

– O que eu fiz? – perguntou Andy, desviando o olhar para Scout.

– Você simplesmente está aí há meia hora parecendo uma lagartixa com cãibra quase beijando o aquário!

– Para de ser chata, deixe-me ser feliz, eu não vejo um peixe há quase um século!

– Não significa que você precisa fazer mímica de lombriga quando vê um! Se não fosse por mim, era capaz de você estar tentando mergulhar nesse aquário agora.

– Me empresta seu celular?

– Pra que?

– Quero gravar os peixinhos *-*

– Tem noção do quão idiota você é? – perguntou Scout.

– Me empresta logo! – apressou Andy. Scout revirou os olhos e entregou o celular. Andy começou a gravar os peixes nadando como se aquilo fosse a coisa mais legal do mundo.

– Não sei o que há de tão incrível num peixe – disse Scout.

– Tá com ciúmes de um peixe?! – Andy fingiu indignação. Andrew, você é um péssimo ator.

Quando Scout ia responder, a porta da sala do delegado se abre e o homem sai e vem em direção a Andy e Scout.

– Vou leva-la até sua casa, senhorita – disse ele. – Depois, vou acompanha-la até o orfanato.

– Orfanato? Como assim? E eu? Onde eu entro nessa história? – perguntou Andy.

– Você não é problema meu – disse o homem, seco. – Me acompanhe, senhorita.

Scout encarou Andy por alguns segundos e em seguida acompanhou o homem até uma das viaturas estacionadas. Eles entraram e partiram.

Andy saiu da delegacia e observou a viatura virar a esquina e sumir de vista.

– Que porra acabou de acontecer?



–---------



Scout observava o homem discretamente no banco de trás durante o caminho todo. Ele lhe causava calafrios.



Andy devia estar com um grande ponto de interrogação no meio da testa, afinal Scout não havia lhe explicado sobre o orfanato. Como ela o avisaria?

Scout colocou a mão no bolso do casaco de moletom e procurou o celular. Um de seus passatempos era desbloquear e bloquear o celular repetidamente. Ué, onde ele estava? Não estava no bolso de suas calças e nem no bolso de seu casaco. É mesmo! Naquela hora ela havia emprestado o celular para Andy gravar os peixes do aquário. Perfeito.

– Será que eu poderia usar seu celular? – perguntou Scout. – Preciso mandar uma sms pro meu namorado. Ele não está sabendo de nada, deve estar preocupado.

– Tudo bem – disse o homem, se mexendo um pouco no banco para tirar o celular do bolso da calça e entrega-lo para Scout.

Scout pegou o celular e começou a digitar a sms.

“Andy, eu estou indo para o Orfanato East Village. Isso mesmo, o mesmo em que a Mary viveu. Não poderia ser mais perfeito! Lá eu posso achar alguma coisa dela, com certeza! Mas vou precisar de ajuda pra escapar de lá quando formos fazer o ritual. Me busca lá em dois dias. Pensa num jeito de me tirar de lá, nem que seja durante a noite, quando estiver todo mundo dormindo. E não esquece de arrumar três velas de sete dias, o resto tá comigo.”

Enviada a sms, Scout tratou de excluí-la da pasta de "itens enviados" e devolveu o celular para o homem.

– Obrigada – agradeceu Scout.

O homem pegou o celular, guardou-o no bolso e parou o carro. Ele desceu e abriu a porta para Scout.

– Vou espera-la aqui – disse o homem, escorando-se na viatura e acendendo um charuto.

Scout entrou em casa e subiu até seu quarto. Um cheiro ruim impregnava aquele lugar agora, em vez do costumeiro aroma de lavanda que emanava dos lençóis. Ela fez suas malas o mais rápido que pôde para poder sair dali o quanto antes.

Separou uma bolsa apenas para os objetos e colocou-a no colo enquanto a enchia com coisas como livros, fotografias etc.

Ela pegou um porta-retratos da mesinha de cabeceira e antes de guarda-lo observou a foto. Era ela no dia de seu aniversário de 6 anos. Ela sorria mostrando todos os dentes. À sua direita, estava seu pai com o rosto bem próximo ao seu, também sorrindo, e à sua esquerda estava sua mãe, também com o rosto próximo ao seu e com um alegre sorriso no rosto. Eles estavam num parque de diversões em Manhattan, Scout ainda se lembrava daquele dia.



Flashback ON



– Pai! Pai! Vem comigo na montanha-russa?! – pediu Scout, radiante, dando pulinhos e apontando para a montanha russa.

Richard olhou para onde a filha apontava e viu uma imensidão de trilhos com um looping, curvas inclinadas e altas descidas. Ele observou a carreira de vagões subindo até o topo e um segundo depois despencando lá de cima na velocidade de um tiro. Suas pernas ficaram bambas, ele engoliu em seco. Um de seus maiores medos era andar em montanhas-russas.

– A-Ali, Scout?! – gaguejou Richard.



– É! Eu quero ir! A Lorie e a Amanda vieram juntas na semana passada e disseram que a montanha-russa é super legal!



– Acho que o papai tem medo de montanha-russa, querida – disse Melinda.



– Não tem não, mãe. O papai não tem medo de nada, ele é um super-herói, só que sem a parte dos poderes, né pai?



Richard se emocionou. Sua filha o via como um super herói que não temia nada, ele não podia decepcioná-la.



– Exatamente! – disse Richard, cheio de si. – Vamos lá, Scout! Vamos nessa montanha-russa! – ele colocou a filha sentada em seus ombros e saiu em direção à fila.



–---------



– HAHAHA, acho que a maioria dos super-heróis tem um estomago mais resistente do que o do papai, Scout – caçoou Melinda.



Richard estava pálido feito um lençol depois de sair da montanha-russa. Provavelmente seu café da manhã e almoço tinham ido embora durante o percurso dos carrinhos.

– A fraqueza do Superman é a kriptonita. Vai ver a fraqueza do papai é a montanha-russa, mãe – disse Scout, com pose de Sherlock. – O papai é o Superman e a mamãe é a Mulher Maravilha. Eles não são um casal, mas eu acho que eles dariam um bom par.



– E você, Scout? Qual super herói você é? – perguntou Richard, se recompondo.



– Eu sou a Mulher Gato, porque ela é linda, que nem eu, e luta contra o Batman, e eu não gosto do Batman porque ele é o homem-morcego, e eu tenho medo de morcego – justificou Scout, para risos de Melinda e Richard.



– Somos uma super-família – disse Melinda, pegando Scout no colo.



– E sempre vamos ser – disse Richard, abraçando a esposa e a filha.



– É, porque nada que aconteça pode separar a nossa família. Não é grande, mas é perfeita. Temos um ao outro, e isso é mais que suficiente. Seremos sempre unidos, nada vai enfraquecer nosso laço – completou Melinda.



– Vamos ficar juntos pra sempre, né? – perguntou Scout.



– Pra sempre...



– E sempre.



Flashback OFF

Ao fim daquela memória, Scout desabou em sua cama. Abraçou o travesseiro e chorou um choro sofrido.

Eram tantas lembranças boas, tantas coisas que passaram juntos, tantos anos sendo a super-familia... As coisas não podiam ficar assim. Scout ia fazer aquele ritual, mandar Mary de volta para o inferno, de onde aliás nunca devia ter saído, e libertar seus pais de todo o sofrimento pelo qual estavam passando, nem que isso custasse sua vida.

Notas finais
Reiews, críticas, opiniões, sugestões e afins, por favor, podem aparecer, não tenham medo de mim. E leitores fantasmas por favor deem sinal de vida.Beijoos e até o rpóximo capítulo s2Nyuu-chan :3