Verdade
1 Verdade – Parte 1
Notas iniciais
Depois do meus celular deletar a história, me matar de reescreve-la e montar todos os dialogos, situações e sentimentos que ela está carregando, venho até vocês posta-la!
Aproveitem a leitura!
E sim, fiz capitulos mais longos do que o normal para minhas hiatórias pois os diálogos ficam melhores se diretos em sequencia. ;)
Natsume estava indeciso sobre muitas coisas recentemente. Não sabia o que faria de faculdade, qual trabalho poderia ter para ajudar com os custos e que os youkais não fossem atrapalhar, era certo seguir sem contar seu segredo a Touko e Shigeru depois de tudo que fizeram por ele...?
Grandes dúvidas permaneciam. Ele tentava disfarçar, porém nem sempre conseguia. Seus amigos e o casal Fujiwara já haviam notado e, por mais que quisessem ajudar, Takashi ainda tinha dificuldade de se organizar para conversar sobre certas coisas. Estava se esforçando e já planejava como faria para conseguir conversar com Touko e Shigeru, assim que possível.
Respondendo a um pedido de ajuda vindo de uma moça – mais precisamente um Ayakashi que passava uma sensação de poder e soberania que ele jamais sentiu antes – Natsume estava de cama, dormindo em seu quarto. Ele não tinha febre nem nada, apenas dormia pacificamente.
A moça queria ajuda com a organização de uma purificação, para qual precisava recuperar um espelho desaparecido. Natsume ajudou a achar o espelho e a montar a cerimônia. A moça o agradeceu com um leve beijo na testa, deixando Natsume ir em bora com Madara. Chegando em casa, ele dormiu e estava assim a dois dias já.
Touko e Shigeru chamaram um médico para vê-lo e o mesmo constatou que ele estava bem, apenas dormindo e, mesmo ele tendo sido levado a um hospital, nada estava errado. Ele realmente só estava dormindo. Era preocupante e estranho... Mas se todos diziam que ele estava bem, o que mais podiam fazer além de tomar conta dele? Mantinham ele aquecido com cobertas, confortável, verificavam se não estava com febre e deixavam Nyanko-sensei com ele.
Mesmo sem os dois saberem, os youkais da região estavam agrupados protegendo Natsume. Haviam separado turnos de vigia para mantê-lo seguro e não deixavam que ninguém interferisse – nem mesmo que fossem youkais atrás de seus nomes. Qualquer um que quisesse entrar em contato com ele deveria esperar sua melhora.
.......................................................................................
O azul do espelho d’água refletia os brilhos branco e suave das pequenas luzes em volta, pequenos kinguios vermelhos nadavam pelo espelho enquanto sobre ele plantas floridas ficavam suspensas. Sentada sobre o espelho, uma moça desfrutava o relaxante momento que transcorria.
— Você é como uma criança. – ela se divertia passando uma mão sobre os cabelos do menino – Dormindo tão tranquilamente no meu colo, com uma expressão tão relaxada. – para ela, aquilo poderia continuar para sempre – Mas você precisa acordar para conversarmos, Takashi. – mas ela sabia que não podia ser assim.
— Onde...? – Natsume começou a acordar e tentava se orientar sobre onde estava e o que aconteceu, até reparar que estava sobre as pernas de alguém – Eu sinto muito por isso! – ele se levantou rápido, pedindo desculpas a quem quer que fosse.
— Não tem problema. – a voz feminina era familiar e ria, complementando – Meu neto é sempre bem vindo a dormir no meu colo.
— Reiko-san!? – ele levantou o rosto, reparando na jovem e bela moça a frente, vestindo um uniforme escolar e mantendo um belo e trabalhado kimono sobre os ombros.
— Sim, sou eu Takashi. – ela viu ele ficar vermelho ao ouvir seu nome vindo dela – Eu pedi ajuda a Ayakashi que você conheceu para isso. Ela confiou em meus motivos e depositou um feitiço naquele beijo que te deu para nos encontrarmos.
— Sim. – ele ficou um pouco vermelho e coçou a nuca ao completar – Mas não consigo sentir que este é nosso primeiro encontro, pois sempre vejo seu passado ao devolver os nomes dos youkais, escuto muito de você por eles e pessoas que te conheceram e já nos vimos em um sonho uma vez.
— Bem, sim. – ela ria um pouco – Mas em um sonhos normal eu e você não poderíamos ter uma conversa longa e tranquila. Aquela vez foi porque eu estava querendo te transmitir uma mensagem, depois de ver tanto como você estava trilhando seu caminho. – ao terminar, ela viu o rosto escurecido do neto.
— Você viu pelo que eu passei!? – a pergunta teve um tom cruel e severo.
— Sim. – ela suspirou – Eu sei o que você sentiu e sofreu. Para nós que vemos aquilo que os outros não podem ver ou acreditam ser real, a vida não é fácil e há sempre uma solidão persistente em voltar. – ela via o como ele tremia, tentando conter suas emoções – Eu sempre vi como você continuava a tentar ser gentil, se importar com os outros, seguir em frente e se ajustar a cada mudança que aparecia no caminho. – por fim ela ergueu seu rosto para si – O caminho que você escolheu seguir é um que eu deixei de lado já faz muito tempo.
Ela o viu secar lágrimas persistentes e tentar se acalmar. Estava tremendo muito e não era surpresa para ela: sabia muito bem que suas emoções eram mais facilmente expostas que as suas.
— Vamos, Takashi, tenha calma. – ela tentava ser delicada e acalma-lo, por mais que não se considera-se a pessoa mais indicada para isso – Nós temos muito que conversar ainda.
Ela terminou sorrindo, pensando que ele perguntaria algo; mas não perguntou. Se encolheu, ficou vermelho, tentou juntar palavras, desviou os olhos para todos os lados... Mas nada perguntou. Havia sim muito que queria perguntar, mas não sabia como fazê-lo.
— Está tudo bem, Takashi. – ela se repetiu outra vez, chamando sua atenção – Nós temos bastante tempo para conversar e você pode me perguntar o que quiser. – ele ergueu o rosto vendo um sorriso de Reiko diferente de seu usual: era um sincero e belo sorriso.
— Então... – ele buscou pensar no que perguntaria primeiro – Reiko-san, por que não ficou com meus pais e comigo? – pronto, uma de suas grandes perguntas feita.
— Eu sempre quis me aproximar, mas não podia. – ela começou a responde-lo – Ainda haviam muitos youkais atrás de mim na época e isso seria perigoso para você, meu filho e a esposa dele. – mas eu assisti tudo de longe e, mesmo quando apenas minha alma restou, eu sempre estive ao seu lado. – novamente ao terminar ela viu a expressão de Takashi mudar.
— Então eu realmente nunca estive sozinho!? – outra pergunta, com confirmação certa, junto de um tom triste e banhado do choro que ele não conseguia segurar.
— Não, você sempre me teve por perto; mesmo que não pudesse me mostrar ou interferir no que acontecia. – ela decidiu abraça-lo. Era a única ‘técnica’ eficaz para acalmar alguém que ela já tinha usado e visto funcionar; e que, pelo visto, estava funcionando novamente.
Natsume ainda tremeu e chorou por mais alguns minutos nos braços de Reiko. Era um peso que ele definitivamente precisava tirar do coração.
— Sente-se melhor? – já separada dele, viu que se recompunha.
— Sim. – ele ainda enxugou algumas lágrimas – Obrigado, Reiko-san. – Natsume conseguiu esboçar um sorriso.
— Não precisa me chamar de ‘san’, Takashi. – ela sorria – Pode me chamar apenas de Reiko, você é meu neto afinal.
— Tudo bem, Reiko. – Natsume demorou um pouco, mas o esforço resultou em conseguir chamá-la pela primeira vez por seu nome – Reiko, como era meu avô? – ele concentrou-se em realizar sua próxima e, sem dúvida, mais curiosa pergunta.
— Seu avô... – por um momento, Reiko não conseguiu disfarçar suas emoções e sorriu genuinamente, de forma apaixonada, fechando seus olhos como se pensasse nele – Bem, o nome dele era Shu e ele era um cara muito estranho. – ela reparava no olhar fixo e atento de Natsume – Nós nos conhecemos quando terminávamos o colegial. – ao dizer isso e olhar para o uniforme que usava, Natsume pensou que ele deveria ser desta época – Eu e ele conversamos pela primeira vez ao nos encontrarmos comprando almoço no mesmo lugar. – ela tentou parar, mas o continuo foco de Natsume na conversa deixava claro que teria que dar-lhe mais detalhes.
{História da Reiko e do Shu ON}
Ele ficou chateado naquele dia por eu não o reconhecer, já que estudávamos na mesma sala de aula. Ele tentou falar comigo e se aproximar mais algumas vezes, me trazia manjus da Nanatsujia e eu sempre tinha que afastá-lo ou tentar despistá-lo. Era uma luta todo dia para que ele não ficasse muito perto de mim, já que isso costumava fazer as pessoas perderem amigos ou virarem alvos de comentários desagradáveis ou youkais.
Ainda assim ele persistiu na ideia de continuar a me seguir. Quando me mudei da cidade em que você mora hoje, para uma vizinha, ele continuou a me visitar e procurar em todos os momentos possíveis.
Um dia ele até chegou a entrar numa briga por mim e se machucou muito e foi nesse dia que decidi acabar com aquela situação. Falei muitas coisas cruéis para ele naquele dia, muitas que eu nem realmente queria dizer; mas ele precisava se afastar. Larguei ele lá na rua e na chuva e fui em bora, torcendo para ele parar desta vez.
*Reiko parou ali a conversa, fazendo Natsume perceber que, o sorriso que sustentou durante todo curso, deu espaço para uma séria e triste expressão, que até a fez cerrar os punhos tremendo.
— Reiko, se o resto for muito difícil, você não precisa se forçar a me contar. – Natsume a surpreendeu.
— Você e o Shu são de fato muito parecidos. – ela sorriu – Ele era gentil assim como você. – suspirando e recompondo seu sorriso e fôlego, ela terminou – Mas eu vou terminar de te contar tudo.*
Pouco tempo depois daquele dia, eu ouvi uns youkais dizerem que um humano, que morava em uma casa, no final da trilha de subida do morro próximo, estava com um cheiro delicioso e completamente exposto.
Eu sabia que a descrição batia com o lugar onde o Shu morava e, mesmo relutante, corri atrás dele. Se ele estava em perigo, a culpa com certeza deveria ser minha, por não ter dado um fim aquela interação toda dele comigo antes.
Quando cheguei lá, vi um youkai tentando possuí-lo sem sucesso. Quando ele me viu, não consegui avisá-lo a tempo de evitar o que aconteceu depois.
“Shu! – eu chamei sua atenção, vendo o youkai fugir.”
“Reiko!? – ele veio veloz até mim, se curvando imediatamente – Eu sinto muito por tudo! Eu visitei um homem chamado Hakozaki há alguns dias. As pessoas dizem que ele é um exorcista e que conhece muito dessas coisas sobrenaturais, então fui ver se isso era verdade e se as coisas que falam de você também são. – ele estava muito sério enquanto falava isso para mim – Eu descobri que é tudo verdade e, mesmo que por pouco tempo, tive um vislumbre de como o mundo se revela aos seus olhos. Mas eu ainda assim não entendia sua dor e a pressão pela qual você passa. – ele se curvou para mim outra vez – Eu realmente sinto muito por insistir tanto, sem entender nada e te magoar. Eu... Eu... – ele parecia que me diria mais alguma coisa, mas alterou suas palavras, tentando disfarçar o que quer que fosse – Eu quero que fique com isso. – ele tirou uma pulseira de fios, vermelha e branca e com dois sinos pequenos do pulso, colocando no meu e me dando um beijo no final – Eu sinto muito mesmo.”
Ele estava com uma expressão extremamente triste naquela hora e eu fiquei alguns minutos sem reação por tudo aquilo, perdendo por um momento o foco no que deveria realmente fazer.
“Shu, cuidado! – eu voltei a minha razão ao reparar que o youkai não fugiu, apenas se escondeu aguardando sua chance e, naquela hora, o Shu já estava longe de mim.”
Ele se virou para mim e eu não o alcancei a tempo. O youkai conseguiu possuí-lo. Tinha tanta energia fluindo naquela hora, que foi muito difícil alcançá-lo. Assim que consegui chegar nele eu usei a pulseira para expulsar o youkai mais uma vez e dei um fim nele logo em seguida. O Shu e eu estávamos bastante machucados então levei ele para um hospital, onde inventei que caímos fazendo uma trilha e ele ficou por uma semana.
Eu só o vi uma vez, que foi no dia antes de eu sair do hospital, onde ele ainda ficaria internado. Durante aquela conversa, mais uma vez, fiz todo esforço para enfiar na cabeça dele que deveria se afastar de mim.
“Reiko.... – ele estava bem debilitado, mas ainda sorria para mim – Qeu bom que você está aqui.”
“O quão louco você é!? – eu realmente estava brava naquela hora – Eu tenho certeza de que te disse para ficar longe de mim! Você ainda vai e visita um exorcista para se inteirar de coisas perigosas! E, se tudo não bastasse, se deixa exposto para youkais e tira uma proteção poderosa com um a sua espreita! Você não tem jeito! – os médicos e enfermeiras estavam ocupados, então dei sorte de não sermos interrompidos, pois ergui minha vos contra ele.”
“Eu sei que não entendo das coisas pelas quais você passa e já me desculpei por isso, embora não esteja surpreso que simples desculpas não bastem. – ele pareceu chateado na hora – Mas não achei que você se livrar da pulseira que te dei tão rápido. – tudo que eu disse para ele, ele resumiu assim... como se nada mais importasse.”
“A pulseira era um talismã de proteção para você. – acabei cedendo em explicar para ele algumas coisa básicas – Pessoas tristes, sozinhas ou com emoções expostas são alvos fáceis para youkais. O Hakozaki deve ter te dado ela sabendo que você poderia estar em perigo eventualmente. – eu via ele me dar toda sua atenção, lutando contra o cansaço – Quando você tirou e me deu, um youkai que estava a sua espreita conseguiu te possuir; depois eu usei ela pra expulsar ele de você e ela acabou sendo destruída. – terminei de explicar e não deixei que ele me interrompesse com outras coisas – Agora você vai ficar longe de mim! – aquilo definitivamente não era uma pergunta – Adeus.”
Eu dei as costas para ele e saí. Estava acostumada com despedidas e de precisar afastar as pessoas, que elas me estranhassem ou se afastarem por conta própria; mas ter de fazer aquilo com o Shu realmente mexeu comigo. Acabei relevando, já estando tão acostumada que lidei com o sentimento como sempre fazia.
Alguns dias depois da data em que sabia que ele sairia do hospital, nós nos encontramos novamente, em uma área aberta de trilha de floretas na cidade onde você mora hoje. Eu realmente não acreditei que ele estava lá!
“Reiko! – ele me parecia cansado – Você é difícil de achar. – ele recuperava o fôlego.”
“Chega! O que eu tenho que fazer para você entender que é para ficar longe de mim? – já cansada de repetir aquilo, fui curta, simples, suave e até decepcionada nas minhas palavras – Você quer tanto assim morrer?”
“Não. – ele chegou mais perto de mim – Eu quero ficar com você. – ele me estendeu a mão para ajudar-me a ficar em pé, mas não aceitei; me levantando sozinha – Eu deveria ter dito isso antes, mas não consegui. Eu te amo. – de novo ele me pegou de surpresa e conseguiu me beijar outra vez.”
“O que!? – eu perdi a postura, me desequilibrando um pouco em um machucado na minha perna.”
“Cuidado! – ele me amparou, acabando por tocar alguns machucados mais que tinha, fazendo eu expressar minha dor para ele – Você está bem? – ele estava preocupado e olhou o estrago em volta de nós – O que aconteceu aqui?”
“Eu selei um youkai aqui. – cedi em contar para ele, apontando para um pequeno e simples templo, razoavelmente novo, atrás de uma corda – Ele se descontrolou depois de ser atingido pelo veneno de um youkai para me ajudar e eu tive que fazer isso para detê-lo. – terminei inexpressiva, ou, ao menos, foi o que eu achei.”
“Ele era um amigo seu, certo? – por aquela eu não esperava e ele completou antes que eu perguntasse o que queria – Depois de tanto te observar e seguir, não é difícil de saber quando você está meramente sorrindo para disfarçar suas emoções, quais você esta tentando esconder e quando você as revela. – ele me olhava fixamente.”
“Você é realmente estranho! – eu sorri para ele e ele pareceu animado com o que disse, me ajudando a descer da trilha, me escoltando para casa dele, fazendo curativos em mim, preparando jantar, me convidando para passar a noite na casa dele... Tudo que não estava acostumada, mas me agradou experimentar com ele; além de ter visto suas reações com minha falta de modos a mesa e facilidade em esquecer todo tipo de coisas.”
{História da Reiko e do Shu OFF}
— Depois daquilo muitas outras ocasiões vieram e mais vieram. Não chegamos a nos casar, mas passamos a ter uma vida assim e eventualmente seu pai nasceu. Acho que nunca fui tão feliz daquela forma, mesmo que por pouco tempo. – ela realmente estava mostrando suas emoções relacionadas ao assunto para Natsume, fosse felicidade, tristeza, arrependimento ou dor – Alguns anos depois o Shu faleceu e eu também. – ela foi bem rápida em dar esse detalhe.
Natsume processava tudo que ela contou, assimilava os motivos que levaram Nyanko-sensei a estar selado no templo onde o encontrou e não saber da vida de Reiko e quem foi o homem que deu a sua avó uma felicidade, que ela não sabia que existia e pôde experimentar graças a ele.
— Obrigado por me contar, Reiko. – Natsume a agradeceu com um sorriso, que novamente a divertiu.
— Você e o Shu são realmente muito parecidos. – ela ria – Ele era gentil e teimoso como você, além de descuidado e aventureiro. Ele também era o único que me fazia ceder satisfações e confissões daquele jeito. – os adjetivos tiraram um expressão envergonhada e de imediata autoconfirmação, seguida de risos pausados e divagares. Ela não estava errada afinal.
— Reiko, como você e o Shu-san morreram? – ele decidiu seguir com as perguntas e, por mais que a resposta a essa fosse ser forte, com certeza seria, ele precisava ouvi-la.
— Takashi, pode chamá-lo de Shu. Ele era seu avô! – ela realmente não parecia se importar com os sufixos de respeito e Natsume de esforçaria em tentar não usá-los – O youkai que possuiu o Shu deixou algumas lesões no corpo dele e isso encurtou bastante sua vida, mesmo ele tendo vivido mais que o normal numa situação dessas; pelo que eu tenha me informado ao menos. – ela estava realmente triste ao dizer isso, fazendo Natsume confirmar que aquele momento em que ele esteve em perigo claro e ela não conseguiu ajudar, era um do qual ela se arrependia imensamente – Já eu morri consideravelmente jovem mesmo. Na nossa família é incomum, mas acontece, de nascerem pessoas com poderes altos como eu e você e, geralmente, não temos saúde e capacidade de suportar isso por muito tempo. – ela imediatamente parou, ao reparar que a expressão do neto novamente escureceu, porem de terror.
— Reiko... Isso... – ele estremecia tanto que mal se concentrava.
— Sim. – ela suspirou pesadamente – O Shu me ajudou a pesquisar sobre o assunto e foi assim que descobrimos esses detalhes – Apenas na linha em que eu e você estamos da família, e somos também os últimos a nascer, é que, no passado, podia acontecer de nascerem pessoas como nós. Estas pessoas tinham saúdes bem frágeis geralmente e eram desprezadas pela família. Como nossos corpos têm de lidar com muito poder e energia, não aguentam por muito tempo. – ela via que Natsume tentava ao máximo se concentrar em suas palavras – Assim como eu tinha grandes poderes, e ainda tenho boa parte deles, você também tem; porem a sua saúde é mais frágil do que a minha era. – ela terminou ali sua explicação.
Ele estava travado ali. Processava as palavras dela, tentando ao máximo digerir o que ouviu. Tremia e suava, as palavras escapavam e as lágrimas persistiam fora de seu controle. Reiko o abraçou novamente, acariciando seus cabelos – conseguindo que se acalmasse mais uma vez, após alguns minutos.
— Ah... – ela soltou um suspiro – Como você e o Shu podem ser assim tão parecidos!? – Natsume pareceu não entender, pois ela persistia em repetir isso e ele sempre foi confundido com ela – Quando eu o abraçava e ou acariciava os cabelos dele, ele costumava se acalmar muito fácil. – a explicação deixou o rosto de Takashi vermelho e o fez rir com ela.
A diversão não parecia que acabaria, até Reiko segurar uma das mãos de Natsume e direcionar sua atenção para ela.
— Takashi, olhe para mim. – ela tinha sua mais absoluta atenção – O que você pensa sobre youkais? – uma pergunta direta e avassaladora, cuja resposta deveria ser honesta acima de tudo.
— Eu não gostava deles. – ele, depois de um bom tempo, olhos para ela e respondeu – Para mim youkais sempre foram maus e a razão da minha solidão ou que eu perdesse a casa onde morava ou escola em que estudava. – Reiko lhe dava absoluta atenção – Mas, depois de conhecer a Touko-san e o Shigeru-san, fazer meus amigos e andar com o Nyanko-sensei, eu comecei a entender o que antes não era claro para mim e muito mais sobre eles. – ela via que ele era honesto em cada palavra – Hoje eu me sinto feliz por conhece-los e entende-los de verdade.
— E você não tem problema em estar entre os dois lados? – outra pergunta avassaladora e potente. Natsume estava feliz por ela não soltar sua mão, pois aquela sequência de perguntas estava sendo bem forte.
— Eu tenho amigos humanos, ganhei uma família que me ama muito, fiz diversos amigos youkais, conheci exorcistas e até fiz amigos entre eles; hoje posso ajudar aqueles com quem mais me importo e aprender cada vez mais com cada lado, perspectiva e situação. – aquela pausa em que ele fechou seus olhos, para depois abri-los com convicção, chamou a atenção dela – Eu não vejo o caminho a minha frente sem todos eles. – ele foi sucinto e tirou uma expressão surpresa e até inacreditável dela.
— Então você realmente tem a força para seguir por esse caminho que escolheu. – ela o abraçou outra vez, mas como forma de parabeniza-lo e acalmar a si mesma – Eu estou muito orgulhosa de você.
Ele a abraçou de volta e ali os dois ficaram por longos minutos. Ao se separarem, ela decidiu completar muito séria.
— Um aviso que eu tenho que te dar: cuidado com os exorcistas! – ela foi extremamente séria no que disse – Eu sei que você fez amizade com um e ele te ensina várias coisas, mas nada muda que você se envolve muito com o clã Matoba. Eles são fonte de problemas e perigos! O menor deslize e tudo pode dar errado com eles. – ela finalizou ali.
— Ei sei, Reiko. – ele sabia da seriedade daquele assunto – Eu tomo todos os cuidados que posso e não deixo que descubram sobre o Livro. Eu contei dele apenas para o Natori-san e ele tem me ajudado a esconder esse segredo também. – ali ele percebeu que não explicou-se ainda sobre a razão de devolver os nomes no Livro – Ah! Sobre o Livro... – ela o interrompeu ali mesmo.
— Não precisa me explicar nada, Takashi. Eu sei quais foram seus motivos e suas razões para devolver os nomes e que você gosta de me conhecer através das lembranças dos youkais que me conheceram. – ela estava fixa nos olhos dele – O Livro é seu para proteger e usar como bem entender, além de seu objetivo nunca ter sido controlar os youkais com seus nomes nele. – mais uma vez ele era pego de surpresa em suas palavras – Eu apenas jogava com eles e guardava comigo os nomes daqueles que conheci. Você os devolve e eles ficam felizes e você também. – ela fez uma pequena pausa para pegar ar – Você ter prometido o Livro para o Madara é até engraçado, já que ele persistia em me seguir por onde eu ia e falar em eu dá-lo para ele. – ela terminou rindo alto e sendo acompanhado de Takashi.
— Eu tenho tomado mais cuidado com como me protejo, aos nomes e a aqueles que são importantes para mim. – ele confessava para ela – Mas não pretendo desistir do caminho que escolhi.
Um silêncio estranho prevaleceu. Reiko o olhava fixa, triste visivelmente, pensativa de forma preocupante e tentando lutar contra um impulso desconhecido e feroz. Algo certamente parecia errado, até ela parar, suspirar pesadamente e voltar a encarar fixamente o neto – suas reações o preocuparam muito naquele curso curto, porem interminável, de minutos.
— Takashi, você já pensou que o casal e seus amigos saibam seu segredo? – a pergunta veio direta e, mais uma vez, com um poder devastador indescritível.
— Eles... Eu... – Natsume não sabia o que fazer. As palavras não vinham corretamente, as tremedeiras eram mais uma vez incontroláveis, mal piscava, ficava avoado e perdia-se em turbilhões de pensamentos – Se eles soubessem eu não poderia morar mais lá. – seu olhar aterrorizado prevalecia direcionado ao chão – Eles não sorririam mais... Ficariam muito preocupados... – suas mãos passaram a apertar seus braços como se tentasse se conter – Eles estariam em perigo! – nada mais disse, pois Reiko o parou com mais um abraço.
— Desculpe ter mexido com seus medos assim. – ela sentia ele apertar o abraço e os tremores que lhe passavam – Mas você sabe que eu e o Shigeru nos conhecemos uma vez, há muito tempo; que ele e a Touko perguntaram para diversos parentes sobre você e escutaram muitas vezes sobre esse assunto; que seus amigos já testemunharam situações com youkais ao seu lado; e que três amigos seus sabem já uma parte da verdade e esperam pelo momento de você estar a vontade para revelar tudo. – ela foi sincera e decidiu finalizar – Eu não sou a pessoa mais indicada para te dizer isso, mas sei que você quer seguir por esse caminho e, foi considerando tudo cuidadosamente, que armei está conversa! Você precisara encarar esse medo de frente e com todas suas forças para seguir adiante.
— Reiko... – ele ainda tremia e, finalmente, ela sentiu suas lágrimas novamente – Eu estou com medo. – pronto, ele confessou a ela.
— Mas você já se decidiu quanto ao que quer fazer. – ela fez com que seus olhos se encontrassem – Se você quer seguir em frente, e você precisa seguir em frente, precisará encarar esse medo de frente também. – suas palavras mexeram com ele, resultando que ele a abraçasse desta vez, para se acalmar o melhor que podia.
— Obrigado, Reiko. – ele ainda estremecia e ela decidiu recorrer a tática de acariciar os cabelos.
— As pessoas que você conheceu são especiais e únicas. Elas se preocupam e tem carinho por você de forma genuína. Nunca se esqueça disso! – suas palavras novamente fizeram efeito, com o neto parando de tremer e tornando suas lágrimas de medo e lágrimas de alegria, conforme sorria relembrando todos que estavam ao seu lado.
— Você vai conseguir, Takashi! Eu estou acreditando nisso! – ela tocou seu rosto, fazendo uma tontura imediata assumir – Queria muito continuar essa conversa, mas não podemos. Já estamos aqui faz 3 dias e o casal e seus amigos estão preocupados com você; precisa voltar logo. – ela acariciava seus cabelos novamente, vendo-o ajeitar-se em seu colo – Não se esqueça que eu estarei com você, mesmo que não possa me ver.
— Reiko-san.... – ele adormeceu, fazendo-a rir de novamente tê-la chamado com sufixo e ter a mais bela e genuína expressão de conforto, paz e felicidade que ela já viu. Sabia que foi vitoriosa em sua empreitada de ajudar seu neto a seguir em frente.
.........................................................................................
Natsume acordou em seu quarto e, na hora, Touko o estava vigiando. Ela ficou muito feliz e emocionada, abraçando-o e depois fazendo todos os tipos de perguntas para ter absoluta certeza de que estava bem; quando terminou ainda foi fazer-lhe algo leve para comer e ligar para Shigeru para contar a novidade.
A noite foi de celebração entre a família e os youkais e o dia seguinte entre os amigos, que o ajudaram a repor as matérias que perdeu – além de, neste dia, ter contado a Nyanko-sensei o que realmente aconteceu. O youkai não podia ter estado mais surpreso e deu total atenção a cada detalhe das revelações que ele apresentou e, ainda mais, a conclusão à qual chegou.
“Eu preciso preparar algumas coisas Sensei. – ele foi muito sério ao falar – Eu vou contar a todos a verdade e precisarei de ajuda para fazer isso. – o youkai teve certeza do que escutou – Amanhã vamos reunir os youkais de Yatsuhara para conversar com eles sobre minhas ideias.”.

Notas finais
Coloquei um avô para o Natsume, uma conversa com a Reiko, deixei ela ter felicidade, mostrei porque o Madara não sabia da vida da Reiko e estava selado.... Cacei vários detalhes para montar isso. Espero que possam ter apreciado a leitura, se emocionado e estjam prontos para o próximo.
Se puderem me deixar suas opiniões e reações ficarei muito grata como sempre ;)
Fale com o autor