Verdade

2 Verdade – Parte 2


Notas iniciais
Essa é uma short story meus caros, mas garanto que este capitulo, que é o último, irá emocionar em todas as escalas possíveis! Leiam, desfrutem, sintam e vejam como será o fechar destas cortinas! Abraços e boa leitura.

Natsume já havia conversado com os youkais de Yatsuhara sobre sua decisão e ficou claro que o ideal seria buscar um lugar seguro e tranquilo para fazer o que queria. O problema agora era encontrar este lugar. Muitos youkais conheciam ele e poucas regiões seriam realmente seguras – além de Natsume querer que sua família e amigos vissem o lado bom de sua relação com youkais.

A notícia chegou ao conhecimento de Ito e, como servia a uma divindade, ela pôde arranjar que Natsume usasse sua cede de fontes termais para seus planos. O local era protegido por uma barreira, bonito e sossegado – perfeito para seus planos. Natsume a agradeceu imensamente, pois permitiu que trouxesse todos que planejava e usasse o local por uma semana inteira.

Agora ele precisaria convidar a todos, o que não tinha ideia de como faria. Nunca foi aquele a sugerir estas ocasiões extraordinárias de diversão e muito menos quem estendia convites. Mas, se fosse dar sequência a sua decisão, precisaria fazer! Não importasse como.

{Convidando os amigos}

No colégio as aulas já haviam acabado e todos discutiam o que fariam com suas férias. Melhor oportunidade que aquela Natsume não teria! Mesmo estando difícil de conseguir dar início ao convite.

— Se vocês puderem, um amigo disse que posso usar a casa de fontes termais dele nas férias. – pronto, conseguiu começar a conversa.

— Uma casa de fontes termais!? – Sasada e Taki repetiram juntas – Isso seria maravilhoso! – elas ficaram muito animadas; além de todos terem ficado surpresos com o convite que ele estendeu.

— Quando iriamos? – Tanuma já pensava o como seria divertido, deixando suas suspeitas sobre quem seria este “amigo” em silêncio.

— Mas não seria uma viagem muito cara? – Nishimura estava animado, mesmo compartilhando uma preocupação.

— Nós poderemos usar a casa por uma semana, logo no começo das férias escolares. – Natsume decidiu esclarecer as dúvidas levantadas – Quanto aos custos da viagem, apenas precisaríamos arcar com as passagens de trem de ida e volta, pois não é um lugar longe e meu amigo disse que estava tudo bem ficarmos lá. – ele terminou ali com todos surpresos.

— Isso é muito legal da parte dele! – Kitamoto estava muito animado – Então está marcado nosso passeio de férias. – ele confirmou com os amigos.

Depois de conseguir convidar os amigos na escola, ainda convidou Shibata com sucesso! Agora precisava confirmar com Touko e Shigeru se eles poderiam ir.

{Convidando Touko e Shigeru}

Mais um jantar animado com o casal e acompanhado da deliciosa comida que Touko preparava. Shigeru iria tirara alguns dias de férias e falavam sobre o que fazer. Outra grande oportunidade! Mesmo o nervosismo que sentia em convidá-los fosse mais que o que sentiu ao fazer o mesmo com os amigos.

— Touko-san e Shigeru-san, se estiver tudo bem para vocês, um amigo tem uma casa de fontes termais que me deixou usar nas férias. – pronto, mais um convite introduzido.

— Que lindo! Uma casa de fontes termais! – Touko adorava estes lugares.

— É muita gentileza de seu amigo, mas não iremos incomodar? – Shigeru adorou a ideia e queria ter certeza.

— Não iremos. – Natsume estava realmente feliz que eles gostaram da ideia igualmente – Eu contei para ele de que gostaria de chamar alguns amigos e vocês para irem comigo e ele disse que estaria tudo bem. – o casal dava-lhe total atenção – Teremos uma semana, logo no começo das férias, para ficar na casa e o lugar não é muito longe daqui.

— Precisaremos agradecer muito seu amigo! – Shigeru estava surpreso e feliz.

— Com certeza. – Touko já estava em pé marcando a data no calendário na parede.

Para Natsume a sensação de sucesso que sentia em conseguir convidá-los, junto a felicidade por suas reações, estava agradável e até o deixando envergonhado. Apenas um convite faltava agora!

{Convidando Natori}

Natsume sabia que a divindade permitiu a vinda do amigo exorcista a sua casa, mesmo impondo regras e restrições, mas sabia que ele era bem ocupado com os trabalhos de ator e exorcista. Ainda assim lá estava ele, subindo de elevador até o apartamento de Natori, para convidá-lo.

— Com licença. – ele entrava cumprimentando o amigo – A quanto tempo, Natori-san. Você está bem?

— Faz muito tempo sim, Natsume. – Natori soltava sua costumeira risadinha – Eu estou bem. E você?

— Também estou. – ele sorriu de leve como sempre.

— Fique à vontade para se sentar. Eu vou preparar um chá. – Natori já esquentava a água enquanto Natsume sentou-se no sofá.

— Pronto, aqui está. – ele sentou-se pouco depois, entregando a xicara de chá ao rapaz – Agora me diga, o que está te preocupando? – ele o surpreendeu – Posso ver que você está bem nervoso e não parece bem.

— Eu... – como contaria aquilo ao amigo? Repassou a situação várias vezes mentalmente, mas o nervosismo era maior – Eu vou contar para todos que posso ver youkais. – ele acabou confessando.

— ... O que? – por aquela ele não esperava e até se engasgou com o chá – Você sabe o que isso significa Natsume? De onde surgiu essa decisão? Você realmente está bem? – Natori estava muito preocupado, pois era um assunto extremamente delicado e sério.

— Não. – ele viu Natsume cerrar os punhos enquanto tremia – Eu estou com muito medo. – ele confessou – Mas já decidi que vou fazer isso! Eu só não queria estar sozinho na hora. – ele ergueu o rosto para o amigo.

— E por isso você quer que eu esteja com você quando a hora chegar? – Natori estava surpreso. Era uma grande e conflitante emoção ser escolhido assim pelo amigo, assim como uma enorme responsabilidade em estar lá como seu suporte em uma hora tão importante.

— Sim. – ele tentava ao máximo manter seu foco – Eu sei que você tem bastante trabalho, mas se for possível, nem que só um pouco, que você esteja lá, já iria significar muito para mim. – ele foi completamente sincero.

— Me diga quando e eu estarei lá. – se era ele quem deveria estar lá, então Natori faria de tudo para estar ao lado do jovem amigo.

— Na primeira semana de férias, iremos a casa de fontes termais de uma divindade que conheci. – de Natori ele não precisava esconder estes detalhes e viu o amigo ficar estático ali – Ela disse que você pode ir, mesmo tendo impondo algumas condições, e que poderemos usar o espaço por uma semana inteira. – ele terminou vendo a seriedade com a qual Natori pensava no assunto.

— Entendo, Natsume. – depois de suspirar, Natori colocou uma mão no ombro do jovem amigo, atraindo sua atenção – Eu estarei lá. – ele viu uma feliz surpresa aparecer no rosto antes preenchido de medo – Você decidiu seguir para o próximo passo de um importante caminho. Vai ficar tudo bem. Você tem força para continuar. – dito isso, Natori seguiu o resto daquela tarde conversando com Natsume sobre sua decisão e o que o levou a estar tão determinado perante ela.

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O grande dia finalmente estava ali. Todos com malas de viagem, animados para o passeio e se encontrando na estação mais próxima. Natori poderia encontrá-los já na estação próxima ao local que iriam, porem decidiu fazer todo trajeto com Natsume. Ele via como disfarçava seu nervosismo, ao mesmo tempo em como estava feliz ao lado dos presentes. Aquele dia mudaria tudo para sempre!

Chegaram na estação e reconheceram onde estavam.

— Natsume, vamos ficar na pousada da tia Satomi? – Tanuma perguntou vendo onde desceram.

— Na verdade não. – ele ficou um pouco sem jeito – O lugar para onde vamos fica seguindo por uma trilha na floresta atrás da área do festival. – os presentes se entreolharam sem entender.

— Mas tem alguma coisa lá? – Kitamoto não entendia o que iriam fazer naquela floresta.

— É uma surpresa. – Natsume disfarçou a situação com um sorriso, porem não conseguiu evitar que os presentes notassem o reflexo de vidro opaco em seus olhos. Um conhecido sinal de que estava disfarçando algo.

Sem mais perguntas, seguiram juntos até a floresta, realizando uma trilha estranhamente torta. Davam voltas e contornos em árvores estranhas, viam marcas diferentes em árvores, passavam algum tempo sem ouvir sons e pareciam estar andando muito mais do que a verdadeira extensão daquele lugar... até a verdadeira surpresa aparecer.

Uma luz veio e dela revelou-se uma magnífica área de floresta rasa, iluminada pelo sol, com um rio suave passando, flores desabrochando e uma casa de fontes termais escondida ao centro. Um belíssimo lugar preenchido pelo mix de sons suaves de sua natureza.

— É lindo! – Touko foi a beirada do rio ver as flores sendo seguida de Shigeru.

— Olhem esse lugar que beleza! – Sasada e Taki já exploravam as vistas próximas.

— Ei, vejam isso! – Shibata chamou a atenção dos amigos para ver a estrutura impressionante das árvores mais grossas.

— Natsume, é um lugar muito especial. – Natori mal tinha palavras e não mais se surpreendia pelo caminho longo e bem protegido que tiveram que fazer para chegar aquela área – Estou realmente surpreso que a divindade local nos deixou usar. – era fato de que aquilo não era normal, embora soasse plausível considerando-se de que Natsume estava envolvido.

— Natori-san, quanto as restrições que ela impôs para você... – Natsume precisava checar.

— Eu sei. – ele o impediu de seguir – Não trouxe nenhum utensílio de exorcismo comigo, nada vai sair deste lugar, nenhum youkai residente será ferido e Hiragi, Sasago e Urihime não sairão. – ele lembrava-se das regras para sua entrada – É um evento muito importante e eu vou ter certeza de preservar sua paz. – ele novamente apoiava uma mão no ombro do amigo, sorrindo o mais gentil possível.

— Sim! – Natsume sorriu realmente feliz – ter o amigo ali realmente o estava acalmando.

Seguindo a trilha de ladrilhos de pedra, chegaram à casa onde foram recepcionados por alguns empregados.

— Sejam bem vindos! – haviam dois rapazes e duas moças que se curvaram ao cumprimenta-los. Aos olhos de todos eram apenas pessoas; aos de Natsume e Natori eram os youkais que faziam a manutenção do estabelecimento.

— Estamos aos seus cuidados! – todos cumprimentaram igualmente os quatro e os seguiram para um tour pelo local.

No piso inferior estava o hall de recepção; virando no corredor principal a primeira direita, tinham as escadas que levavam para os quartos – um de casal, um para os meninos e outro para as meninas, todos já muito bem arrumados, com saídas de varanda e portas interligadas; descendo as escadas, seguindo na direção oposta do corredor principal, chegava-se a um extensa sala de jantar, com muito espaço e saída para um agradável jardim; já seguindo para o final do outro lado do corredor, passando as escadas e fazendo uma curva a esquerda, três portas eram encontradas marcadas com ‘homens’, ‘mulheres’ e ’banho misto’ – o lugar que dava acesso aos, já acolhedores e atraentes, banhos quentes ao ar livre.

Toda extensão da casa era decorada com gravuras delicadas, cores suaves e belas e alguns entalhes dourados e prateados preciosos. Saindo da casa, dando-se a volta para os fundos, era possível encontrar a cozinha, uma lavanderia, uma pequena instalação para cuidar de feridos e uma área de varal. Tudo era tão belo e acolhedor.

— Esse lugar é realmente incrível! – Shibata estava muito feliz em estar lá!

— É realmente! – Tanuma concordava junto de todos, enquanto conversavam arrumando suas coisas e com as portas dos quartos abertas.

— Precisamos agradecer seu amigo muito, Takashi. – Shigeru já pesava como – É um lugar muito especial com certeza.

— Bem, eu tenho uma ideia de como poderíamos fazer isso. – Natsume tentou ser discreto na forma como colocou aquilo – Lembram daquelas coisas que pedi que encontrassem? – ele comentou, fazendo os amigos se lembrarem de algo que havia dito.

{Flashback ON}

— Pessoal, vocês poderiam trazer algumas flores ou sinos para a viagem? – durante o almoço, na escola, uma semana antes de saírem, Natsume ergueu o tópico.

— Poderíamos, mas por quê? – Nishimura foi aquele que levantou a questão.

— Vocês comentaram de vermos algum jeito de agradecer meu amigo pela generosidade dele e eu lembrei que ele gosta de flores e sinos de sons suaves. – realmente vinham conversando em como agradecer ao ‘amigo’ de Natsume e ele também queria agradecer a divindade de uma forma mais apropriada.

— Então vamos escolher flores para levar! – Taki se animava.

— E que tal se as escolhêssemos juntos? – Sasada complementou a amiga – Assim levaríamos tipos deferentes para a viagem.

{Flashback OFF}

Todos pegaram as flores que haviam trazido e alguns sinos que escolheram, seguindo Natsume para fora da casa e em direção ao armazém afastado dos fundos das termas. Ali, Natsume pegou uma caixa e alguns panos e seguiram viagem sem perguntar muito o que realmente estavam indo fazer – algo naquela situação parecia estranho.

“Então é assim que você quer fazer isso, Natsume? – em pensamentos, Natori tinha certeza de entender o que ele pretendia indo imediatamente após suas chegadas cumprimentar a divindade anfitriã.”

Andando por mais algum tempo, alcançaram um pequeno e florido morro onde um templo razoavelmente pequeno, mesmo que ocupando quase todo o topo daquele morro, prevalecia firme e preservado, apesar de sua antiga arquitetura. Natsume deixou tudo no chão e foi limpando a templo – tirava folhas de cima das escadas, parapeitos e da bancada central e passava um dos panos que trouxe.

Terminando isso, pegou a caixa que havia trazido e dela tirou um suporte de incensos e um palito de perfume agradável, o qual encaixou no suporte, ascendeu e depositou sobre a bancada de madeira em frente a porta do templo.

— O que ele está fazendo? – Touko e Shigeru tentavam desvendar aquele comportamento tão sereno e protetor, de toques delicados e centrados, perante a manutenção do templo a frente.

— Ele está atendendo as necessidades básicas do espaço. – Natori respondeu – Antes de colocarmos nossas oferendas no altar, devemos limpá-lo e realizar os procedimentos que a divindade anfitrião preconiza. – a explicação foi clara, surpreendente e misteriosa. Ainda haviam lacunas a preencher.

Continuando atentos ao que Natsume fazia, viam que colocava as flores que trouxe a frente da bancada e, em um ornamentado e belo suporte, amarrava os sinos que tinha. Ele chamou todos para fazerem igual e, com tudo pronto, revelou o próximo passo.

— Agora nós rezamos a ela para agradecer sua gentileza. – ele olhava para frente – A dona deste lugar é uma divindade antiga e que gostas de flores, ela deverá ficar feliz com as que trouxemos. – todos pareceram não entender onde ele queria chegar – Eu vejo youkais há muito tempo... O mundo que vejo pelos meus olhos é muito diferente do que a maioria vê. – seus olhos luminosos mais uma vez tornavam-se de vidro opaco – Eu finalmente decidi enfrentar meu medo e contar para vocês este segredo e ela me deixou usar seu local particular de descanso para fazê-lo. – ele acabou ali, apenas fechando seus olhos e curvando-se levemente para rezar a ela em agradecimento.

Mesmo com muito para digerir e conversar, todos pararam para agradecê-la por sua generosidade; sentindo um vento súbito e suave vir embalar o local, mesclando o perfume das flores com o do incenso e os sons do vento com o dos sinos. Um sinal um pouco sobrenatural e agradável.

Ao terminarem, uma tensão estranha e incômoda de silêncio prevaleceu. Como conversariam sobre aquilo?

Para Touko e Shigeru o comentário trazia lembranças de suas conversas sobre Takashi antes de adota-lo; os amigos lembravam das situações com youkais que terminaram misteriosas a seus olhos e, agora, pareciam fazer sentido; Tanuma, Taki e Shibata estavam surpresos que ele contou o segredo e arrumou aquele viagem com uma divindade para ficarem seguros; e Natori só assistia a cena, torcendo para que seu desenrolar fosse o melhor de todos.

— Takashi. – Shigeru estava muito sério e chamou sua atenção – Vamos voltar para casa de fontes termais e conversar. – era a melhor ideia até ali que tinham e sua seriedade rendeu a falta de reação de todos.

Voltaram para casa, sentaram-se no jardim da sala de jantar e pediram que os youkais os deixassem sozinhos para conversar – no caminho de volta, Natsume já havia avisado o que os quatro realmente eram. Ali, sozinhos, demorou muito para que Natsume conseguisse começar algo; mas veio a acontecer.

Revelou que podia ver youkais desde sempre, suas relações com as vezes em que perdeu amigos, foi suspenso de escolas, se mudou da casa de parentes e foi parar em hospitais e como aquilo se relacionava a sua avó Natsume Reiko. No curso, Nyanko-sensei ainda revelou ser um youkai e, saindo do abraço de Taki, revelou sua aparência verdadeira a todos.

— Fofinho! – Taki ainda assim correu na direção do youkai gigante, pois seu pelo brilhoso e macio era muito aconchegante e ela amou tanto quando sua forma real.

— Ainda bem que você não fica desse tamanho em casa! – o comentário de Touko chamou a atenção – Não sei como faríamos para você caber, Neko-chan. – ela terminou rindo, mas percebendo a expressão confusa de Natsume.

— Touko-san...? – finalmente um deles havia reagido a tudo que disse e ele estava realmente surpreso por aquilo.

— Takashi, nós adotamos você já sabendo de muitas coisas. – Shigeru foi quem começou – Ouvimos diversas histórias de parentes e sabíamos já que havia muito que você ainda não queria conversar e disfarçava como se revelar fosse ser a pior coisa. – ele era bem sério em suas palavras.

— Mas nós decidimos confiar no que víssemos. – Touko deu continuidade – Falamos com você, fomos vê-lo, te conhecer e já tínhamos também tudo pronto para ficar com você. – ela sorria lembrando-se de como foi preparar tudo para ter uma criança – tudo bem, um garoto de 15 anos – em casa – E quando falamos com você, oferecendo se queria vir morar conosco, e você aceitou, ficamos muito felizes Takashi-kun. – ela sorria.

— Nós já sabíamos que você via youkais, mesmo que não soubéssemos de todos os detalhes. – Tanuma acabou comentando depois de Taki, Shibata e ele terem uma rápida troca de olhares – Digo... Eu sou sensível, mas não tenho as mesmas capacidades que você. – era a mais pura verdade.

— Realmente o mundo aos seus olhos é bem diferente do nosso, mas nada disso muda o quão você é importante como amigo para nós. – Taki complementava – Eu não sou tão sensível como o Tanuma-kun é, mas conheço um pouco dessas coisas por causa da minha família. – era verdade sim que a família de Taki tinha ligação com onmyoujis no passado.

— Eu lembro de quando estávamos na mesma escola e do que acontecia. – Shibata estava até envergonhado do que dizia – Eu me arrependo de não ter dado uma chance para nossa amizade antes; mas sei que entendi muito depois de ver seu esforço por mim naquela vez. – ele foi sincero, lembrando-se do que ele havia feito para ajuda-lo com a garota que gostava – que na verdade era o espírito de uma árvore antiga e desfalecendo.

— A gente não sabia antes, mas eu lembro do que aconteceu no teste de coragem no prédio antigo da escola e vejo nos dias mais quentes, bem cedo de manhã, que no caminho da escola você sempre derrama sua garrafa de água sobre algo invisível no chão. – Sasada confessava – Mas notei também que eram situações desagradáveis para você quando comentava algo, então acabei parando de insistir; afinal você contaria para nós quando se sentisse confortável. – ela sorriu sincera no final.

— Eu lembro de quando nossa amizade estava lá no começo e você me ajudou e, mesmo que eu estivesse meio exausto na hora, tenho certeza de que ouvi você e seu gato conversarem. – ele ria, lembrando de como aquilo pareceu uma alucinação sua por tanto tempo.

— Eu lembro da vez que ficamos até tarde na escola e de repente todos sumiram e ficamos trancados, até você discutir com algo e um vento forte levar um par de sinos pequenos embora. – Kitamoto lembrava da primeira vez que viu algo tão incomum acontecer com o amigo por perto – A sua reação depois foi bem diferente e eu achei... Estranha. – ele não sabia que palavras usar – Você parecia estar tranquilo e à vontade com a situação e, quando eu te vi, você pareceu disfarçar imediatamente qualquer emoção ali. – ele parou para pensar um pouco mais – Não acho que consiga descrever aquela situação de outro jeito. – ele coçava a nuca com uma meia risada forçada.

— Acho que o que a gente quer dizer é que, mesmo com essas situações estranha e alguns comportamentos seus bem diferentes, nada muda que nós demos a chance de te conhecer também. – Sasada tentava explicar – Te vimos ficar mais tranquilo em se abrir conosco, se aproximar, mudar de olhar e até falar mais. – ela tinha um genuíno sorriso, compartilhado pelos amigos, enquanto falava – Você é uma pessoa muito boa e um amigo legal e atencioso. Não vejo problema nessa história de você ver youkais. – ela concluiu sem nenhuma objeção.

— Mas pode ser perigoso. – ele finalmente seguiu com o que tinha que dizer e pareceu bem triste naquilo.

— Isso a gente já entendeu. – Tanuma respondeu – Mas se você é nosso amigo, então é apenas algo que vem junto. Não quer dizer também que tudo que acontecer será culpa dos youkais e que vamos deixar de nos divertirmos por isso. – ele tinha um ponto importante.

— Isso é verdade, Takashi. – Shigeru deu um complemento ao que os amigos diziam – Nos preocuparmos um com o outro, confiarmos, nos abrirmos, convivermos e crescermos juntos... Tudo isso faz parte de sermos uma família, certo? – aquele final sincero e genuíno, abalou as estruturas de Natsume.

Ele nada mais disse. Estava tão feliz que as lágrimas vinham sem que pudesse controlar, um peso tão grande, já não mais estava ali e seus medos de perdê-los e ser rejeitado novamente, já não marcavam presença. Então aquela era a sensação de ser aceito por aqueles que verdadeiramente o conheciam e queria ao seu lado verdadeiramente.

Enquanto aquilo se seguia, para Natori não haviam palavras ou emoções suficientes para descrever aquele importante e inédito momento. Aquelas pessoas eram únicas e com pensamentos extraordinários! Se cada exorcista ou pessoa com algum nível de sensibilidade pudesse conhecer e conversar com apenas uma pessoa como eles, tudo seria diferente, sem dúvida alguma.

Sem conseguir se conter ou controlar, Touko o abraçou. Ele estava muito emocionado e nada mais parecia que o acalmaria naquela hora. Ali eles ficaram mais algum tempo, até que ele finalmente se acalma-se e decidissem ir para os banhos se refrescarem.

Lá a conversa não era sobre youkais, mas sim uma celebração de que Natsume confiou neles. Riam de brincadeiras aleatórias que faziam, falavam de planos pós colegial e sobre outros programas a fazerem juntos nas férias. Foi uma noite de muita diversão.

No decorrer da noite, Touko e Shigeru viram Natori ainda acordado admirando as estrelas – ele parecia pensativo e emocionado, assim como imerso em seus pensamentos; o que pareceria que duraria a noite inteira. O casal o deixou a sós com seus pensamentos, indo dormir – precisavam sim conversar com ele, mas agora não parecia uma boa hora.

Na manhã seguinte, os amigos deram pela falta de Natsume no quarto.

— Acordem! – Shibata ficou preocupado – O Natsume sumiu!

Em poucos segundos todos levantaram e se aglomeraram no quarto.

— Onde ele pode estar!? – Touko ficou preocupada, principalmente considerando-se a conversa do dia anterior.

— Com licença. – uma voz feminina interrompeu a conversa, revelando uma das empregadas da casa – Se procuram pelo Natsume-dono, ele saiu mais cedo, pois sua presença foi requeria pela divindade. – ela terminava.

— Poderia nos levar até ele, por favor? – Natori imediatamente assumiu as rédeas da situação.

— Sim. Sigam-me. – ela fez um gracioso gesto, convidando-os.

No caminho silencioso, Natori achou melhor explicar-se aos presentes; já que não pareciam saber como perguntariam o que queriam tanto saber.

— Eu trabalho como ator, mas nas horas vagas sou um exorcista. – ele começou a falar, recebendo todas as atenções – Exorcistas são pessoas que lidam com youkais e seres sobrenaturais para ajudar outras pessoas, seja selando ou exterminando os seres. Alguns youkais fazem contratos com exorcistas e se tornam seus shikis, os auxiliando durante a vida. Eu por exemplo tenho três shikis, que pelas regras impostas pela divindade não posso deixar sair aqui.

— E você e o Natsume-kun se conhecem de onde? – Sasada estava achando tudo muito suspeito.

— Nos esbarramos uma vez e achei a presença dele muito estranha. – ele não esconderia a verdade – Como o Natsume tem uma alta dose de poder e sensibilidade e anda muito com youkais, sua aura tem uma sensação bem diferente do habitual. Depois confirmei que ele era humano mesmo e passamos a nos ajudar em situações com youkais. – ele ria lembrando da primeira vez, onde ajudaram Hiragi – Eu fiz questão de ensina-lo várias coisas sobre o meio, um pouco de como se proteger e as peculiaridades de se envolver tanto com youkais.

— Então você vem ajudando o Takashi-kun? – Touko estava surpresa.

— Sim. Admito ter sido difícil no começo, pois a maneira como ele interage com youkais e a maioria passa a interagir com ele é muito fora do normal. – o casal o encarou em dúvida – O Natsume respeita e ajuda os youkais a sua volta e, mesmo que hajam aqueles que caçam ele e trazem problemas, há aqueles que o respeitam e ajudam em retorno. Se já não tivesse visto provas disso várias vezes, nunca me convenceria. – hoje ele podia rir das situações em que Natsume o mostrou a diferença que os youkais com os quais interagia tinham.

Houve um duradouro silencio, enquanto processavam suas palavras, que Tanuma decidiu cortar.

— Então o Natsume realmente tem amigos dos dois lados. – aquilo não foi uma pergunta. Tanuma já sabia de sua interação com youkais da área e as palavras de Natori elucidaram tudo bem rápido.

— É mais do que isso. – Natori parou de andar – Há algumas semanas a trás ele fechou a decisão de contar a verdade a vocês, mas isso já vem se alastrando por meses. Nem eu, que tenho minha dose de experiencias no assunto, poderia dizer entender tudo pelo que ele passou e o que isso significa realmente para ele. Mas ele seguiu o caminho de confiar seu maior segredo e enfrentar seus maiores medos, pelas pessoas que ele mais se importa. – uma pequena pausa para ar e o direcionar de seus sérios olhos aos presentes finalizaram o pensamento – Vocês.

Estavam todos emocionados e queriam o mais rápido possível estar com o amigo e conversar.

— Obrigado por nos contar. – Shigeru o agradeceu.

— Está tudo bem. – ele suspirava – Quando o Natsume veio me convidar e contou suas intenções, eu realmente fiquei preocupado por ele; mas depois de ontem, estou aliviado em saber que ele e vocês não irão se separar. Acho que sou eu quem deveria agradecer, afinal o Natsume também é meu amigo. – ele sorriu e todos acabaram rindo igualmente. Tudo que Natori disse era verdade afinal.

Seguiram mais adiante no caminho, alcançando um belo lugar. O rio cristalino formava uma simples corredeira em pedras, moitas grandes e árvores finas de copas não muito espessas, muito bem floridas, desenhavam sombras e feixes de luz com o sol e, sentado sobre uma das pedras, estava Natsume.

Ele tinha um kimono vermelho sobre os ombros e admirava o gato brincando na água, enquanto um menino, que tinha orelhas e um rabo, estava sentado em outra pedra próxima e, ao fundo da paisagem, as duas figuras de preto, que se assemelhavam a um ciclope e um touro, acenavam felizes. Uma pacífica cena que nem o vento fazia menção de interromper.

— Estes dois youkais vieram escoltar o filhote de kitsune até onde o Natsume-dono está. – a youkai começou a falar – Ele estava preocupado com o Natsume-dono e recebeu permissão para entrar e acompanhar-lhe. Sua chegada foi logo cedo e nós avisamos o Natsume-dono o mais rápido possível. – a youkai recusava-se a tratar Natsume com menos respeito que aquilo e, pelo que vinham reparando, todos os youkais presentes comportavam-se igual. Natsume não era trato por menos que ‘sama’ ou ‘dono’.

— Agora entendi o que você quis dizer com interação fora do normal. – Nishimura juntou os pontos naquela hora.

— Eu já vi aquele youkai. – Tanuma lembrou-se na hora de quem era – Ele é um youkai jovem que conheceu o Natsume e é bem ligado a ele. Então ele é um filhote de raposa. – ele estava surpreso.

— A notícia de que o Natsume-dono estava em busca de um lugar seguro e sossegado para passar algum tempo com sua família e amigos correu bem rápida entre nós. – a youkai decidiu revelar como acabaram ali – Parece que o Natsume-dono ajudou nossa superiora a recuperar a máscara usada no festival de todos os anos e, assim, ela estendeu ajuda, arranjando para que conversasse com a divindade. – a youkai admirava a cena a sua frente – Oh! Tenho que voltar ao trabalho! – ela pareceu repreender-se por se distrair – Os aguardaremos para o almoço! Com licença. – ela imediatamente sumiu de suas vistas.

Era oficial! Aqueles youkais provavam que Natsume tinha amigos dos dois lados e, ao conversarem nas pedras da corredeira, Kitamoto chamou a atenção para o livro em seu colo. Natsume ainda não havia falado sobre o Livro dos Amigos e decidiu contar, já que ainda tinham tempo até o almoço e a sacola de manjus da Nanatsujia tinha o suficiente para todos juntos das marmitas que a youkai deixou com eles.

Muito mais precisou ser processado e aceito, conforme ele contava mais sobre o Livro, sua avó e seu relacionamento com diferentes youkais no caminho até ali. Tanuma aproveitou para confirmar a verdadeira identidade de Ito, pois a referência da youkai foi bem clara, e os amigos foram perguntando sobre muitos outros tópicos.

Naquela noite, Natori pegou Natsume acordado e saindo para a varanda dos quartos. Ele parecia distraído e Natori teve certeza de ver lágrimas escorrerem.

— Natsume, você está bem? – ele foi direto, dando de encontro com o sorriso que contrastava com seus olhos iluminado e lacrimejantes.

— Eu estou bem. – ele tentava secar as lágrimas – Apenas estou muito feliz! – ele foi sincero.

— Eu disse que ia ficar tudo bem. – Natori sabia exatamente a causa daquela emoção toda que ele não conseguia controlar.

— Obrigado por ter vindo, Natori-san. – ele realmente estava muito feliz do amigo estar ali.

— Eu disse que viria. – ele sorriu – Agora vamos dormir! Está tarde e frio e amanhã essa viagem ainda continua. – era verdade que ficariam a semana lá, mesmo Natsume já tendo contado o principal a sua família e amigos.

A semana que passaram ali esclareceu muito e mostrou o que Natsume queria: o lado belo e inédito do mundo que se revela aos seus olhos. Haveria muito pela frente ainda e mais conversas e decisões viriam, pois agora todos sabiam. Uma viagem para jamais esquecerem.

Notas finais
E aqui as revelações terminam. Emoções ficam e eu espero que possam ter gostado da leitura. Foi dificil reescrever depois dos problemas que tive com o celular, mas estu feliz de ter conseguido! E sim, se vocês olharem a imagem deste capitulo, beeem no fundo, atrás do ciclope, da pra ver o touro do grupo do Chukiyu. Bjs e até futuras histórias meus caros!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!