Verdade

2 Mistério


Notas iniciais
Esse capítulo foi mais só para entender um pouco mais sobre Demo. Próximo terá mais interação tanto por parte do cara misterioso, quanto dos personagens que se encontram na mansão.

Assim que o seu olhar cruzou-se com o meu, parecia que me deram um soco no peito.

Seu não olhar não mostrava nenhuma reação, simplesmente virou sua cabeça de lado, e pode ver meu reflexo no espelho, não me deixando ter nenhuma reação, a não ser de espanto...

Antes que eu pudesse falar, me mover, ou até correr, ele sorriu.

Sorrir?

Uma pessoa normal estaria envergonhada, ou coisa do gênero. Mas é claro, diante da situação do colégio coberto de água, a privada misteriosa e estar tomando banho em um chuveiro que não era usado há meses, eu não podia estar mais surpreso do que já me encontrava...

-Finalmente eu te encontrei.

Assim que disse tais palavras, virou todo o seu corpo, que antes estava de costas para o espelho, e veio andando normalmente em direção a mim.

Dei um passo para trás, estava assustado demais para ter qualquer contato físico.

Senti algo passando pela minha bochecha e não entendi de primeira mão do que se tratava.

Passei a mão de leve no rosto, e percebi que as lagrimas não paravam de escorrer dos meus olhos.

Eu estava assustado, claro, mas não o suficiente para chorar, afinal, eu não era desse tipo. Meu corpo não estava me obedecendo.

O seu sorriso desapareceu e foi trocado por uma expressão de preocupação.

Veio correndo em minha direção, e pude vê-lo despido andando com passos longos ao meu encontro.

O chão ainda estava coberto de água, então por um breve momento de talvez distração, ele escorregou. Seu corpo foi para trás, e bateu a nuca bem na privada.

Assim que escorregou e caiu, não teve nenhuma reação depois disto.

Ficou deitado no chão, enquanto as lágrimas do meu rosto ainda caiam, e eu observava seu corpo deitado.

Pude perceber os detalhes de suas veias nos seus braços, tanto quanto os músculos definidos em seu abdômen, além do seu belo rosto. Não quero comentar a parte debaixo... Não era hora para observa-lo assim.

Olhei para o corredor, não via ninguém e o tio da limpeza parecia já ter terminado o seu trabalho, pois as luzes da sala estavam desligadas.

Limpei minhas lágrimas e fui andando em direção ao corpo.

Mas antes, eu pensei.

Eu queria tira-lo dali. Coisas misteriosas sempre me atraíram bastante e eu não podia perder uma oportunidade como esta. Tinha algo neste homem que aumentava a minha chama de saber mais sobre o mesmo. Eu queria conhecê-lo.

Voltei para a porta do banheiro.

Andei em direção ao corredor e fui descendo as escadas.

Quando já estava no térreo, olhei de um lado para o outro, e não parecia ter ninguém em lugar algum. Mas para ter certeza fui até o pátio.

Não sei como aconteceu, mas já estava no por do sol, e as aulas só tinham acabado ao meio dia... “O dia passou mais rápido?” fiquei pensando.

Fui até a portaria, o porteiro estava lá. Ele não havia notado minha presença.

Eu conhecia uma porta dos fundos do colégio, que nem sempre o porteiro estava lá. Pensei em levar aquele homem nu por ali.

Subi de volta para o primeiro andar, e fui ver o banheiro.

-“Graças a deus ele ainda esta aqui.” — Disse quando notei que ele ainda estava deitado no mesmo lugar.

Peguei o meu telefone celular do bolso e liguei para o Harold, meu motorista.

Minha família tinha muito dinheiro, e não era a toa que eu estudava no melhor colégio da região.

-Harold, venha me buscar no colégio, por favor. — Falei.

-Claro jovem mestre. Já estou esperando-o aqui atrás.

-Certo, vou levar um amigo. — Desliguei.

O problema agora era: “Como vou transportar um corpo de um cara de aproximadamente 24 anos, pelado, até os fundos do colégio?”.

Seja como for, eu consegui. Deixei-o nas minhas costas e fui carregando-o até o pátio. Pesado? Sim. Seu membro ficou por muito tempo encostando-se às minhas costas, mas eu não pude fazer nada para evitar.

Abri a porta do carro e coloquei o corpo lá dentro primeiro, depois entrei. O porteiro não parecia estar na guarita, sorte a minha.

Fechei a porta do carro, e finalmente pude respirar em paz.

-Seu amigo, jovem mestre? — Perguntou Harold.

-Sim, Harold. Conheci-o hoje, no banheiro, e ele infelizmente se machucou e parece ter perdido a consciência.

-Pretende contar aos seus pais? — Antes de sair do colégio, perguntou Harold.

-Sem mais perguntas, Harold. Eles nunca têm tempo pra mim, quanto mais para um visitante em meio à mansão.

-Desculpe-me, jovem mestre. Podemos ir?

-Mas é claro. Pé na tábua.

Nossa casa ficava consideravelmente distante do colégio. Era em uma zona afastada da cidade, afinal, nosso jardim era maior do que muitas cidades de interior. Então, a viagem demorava algumas horas, o que era exaustivo para mim...

Muitas vezes eu levava um livro comigo, para não fica entediado durante a viagem. Outras, simplesmente dormia. Harold sempre levava para mim um conjunto de travesseiros e lençóis, caso em precisasse.

Mas na maioria das vezes Harold conversava comigo. Ele já era praticamente um senhor de idade, mas muito ágil o que não mostrava sua aparência. Era inteligente, educado e sempre pontual.

Eu adorava ouvir suas histórias. Ele veio de uma família pobre, nunca teve muito apoio dos pais para nada já que viviam trabalhando pra tentar colocar comida para ele e seus cinco irmãos.

Harold estudava no segundo ano do ensino médio quando meu pai, no começo de sua carreira, quis contrata-lo como motorista particular.

Como disse antes, nunca teve uma família com poder aquisitivo muito alto e o dinheiro que meu pai lhe ofereceu era muito mais alto do que qualquer salário antes já ganhado pelos seus pais. Ele já tinha tirado a habilitação, o que o permitia dirigir a vontade.

Foi em uma simples entrevista com o meu pai que ele foi contratado, e desde então, ele serve a nós. Sempre gosto de ouvir suas conversas, pois são de superação, e às vezes, engraçadas.

-Chegamos, jovem mestre. Já contatei as criadas para ajudarem a levar o seu amigo.

Harold... Sempre muito atento, educado e prestativo.

-Eu só preciso de algumas roupas, uma cadeira de rodas, e uns óculos de sol. -Avisei.

-Já vou providenciar, jovem mestre.

A distância de onde nós estávamos para a casa não era muito grande. Os convidados só entravam pela entrada principal, e precisavam andar por toda a trilha do jardim, para chegar à casa principal.

O jardim era cheio de esculturas com flores, que eu sempre me perguntei como os jardineiros conseguiam fazê-las.

Existia uma trilha reta que levava diretamente a casa principal, que era mais ou menos uns quatrocentos metros.

Nós estávamos bem na frente da escadaria que levava a casa principal, afinal, eu era o filho do dono de todo este terreno.

A mansão tinha em torno de cinquenta quartos ao todo. Nunca cheguei a contar, muito menos quando garoto, com todo esse espaço para correr, às vezes me perdia.

Era estilo medieval, o que respondia as armaduras de cavaleiros que havia nas curvas dos corredores.

Existiam em torno de cem criadas, para comida, roupas, limpeza e muitas outras funções dentro da mansão. Elas chegaram rapidamente com tudo o que eu havia descrito a Harold, e abriram a porta do carro onde eu estava.

Primeiro eu saí, e depois puxei o corpo do cara estranho, colocando na cadeira de rodas, do lado do carro.

Ele ainda estava pelado, e todas as criadas se espantaram. Eram umas dez.

Coloquei os óculos de sol, e fui arrastando eu mesmo a cadeira de rodas até a rampa do lado da escada.

Recusei qualquer ajuda das criadas a me impedir de carregar a cadeira de rodas.

-“Você não deve fazer tanto esforço, jovem mestre.” Era tudo o que foram treinadas para dizer.

Quando subi até o todo da rampa, olhei para baixo e pude ver todas elas.

-Vocês não viram absolutamente nada, entenderam? — Falei em um tom rigoroso, rígido e severo do qual pouco usava.

As reações não passaram de acenos de cabeças para cima e para baixo, alguns mais rápidos que outros, muito atrapalhados.

A única reação de Harold foi uma risada discreta.

A chuva voltou-se a cair.

Notas finais
O que acharam do Demo? Ele é gente boa? U.U Próximo capítulo promete (: