Verdade
1 Aparição
Notas iniciais
Nessa fanfic eu queria colocar algo mais fantasioso, se é que essa palavra existe. Não tirando o romance, e o uke principal. Também tentarei dar mais ênfase nas personalidades dos personagens.
Nesse capítulo não tenho muito o que falar, mas espero que gostem.
Estava frio. Na verdade eu poderia dizer que estava congelando. Eu podia ver pela janela a chuva calma que caía fora da sala. Por um momento me deixei levar em pensamentos, como costumava fazer quando chuvas como estas começavam a cair.
Pensamentos poéticos, “por quês” da vida e muitas outras coisas rodeavam minha mente, em um turbilhão de ideias mirabolantes das quais costumava imaginar.
Não pude ficar muito tempo mergulhado nestes doces pensamentos, pois o professor de filosofia entrou na sala. A sua era a última aula, e não por isto a pior, pelo contrário, minha aula favorita. O professor era gentil, educado e inteligente, e a matéria não era entediante como exatas.
Colocou sua pasta em cima de sua pequena mesa que estava do lado do quadro, e deu “bom dia”.
Eram cinco filas de sete cadeiras cada, eu estava sentado na primeira fila da esquerda para a direita, na quarta banca. Imaginava que era o suficiente para prestar atenção à aula, e para não ter minha presença notada. Era um colégio novo, e eu não conhecia ninguém fora a mim mesmo.
Dei mais um leve olhar de canto de rosto para aquele garoto, ele estava conversando com seus amigos. Daniel era o seu nome.
Não sei qual força da natureza me trazia interesse em olhar para ele. Era bonito, afinal, mas nada de extraordinário. Todo santo dia e santa aula eu olhava para ele por 2 segundos e voltava a fazer qualquer coisa para me distrair. Alguém com certeza já devia ter notado que eu o observava, mas essa ideia não aparecia muito na minha cabeça.
Me sentia um pouco psicopata ou um stalker, por observar o garoto tanto assim... Como ter a necessidade de saber o que esta fazendo... Ele nunca retribuiu o olhar, talvez até por nunca perceber que eu o olhara, afinal, ele não devia nem saber da minha existência.
-Todos fizeram o que eu pedi? — Perguntou o professor. — É para ainda hoje.
O professor tinha passado uma pesquisa sobre alguma frase, poema, poesia filosófico ou esplêndido de algum poeta ou pensador famoso. Eu fiz, pois não queria ter uma anotação negativa, ou um professor de olho em minhas atividades. O trabalho parecia fácil, claro, era, mas só até a pesquisa. Todos deveriam ir para frente do quadro e ler a sua frase.
Sinceramente, acho atitude de fundamental fazer tais atos. Simplesmente deveria entregar o papel para ele...
Mas enfim, meu nome era um dos primeiros da ATA, e já estava nervoso só em pensar nisto.
-Demo.
Chamou o professor, olhando para a sala aparentemente espaçosa, procurando o dono deste nome.
Levantei minha mão, em forma de chamar a sua atenção, e funcionou.
-Venha para cá, por favor. — Pediu com educação.
Levantei-me da banca, já nervoso, e com corpo de alma gelados, e fui caminhando até o quadro. O frio da sala junto com o nervosismo me fez parecer hipotérmico.
-De quem é a sua frase, Demo?
Perguntou o professor, interessado. Eu já estava na frente do quadro, em frente de toda a turma, calada, claro, pois queriam saber meu comportamento, minha aparência, pois não me conheciam.
-Charlie Chaplin, senhor. — Respondi. — Posso recita-la?
-Mas com toda certeza, meu caro. — Disse em um tom de voz educado.
Então eu comecei.
- “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios, por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”.
Como fizeram com todos os outros, a sala bateu palmas, enquanto isto, pude finalmente olhar para eles, o que não foi uma boa ideia... Vendo todas aquelas pessoas com sua atenção direcionada para mim, me fazia me sentir mal... Todavia pude finalmente olhar nos olhos daquele bonito garoto o qual eu tanto perseguia por razões que desconheço. Ele estava de novo conversando com seu amigo, e pareceu não ligar para minha citação.
-Pode se sentar, Demo. Obrigado.
Agradeceu o professor, já marcando meu nome em sua caderneta. Fui para o meu lugar, com minha folha da poesia na mão.
Não liguei para as outras poesias, frases, textos ou parágrafos de quem quer que tenham recitado. Simplesmente minha visão continuava pregada naquele vidro que separava a minha angústia do mundo a fora. “Será que aqui eu estou seguro...?”.
O sinal finalmente tocou, e eu pude guardar meus materiais. Na sala parecia haver uma onda de choque, que, quando uma pessoa guardava alguma coisa na bolsa, automaticamente os outros também guardavam, e o ciclo se repetia, como uma divisão celular.
Fui andando em direção à porta, de cabeça baixa, pensando novamente como seria se eu tivesse a habilidade de voar, atravessar paredes, ou coisas do tipo. E fui interrompido por alguém que teria esbarrado em mim.
-Ah, me desculpe. — Disse com um tom de culpa. -É... Demo, não é?
Perguntou com incerteza o garoto das minhas dúvidas. O que mais me deixou pasmo foi ele ter se desequilibrado, e segurar em mim. “Ele me tocou...” Pensei.
Fiquei claramente, nervoso, pois não sabia o que dizer... Meu rosto ficou vermelho, e eu torcia para que ele não pudesse notar isto.
-S-Sim... — Respondi desviando o olhar dele.
-Desculpe por esbarrar em você... Gostei do seu poema.
Seu sorriso se alargou em seu belo rosto provavelmente esculpido por algum deus grego.
-A-Ah, muito obrigado. — Ainda vermelho, tentei agir normalmente, mas não estava funcionando...
-Você é novato aqui, não é? Eu também sou. — Novamente, um sorriso belo se projetou em seu fofo rosto.
-Sim, eu vim de um colégio um pouco mais longe daqui. — Parecia que tinha começado a me controlar um pouco mais... — E você?
-Eu estudava num pertinho daqui, mas o ensino não era tão bom.
-Hmm, entendo... — Acho que fui mais normal.
-Então tudo bem, nos vemos Segunda-Feira. Até mais.
Dirigiu-se até a porta, e foi embora.
Ele disse “Até mais”, pensei. “Então quer dizer que nós vamos ter mais coversas como estas?”
Acho que eu estava feliz.
-Você está babando. — Disse o funcionário da limpeza que parecia estar somente me esperando para começar seu trabalho. — E eu preciso limpar esta sala. Pretende sair ainda hoje? — Disse num tom sarcástico.
-A-Ah, me desculpe. — Limpei minha baba. — Já estou saindo.
Saí da sala, e meu dia parecia um pouco mais alegre dos tantos que passei neste colégio... Porque será? (o//o)
Do lado de fora havia muita água. Pelos cantos do corredor, no chão, e uma chuva que aparentava nunca acabar.
Pude vê-lo ainda tentando não se molhar com a água. Descendo as escadas, que pareciam mais uma cascata, nas pontas dos pés e segurando no corrimão para não escorregar.
Por um momento fiquei com medo do meu admirado cair e se machucar. Então notei que passei tempo demais pensando nele e não me perguntei porque tanta água pelo chão e corredores. Claro, estava chovendo a beça, mas não podia ser simplesmente a chuva, afinal, estávamos num colégio.
Daniel já havia descido as escadas, e só restava eu, no segundo andar, fora o tio da limpeza dentro da sala, que não parecia se importar com tamanha enchente.
Parei um pouco para observar o curso da água que atravessava meus pés como o vento em um dia de outono. Ela vinha da direita. Não parecia ser do tipo que poucos notassem, a intensidade era alta.
Fui andando pelo corredor, onde pude avistar os dois banheiros, feminino e masculino. O feminino estava fechado, mas só havia água entrando por baixo de sua porta. Então olhei para o masculino, e pude ver a água se arrastando como serpentes do deserto.
Fui à ponta dos pés, evitando molhar demais os meus tênis, e, possivelmente, a minha calça.
Chegando à porta, não pude me aproximar muito, pois molharia minhas calças, mas pude avistar o espelho e encontrei o motivo de tanta água no segundo andar. O vaso sanitário não parava de jorrar água para o céu, até o teto do banheiro aparentava estar molhado.
Tentei chegar um pouco mais perto da porta, para tentar parar aquela confusão, mesmo tendo que molhar a minha calça. Dei três passos para frente do banheiro, chegando a sua porta, então eu me assustei.
A corrente que antes passava acelerada pelos meus pés havia diminuído consideravelmente. Não entendi o motivo, então olhei para o espelho novamente tentando encontra-lo. Misteriosamente o vaso não estava mais a mil por hora. A água havia cessado. E... Havia um cara tomando banho no chuveiro...
-Hrmu.
Não sei que barulho eu pude soltar, mas era de surpresa. O ser estranho parecia ter ouvido se virou, e notou minha presença...
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