À noite na Alemanha, algumas pessoas descansavam para mais um longo período de trabalho no dia seguinte; outras, preferiam passá-la em festas e boates, bebendo e caindo sem parar. O que obviamente não era o caso de Shanks e Buggy já que, como bons professores, eram proibidos de aproveitar a vida. Mas nem tudo estava perdido, uma vez que ambos se divertiam de seu jeito.

Nesse momento, por morarem juntos, os dois estavam sentados no sofá, de frente para televisão, comendo pipoca e assistindo a filmes. Por estar frio, dividiam um largo cobertor e estavam sentados bem próximos, praticamente abraçados. Era um filme de suspense.

– Q-Quem está aí? – Na tela da televisão, uma mulher se apavora em ouvir alguns barulhos estranhos vindo de sua cozinha. Também era de noite e uma tempestade caía, fazendo com que as fiações se desajustassem, provocando uma luz que hora desligava, hora acendia sozinha. – Tem alguém aí?

– Tlum... creak! – Os barulhos iam ficando mais fortes, mesmo ela tendo certeza de que estaria sozinha. Uma música de suspense começou a tocar, dando arrepios nos rapazes que assistiam. – Creeaak! – A câmera ia mostrando a jovem mulher se aproximando da porta da cozinha prestes a abri-la. Buggy acabou segurando a mão do ruivo de nervosismo, mas o outro nem se tocou por estar com os olhos vidrados na tela.

– D-Diz logo, tem alguém aí?! – Quanto mais ela se aproximava da porta, mais a música de suspense ia se intensificando. As mãos dos dois já suava, mas estavam tão fissurados no filme que nem perceberam. – E-Eu vou entrar!

– Não entra aí sua louca! – Buggy diz, conversando com a televisão. – Se você entrar, você vai morrer! – Mas ao mesmo tempo em que reclamava, se ajeitava ainda mais perto do ruivo devido à música de suspense, que somente aumentava e aumentava.

– Creeeaaak..! – Porém, a mulher não ouviu Buggy e prosseguiu sua jornada. Foi abrindo, o mais lentamente possível, a porta da cozinha, deixando que um longo barulho de porta rangendo se perpetualizasse. E assim que abriu, um vulto enorme apareceu! – KYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!!!!!!!!! – E a mulher gritou, desesperada.

– Aaaaaaarh! – Buggy também gritou, junto com ela. – T-T-Tira disso! Tira, tira, tira!

Com o pedido do de cabelos azuis, Shanks pegou o controle remoto e desligou a televisão. Buggy pôde finalmente se acalmar e notou que estava morrendo de calor, uma vez que o nervosismo havia esquentado seu corpo junto com o cobertor.

– Pronto, tirei. – Shanks afirma, calmo.

– Aah... – E ele também se acalmou, afastando-se do ruivo e tirando a coberta de si. – Obrigado.

– Hahaha, você ficou com tanto medo assim, Buggy?

– M-Medo? C-Claro que não.

– Não? Tem certeza?

– Pff, quem ficaria com medo de um filme? Eu não tenho medo dessas coisas.

– Então por que pediu pra eu tirar?

– É que eu achei o filme chato, só isso.

– Aham.

– É previsível, em todos os filmes de terror a protagonista faz essa coisa estúpida de abrir a porta.

– Hahaha, realmente, mas é essa a graça do filme.

– Filme de terror não é pra ter graça, é pra ter terror.

– Acho que esse tava mais prra suspense psicológico, mas... – Shanks se ajeita no sofá, também tirando a coberta de si e olhando para o outro. – O que fazemos agora?

– Ahn, eu não sei. Quer ver outro filme?

– Pode ser! Vem pra cá. – Ele abre os braços, praticamente convidando Buggy para sentar-se ao seu lado, encostado em seu ombro, como estavam juntos antes.

– Quer que eu sente do seu lado?

– Por que não? Tava confortável do jeito de antes.

– Mas antes eu só tinha ficado tão perto de você porque o filme tava assustador.

– Então você admite que ficou com medo?

– Medo? Pff, claro que não! De onde você tirou que eu admiti uma coisa dessas? Não coloque palavras na minha boca. Eu quis dizer que eu fiquei perto de você pra você ficar menos assustado.

– Tá bom, tá bom, não tá mais aqui quem falou. – Shanks continua com o braço estendido. – Você não quer sentar perto de mim?

– Não, é que... – Buggy tenta pensar em uma desculpa, mas acaba cedendo. – Tá bom então.

Buggy sentou-se ao lado do de cabelos vermelhos, sendo abraçado pelo ombro logo em seguida e voltando a dividir o cobertor com ele. Ligaram a televisão, dessa vez colocando em um programa menos assustador e mais divertido. Não demorou muito para se sentirem extremamente confortáveis e quentinhos.

– Ahh, bem mais confortável. – Shanks diz, relaxando no sofá junto com seu amigo.

– E quentinho. – Buggy concorda, deitando seu rosto nos braços do outro.

– Viu só porque é melhor ficarmos juntos assim? A Alemanha é fria, cara.

– É que é estranho ficar abraçado assim com você.

– Por quê?

– Não sei, só é… estranho. Mas é um estranho bom.

– Ah, se é um estranho bom, então tudo bem!

Desse jeito, ambos ficaram assistindo diversos programas de televisão. Riram e berraram juntos quando era algo engraçado, choraram até não aguentarem mais quando passava algo triste e, no final, quando a madrugada já havia chegado e os programas ficaram mais neutros, sentiram sono e bocejaram ao mesmo tempo.

Estava passando uma espécie de noticiário, mas era chato. Shanks se encontrava entediado e estava quase caindo de sono, quando percebeu que Buggy já havia adormecido em seu ombro. O ruivo, então, desligou a televisão e deitou o corpo de seu amigo no sofá, o cobrindo e deixando um travesseiro junto com ele; deu um beijo de boa noite na testa do de cabelos azuis e foi para seu quarto.

– Boa noite, Buggy.

(…)

No dia seguinte, uma terça-feira qualquer, os dois rapazes estavam dando aula normalmente, como sempre faziam. Porém, do outro lado da escola, mais especificamente na sala da direção, Donquixote Doflamingo estava entediado, uma vez que não tinha alunos para torturar. Ele decide então, visitar o Vice-diretor Kaidou.

– E aí! – Disse ao entrar na sala do outro, fechando a porta logo em seguida.

– D-Do-Doffy! – Contudo, a primeira reação de Kaidou foi levar um enorme susto e jogar os papéis para cima, tentando disfarçar o trágico acontecimento com um sorriso e mudando de assunto. – C-Como você vai? Q-Que legal te ver por aqui...

– Ahn, então tá. – Tenta ignorar o desastre do outro, sentando-se na cadeira em frente a ele. – Eu só vim pra saber como é que você tá.

– C-Como eu estou? Han? V-Você se preocupa em saber em como eu estou? – Kaidou era facilmente iludido. – Ah, eu tô ótimo! Eu sempre estou ótimo.

– Que bom... – E o loiro o achava muito estranho. – Posso te perguntar uma coisa?

– Claro! O que é?

– Você tem agido estranho desde a festa. Por quê?

– C-Como assim? Agir estranho? Eu tô agindo normalmente. Por que eu estaria agindo estranho? Eu nunca agi tão normal na minha vida.

– É, definitivamente aconteceu alguma coisa.

– Que coisa? Não aconteceu nada! O que poderia ter acontecido? Nada nunca acontece na minha vida, ela é vazia e eu não tenho ninguém... só os meus gatos.

– Espera aí... isso tudo não foi por causa do beijo, foi?

– Huh, b-b-beijo? – Kaidou fica vermelho. – Q-Q-Que beijo? V-Você diz aquele beijo da festa? Hahaha, nossa, e-eu nem me lembrava disso... i-isso aconteceu?

– Então foi isso.

– C-Claro que não! A-Aquele tinha sido só um beijo pra calar a boca, né? Não é como se tivesse significado nada então não tem porque ficar relembrando. Não foi nada demais, eu não me importo, sério.

– Argh... eu não acredito que você vai ficar falando desse jeito só por causa da merda de um beijo pra calar a boca.

– M-M-M-Ma-Mas é c-claro que não! E-Eu não acabei de falar isso? E-Eu estava te incomodando, vo-você só... me beijou pra que eu parasse. É normal, tá tudo bem, não significou nada demais. Nem tem porquê significar, certo? Não é como se nós dois tivéssemos alguma coisa ou viríamos a ter algum dia, então só–

– Kaidou.

– Oi.

– Por que você se importa tanto com isso? Eu tirei o seu BV, por acaso?

– Na... N-Não!! Não, você tá enganado, eu não me importo, eu acabei de falar que eu não me importo! – Estava extremamente corado e vermelho.

– Dá pra ver nitidamente que você se importa...

– Mas eu não me importo. Sério. Tá tudo bem mesmo. Não foi nada demais.

– O primeiro passo é admitir seus problemas. Vai, me diz, o que tem demais em um beijo?

– Não, é que... – Ele tenta se acalmar e desvia o olhar. – É que fazia tempo, só isso.

– Fazia tempo que você não ficava com alguém?

– É...

– Quanto tempo?

– I-Isso não importa.

– Ok, então. Tenta esquecer isso, tá bom? Nós estávamos em uma festa, esse tipo de coisa acontece. Não precisa ficar se lembrando disso.

– Eu sei, eu sei, é que...

– Ei, olha pra mim. – Dito, Kaidou volta a olhar o loiro nos olhos. – Eu não quero te magoar, tá? Só tenta superar esse lance, é desconfortável ver alguém agir como uma garotinha adolescente por causa de um beijo.

– Desculpa... é que eu não estou acostumado com beijar por beijar, eu nunca tive atrativos físicos então eu sempre via os meus amigos ficando com outras pessoas e eu acabava ficando sozinho, por isso eu odeio festas.

– Entendi. Só esquece isso, ok? Nós dois não temos mais idade pra ficar agindo como esses adolescentes chatos.

– Tá bom, você tem razão... desculpa.

– Não precisa pedir desculpas, é só voltar a agir como o Kaidou chato e viciado em gatos de antigamente.

– Nossa, tem razão! Nessa confusão toda eu esqueci completamente de emoldurar mais fotos dos meus gatos, obrigado por me lembrar.

– É bom saber que você voltou ao seu “normal”. Bom, acho que é isso, eu vou voltar pra minha sala agora.

– Tá bom! Brigado, Doffy.

O loiro saiu da sala do moreno, que já se encontrava bem mais calmo depois da conversa esclarecedora, e foi para sua. Ao mesmo tempo, do outro lado da escola, os jovens do ensino médio estavam fazendo o que fazem de melhor: ignorar a aula. Luffy estava virado de costas, conversando com Coby.

– Por que você não vai na festa?! – O garoto do chapéu de palha perguntou.

– Porque eu não gosto de festas, você sabe disso.

– Mas todo mundo vai!

– Eu não sou todo mundo. Além disso, semana que vem tem provas, eu preciso estudar.

– Por favor, Coby, você nunca vai às festas comigo. Tenta ir nessa, se você não gostar é só ir embora.

– Mas é aniversário da Hancock, né? Ela nem gosta de mim.

– Eu peço pra ela te convidar.

– Não sei, não...

– Você vai sim, para com isso! Você precisa parar um pouco com esse negócio de estudar e se divertir, fazer uns amigos.

– Eu me divirto com os estudos e já tenho você como amigo, não preciso de mais.

– E pra namorar, você não pensa nisso?

– N-Namorar? C-Claro que não! E-Eu não tenho idade pra isso.

– Ah, eu não acho que tenha muito a ver esse lance de idade. Você nunca ficou com alguém?

– Como assim “ficar”?

– Você sabe, beijar alguém, esse tipo de coisa.

– Não, eu nunca namorei.

– Não precisa namorar alguém pra ficar.

– Então qual é o sentido, beijar por só beijar? – Coby fala com convicção. – Escuta Luffy, pra mim, beijar alguém significa gostar muito dessa pessoa, querer passar um bom tempo com ela. Não vejo graça em sair trocando saliva com um monte de gente, beijo é muito íntimo.

– Você é tão chato...

– E-Eu sou chato..? – Fica deprimido. – Não, e-eu só sou romântico demais. As pessoas de hoje em dia estão esquecendo muito do romantismo.

– Bom, você que sabe. O Eustass vai ficar trabalhando hoje, quer ir almoçar comigo em uma lanchonete hoje à tarde?

– Pode ser.

– Te vejo lá, então.

(…)

À tarde, Luffy saiu de sua casa depois de se despedir de seus irmãos, indo encontrar-se com Coby na lanchonete indicada. Colocou somente uma bermuda preta, um all star vermelho e uma camisa branca, indo em direção ao seu destino. Porém, no meio do caminho, recebeu uma mensagem de celular de seu amigo.

“Luffy!! Desculpa, eu não vou poder ir. Minha mãe disse que eu preciso estudar e comer em casa.”

Ficou chateado, mas como estava com fome, decidiu ir à lanchonete por si só. Contudo, assim que chegou, a primeira coisa que notou foi que Trafalgar Law, seu médico, estava sentado em uma mesa sozinho, comendo um misto quente. Law também acabou notando a presença do garoto e fez um sinal com as mãos, o chamando.

– Oi! – O médico disse quando Luffy se aproximou. – Que coincidência te ver por aqui, senta aí.

– Ah, oi! – Luffy estava um pouco nervoso já que nunca havia visto Law fora da clínica antes, além de estar traindo seu namorado com ele em segredo. Mesmo assim, se sentou. – Coincidência mesmo.

– Você veio sozinho?

– Na verdade eu ia vir com um amigo, mas ele desistiu. E você?

– Eu venho fazer um lanche aqui às vezes quando não tenho mais pacientes.

– É a primeira vez que eu venho aqui. Tem carne?

– Tem hambúrguer.

– Eu vou pedir então.

Luffy diz, chamando uma das pessoas que trabalhavam lá e logo recebeu seu hambúrguer, junto com um refrigerante.

– Mas me diz. – Law volta a falar. – Nós nos conhecemos pouco, você estuda?

– Sim, na Sweet Piece.

– E já sabe o que quer ser quando crescer?

– Ahn... por enquanto, se eu conseguir sair da escola acho que já tá bom.

– Entendi, você é do tipo que prefere mais sair com os amigos, né?

– Aham! Até vamos em uma festa esse fim de semana.

– É melhor assim, na sua idade ninguém deveria ter responsabilidade. Você bebe?

– Não, eu não gosto de álcool, mas a maioria dos meus amigos bebem.

– Você é igual a mim então, eu raramente bebo em festas, nem vejo necessidade.

– O gosto é ruim, eu prefiro carne.

– Carne não se bebe...

– Mas eu gosto mesmo assim! Que tipo de festas você vai?

– Ah, na verdade eu prefiro fazer uma social lá em casa ao invés de ir às festas com o Satchi e o Penguin. A gente geralmente vê um filme e fica conversando sobre assuntos aleatórios.

– Sério? Parece divertido.

– É sim. Se der eu te convido um dia desses.

– Ah, não precisa...

– Imagina, quanto mais pessoas, melhor. A não ser que você não queira, claro.

– É que vocês já são adultos e eu só tenho dezoito.

– Ué, é a idade perfeita, já dá pra fazer tudo. E nós não somos adultos chatos e rabugentos, relaxa.

– Eu tenho que ver com o meu pai.

– Bom, fica aí o convite. – Law termina de beber o seu refrigerante. – Eu preciso voltar agora pra clínica, nós nos vemos amanhã.

– Tá bom, então. Até amanhã!

– Até.

Notas finais
Hm... essa fanfic tá precisando de umas tretas. Vou ver se consigo lançar uma no próx cap! ♥ ☺ hehe E qual é a opinião de vocês sobre beijo? Quanto mais, melhor ou qualidade é superior a quantidade?