Verbotene Liebe
23 Quem será que ele é?

A manhã estava se iniciando na capital da Alemanha. O sol acabava de nascer e, por ser um dia de semana qualquer, os jovens precisavam acordar cedo tal como todas as outras pessoas que possuíam uma vida produtiva. Não era diferente na casa de Luffy, por exemplo.
Ele morava com mais dois irmãos, os quais dividiam um quarto. Sabo e Ace tiveram que dormir juntos a vida inteira, somente com camas separadas. Em um momento atípico, o adolescente de sardas e cabelos castanhos enrolados acabou acordando antes mesmo de seu despertador tocar.
Ace levantou-se, agasalhando-se com os próprios braços devido ao frio extremo que fazia ali. Coçou os olhos para desembaçar a visão e olhou para frente, bem onde estava a cama de seu irmão do meio. Ele observou Sabo quieto, dormindo envolto em pesadas cobertas, bem quentinho.
Ficou fitando o irmão e seu semblante angelical e inocente dormindo. Estava somente de samba-canção, sem mais nenhuma roupa e conseguia ver vapor subindo da cama de Sabo de tão quente que lá parecia estar. Sem pensar duas vezes, foi guiado inconsciente até a cama do loiro.
Tirou as cobertas dele, abrindo espaço para si, e deitou na de solteiro abraçando Sabo de lado, formando uma conchinha. Ace conseguiu se cobrir e sentiu o calor do mais novo o esquentando.
O loiro não acordou, mas pôde sentir seu irmão o abraçando por trás e acabou esboçando um leve sorriso inconsciente. A cama era realmente pequena, Ace precisava segurar o peito de seu irmão para não cair, o que também o favorecia, afinal, o frio ali já estava extinto.
O sardento àquela altura já não iria mais conseguir voltar a dormir, decidiu somente esperar o despertador fazer seu trabalho. Sabo não acordou, mas de algum modo sentia a presença do irmão e segurou a mão dele que abraçava seu peito, não tirando o fraco sorriso esboçado que possuía.
Ace sentiu já um calor insuportável vindo do corpo de seu irmão, mas estava confortável, então sequer cogitou a hipótese de sair dali. Ficaram abraçados, como costumavam dormir juntos quando eram crianças, até que Sabo acabou virando.
Agora os rostos deles acabaram ficando um de frente para o outro. O moreno tinha seus olhos semiabertos, e observava os traços calmos do caçula. Sabo continuou a dormir abraçado com Ace, ambos quase tocando as testas de tão próximos que estavam.
A temperatura acabou fazendo o loiro abrir os olhos, mas não acordar. Estava em um estado praticamente inconsciente, embriagado de sono. Seu olho castanho abriu-se não muito, mas foi o suficiente para que encontrasse os da mesma cor de seu irmão. Ambos se encararam, em silêncio.
— Sabo... – Chamou o mais velho depois de alguns segundos fitando o caçula, para ver se o outro estava acordado.
— ... – Porém, só obteve o silêncio em troca. Ele ainda não havia despertado o suficiente para conseguir interagir.
— Sabo... tá acordado?
— Hm...
— Acorda...
— Hnm.. uh... – Finalmente estava começando a acordar e se deparou com seu irmão deitado à sua frente, junto de si. – Ace..?
— Bom dia... – Ace estava diferente do de costume, ao respondê-lo, o de sardas deitou ainda mais próximo ao irmão, encostando a cabeça contra seu peito e o abraçando pela cintura.
— Bom dia... você acabou acordando cedo. Não conseguiu dormir?
— Eu... acho que eu tive um pesadelo.
— Pesadelo? – Sabo perguntou, apertando o irmão contra seu peito ao abraçá-lo mais forte.
— É, sobre esse lance do professor Shanks. Eu sonhei que eu acabava arrumando uma briga na escola por causa disso e bati em alguém até ser expulso.
— Nossa, parece bem pesado.
— Mas não foi tão ruim assim... quer dizer, bater em alguém que ficava me zoando.
— Não fala isso. – O caçula deita mais para baixo, ficando novamente com a face encostada na de seu irmão. Olha bem no fundo dos olhos do moreno e acaricia levemente seu queixo, afastando seus cabelos ondulados.
— Por que não? É verdade...
— Mas não é legal ficar arrumando briga. – Acaricia ainda mais as bochechas rosadas repletas de sardas de seu irmão, até ele quase voltar a cochilar. – Só piora tudo, você sabe disso.
— Eu sei, mas... Sabo... – Ace quase fechava os olhos graças ao toque suave do outro. – E se isso... não acabar nunca?
— Vai acabar sim, pode ter certeza.
— Eu não quero voltar pra escola, nem voltar a ver essas pessoas.
— Não se preocupa, tudo vai ficar bem. – Ele levanta um pouco o rosto do seu irmão para fazê-lo olhar bem em seus olhos, o que acabou aproximando ambos de alguma forma.
— Sabo, acorda... isso nunca vai acabar, não tem jeito...
— Vai acabar sim, é só questão de tempo, Ace.
— Sabo...
— Daqui a pouco tudo passa... – Ele continua acariciando as madeixas pardas do irmão, deixando seu toque deslizar pela pele macia e hipnotizante do outro. – Logo vão esquecer isso...
— Acorda, Sabo... isso não vai acabar...
— Vai sim... – O loiro fecha seus olhos quase voltando a dormir e acaba dando um beijo na bochecha do mais velho por estarem bem perto um do outro. – Daqui a pouco... tudo isso não vai ter passado de...
— Sabo...
— Só de uma... brincadeira de mau gosto... – Ele fala, quase cerrando a voz, deitando por debaixo do rosto do irmão e sentindo seu cheiro, depositando mais um beijo próximo a seu pescoço.
— Sabo... você...
— Ace...
Com o último suspiro antes de entregar-se aos sonhos de vez, Sabo usou suas últimas forças para depositar um beijo nos lábios adocicados de Ace, o abraçando ainda mais forte pelo corpo. O loiro sentia a presença do irmão fortemente em sua cama pequena, e o calor dele emanava pelo quarto. Seus lábios não queriam se desgrudar, tanto é que não o fizeram.
— Sabo...
— Sabo... ei...
— Sabo, ei... acorda...
— Sabo, acorda...
— Ei, Sabo! Sabo, acorda!
— Ahn, uhn.. quê?
— SABO, ACORDA!
— Waaah!
Em um pulo gigantesco com uma cambalhota misturada, o irmão do meio é brutalmente jogado para fora de sua cama junto com sua coberta, sem mais nem menos, caindo diretamente no chão, de costas.
— Caramba, que saco! – Ace, seu irmão, estava parado com as mãos na cintura e uma face de ódio misturada com mau humor matutino na frente da cama de Sabo, quem havia acabado de acordar na marra. – Você não acorda por nada nesse mundo!
— Ahn... Ace? – O mais novo, jogado no chão, acordou com dor de cabeça. – Arh, foi um sonho...
— São seis e vinte, seis e vinte! O relógio tá tocando já há vinte minutos e você não acorda pra desligar essa droga de despertador!
— Calma, não precisa gritar comigo...
— O que deu em você? Geralmente é você quem me acorda, depois eu falto a escola e o pai bota a culpa em mim.
— Se você ficou chateado pelo despertador, podia ter desligado sozinho sem ter precisado me empurrar. – O pobre loiro se levanta e volta a sentar em sua cama, coçando seus olhos.
— Mas é sua função como meu irmão mais novo me acordar, e além disso eu fiquei aqui te balançando por horas e você só ficava babando, seu babão! Que coisa, você tava tendo um sonho ou o quê?
— Arh... – Suspira. – O Ace dos sonhos é definitivamente mais fofo que o Ace de verdade...
— O que você quer dizer com isso?
— Eu sonhei com você. – Sabo pega seu irmão em um abraço pela cintura, o arrastando diretamente pra cama e quase o fazendo cair em cima de si.
— Ai, não me puxa assim!
— No meu sonho você me acordava com flores e um café da manhã na cama... por que você não pode ser assim de verdade, Ace..?
— Hãn? Eu não vou fazer isso, ia parecer que a gente se pega.
— Não, só ia parecer que você é um irmão mais velho gentil que se importa com os seus irmãozinhos.
— Sabo, que que deu em você? Você tá meloso demais.
— Ah, desculpa... – Ele o solta e volta a deitar em sua cama, virando de costas. – É melhor eu voltar a dormir e ficar com o Ace dos sonhos.
— Deixa disso, seu estranho. Anda logo, provavelmente o Luffy já comeu toda a nossa comida.
— O Luffy não ia dormir fora?
— Ahn, o Luffy dormiu fora? Isso quer dizer que o café dele é nosso?
— Acho que sim.
— Oba, agora sim! – Ace arranca as cobertas de Sabo, saindo do quarto correndo. – Vem, anda logo, sai daí e vem cozinhar pra mim!
— Aff...
(...)
Depois de um dia farto de colégio, os alunos não aguentavam ver mais a cara dos professores e os professores não aguentavam mais ver a cara dos alunos, apesar de terem que corrigir os exercícios deles em casa após o trabalho.
Eram em torno de sete e meia da noite e todos já se encontravam respectivamente em suas casas, como era o caso do vice-diretor. Como os jovens diriam, ele estava “mofando” em seu quarto. Extremamente entediado, nem mesmo os seus gatos conseguiam o distrair.
Kaidou já tentara assistir algum filme ou alguma série na tv, ler um livro de romance que comprou a quase um ano atrás (mas nunca conseguiu nem ler as primeiras 10 páginas por falta de tempo), e até mesmo tentara ir dormir e acordar só no dia seguinte. Mas não deu. Ele não conseguia fazer nenhuma dessas coisas e há algum tempo ele já tinha uma ̶p̶é̶s̶s̶i̶m̶a̶ ideia em mente.
— Será...? – Repetiu para si mesmo, em voz alta. – Ai, ele definitivamente vai me dar um chute... m-mas não custa nada tentar, né?
Neste exato momento, ele segura seu celular com punhos de determinação para discar o número de um certo loiro, que, por coincidência ou não, era seu primeiro contato na discagem rápida, e também o único de sua agenda telefônica. Tirando seu psiquiatra, é claro.
O único problema era que Kaidou não passava de grande gato com o rabo entre as pernas, talvez tanto que poderia ser considerado uma junção de todas as suas dezenas de gatos, e ele sabia disso, só não queria aceitar.
— M-Mas e se ele dizer que não pode? E se ele estiver com alguém? O Doffy definitivamente não é de passar os dias sozinhos. Não mesmo, ele deve estar com alguém! Ai, céus...
Lovato jogou os braços para cima numa falha tentativa de deixar o celular cair no chão, quebrar e impedir que ele faça alguma besteira, o que drasticamente não deu certo. O celular caiu delicadamente em cima de uma almofada que estava jogada no chão, e essa ação só resultou em um Kaidou irritado e vários gatos assustados.
— Ah, quer saber? — O homem com um só movimento heroico, se levantou do sofá, ficando de pé. – Se eu ligar para o Doffy, o mínimo que pode acontecer é ele me dizer um não! Não custa nada tentar. Não é como se o Doffy fosse tão malvado a ponto de me dar um fora que passasse disso... c-certo?
Ele, novamente, se sentou no sofá. Suspirou, e voltou a indagar para sim mesmo.
— M-Mas...será que ele vai aceitar? Quer dizer, quais são as chances? Tá tarde já, por que alguém iria querer desperdiçar uma noite comigo..?
Suspirou fundo mais uma vez e olhou para seu gato mais próximo, a fim de levar mais uma leva de determinação e autoconfiança.
— Meow...
— Ahhhhh, vou ligar de uma vez!
Dessa vez, sem mais delongas, o vice-diretor ligou para seu superior. Clicou no botão de fazer a chamada e esperou, e esperou, esperou... e esperou mais um pouco. Tudo que ouviu foi a clássica mensagem de quando você junta muita coragem pra fazer uma ligação e a outra pessoa acaba não dando a mínima.
“Deixe o seu recado após o bip. BIP.”
Mas é claro que o moreno não deixou recado nenhum, já não bastava estar envergonhado por ligar e não ter sido atendido, imagina deixar a droga de um recado. E foi nessa hora que Kaidou percebeu que ele não passava de um grande trouxa.
— Ai, eu fico arrumando coragem pra ligar pro Doffy... e ele não deve estar nem aí pra mim... –Só faltava se debater no chão igual uma criança que teve um pedido negado pelos pais. – E eu faço tudo tão direitinho...
Cansado de precisar correr atrás dos outros e de não ter sequer uma resposta à altura, o moreno decidiu que não mais perderia seu tempo tentando ligar para Doflamingo. A partir de agora, ele iria apenas esperar que o diretor tomasse uma atitude e corresse também atrás dele, para ter seu valor reconhecido.
Claro, seria o ideal a fazer, mas os dedos de Kaidou discavam novamente o número de Donquixote enquanto sua mente enchia-se de falsas ilusões.
“Alô?”
Para a surpresa do Universo, de Jesus e dele mesmo, a ligação foi atendida. Quando o moreno ouviu o doce e suave alô do loiro do outro lado da linha, paralisou por completo. Passou uns quinze segundos sem se mexer e respirar, não acreditando que aquilo estava mesmo acontecendo e que ele conseguiu telefonar pra alguém por fins pessoais.
“Kaidou..?” — A voz de Doflamingo poderia ser áspera e grosseira, além de claramente impaciente, mas Lovato sentia uma mão suave passeando por sua face. Ele sabia que se não falasse agora, não teria coragem para fazer a ligação de novo e passaria o resto dos seus dias mofando em casa com os seus gatos.
— D-Doffy...? – Finalmente Kaidou havia falado alguma coisa! Mesmo que isso tenha saído no automático e não tivesse feito muito sentido.
“Sim, fala logo o que você quer porque não tenho todo o tempo do mundo pra ficar fazendo ligações idiotas.”
— A-Ah, sim, sim, d-desculpa! Sou eu Doffy, o Kaidou, eu trabalho com você na–
“Kaidou, eu sei que é você e eu sei aonde a gente trabalha, só fala o que tu quer.”
— Ahh sim, c-claro, já ia esquecendo...
“E então?”
— E então o quê?
“Fala logo o que tu quer, que saco!”
— Ahh s-sim...e-eu queria te chamar pra... sair.
“Tá, eu passo aí em vinte minutos, esteja pronto.”
— Q-Quer dizer, n-não “sair”, “sair”, como em um encontro, é só mais sair pra passar o tem... pera, o que você disse?
“Vinte minutos.”
— P-PERA, PERA, DOFFY, EU—
Tentou relutar porque não estava pronto para ter seu convite aceito. Na verdade, havia pensado em centenas de formas de reagir quando fosse negado, porém não havia cogitado a ideia de dar certo, e por isso entrou em pânico. Doflamingo, por outro lado, desligou o telefone antes que o moreno pudesse completar sua frase.
(...)
Não existia pessoa mais ansiosa que Kaidou naquele momento. O mesmo deu-se por decidido e aguardou a chegada de Doflamingo na porta de sua casa. Quando o loiro chegou, em exatos vinte minutos sem atrasos, tudo que fez foi abaixar seu vidro e chamar o moreno para juntar-se consigo no carro.
— Boa noite! – Exclamou, entrando no carro, carismático.
— Oi. – E Doflamingo respondeu, antipático. – Estranho você ter me ligado pra marcar alguma coisa, principalmente essa hora.
— Ah, você acha? Desculpa te incomodar, eu sabia que não era uma boa ideia... acho melhor eu voltar pra casa então.
Kaidou já estava se preparando para sair do carro quando o loiro puxa seu braço.
— Não, idiota, isso não foi um fora. Só me surpreendi porque achei que você nunca faria.
— ... isso é uma coisa boa?
— É, Kaidou, é uma coisa boa.
— Que bom então! É legal, de vez em quando, fazer alguma coisa certa. Achei que eu nunca mais iria conseguir fazer.
— Bom, então... vamos? Pra onde você quer ir?
— Ahn, como assim?
— Estamos dentro do carro, você me chamou pra sair. Pra onde você quer ir?
— Não sei, eu não achei que você iria aceitar, então eu não pensei em nada.
— ... tá.
— E-Eu fiz errado..? Desculpa, eu não queria te irritar! Eu sei que você gosta de gente decidida, então eu sei que eu deveria ter pensado em alguma coisa melhor. Desculpa mesmo. S-Se você não quiser ficar sozinho comigo, eu vou entender, eu não sou a melhor companhia...
— Kaidou, não começa com essas coisas, a gente nem saiu ainda.
— D-Desculpa.
— ... – Doflamingo ficou encarando o moreno, com as mãos no volante do carro, mas sem dirigir, como se estivesse pensando em algo. Claro, tal ação só resultou em um Kaidou mais apavorado e com auto estima menor.
— E-Eu fiz alguma coisa errada..?
— Não, você não fez nada errado. Acho que eu tive uma ideia.
— Qual?
— Que tal a gente chamar o Crocodile pra sair junto?
— Huh?
— É, quer dizer, ele é novo no trabalho e não tem nada melhor a fazer pra conhecer alguém do que chamar essa pessoa pra sair, certo?
— Sim... eu acho.
— E já que a gente não tem uma ideia melhor, pode ser uma boa ideia ligar pra ele. O que você acha?
— Ahn, po-pode ser...
— Se você não gostar da ideia pode me falar, a gente encontra alguma coisa pra fazer juntos.
— N-Não, você tá certo! Quanto mais, melhor! C-Certo?
— Sim, eu acho.
— Você tem o número dele aí?
— Tenho.
Doflamingo discou para o celular de Crocodile, porém, ninguém atendia. Ele ainda persistiu em ligar outras três vezes e nada. Como não tinha a maior paciência do mundo, ligar mais do que isso seria demais para o loiro, que decidiu tomar outras atitudes.
— Tsc, que droga. Ele não atende. – Reclama.
— O que a gente faz agora?
— Vamos até a casa dele?
— Quê?
— É, vamos até a casa dele. Estamos parados mesmo.
— Você tem o endereço?
— Sim, ele me deu quando se matriculou lá no colégio. Fica no Grey Terminal, na rua Oddish número 435.
— Grey Terminal..? Isso não é tipo, muito longe e muito perigoso?
— Que foi, tá com medinho?
— N-Não, não é isso...
— Se você preferir passar a noite sozinho comigo pode falar.
— N-N-Não, não! Vamos chamar ele, vai ser melhor assim! Sim, sim, com certeza... vai ser melhor! Só que...
— O quê?
— Não é indelicado chegar na casa de alguém sem avisar? Principalmente por nós nunca termos ido lá.
— Bobagem, eu sou o chefe dele, eu entro e saio da onde eu quiser.
— Ok... não sei se isso é muito legal.
— Vamos mesmo assim.
E assim, o diretor da Sweet Piece tomou uma decisão por si só e ligou seu carro, indo em direção para onde morava Crocodile, quem havia recentemente começado a trabalhar no colégio como professor de sociologia.
Após algum tempo de viagem, Doflamingo e Kaidou passeavam de carro por entre as ruas do Grey Terminal, local onde era conhecido como ‘cidade sem lei’ por ser um lugar conhecido por ser frequentado por todo tipo de gente. Bandidos, prostitutas, traficantes. Qualquer grupo marginalizado poderia encontrar um refúgio ali.
Este nome foi dado graças à coloração acinzentada do lugar. Os muros não eram pintados e sim pichados, existia fumaça graças às queimas que eram feitas ao ar livre e as casas não costumavam passar de cimento e tijolos amontoados.
Era considerado um local totalmente inviável para visitação, e por isso, era a primeira vez de ambos lá. Doflamingo tinha o endereço, mas acabou notando que os números das casas não apareciam mais. Nem os nomes das ruas, além do GPS não pegar naquele local por não estar dentro do mapa.
— Você não tem mesmo ideia da onde a gente esteja? – O loiro perguntou ao volante, já não sabendo que direções tomar.
— Eu nunca vim aqui antes, eu te disse. – Kaidou responde.
— Como é que é que o Crocodile mora tão longe do resto do mundo..?
— Eu sabia que não era uma boa ideia ir pra casa dele sem avisá-lo...
— Não seja pessimista tão rápido assim, a gente deve estar chegando.
— Mas se a gente tivesse conseguido avisar, pelo menos aí ele iria poder dar instruções detalhadas de como chegar.
— Deixa disso, a gente consegue se virar sem instruções.
— Não quer nem perguntar pra alguém onde é? – Kaidou sugere, temendo ser a melhor, e única, solução.
— Não sei, não sei se essa gente é do tipo que dá informações tão fácil assim.
— Doffy, não fala isso! É discriminação.
— Por quê? É verdade, e eu nem saberia como perguntar.
— Só pergunta onde fica a rua, ninguém vai te negar informação.
— Tá bom, então.
Eles precisavam ir devagar com o carro por, além de não ter uma estrada definida, muitas bicicletas estarem passando. Haviam poucas pessoas na rua, mas Doflamingo parou o carro próximo à primeira pessoa que viu. Era uma mulher com roupas curtas e parecendo rasgadas, visual comum entre as pessoas que viviam ali.
— Ei! – O loiro a chamou, abaixando o vidro. Quando viu, a menina se dirigiu ao carro dele e se apoiou na janela.
— Tá 150 o completo, sem abaixar preço.
— Não quero saber disso. Você conhece a rua Oddish?
— Hum... – Ela abriu um sorriso largo entrou mais ainda no carro, olhando diretamente pra Kaidou, que ficou ainda mais nervoso e retraído do que estava. – Dois é mais caro.
— Tsc, deixa disso. – Doflamingo reage e a tira de perto da janela. – Eu só quero saber aonde é essa maldita rua.
— E quanto eu vou ganhar por essa informação?
— Quer saber? Esquece!
Já farto, o loiro desiste e dá partida com o carro, afastando-se da garota. Já estava perdendo a paciência em não encontrar de jeito nenhum os nomes das ruas ou as numerações.
— Isso foi assustador... – Kaidou estava tendo quase um ataque de ansiedade graças o olhar que havia recebido da menina sem nome.
— Essas ruas não têm nome?! – O diretor indaga, indo devagar com o carro e buscando algum tipo de informação.
— Imagina pros Correios como deve ser difícil achar uma residência aqui.
— Como a gente vai achar o Crocodile?
— Tenta perguntar pra outra pessoa, nem todo mundo deve cobrar por informações assim.
— Você tá vendo alguma outra pessoa aqui?
— Tem um senhor mais lá pra frente.
Ele avista um idoso de samba canção e camisa igualmente rasgada segurando uma bengala e andando lentamente por aquelas ruas. Ao se aproximar com o carro, Doflamingo abre sua janela e pergunta.
— Ei! Cê conhece a rua Odd—
— Aarh! Vaaza daqui! – Entretanto, o idoso começa a bater no carro com a bengala e a gritar furiosamente. – Bando de soviéticos! Vocês nunca vão me levar, vocês nunca vão conseguir o que vocês querem de mimm!
— Hã? Chega, pra mim já deu! – Sem mais aguentar, Donquixote dá ré com o carro grunhindo de tanta raiva até voltar a encontrar a garota de antes. – Você!
— Hm, desistiu de procurar a sua rua e veio me encontrar? – Ela indaga com um sorriso largo novamente.
— Você conhece bem esse lugar, certo?
— Claro.
— Entra no carro.
Ela possuía um longo cabelo tingido loiro e o prendia com rabo de cavalo. Sua pele era bastante pálida e pouco cuidada, tinha uma voz alta e desgrenhada. A menina entrou na parte detrás do carro, o que deixou Kaidou terrivelmente assustado e tímido.
— D-Doffy, o que..?
— Eu te dou cinquenta paus se você me guiar até a rua Oddish. – O loiro disse, colocando o dinheiro nas mãos dela. A garota se debruçou na parte traseira do carro como se quisesse ficar perto dos dois rapazes.
— Demorou, é só seguir lá em frente e virar à direita.
— Ótimo.
Não existia ninguém mais imóvel que Kaidou naquela altura, que somente tentava ignorar a presença da terceira. Ela, por outro lado, aproveitava para acariciar o rosto de ambos, o que só piorava rispidamente tudo. Doflamingo nem ligava, estava decidido a encontrar a rua.
— E agora? – Perguntou, depois de ter dobrado a esquina.
— Depois dessa rua vira na esquerda. E vai rápido, tá bom?
— Isso é mesmo uma boa ideia..?— Kaidou sussurrou.
— Fica tranquilo, queridão, eu conheço esse lugar. – Mas quem respondeu foi ela, mascando um chiclete que havia retirado de sua bolsa.
— Virando aqui? – O loiro perguntou, sem ouvir a conversa dos outros.
— Isso! Agora tá vendo aqueles dois caras lá na frente?
— Que que tem?
— Pisa no acelerador e vai buzinando.
— Hã?
— Só faz o que eu disse, rápido!
Doflamingo acelerou o veículo e começou a buzinar. A menina pois a cabeça para fora do carro, praticamente se jogando pela janela e foi acenando e gritando com sua bolsa nas mãos.
— Ei, filhas da puta! Eu vou mandar os meus sócios te apagarem se vocês tocarem no meu irmão!
— Que merda é essa?! – Doflamingo indagou com raiva. Kaidou a essa altura já quase tinha um infarto.
— Aqueles cornos queriam pegar o meu irmão pra vender droga, assim quem sabe eles não metem o pé. Hahaha, não é como se aparecesse um carro desses por aqui todo dia.
— Tsc, eu não quero saber disso! Onde é a maldita rua?
— Sei lá. – Ela respondeu, pegando seu kit de maquiagem e passando rímel olhando pro retrovisor do carro. – Cê não tem um espelho maior aí não?
— Vai à merda! – Ele, bruscamente, freia o carro fazendo a garota se desequilibrar e cair na poltrona. – Você tinha me dito que conhecia essa droga de lugar.
— Ai! Fica calma, alta guarda.
— Onde é a rua Oddish?
— Não tem isso aqui não, ô! Se a alteza não reparou, essas ruas não têm nome, tá no lugar errado você.
— Hã? Isso é impossível, ele me deu esse endereço!
— Seja quem for, te enganou direitinho. E isso tá mais parecendo um nome inventado na hora por quem tava jogando Pokémon.
— Doffy... – Kaidou murmura assustado. – E se ele não for quem diz ser? T-Tipo... p-por isso ele deu o nome de uma rua que não existe e tal...
— Não fala besteira, Kaidou, isso tudo é só um engano. Quem disse que dá pra confiar nessa aí?
— Eu não tenho culpa se te passaram a perna, chefia. – Ela responde, rispidamente.
— Se as ruas daqui não tem nem nome nem numeração, como é que as pessoas se encontram?
— Todo mundo que precisa saber onde todo mundo mora sabe onde essa pessoa mora.
— Hã..?
— A-Acho que ela quis dizer que quem se conhece, geralmente sabe onde o outro vive... – Kaidou diz.
— Issaê! É mais seguro assim, não se costuma revelar fácil esse tipo de coisa, dependendo de quem você seja.
— Tá, mas você conhece as pessoas daqui, né?
— Esquece. – Ela responde. – Não vô dizer onde alguém mora pra quem eu não conheço. E sem devolução do dinheiro.
— Tsc, que saco...
— Doffy, é melhor a gente esquecer disso. – Lovato sugere. – Depois a gente vê essa questão com ele na escola, ficar aqui por muito tempo pode ser perigoso, nós não conhecemos esse lugar e tá ficando tarde.
— Eu sei. – Donquixote concorda. – Mas agora eu quero saber quem o Crocodile diz ser, a começar por esse “nome”.
— Ow, ow, cês tão procurando o chefe Croco? – Ela indaga, interessada.
— Você conhece ele?
— Lógico! Ele mora naquela casinha ali, ó. – Ela aponta justamente pra casa em frente onde eles haviam estacionado, coincidentemente Doflamingo tinha parado na frente dela.
— Ah, é aqui. – Os rapazes falam em uníssono, observando a moradia.
— Ih, falei sem querer.
A menina se retirou do local e os dois puderam continuar sua missão. A casa de Crocodile era pequena, feita de madeira e não muito atraente ou chamativa. Ainda tinha o bônus dele a dividir com outro rapaz, Smoker, com quem conviveu durante toda uma vida. Kaidou e Doflamingo se aproximaram, dando socos na porta.
— Quem é que tá aí?! — Smoker gritou, sem nem mesmo se aproximar da porta.
— ... D-De quem foi essa voz? – Kaidou indagou, já muito assustado.
— Não faço ideia. Seja lá quem for, não vai vir atender? É pra gente gritar? – E Doflamingo fez o mesmo, incredulamente impaciente.
O loiro, mais uma vez, deu socos na porta, mais forte.
— Quem é que esteja é melhor dar o fora! Não me incomodem!
— Meu nome é Doflamingo! O Crocodile tá aí?! – Exclamou, gritando de volta furioso.
— Hã? Quem?!
— Doflamingo! Eu quero falar com o Crocodile, agora!
— Ô Crocodile, vem atender essa merda de porta!
— Quê? Eu tô ocupado, atende você! – De tão pequena que era, dava para escutar Crocodile e Smoker discutindo do lado de fora.
— Eu não, tão dizendo que é pra você, eu não vou me mover desta porra de sofá!
— D-D-Do-Doffy... não é melhor a gente ir e-embora? – Kaidou indagou, tremendo.
— Ah não, não, agora que eu tô aqui eu quero falar com esse merda de crocodilo.
— Eu tô ocupado, saco! Quem é que tá me procurando? É alguém da B12 ou da Ivan?
— Não, não parecia ser ninguém importante, agora arrasta essa bunda pra cá, se forem seus amigos e não derem o fora eu vou expulsá-los no tiro!
— Argh, tá, eu tô indo.
Crocodile falou, dirigindo-se até a janela. Ao colocar a cabeça pra fora, notou ser Kaidou e Doflamingo, que o viram por detrás do vidro e retornaram com olhares furiosos. O moreno rapidamente saiu da janela e voltou a confrontar Smoker.
— Porra, quem tá aí é o Doflamingo, por que você não me avisou? — Perguntou preocupado.
— Eu sei lá quem caralhos é essa gente.
— Ele é meu chefe! Os dois são. Você quer que eu seja demitido, porra?
— Chefe? Daquela escola onde tu trabalha? Que porra estão fazendo aqui?
— Não sei!
— Manda eles darem o fora daqui que não é casa de visitação! E se estiverem com escutas? Como diabos eles te encontraram aqui?
— Não faço ideia, mas eu não posso fazer isso, idiota, eu vou ser demitido. É melhor deixar eles entrarem.
— Eles sabem que a gente tá ouvindo tudo? – Doflamingo indagou.
— N-Não sei...
— Tsc, que saco! – E, já irado, o loiro volta a socar a porta quase a quebrando. – Crocodile! É melhor você abrir esta merda AGORA!
— Eu já tô indo, desculpa! — Exclamou, virando-se para o amigo grisalho. – Eu vou abrir a porta e você vai ficar caladinho nessa merda de sofá, entendeu seu pedaço de merda?
— Você ficou maluco? Ninguém que eu não conheça entra aqui sem passar por revista! Ainda mais com essa voz, pode ser uma PM disfarçada. Por que caralhos o chefe de alguma coisa viria nesse lugar? E como ele sabe onde você mora, idiota?
— A gente chegou aqui porque uma loira de farmácia barata disse onde você morava. – Responde, batendo mais ainda. – Agora deixa a gente entrar ou vai ser pior que a polícia, disso pode ter certeza!
— Que loira? Disse o nome?
— Sei lá que loira, só disse que tinha um irmão mais novo e parecia uma puta barata!
– Deve ser a Prysha.
— Ela não tinha morrido? – Smoker indaga.
— Claro que não, ela veio aqui ontem. Agora eu vou abrir a porta, tá?
— Não sem uma revista primeiro.
— Arf, que saco.
Deu certo, finalmente a porta foi aberta por Crocodile, que vestia somente uma regata com uma bermuda jeans de ficar em casa. Doflamingo rangia os dentes e seu óculos quase rachava graças a sua fúria. Kaidou estava bambo de tanto medo daquele lugar.
— Abre os braços e afasta as pernas, por favor. – Pediu o professor de sociologia, pronto para fazer uma revista.
— Isso é sério? Você não acha mesmo que pode falar comigo assim, certo?
— Eu só preciso ver se vocês estão com alguma escuta, desculpa, regras da casa. Senão o babaca aí vai ficar me enchendo pro resto da vida.
— Que seja. – Doflamingo cedeu e o moreno começou a deslizar as mãos por seu braço, o apalpando. Em seguida, checou também por debaixo da blusa, tocando seu peito. – Pra que fazer uma revista afinal?
— Pra ter certeza que vocês não são policiais disfarçados.
— O que você tem com a polícia?
— Eu? Nada. – Em seguida, Crocodile foi até Kaidou e fez o mesmo. – Mas o que vocês estão fazendo aqui? Não é lugar pra vocês frequentarem.
— Eu sou o seu chefe, garoto, eu vou até os meus subordinados a hora que eu quiser, seja o lugar que for. Não vem tentar me fazer de idiota.
— Foi mal por isso. – Diz, finalizando a inspeção. – Beleza, vocês estão limpos. Querem entrar? Só não tenho muita coisa pra oferecer.
— Não precisa. Entra você e coloca uma roupa direito, eu e ele vamos esperar no carro. Você vai vir passear com a gente.
— Ahn? – Crocodile indagou, olhando para Doflamingo que parecia mais sério do que nunca.
— Vamos, eu não tenho o dia todo! – Ele se virou, puxando Kaidou pelo braço. – Você já me fez esperar tempo o suficiente aqui fora!
— T-Tá. – Entrou em casa novamente, às pressas, indo se vestir. – Smoker, eu vou sair, beleza?
— Tsc, não volta então! Eu não quero ver você me acordando chegando de madrugada, ouviu?
(...)
Depois de uma noite inteira passeando por inúmeros bares, Kaidou foi obrigado a pegar no volante pelos outros dois estarem cheirando à bebida! Nenhum tipo de preocupação ou chatice interviu no encontro triplo que acabaram de ter. Já eram três da manhã e eles haviam acabado de chegar na casa do diretor.
— Aew! Chegamos!
Doflamingo e Crocodile foram andando apoiando-se nos ombros de Kaidou graças à tontura. Os três riam como crianças, até mesmo o moreno mais tímido conseguia conversar com ambos e se soltar mais.
— Vocês dois beberam demais, nossa! – Disse o vice-diretor, os levando para dentro de casa. – Cês estão bem mesmo? Não querem tomar, sei lá, uma água?
— Quem se importa com água! Kaidou, pega a minha chave. – Doflamingo exclama. – Tá no bolso do meu casaco, eu num vô conseguir acertar a droga da... da fechadura.
— T-Tá, pera aí. – Ele colocou as mãos no bolso do loiro buscando suas chaves. Depois, abriu a porta da casa.
— Nossa, que casa enorme! – Crocodile reagiu automaticamente ao entrar na sala de estar, com seus olhos castanhos brilhando. – Nem se compara com a minha. Como você não se perde aqui?
— Nah, nem é tão grande assim. – O loiro dirigiu-se até seu sofá, jogando-se nele. – Vem cá, pode se jogar aqui! Só tira os sapatos.
— Eu tenho é medo de quebrar alguma coisa. – Ele se aproximou junto com Kaidou indo ao encontro do outro. – Qualquer merda daqui que quebre vai custar a minha vida.
— Gente, que horas são..? – Perguntou o único sóbrio presente.
— Para de ser tão chato, Croco! – O dono da casa puxou a gola do moreno, obrigando-o a se jogar no sofá e a cair praticamente em cima de si. – Você se preocupa demais com as coisas, não vai pagar nada!
— Ei, também não precisa me empurrar assim! – Crocodile, que estava jogado em cima de Doflamingo no sofá, empurra a face do loiro contra o móvel. – Não me faz cair em cima de tu, eu tô tonto!
— Hã, eu faço o que eu quiser, saco!
— Gente, não briguem, não briguem... – Kaidou os alerta. – Sejamos todos amigos...
— Quem é que tá brigando aqui? – O adulto mais novo encara o vice-diretor.
— Oi, deixa disso, Kaidou, ninguém tá brigando com ninguém. – O loiro calmamente se levanta exibindo seu sorriso malicioso e abraça o ombro do amigo de emprego. – Cê não quer pegar uma água, não?
— Não, eu tô bem... eu acho.
— Não tá não, vamo pegar uma água pra você.
Donquixote arrastou Lovato pelo ombro e Crocodile ficou sozinho na sala de estar, observando os objetos que haviam espalhados por lá e a TV de plasma. Ao chegarem na cozinha, Kaidou foi pegar o copo.
Ele se sentia constrangido por estar sozinho no mesmo cômodo com Doflamingo, que por outro lado, se apoiou na mesa da cozinha e ficou o encarando com um sorriso largo e pernas cruzadas, bem à vontade.
— Você quer que eu pegue gelo também, Do...
Kaidou estava colocando o copo no filtro d’água quando sentiu os braços quentes e largos do loiro abraçando sua cintura e o começo de seu peito, por trás de seu corpo. Ele gelou, mas tentou não fazer nenhum movimento brusco para não parecer assustado, apesar de estar. O vice-diretor não conseguia se mexer de jeito nenhum graças à respiração do loiro que batia em sua nuca.
— Não precisa de gelo...— Sussurrou Doflamingo, apoiando a nuca no ombro do moreno enquanto o abraçava pelas costas.
— T-Tá, então não precisa de gelo. Eu... eu acho que eu terminei a água então.
— Kaidou... — Continuou sussurrando dessa vez mais próximo aos seus ouvidos e apoiando gentilmente uma das mãos dentro da camisa do outro, buscando por seu peito. – Quando você vai aprender que quando alguém pede uma água, ela não quer que você pegue uma água?
— Ué, mas então... o que a pessoa quer? – Perguntou com a face extremamente vermelha, sem conseguir pensar direito.
— Por que você não tenta adivinhar? — Passeou ainda mais, acariciando o peito do mais velho e praticamente mordendo o lóbulo de sua orelha. – Eu sei que você consegue...
— Eu... ér, ahn...
— Vai, diz a verdade. Você não queria que o Croco viesse pro nosso encontro de hoje, né?
— H-Han? C-C-Claro que não! – Kaidou acaba se afastando, tirando a mão de Doflamingo de seu peito e correndo dele com o copo na mão até o outro lado da cozinha. – E-Eu gosto do Croco, q-quer dizer, d-do Crocodile, a-acho que foi até bom ele vir pra gente conhecer ele melhor! Né?
— Não faz esse tipo de coisa... – O sorriso de Doflamingo se abre mais, de um modo sádico, e o loiro vai ao encontro de Kaidou novamente, dessa vez de frente. – É óbvio que você não queria que ele viesse.
— P-Por que você diz isso?
— Porque é nítido no seu rosto o que você quer, mesmo você não admitindo. – Doflamingo, enfim, obriga o moreno a apoiar as costas na mesa e o prende entre os braços, colocando seu rosto perigosamente próximo ao rosto dele.
— V-Você acha..?
— Todo mundo acha, Kaidou. – Abre um sorriso maior ainda, aproximando-se mais com o corpo, praticamente debruçando-se nele.
— Se.. se você diz...
— Você não queria que o Crocodile viesse pra poder ficar sozinho comigo, certo? – Indagou, apoiando o rosto novamente na nuca dele e dando pequenos beijos. Kaidou cerrou seus olhos, tentando afastar o loiro com as mãos, mas de um modo fraco.
— Não... é isso, é que...
— Tudo bem... – Porém, o loiro continuou com os beijos, até chegar a seu ombro. – Eu só trouxe ele pra que você ficasse mais confortável e pra não ser como da última vez... e pra ver se você admitia que queria ficar sozinho comigo.
— D-Doffy...
— Então o que você tá esperando? Eu tô aqui, sozinho com você. Por que você não simplesmente para de fingir e faz o que você quer?
— O que... eu quero?
— Isso... – Doflamingo o abraça, subindo seus beijos para seu pescoço. Kaidou acaba tirando as mãos de seu peito e desistiu de tentar afastá-lo.
— Eu não sei o que eu quero.. Doffy... eu não consigo...
— Me beija.
— Ahn..?
O diretor segurou a nuca de seu subordinado e aproximou seus lábios, abrindo-os com os próprios e arrancando-lhe um beijo de língua. Lovato acabou retribuindo sem sequer conseguir pensar e continuou com o ato, deixando o loiro o guiar com os movimentos.
Doflamingo segurou bem seu corpo para que Kaidou não fugisse e prosseguiu com o ato, deixando o beijo ser realmente bem aproveitado. Sua língua caminhou por todo o entorno da boca do parceiro, fazendo diversas carícias com a língua um do outro.
— D-Doffy, pera! E-Espera aí! – Entretanto, o moreno o empurrou dessa vez com força.
— O que houve..?
— E-Eu... e-eu... eu...
— Ah, não. Você não vai fugir de novo, vai?
— E-Eu... eu preciso alimentar os meus gatos!
— Espera, Kaidou!
Lovato saiu da cozinha, às pressas, ignorando a presença do outro. Na sala de estar, deparou-se com Crocodile, que estava observando um dos vasos de ouro da casa, ainda sentado no sofá.
— O que houve? – Ele perguntou ao ver a face de apavorado do vice-diretor.
— E-Eu lembrei que preciso alimentar os meus gatos e já tá tarde. Eu tô indo embora agora, tá?
— T—
— A gente se vê amanhã!
Kaidou bateu a porta, com força, sem querer. Doflamingo saiu da cozinha com a face emburrada, mãos nos bolsos do casaco e passos lentos.
— Aconteceu alguma coisa? – Crocodile perguntou.
— Urgh, nada importante. – Se dirigiu até seu sofá, onde sentou-se próximo ao moreno. – Só o Kaidou fazendo Kaidozisse como sempre.
— Ele ainda não conseguiu admitir que tá apaixonado por você?
— É tão nítido assim?
— É, dá pra notar da forma que ele te olhou a noite inteira. Qual é a dele?
— Sei lá... ele parece que sabe o que quer fazer, mas não consegue e foge. Eu não sei qual é a dele.
— E não deu certo me arrastar pra esse encontro pra fazer ele admitir que queria ficar sozinho com você?
— ... – Doflamingo ficou encarando Crocodile, notando que ele havia percebido que só estava sendo usado. – Me desculpa por isso.
— Nah, que nada, pra mim foi ótimo, bebida de graça. E não adianta que eu não vou me desculpar por não ter feito isso ter dado certo.
— Eu não quero as suas desculpas nem nada seu, o Kaidou é uma questão à parte.
— Mas deu pra perceber que ele tem ciúmes de mim, e eu nem tô há tanto tempo naquele colégio.
— O Kaidou sente ciúmes, me chama pra sair, não consegue falar direito comigo... argh, eu não sei como ele ainda não consegue se tocar.
— Eu acho que ele sabe que gosta de você, só que ele é muito inseguro com si mesmo.
— É isso que eu não entendo, eu sei que ele vai à psiquiatra e tudo mais.
— Ele só deve achar que você não gosta tanto dele assim, mas dá um tempo pra ele se acostumar.
— Argh, chega. Eu não vou ficar aqui ouvindo você me dar conselhos amorosos.
— Que seja, não era mesmo esse o meu objetivo. Você quer que eu vá embora?
— E você pode? Seu amigo lá não disse que era pra você não voltar pra casa?
— Bom, eu tava torcendo pra você negar e me deixar ficar, mas que seja, eu me viro com aquele idiota. Eu não devo nada a ele.
— Nah, pode ficar. Dorme aí, fica mais perto do trabalho amanhã.
— Ótimo, valeu... onde eu posso ficar?
— Onde você quiser. Quem era aquele cara, na real? Ele agia como se fosse o seu pai.
— Ele pensa que é. Mas o Smoker é legar, quer dizer... às vezes. Ele cuidou de mim quando eu era pirralho.
— Hm... posso te fazer uma pergunta?
Crocodile olhou Doflamingo de modo suspeito e inseguro, antes de responder.
— Vai me perguntar por que eu menti o meu endereço? Ou o motivo das “revistas”?
— Não, não, nada disso... eu imagino que você deve estar cansando de ter gente perguntando onde você mora e te julgando por isso.
— É, é bem chato. Então qual é a pergunta?
— Você tem... problemas com a polícia?
— Não. Eles é que tem problema comigo.
— Entendi.
O diretor se aproximou do outro no sofá até terem seus corpos colados um no outro. Em seguida, segurou a nuca de Crocodile e o beijou, tendo a concessão e a retribuição dele no mesmo segundo, continuando com o ato.
O beijo não durou muito, apesar de ser com língua. Foi um ato rápido, com toques mais lentos graças ao efeito do álcool que ambos possuíam.
— Você percebe as coisas muito rápido. – Ao se afastarem, o loiro disse.
— Você acha?
— Aposto que não tá acostumado a ter uma pessoa como o Kaidou que não consegue tomar atitudes quando tá afim de ficar com alguém perto de você.
— É, não mesmo. Você também não parece ter paciência com esse tipo de gente.
— E eu não tenho mesmo, mas... como eu vou explicar...
— Com ele é diferente?
— Tipo isso. Soa muito ridículo?
— Não, dá pra entender. Ele gosta de você de verdade e ele é passional demais. Tenta, sei lá, ter mais paciência e esperar o tempo dele, se isso não for demais pra você.
Doflamingo olhou diretamente nos olhos de Crocodile mais uma vez antes de aproximar-se com o rosto novamente, voltando a o beijar. Foi retribuído rapidamente, e dessa vez o ato durou mais alguns segundos e os toques foram mais ásperos e menos suaves.
Ambos trocaram carícias velozmente e cada vez mais profundas. O moreno apoiou uma de suas mãos nas pernas do outro, apertando sua coxa. Doflamingo arrancou o casaco que ele usava, não deixando de beijá-lo e de arrancar-lhe seu oxigênio.
Ao retirar a camisa de seu subordinado, ele jogou-se no sofá por cima do mais novo. Os dois rapazes, já deitados no móvel, tiravam a roupa um do outro enquanto beijavam-se. O toque com a língua estava quente e seguia cada vez com movimentos mais rápidos, chegando a baterem os dentes um no outro.
— A polícia não vai invadir a minha escola buscando você, vai? – Doflamingo indagou, quase sem fôlego, voltando a o beijar logo em seguida.
— Não, não vai...
— Ótimo. – Passeou com os lábios pelo pescoço do moreno, mais tranquilo com sua resposta. – Eu não ligo pro que você faça fora do colégio, mas...
— Sim, desde que não interfira no trabalho... – Crocodile puxava os fios de cabelo dourado que o outro tinha, tendo seu pescoço mordido.
— Isso... – Foi abaixando sua face, acariciando o peito do moreno e colocando um de seus joelhos entre as pernas dele. – Até porquê...
— Eu sei... você pode ser mais perigoso que a polícia.
— Que bom que você sabe.
Crocodile abraçou as costas do diretor com uma das mãos e continuou a puxar seus cabelos levemente com a outra, deixando que o mais velho continuasse a distribuir mordidas e chupões por seu pescoço, até chegar ao início de seu peito.
— Você é traficante? – Indagou, beijando o tórax do outro, parecendo nem dar ouvidos às suas respostas.
— Não, eu não faço nada ilegal... – Respondeu, também sem nem ao menos prestar atenção em suas falas. – Pelo menos não hoje em dia...
— Entendi...
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