No dia anterior, Kaidou ainda sentia que havia estragado tudo. Doflamingo, ele e Crocodile tinham passado um final de tarde juntos quando o moreno tímido resolveu, por desespero, sair mais cedo e bem apressado.

Era uma manhã de sexta-feira e ele tinha acabado de chegar na escola onde trabalhava. Ainda estava em seu carro, olhando para o espelho do retrovisor e esperando sua desmotivação diária em conjunto com a depressão passar.

— Como eu vou encarar o Doffy…? Já é a segunda ou terceira vez, que saco… – Nem conseguia tirar as mãos do volante ou sair do carro – Eu não vou conseguir falar com ele de jeito nenhum...

Sua culpa o corrompia. Todo dia ele tomava alguns comprimidos para combater a depressão, mas estava quase se perdendo para a superdosagem.

— Eu não posso fazer isso… – Dizia para si mesmo. – Não aqui, não na escola, perto dos alunos…

Parecia que uma força do submundo o estava impedindo de sair do carro. Sua ansiedade só fazia com que suas mãos tremessem e suas pernas ficarem imóveis. Sua visão no espelho também estava turva e parecia que não ia conseguir sair do carro nunca.

— Que saco… por que essas coisas só acontecem comigo? Ninguém nunca fica cismado com isso, é paranóia… o Doffy deve me achar idiota, porque é idiota mesmo.

Com esses pensamentos e comprimidos na mão, Kaidou ouviu um barulho de carro se aproximando. Gelou ao perceber que era Doflamingo chegando no estacionamento. A janela de seu carro era escura e não dava para verem que ele ainda estava no carro, porém Lovato ainda tinha visão perfeita do lado de fora.

Seu coração palpitou e ele engoliu seco quando viu o loiro saindo de seu automóvel, como sempre exibindo um semblante mau humorado e uma aura pavorosa. Kaidou, apesar de amedrontado, gostava desse jeito. Na verdade, no fundo ele tinha inveja de Donquixote por conseguir nunca se intimidar com nada.

Estava levemente mais calmo, contudo isto não durou por muito. Kaidou quase rachou o volante de tanto segurar forte quando a segunda pessoa saiu do carro. Era Crocodile, que tinha chegado junto com o outro.

— Eles… – Foi quando se deu conta e seu corpo, em conjunto com suas mãos, começou a tremer e sua respiração ficava pesada. – Eles dormiram juntos, então…

Gelou. Os dois únicos movimentos que conseguiu fazer inconsciente foi de pegar quatro comprimidos e engolir de uma só vez. Ficou parado, palpitando aceleradamente e observando os dois rapazes saírem do estacionamento.

— Pelo visto o Kaidou já chegou. – Doflamingo comenta com Crocodile.

— Por que você diz isso?

— O carro dele tá ali. Argh, só espero que não seja como da última vez que ele foi lá em casa…

— Ficou um clima ruim?

— Ele ficou me evitando e fugindo de mim a todo custo. Foi um saco.

Kaidou estava com a cara grudada no volante. Mesmo que o carro estivesse ligado, não havia risco de tocar a buzina por acidente pois ele havia a retirado para não incomodar ninguém com o barulho. Estava se sentindo péssimo, e esperou Doflamingo e Crocodile se afastarem para sair com seu carro e voltar pra casa.

(…)

Os três estavam no colchão do médico de cabelos negros levemente puxados para o azul, passando o curto tempo de proveito que tinham em uma tarde de sexta-feira em seus respectivos horários de intervalo do trabalho.

Law se encontrava no meio dos outros dois. Uma hora beijava Luffy, mas tão breve era interrompido por Eustass que puxava seu queixo e o tomava para si. Em alguns tempos, o trio deixava as diferenças de lado e encontravam-se todos juntos em um beijo triplo.

— Chega, agora eu realmente preciso ir. – Levantou-se rapidamente de seu colchão, apenas vestindo uma camisa branca e uma cueca. Kid e Luffy logo retrucavam em uníssono.

— Mas já?!

— Eu preciso pelo menos comer alguma coisa! É o meu único horário de almoço. – Exclamou Law, indo para a cozinha. – Daqui há dez minutos eu já preciso voltar pro consultório e mesmo assim é o intervalo mais longo que eu já tive.

— Que chato. – Murmura Luffy, emburrado. – A gente só tá aqui há cinco minutos.

— Pior que eu também vou ter que voltar pra oficina. – Afirma Eustass.

— É chato toda hora vocês irem trabalhar.

— Uma hora cê vai ter que procurar emprego também, Luffy. Cê já tem dezoito.

— Eu posso trabalhar contigo ou com o Torao?

— O Penguin e o Satchi me matariam. — O moreno mais velho fala, voltando para o quarto com um pacote de salgadinhos.

— Esse aí vai ser o seu almoço? – Indaga Kid. – Bastante nutritivo.

— É só o que eu tenho tempo pra comer. A gente tem que marcar de se ver num final de semana ou pelo menos no meu local de trabalho.

— Ah tá, e eu posso ficar largando a minha oficina todo dia pra ir te ver lá, né? – Retruca o ruivo. – O Zoro já brigava comigo por ir só três dias.

— Amanhã vai ter a feira culinária no centro. – Sugeriu Luffy, cortando os outros. – A gente vai?

— Pode ser. – Concordam em uníssono.

— Eu vou indo pro carro. – Law diz, com os salgadinhos na mão. – Cês querem carona pra algum lugar?

Kid e Luffy se entreolharam antes do ruivo responder.

— Não precisa, a gente vai andando.

Os três se despediram com um selinho em Law e tanto Luffy como o ruivo seguiram caminho a pé. Kid ainda estava meio inseguro, apesar do garoto parecer completamente normal e distraído como sempre. Foi então que o mais velho resolveu discutir sobre.

— Até que essa ideia não parece tãão ruim...

— Hm, que ideia? – Luffy indagou, andando pela calçada com as mãos apoiando sua cabeça.

— Cê sabe, esse lance de ficar contigo e com o Law. O lance triplo.

— Ah, sim! Kishishi, mas eu já sabia que seria legal.

— Você e ele parecem levar isso como coisa normal demais, cruzes. Chega a dar medo, é estranho ainda pra mim isso de namorar alguém e ficar com outra pessoa ao mesmo tempo. Tem nome pra isso?

— Não é namoro triplo?

— Eu não sei se alguém como o Law iria querer um título desses.

— Kid, para de falar assim do Torao! Você não gostou de ter ficado com nós dois?

— Gostei, e a gente vai sair de novo amanhça, ok? É que também...

— O quê?

— Como é isso, tipo, se é namoro também tem regras de não poder ficar com ninguém sem ser entre a gente ou é tudo liberado?

— Não sei, boa pergunta.

(…)

Enquanto isso, no consultório de Trafalgar, a sala de espera estava cheia com pessoas lendo revistas desinteressantes para parecerem ocupadas. O dito cujo ainda não havia chegado. A fim de não demonstrar desespero, Penguin e Satchi murmuravam entre si.

— Psiu, cadê o Law? — Satchi indaga.

— Sei lá, o almoço dele já terminou. Você acha que...?

— Sim, ele definitivamente...

— Com toda certeza, ele...

— Tá com alguém / Tá comprando droga. — Ambos falam ao mesmo tempo, porém, coisas diferentes.

— Hã? Claro que não, Satchi! Ele é realista, não faria uma coisa dessas em pleno horário de intervalo.

— O quê, transar ou ir na boca?

— Ir na boca! – Penguin exclama. – Tá cedo, é longe, demanda tempo. Ele não faria isso.

— Então você acha que ele nos trocou?

— Óbvio, ele sempre troca.

— Verdade, né.

— Você acha que ele tá com aqueles dois?

— Nossa, você acha que ele teria a audácia de nos trocar por duas pessoas?

— Satchi, eu acho que ser trocado por duas pessoas é menos pior do que ser trocado por uma só.

— Não importa o que é menos pior! Você não acha que o Law, que é nosso amigo já há muito tempo, seria capaz de nos abandonar tão cruelmente assim por causa de uma foda, né?

— Acho.

— Então nós precisamos tomar uma atitude quanto a isso. Penguin...

— Oi.

— Vamos pedir demissão.

— Hã, a gente mora junto ô idiota! Como vão ficar as contas?

— Tá, então um se demite e o outro fica pra dizer o quanto o outro é uma pessoa maravilhosa, cheirosa, atenciosa e que faz muita falta num ambiente de trabalho e de amizade.

— Não, ordinário.

— Ordinário?

— Uma pessoa só já é capaz de ficar nesse emprego, a gente não faz quase nada! Se um sair, capaz de nunca mais voltar e o Law ficar feliz por não pagar outro salário.

— Então o que a gente faz como protesto?

— Vamos chorar.

— Chorar?

— É, vamos chorar! Quando ele vir nossas lágrimas emocionantes, ele vai passar a nos dar mais atenção com toda certeza.

Pouco depois de ambos pensarem em um excelente plano para conquistar a empatia de Law, o médico enfim chega até o consultório. No mesmo segundo em que ele abriu a porta, a primeira visão que teve foi de Satchi e Penguin o encarando com faces explicitamente caricatas de pessoas que tentam fingir chorar, mas acabam ficando apenas mais assustadoras ainda. Ficaram fitando Trafalgar pelo mesmo período de tempo em que ele não conseguia desviar o olhar de tão espantado que estava.

— Que medo... — Murmurou para si mesmo. – Foi mal pela demora. – Law os ignorou e deixou a sala de espera, indo até sua sala.

— ESPERA!

Os dois rapazes de cabelos alaranjados entraram na sala dele junto, fechando a porta e exclamando em alto som, o que acabou por chamar a atenção dos pacientes que estavam aguardando e deixou Law com nervosismo.

— O que deu em vocês? – O moreno olhou com olhos julgadores.

— A gente cansou de você ficar trocando a gente! – Penguin julga de volta, apontando pra ele.

— É! – E Satchi dá apoio moral a ele.

— Cansamos de você saindo pra fazer esses negócios que você faz e deixando a gente aqui sozinho! – Continua julgando.

— É! – Continua apoiando.

— Cansamos de você saindo do expediente pra se divertir e acabar abandonando seus amigos!

— É!

— Cansamos de você não dando carinho pra gente!

— É!

— Cansamos de você ficar correndo atrás de homem!

— É!

— Cansamos de sermos deixados de lado em festas!

— É!

— Cansamos de ter que ficar encobrindo as coisas que você faz aqui dentro!

— É!

— Cansamos de... – Pensa um pouco. Law estava apoiando em sua mesa, olhando para os dois com cara de absoluto tédio. – Cansamos do quê mais, meu belo amigo Satchi?

— É!

— Para de concordar com tudo o que eu digo!

— É! Quer dizer, ahn... desculpa, eu me distraí um pouco. Onde você parou?

— Eu nunca mais contrato alguém por amizade...— Law murmura para si mesmo. – Então isso é tudo o que vocês tem pra dizer pra mim?

— Você vai ignorar a gente e voltar pro seu mundo egocêntrico?

— É!

— Para com isso, Satchi! – Penguin dá um tapa na cabeça dele.

— Desculpem se eu fui um péssimo amigo. – Trafalgar se desculpa, porém ainda com face blasé. – A gente pode fazer alguma coisa diferente hoje a noite, pode ser? Daí vocês me contam mais sobre essas reclamações pendentes.

— Sério? – Ambos ficaram espantados por dar certo.

— Sério, mas agora só manda o próximo paciente entrar, eu me atrasei porque eu fui passar em casa no intervalo.

— Tá bom! – Ficaram felizes e deram um abraço apertado e em conjunto em Law, para em seguida irem fazer seu trabalho. Penguin e Satchi não conseguem ficar emburrados por muito tempo.

(…)

Zoro P.O.V

Já é de madrugada. Por aqui todas as luzes estão apagadas e o pessoal, incluindo eu, tá na cama. Não tenho conseguido dormir direito esses dias e o motivo é o mais inútil que eu poderia arrumar. Argh, por mais que eu não queira de jeito nenhum admitir, eu tô preocupado com o maldito cozinheiro.

Eu ainda não sei o que dá naquele cabeça dura, sério. Primeiro ele praticamente me implora pra colocá-lo no concurso de culinária e depois ele fica chateadinho comigo! E mais, ele se recusa não só a ir na feira, que por sinal é amanhã, como também se recusa a falar comigo.

Tá, que seja, tem até um motivo pra ele não estar falando comigo, duh. Também é o mesmo motivo pelo qual eu não consigo encará-lo de jeito nenhum. Que ódio. Em uma dessas nossas discussões eu acabei beijando ele. Não por carinho ou por qualquer merda dessas, simplesmente foi porque eu tava irritado! E daí? Eu queria fazer ele calar a boca e parar de fazer merda. É difícil entender?

É um saco toda essa história. Como alguém tão talentoso como ele não consegue perceber que é um desperdício? Tanto cozinheiro por aí que daria de tudo pra competir nessa feira, e tudo porque ele levou um fora de uma concursada metida a júri anos atrás. Anos atrás. É mesmo um babaca.

Ok, definitivamente chega de pensar nesse merda. Já que eu não consigo dormir mesmo não vou ficar aqui prolongamento esses pensamentos bestas, acho melhor eu fazer um chá ou alguma coisa assim. Ou até mesmo um café, três da manhã é um bom horário pra ir fazer caminhada, melhor do que ficar deitado na cama mofando.

— Ahn? – A luz da cozinha tá acesa.

Zoro P.O.V off

O homem de cabelos chamativos verdes abriu somente um pouco a porta do seu quarto quando percebeu a presença de uma luz em sua casa. Sem fazer barulho, ele resolve olhar na brecha para ver quem estaria ali e se surpreende.

Era Sanji, na cozinha, fatiando alguns legumes. A bancada do cômodo parecia estar tendo um banquete preparado em cima dela, havia um guisado de carne, frango, um prato de sobremesa bem preparado e repleto de detalhes, peixe e alguns potes de salada de frutas. Junto com toda cena, o cozinheiro parecia estar terminando o preparo junto com a arrumação, mas também estava suando e parecendo ofegante de tão cansado.

— Wow.

Zoro não conseguiu conter a surpresa que teve e acabou fazendo barulho, tendo os olhos furiosos de Sanji voltados para si como duas flechas.

— … – Este, entretanto, não respondeu nada e voltou seus afazeres ignorando a presença de terceiros.

— Foi você quem fez tudo isso sozinho? – Mesmo assim, persistente, Zoro se aproximou e apoiou-se no balcão, ainda espantado. – Esquece, pergunta idiota.

— … – Continuou sendo ignorado.

— Então é assim que cozinheiros passam seu tempo livre. Eu achei que você só ficava nas revistas pornôs mesmo.

— …... – Ofendido, mas mesmo assim, ignorante.

— Pera, essa é toda a sua vontade de ir no festival sendo convertida em comida? Uau, você tava mesmo com vontade de participar desse concurso idiota mesmo.

— …...... – Sanji continua ignorando, mas agora cortava os legumes com um pouco mais de ódio.

— Mas tudo bem, alguns cozinheiros gostam de mostrar pro mundo seus talentos e trabalhar com isso. Outros, preferem fazer banquetes pra suprir seus orgulhos às três da manhã.

No mesmo segundo, Sanji pega sua faca de cozinha e crava na tábua de cortes, minuciosamente próxima aos dedos de Zoro, cujo braço estava apoiado no balcão.

— Eu só não arranco seus dedos porque eu não quero cheiro de sangue contaminando a minha comida. – Responde seco, sem olhar pra ele.

— Você diz isso, mas o que não falta aqui é cheiro de cigarro.

— O que é que você quer?

— Nada, eu não conseguia dormir então achei que fosse uma boa ideia vir irritar você.

— Hm. – Continua cortando os vegetais como se nada tivesse acontecido.

— Esse banquete que você preparou... acho que não foi por hobbie.

— … – Volta a orgulhosamente ignorar.

— Você resolveu então ir participar do concurso amanhã, não é?

— … – Corta os vegetais com um pouco menos de precisão, hesitante.

— Não precisa responder se não quiser, mas eu fico feliz por você finalmente ter deixado de idioti–

— Não vai...

— Hm? – Zoro ouviu uma pequena voz saindo dos lábios de Sanji, mas o loiro hesitou ainda mais antes de falar.

— Eu não quero que você vá amanhã. – Sanji disse, com precisão, virando seu rosto e olhando nos olhos do outro.

— … – Que hesitou por um momento, mas respondeu. – Então eu não vou.

— Eles vão transmitir o concurso ao vivo. Eu também não quero que você veja. A última coisa que eu quero é ter você vendo, assistindo ou ouvindo falar disso, até porque eu sei que você vai jogar isso contra mim pelo resto da vida.

— É isso que você quer?

— Já que você simplesmente não para de falar comigo de vez, sim.

— Eu tava planejando passar o dia na academia mesmo, então tanto faz. Não se preocupa porque eu vou de fone de ouvido pra não escutar ninguém comentando sobre isso.

— Ótimo, eu espero que seja verdade.

— Só uma pergunta, o que você pretende fazer com tanta comida? Você e a ruivinha não parecem ter um estômago tão grande assim.

— Eu pretendia dar pro pessoal que pede comida lá na lanchonete e não tem dinheiro. Por quê, você quer?

— Eu sei que você não suporta nem olhar pra mim, mas a gente pode conversar só um pouco? Eu digo o que achei da sua comida.

— Nem pensar, eu não quero ter a minha comida julgada por alguém que eu sinto vontade de enfiar o frango na cara.

— Não vai ser um ótimo treinamento pra amanhã, nesse caso? Você deve odiar muito mais aquela jurada do que a mim.

— É... faz sentido. Você não vai mentir pra me agradar?

— Eu lá tenho cara de quem faz isso?

— Não mesmo.

— Então vem cá e me serve. – Zoro senta na cadeira da mesa da cozinha, relaxadamente. Sanji fica só o encarando ainda com ódio interno, imóvel. – Que foi, já desistiu?

— Não sei se quero ficar conversando com você.

— Vem logo, para de ter medo. Eu prometo que não vou te beijar.

— Tsc.

Sanji, engolindo seu orgulho, coloca todos os pratos que fez na mesa e Zoro pega um pouco de cada. O cozinheiro senta-se à sua frente, com cara de emburrado e impaciente.

— E aí, vai provar ou vai ficar só encarando a comida, idiota? – Indagou.

— É assim que você vai tratar os jurados amanhã, é? Pelo menos tenta passar uma chapinha nessa sobrancelha pra ao menos ficar menos ridículo.

— Como se um amontoado de alga marinha que se alimenta por fotossíntese tivesse o paladar de um jurado.

— Que bom que você aproveita a sua única qualidade cozinhando, porque se não fosse por isso você tava ferrado.

Zoro e Sanji encerraram a troca de xingamentos e o de cabelos verdes finalmente começou a comer. Provou cada um dos alimentos, em silêncio e de olhos fechados. O loiro ficou esperando sua reação. Roronoa só abriu de novo os olhos quando acabou de provar e finalmente pôde dar seu veredito final.

— Está horrível.

— Ahn?

— Não ouviu? Isso aqui tá horrível, deve ter sido o pior prato que eu já provei na minha vida. Você deveria ter tirado uma foto porque pelo menos a comida tá bonita.

— Do que você... como é que...

— Que foi? Foi você que pediu pra dizer a verdade e não mentir–

— SAI DA MINHA FRENTE AGORA!

Sanji não só o cortou como levantou-se e bateu as mãos na mesa, gritando com Zoro.

— Hã? É assim que você trata quem come da sua comida? É por isso que tava daquele jeito, feita por um merda como você!

— Do que você tá falando? Eu passei quatro horas fazendo essa comida, seu ingrato de merda!

— Podia ter feito alguma coisa de útil e ido dormir, isso aqui é um desperdício de ótimos ingredientes! É com isso que você quer ganhar na competição? Vai passar vergonha pela segunda vez na vida, idiota!

— VAI SE FODER! – Sanji corre até ele e agarra sua camisa, obrigando Zoro a se levantar. – Eu não sei por que eu continuo a dar ouvidos pra um merda como você, você só deve ter comido lixo a vida toda e se acostumado pra conseguir falar isso!

— Como é que é? Você não sabe acertar no tempero, não consegue fazer um simples frango e quer falar alguma coisa? Isso aqui é comida crua, parece até um restaurante japonês! E esse guisado tem gosto de água suja com carne de terceira. Você deveria sentir vergonha!

— Hã, do que você tá falando? SEU MERDA! Eu tenho vindo nessa merda de cozinha toda noite desde aquele maldito dia e feito vários tipos de pratos pra um derrotado como você vir e achar que pode falar alguma coisa? Se dessem uma comida de qualidade e um miojo cru você não saberia a diferença! Você faz questão do que eu tenho feito aqui enquanto você só fica no sofá o dia inteiro destruindo os objetivos dos outros?!

— Eu destruí seu objetivo? Você mesmo vive dizendo que vai perder essa merda de competição, cai na real! Os caras de lá tem quantos anos como cozinheiros? Trabalham em restaurantes de quantas estrelas? Você cozinha numa LANCHONETE! Lan-cho-ne-te! Alguém do seu nível não deveria nem estar lá.

— Não importa onde alguém cozinhe, tem muito porco em restaurante cinco estrelas que não lava as mãos e é incapaz de fazer um ovo frito sem olhar num livro de receitas! Eu quero ser o melhor cozinheiro do mundo, cozinhando em Paris ou só pra família, não importa porque eu não faço isso por dinheiro, por concurso e nem pra um merda como você vir falar mal!

— O que você disse? Que você quer ser o melhor cozinheiro do mundo?

— Eu só não digo que eu já sou porque eu ainda preciso conhecer todos os temperos e todas as culinárias do mundo, e é pra isso que eu usaria o prêmio do concurso! Por enquanto eu só posso afirmar que EU SOU O MELHOR COZINHEIRO DA ALEMANHA!

Sanji estava com a respiração pesada e nervoso. Zoro também, mas parou de falar e foi se acalmando, olhando só para os olhos azuis do loiro que suava pela camisa. Quando ambos já estavam conseguindo falar e pensar direito, o de cabelos verdes virou o rosto.

— Idiota. – Disse, olhando pro lado.

— O que foi que você disse?

— Você sabe muito bem que o que eu falei foi mentira. A sua comida é a melhor que eu já provei em toda a minha vida, não importa que tipo de prato você faça. Pode até ser um miojo cru.

— Ahn? – Sanji sente aquelas palavras como um soco no estômago, não conseguia esboçar qualquer tipo de reação.

— Você passa o mês inteiro falando que vai perder o concurso. Por que você só consegue dizer que é o melhor cozinheiro da Alemanha só agora? Todo mundo que já comeu da sua comida sabe disso há tempos. Se você quer saber a verdade, eu acho que o seu talento não deveria estar em alguém que duvida de si mesmo.

— ... você... acha isso mesmo?

— Se eu não achasse eu não diria. – Zoro se senta e volta a comer a comida. – Eu não sei como alguém reserva a madrugada pra poder fazer o melhor prato que eu já comi e depois diz que simplesmente ia dar pra alguém sem nem oferecer pros amigos...

Sanji vira de costas. Não consegue olhá-lo, só escuta o de cabelos verdes usando os talheres e se afasta da mesa, indo para a pia. Acende um cigarro e não fala sequer uma palavra por um longo tempo, fica somente pensando em algo. Roronoa não parava de aproveitar o banquete e nem se importava com os poucos movimentos do loiro.

— Quem disse que você é meu amigo, idiota...

— Hm? – Ele para um pouco de mastigar, ainda com a boca cheia, quando Sanji resolve falar, mesmo que baixo e distante.

— Eu não entendo isso. – O loiro segura seu cigarro aceso e fica olhando alguns segundos para baixo, antes de apagá-lo com força na pia molhada.

— Não entende o quê?

— Já me disseram isso muitas vezes, que a minha comida é a melhor e tudo mais.

— Você não entende por que falam isso?

— Não, eu sei que é.

— Então o que é? O tempo que você tá me fazendo perder falando eu poderia estar comendo.

Sanji, mesmo de costas para Zoro, que aguardava uma resposta, consegue esboçar um minúsculo sorriso no canto de seus lábios.

— Eu só não entendo. Já me disseram isso tantas vezes e eu não me importo, mas... quando é você quem fala, eu fico feliz.

— Uhn? – Fica sem saber o que dizer.

Você é meu ponto fraco. Eu sei que é idiotice, mas eu não consigo evitar. É mais forte do que eu.

— Ahn, você...

— Quando acabar de comer coloca o que sobrou na geladeira. Eu tô cozinhando desde às onze, preciso dormir.

— … tá bom.

Sanji dirigiu-se até seu quarto, andando devagar, enquanto Zoro continuava a o fitar, acompanhando seus passos. Quando estava em frente à porta do local onde dormia, entretanto, o cozinheiro parou em frente e apenas virou seu rosto.

— Ei, Marimo.

— Hm?

— Você acha mesmo que eu vou ganhar amanhã?

— … Não me faz repetir isso, já é demais pra mim.

— Entendi. Obrigado. – Ele consegue sorrir mais, antes de finalmente entrar em seu quarto.

Zoro P.O.V

Isso é muita covardia, de verdade. Como esse maldito idiota consegue piorar tanto as coisas? Argh, que saco! Eu venho aqui com intuito de irritá-lo e ele fica agindo dessa forma comigo. Tsc, pelo menos eu ganhei comida de graça, é tudo que importa. Que ódio, como que eu vou conseguir dormir agora?

Primeiro esse babão fica chorando o mês inteiro dizendo que vai ser humilhado em rede internacional pra agora isso? Eu tive que elevar a autoestima desse desgraçado?! Aaaarh, que saco, não era pra isso acontecer, era pra eu odiá-lo e ele me odiar, não o contrário, que saco!

Mas espera, ele disse que ficou cozinhando aqui desde às onze? Tudo pra treinar pro maldito concurso? E são quase quatro horas da manhã agora...

Pensando bem...

Pequeno Flashback – Cap 22

Ouvi um barulho de porta se abrindo, em seguida, passos. Estava escuro então não dava pra saber quem era, mas agora eu sei que pelo menos eu não sou o único acordado essa hora. Onde eu estava continuava sem luz, por tanto não dava pra perceber minha presença, mas a cozinha ficou acesa.

Olhei por acima do sofá, ainda com os olhos ardendo graças à insônia, e pude ver um pequeno ponto borrado amarelo abrindo a geladeira para pegar um copo d'água. Deve ser o Cook, provavelmente é por isso que eu não consegui dormir. Parece que ele me assombra até acordado.

Fim do pequeno Flashback

Pera aí, ele tá vindo pra cá cozinhar desde esse dia? Foi o dia que eu acabei beijando ele sem querer... então isso explica o motivo de ele ter estado acordado mesmo tão tarde. Ele não fica cansado não, esse maldito? Como ele vai ter energia pra amanhã, que no caso, é hoje?

Aargh, Zoro, para de se preocupar, que saco!

Ainda bem que ele disse que não iria querer me ver. Eu também lá quero saber de resultado de competição, foda-se isso. Só fico triste por perder comida de graça, mas tudo bem.

Eu tenho que parar de agir como idiota...

Notas finais
Desculpem pelo atraso! e3e (quantas vezes eu preciso dizer isso) Sei que vocês devem me odiar, mas não me esqueçam e~e Nem esqueçam da fic ;q; Comentem pra eu saber que cês tão aí ainda ♥ No próximo capítulo vai ser finalmente a feira! Teremos presentes ilustres convidados, tais como: ~ SaboAce ~ Shaggy ~ LawLuKid ~ IvanDragon ~ Bon-chan E lógico, ZoSan. —3- E tô pensando em fazer mais unzinho especial de KaiDoffy e um inédito, Penguin e Satchi! O que acham?