Verbotene Liebe
9 Precisamos falar de aborto!

Depois de um fim de semana super abalado, era finalmente segunda de manhã. Nossos personagens já haviam saído do acampamento e retornado para suas respectivas residências. Shanks acordou com o despertador, tomou coragem para levantar-se da cama e assim o fez. Entretanto, ao sair de seu quarto, acabou notando que Buggy já havia acordado e estava na sala.
– Ahn, Buggy? – Ainda estava sonolento, mas deparou-se com o de cabelos azuis em seu sofá. – Bom dia...
– Bom dia. – Ele estava lendo um jornal matinal. – Eu acabei acordando mais cedo que o comum.
– Ah, que bom, por um momento eu achei que estivesse atrasado. – O ruivo se dirige até a cozinha. – Eu vou preparar o nosso café da manhã.
– Se você estivesse atrasado, eu te acordaria. – Buggy se levanta e vai à cozinha com ele, sentando-se à mesa e aguardando a refeição.
Shanks fez ovos mexidos com bacon e torradas para o café, sentando-se junto com o outro após.
– E ai, gostou da viagem? – O ruivo perguntou.
– Sim, foi muito boa! Só achei arriscado quando você se atirou da última pedra da cachoeira.
– Hahaha, relaxa, eu sou um bom nadador.
– Você estava bêbado e isso foi à noite.
– Porque era a nossa última noite e eu me dei conta de que ainda não tinha feito! Enfim, o importante é que deu tudo certo.
– E pra esse fim de semana, já tem alguma coisa marcada?
– Ainda não, eu geralmente só descubro o que fazer no dia. Mas eu com certeza te convido!
– Tá certo, então. – Buggy termina seu café da manhã. – Vamos à escola?
Shanks também terminou sua refeição matinal e ambos colocarem o prato na pia, indo escovar os dentes, tomar banho e realizar os preparativos para irem embora, trabalhar. Entraram no carro após terminarem, dirigindo-se ao colégio Sweet Piece.
Ao chegarem lá, tiveram que se separar pois cada um dava uma aula diferente. Buggy foi apresentar Matemática financeira ao terceiro ano, enquanto Shanks dirigiu-se até o segundo ano, onde fornecia aulas de história. Fez o mesmo de sempre, chegou à turma, ajeitou-se na mesa e se preparou para ser subitamente ignorado.
Mas pelo menos dessa vez tinha um motivo. Todos os alunos da classe, com exceção de Coby, haviam ido à uma festa na sexta feira e, por isso, comentavam-na com os amigos. Helmeppo resolveu se aproximar do de cabelos rosas, para ver se o garoto tinha feito seus exercícios, conforme combinado.
– E aí, Coby! – O loiro chegou batendo a mão na mesa do outro, desviando sua atenção dos estudos.
– H-Helmeppo! – O que acabou o assustando, fazendo Coby também quase derrubar seus livros. – P-Po.. posso ajudar?
– Fez meus exercícios conforme eu te pedi, não é? Eu vim buscá-los.
– Ah, sim, sim! – O garoto abriu sua mochila apressado, procurando os papéis do dever do outro. Como estava bem apreensivo e assustado, corria para achar, mas acabou demorando um pouco para fazê-lo. – A-A-Aqui está! Desculpe pela demora!
– Espero que esteja tudo certo, hein, eu prometi ao meu pai que tiraria nota máxima nessa matéria.
– N-Não se preocupe, eu passei o fim de semana inteiro fazendo o melhor possível!
– Ótimo, é isso que eu gosto de ouvir, é bom saber que você sabe as suas prioridades! Hahaha, até mais. – E ele se vira, indo embora logo após. Coby se sentia extremamente inferiorizado, mas fingia não se importar. Luffy, entretanto, não conseguiu deixar de comentar.
– Você deveria parar de fazer tudo que ele manda. – O garoto do chapéu de palha, que sentava-se à frente dele, disse.
– Ah, não tem problema, eu até gosto de fazer os deveres dos outros. Assim eu aproveito e estudo em dobro!
– Se você diz...
– E você, Luffy? Como foi a festa de sexta?
– Foi muuito legal! Teve competição de quem comia carne e eu ganhei, no final da festa nós ainda nos jogamos na piscina. Você deveria ter ido comigo, Coby!
– Ah, não, eu... não gosto muito de festas. Mas se você se divertiu, é isso que importa.
– Você já foi à uma festa?
– É claro que sim, também não precisa exagerar! Mês passado foi aniversário do sobrinho da amiga da minha mãe, tá?
– Eu tô falando de festas que não sejam infantis.
– E qual é o problema das infantis? Tem bolo e salgadinho de graça.
– Quer saber? Eu vou perguntar aos meus irmãos se eles sabem se vai ter alguma festa essa semana e se tiver, você vai ter que ir comigo, tá bom?
– M-Mas eu realm–
– E sem desculpas! – Luffy abre um sorriso e volta a virar para frente. Aproveitou também para mandar uma mensagem para seu irmão mais velho, Ace.
“Oi, Ace! Sabe se vai ter alguma festa esses dias?”
“Ahn... sei lá, tem que ver com o Sabo.” – O menino de sardas, então, decide mandar uma mensagem ao seu irmão do meio. – “Yo, Sabo. Sabe se vai ter alguma festa esses dias?”
“Por que você tá me mandando mensagem?” – Sabo responde. – “Eu sento atrás de você.”
– Ah, pode crer, nós estudamos na mesma sala. – Ace vira para trás. – Yo.
– Acho que sábado à noite vai ter o aniversário da Hancock, não?
– Verdade, e ela gosta do Luffy então nós com certeza vamos ser convidados. Você vai?
– Se não tiver nada melhor pra fazer no dia, sim. E você?
– Também. Mas ei, Sabo... – Ace se aproxima mais, com um olhar e sorrisos duvidosos.
– O quê? – Coisa que acaba deixando o outro levemente preocupado.
– Sobre aquele assunto de sábado... – Ele sussurra. – E se a gente fizer uma competição de quem fica com mais pessoas?
– V-Você... você ficou doido? Isso lá é coisa que se faça!
– Ah, é só uma competiçãozinha besta, vai.
– Exatamente por isso! Quantos anos você tem?
– Tá com medo de perder pra mim, Sabo?
– Ok, isso responde a minha pergunta. Você é realmente o mais velho de nós?
– Me-dro-so! Me-dro-so!
– Sério..?
– Me-droso! Me-dro-so! Me-dro-so! Bléeergh! – Fez até caretas para insultá-lo.
– P-Para com isso! Argh... tá bom, vamos fazer logo.
– Jura?!
– Só se for pra você ficar calado.
– Isso! Te vejo na festa então, perdedor. – Ace se vira e volta a olhar para frente.
– Nós meio que moramos juntos...
Sabo continuou a ser um dos únicos que prestava atenção na aula, enquanto Ace avisava do aniversário de Boa Hancock para Luffy, que acabou convencendo Coby a ir junto. Ao mesmo tempo, do outro lado da escola e fora da turma, Doflamingo residia em sua sala.
Como diretor, ele era uma pessoa bem ocupada e sempre muito compromissada, porém, como estava de saco cheio, resolveu se dar um pouco de folga e levantou-se, pegando um café e indo até a sala do Orientador Educacional, Kaidou, fazer-lhe uma visita.
– E aí, Kaidou!
– Ahn? A-A-A-Ah, D-Do-Doffy! – Kaidou levou um susto ao vê-lo, ficou momentaneamente vermelho e acabou arremessando seus papéis para o ar devido à timidez, mas tentou agir o mais normal possível. – Q-Que bom te ver! Você vem sempre aqui?
– … eu meio que trabalho aqui.
– Ah, verdade, você... é o diretor, né. – Desvia o olhar, não querendo olhar para ele e xingando-se mentalmente por dize algo estúpido.
– Tá tudo bem contigo, Kaidou?
– Ahn? A-Ah sim! Por que não estaria? Minha vida tá sempre maravilhosamente bem!
– Sei lá, você parece mais distraído do que o normal.
– V-Você acha?
– E tá falando mais embolado do que nunca, aliás, por que você não tá olhando pra mim?
– Hum? – Ele estava olhando veementemente para o lado, sem perceber. – C-Como assim?
– Você parece mais distraído que nos outros dias. Aconteceu alguma coisa?
– C-C-C-Claro que não! O que poderia ter acontecido? Hahaha... é claro que não aconteceu nada, nada demais nunca acontece na minha vida, por que agora aconteceria? Não, nada aconteceu!
– Kaidou, vo–
– S-Se tivesse acontecido também você não precisa se importar, são só os meus problemas, certo? C-Cada um cuidando da sua vida! Mas não aconteceu nada, imagina, claro que não... não tem nada pra acontecer também. Nada...
– … – Doflamingo ficou sem saber o que dizer, só achando aquilo estranho e curvando suas sobrancelhas em dúvida. – Tá tudo bem mesmo contigo?
– P-P-Por que não estaria? – Kaidou apoiou a mão no rosto, olhando para frente com um sorriso forçado.
– Ahn... por nada, não.
– Então tá!
– Então... tá.
– …
– …
– …
– Então, eu... – Doflamingo se vira, indo até a porta e achando aquilo muito estranho. – Acho que eu já vou agora.
– Tá bom!
– Tá... bom.
– Tá bom.
– … ok.
(…)
Por quanto Doflamingo não entendia nada do que havia acontecido em tal famigerado ambiente, a tardinha ia começando a cair. Dois jovens chamados Roronoa Zoro e Eustass Kid estavam trabalhando em uma oficina, sendo sujos de graxa após pegar um dos carros para conserto.
– Mas e aí, como foi no tal acampamento? – O ruivo perguntou.
– Foi tudo ótimo, deu pra aliviar o estresse naquela cachoeira fácil, fácil.
– Que bom né, você disse que tava com medo de se estressar mais por passar dois dias inteiros com aquele loiro que você odeia.
– Ah, o Cook? Até que a minha estadia com ele não foi tão ruim quanto eu pensei.
– Sério?
– É, quer dizer... nós brigamos muito, mas como eu posso falar, agora pareceu mais uma “briga saudável entre amigos” do que qualquer outra coisa.
– Hm... então vocês dois aprenderam a gostar um do outro?
– Óbvio que não! É que nós dois nunca tivemos um motivo real pra nos odiarmos na verdade, só brigávamos porque não nos dávamos bem por natureza, mas agora é diferente.
– Como assim “diferente”?
– É complicado explicar. Teve uma noite em que todo mundo foi dormir, menos nós dois, e conseguimos conversar sem brigar. Eu até descobri a fraqueza dele com insetos e contei uma história minha pra ele.
– Oh, descobriu fraquezas e falou sobre o passado? Vish, já é pra casar.
– Cala boca, Eustass! – Zoro dá um tapa na cabeça do outro. – Foi só uma história comum, nada demais.
– Hahaha, tá, que seja. Então agora vocês dois são “amigos que brigam”?
– É... acho que sim.
– Isso não é ruim, é melhor brigar amigavelmente do que sem nenhum motivo.
– Tem razão. Mas fala aí de você, e o lance com o Trafalgar?
– Ah, isso já é mais complicado. – Eustass apoia suas costas no carro e fica olhando vagarosamente para o céu. – Sei lá, sabe...
– Vish, tá apaixonado.
– Não é isso! É que depois da festa eu o levei pra minha casa e pareceu tudo tão “normal”, como se fôssemos amigos de anos, sendo que nunca tínhamos sequer conversado antes.
– Tem gente que é assim mesmo, tem facilidade pra formar amizade. Dá essa impressão de que podemos falar de tudo com a pessoa, né?
– Pois é! Mas acho que não vai dar em nada.
– Por quê? Não podem ser tipo “amigos com benefícios”?
– Bem que eu queria, mas parece que o Law tá fechado até mesmo pra esse tipo de relação. Ele é daquelas pessoas que separam “pessoas pra transar” e “pessoas pra amizade”.
– Ah... medo de relacionamento?
– Ele até me disse que não poderia me encontrar hoje por ter um compromisso. Na hora eu achei normal porque médicos são mesmo ocupados, mas parando pra pensar, talvez seja porque nós tenhamos nos visto demais ultimamente.
(…)
Já do outro lado da Inglaterra, em seu consultório particular, o médico Trafalgar Law estava recebendo uma de suas pacientes. Se tratava de uma mulher já adulta, negra, com cabelos bem cheios apesar de estarem presos e um tanto nervosa, parecendo até mesmo estar desconfortável.
– Boa tarde, doutor. – Ela sentou-se em frente a Law, com as pernas fechadas e olhando para baixo disfarçadamente.
– Boa tarde. Como eu posso ajudá-la?
– Eu... – Continuava virando o rosto. – É que na verdade não é nenhum problema de saúde, não.
– Não precisa ficar desconfortável aqui, o que entra no consultório é um assunto entre nós dois, ninguém de fora fica sabendo. Pode me contar qual é o problema sem medo.
– É que na verdade, eu estou grávida do quarto filho.
– Quanto tempo de gravidez?
– Um mês, eu só soube esses dias, só contei pra uma pessoa além do senhor. É bem complicado porque, para ser sincera, eu não gostaria de ter esse filho.
– A senhora pensa em abortar, então?
– N-Não, não é isso, quer dizer... mais ou menos. Eu não gosto muito desse termo, sabe? Pra ser sincera, eu sou extremamente contra o aborto e repudio completamente esse ato, pra mim é como um assassinato.
– Entendi. E mesmo sendo contra o ato, a senhora vêm pensando nessa probabilidade com certa frequência?
– Meu marido e eu viemos de família pobre e religiosa, já temos dificuldade para criarmos nossos três filhos e ele ficou bem irritado quando eu tive os dois últimos. Até hoje ele briga comigo por conta disso, principalmente quando bebe demais e volta tarde pra casa.
– E seu marido não sabe dessa gravidez recente?
– Não, mas eu acho que ele percebeu porque esses dias disse que eu tava ficando mais gorda, e disse isso com uma cara feia. Eu tenho medo dele me bater se descobrir porque a culpa foi minha.
– Ei, ei. – Law fica até assustado. – Tem riscos dele lhe agredir fisicamente? E não se sinta culpada, ninguém engravida sozinha.
– Só quando ele bebe demais, mas é raro. É que ele não gosta muito de camisinha então eu tomo anticoncepcional pra não precisar usar, mas eu não sei porque não deu certo dessa vez, sempre deu.
– Usou algum antibiótico ou remédio no período anterior à gravidez?
– Hm... sim, mês passado eu tive dor de garganta então usei antibiótico.
– Provavelmente foi o que ocasionou a gravidez, antibióticos cortam o efeito da pílula. Mesmo assim, isso não é motivo para que a senhora se sinta culpada, gravidez é algo que pode acontecer com qualquer um, até usando camisinha.
– M-Mas o que eu devo fazer? Nós já nos mudamos pra um lugar “mais barato” pra cuidarmos do terceiro filho e ele ficou muito irritado comigo. Se eu tiver esse agora, eu tenho medo dele fugir e me abandonar.
– Seria bom se antes de tomar qualquer decisão, a senhora fique mais a par desse assunto. O aborto não é como um “assassinato”, a cirurgia é feita até a 12ª semana de gestação, quando o feto não possui terminações nervosas. Ou seja, nessa fase ele não sente dor e não é considerado vida humana.
– Mesmo assim, ainda é uma vida que tem aqui dentro, certo? Eu acho que jamais conseguiria fazer algo assim com um futuro filho meu. É desumano, é contra Deus.
– Não é desumano, é uma questão de saúde pública que deve ser tratada como tal. O aborto envolve questões psicológicas irreversíveis; na verdade ninguém quer abortar, todo mundo é contra o aborto em si. Ele causa danos permanentes ao corpo e à mente da mulher.
– Então! Por isso mesmo, eu nem quero pensar nessa probabilidade, mas...
– Mas ao mesmo tempo, às vezes é a única saída. A senhora já tem uma condição financeira precária e três filhos, além de um marido que não vá lhe dar o devido apoio. Já contou isso para alguém?
– Já sim, para minha pastora. Fiquei com medo dela me chamar de pecadora e me expulsar da igreja, mas a reação dela foi totalmente diferente.
– Foi uma reação positiva?
– Ela me contou que quando tinha vinte anos, cometeu um aborto. Fiquei surpresa pois ela é a mulher mais religiosa e íntegra que conheço, mas aí ela me disse que ficou grávida através do abuso sexual por um padre dentro da própria igreja.
– É, para ser sincero, a maioria das mulheres que abortam, como eu disse, são contra o aborto. Porém, é uma questão tão emergencial que muitas ficam com medo de ter o filho e recorrem a ele, sem nem pensar nos valores que acredita.
– Ela também me disse que nunca falou sobre isso com mais ninguém a não ser eu. Ficou com medo de ser expulsa da igreja e ser chamada de herege, de “impura” por engravidar antes do casamento. O padre até hoje está conosco, aliás.
– Dentro da igreja a questão é mais complicada por envolver os valores religiosos, mas, sendo um problema de saúde pública, envolve muito mais do que fé. Envolve a sua vida, principalmente.
– O senhor acha que eu devo fazer, então?
– Não cabe a mim dizer isso, até porque não é minha especialidade. A decisão final é sua, mas antes de tomá-la, há vários meios burocráticos.
– Como assim?
– Como aqui na Alemanha o aborto é legal, você vai precisar de um acompanhamento psicológico por no mínimo três dias em um “Centro de Aconselhamento para Grávidas em conflito”, como eles chamam.
– O que acontece neles, vão me dizer os prós e os contras?
– Vão te informar como é feito o aborto, os serviços sociais que o Estado presta e esclarecer todos os ricos emocionais envolvidos. Isso tudo serve para que você tenha certeza de que quer fazê-lo, para que não aja um arrependimento futuro.
– E o senhor acha que eu preciso contar ao meu marido antes de ir a essa clínica?
– Eu não posso pedir que esconda dele, mas a decisão é sua. Algumas vão sozinhas, outras vão em família. Eu somente aconselho que você tenha o máximo de apoio possível ao seu redor.
– Entendi...
– A maioria das pessoas acabam desistindo de abortar depois dessa sessão psiquiátrica, e justamente por isso o número de abortos em países onde ele é legalizado é menor do que em países onde a prática é proibida, porque a mulher recebe um maior conhecimento do que é o aborto em si.
– Eu realmente não entendo muito desse assunto, só conheço o que falam nas igrejas, que é pecado e assassinato. Mas se até a pastora fez...
– Quando o assunto é debatido sem tabus, entre profissionais que sabem o que fazem, pode ter certeza que a senhora só sairá de lá com a plena certeza do que quer. Pode ser que você acabe decidindo ter ou não o bebê, mas independente dessa decisão, é bom ter a mente aberta e fugir um pouco da religião. Como eu disse, é um problema de saúde pública em um Estado laico, é um assunto bem amplo.
– Entendi. Acho que eu vou tirar uma consulta nessa clínica, conversar com pessoas que até já passaram por uma situação parecida com a minha. Eu realmente não quero tomar nenhuma atitude egoísta.
– Sinta-se livre para ter o maior tempo possível para pensar antes de tomar quaisquer decisões. – Law se levanta junto com a mulher, apertando sua mão. – E que será muito bem acolhida independente de qual for.
– Obrigada, doutor. Obrigada de verdade, acho que eu me sinto mais segura agora.
Após se despedirem, Trafalgar levou sua paciente, que mesmo ainda estando bem nervosa, sentia-se mais segura, até a porta de saída. O próprio médico acabou suando e soltando um longo suspiro exaustivo quando ela foi embora, o que chamou a atenção de Satchi e Penguin.
– O que houve? – Satchi perguntou. – Alguma coisa séria?
– Esse assunto é sempre muito cansativo pra mim. – Law responde. – É bem tenso ver mulheres que são contra o aborto, pensando nessa questão por pura emergência. E os maridos também não ajudam.
– E quem ajuda? – Penguin rebate. – Ninguém tá nem aí pra discutir essas questões “tabus”, o pessoal só quer dizer que tudo é pecado, proibido e doentio, sem nem saber a raíz do problema.
– E isso cansa porque na maioria das vezes é a única solução que elas tem, mas não recebem apoio então acabam se achando erradas por pensarem assim. Algumas até tentam abortar dentro de casa, o que resulta em morte.
– Ai, vamos trocar de assunto, isso tudo é tão triste... – Satchi volta a dizer.
– Ainda bem que eu cancelei com o Eustass, isso tirou totalmente o meu tesão. – Law afirma. – Já sei! Já sei de um jeito de conseguir parar de pensar nisso e dar uma relaxada. – E depois, vai até o meio dos dois rapazes, abraçando seus ombros com um sorriso estranho.
– Qual? – Que faz ambos perguntarem juntos, um pouco assustados.
– Depois do trabalho vamos dar uma passada na boca, comprar essência de narguillé, maconha e fazer uma sessão de filmes na minha casa chapados!
– ISSO! – Penguin e Satchi comemoram e batem na mão um do outro. – Viva o aborto! Q-Quer dizer, a sessão de filmes...
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