19 anos atrás...

Em um Estado afastado na Alemanha, um jovem de família tradicional vivia em um colégio interno. Shanks tinha apenas oito anos, era um pequeno ruivo que não era muito fã de estudos, gostava mais de brincar com seus amigos e, graças a essa característica, seus pais o colocaram nesta escola.

A principal característica de um colégio interno é que os alunos não vão para casa ao fim do dia, e sim, dormem lá, em dormitórios divididos por gênero. Apesar de ser uma escola rigorosa, Shanks não se importava muito em estudar lá, e tudo graças a um outro garoto. Buggy era um ano mais velho, portava grandes cabelos azuis e dividia um quarto com o ruivo.

Os dois eram os melhores amigos possíveis! Bom, nem tanto assim, já que brigavam por qualquer besteira. Buggy se irritava com o fato de Shanks ser totalmente despreocupado com o mundo exterior, o fato dele rir ou achar graça em absolutamente tudo. Neste momento, os dois estavam no quarto.

– Eu tô te falando, os pinguins ficam no polo sul! – O ruivo dizia convicto, deitado na cama de cima. Eles dividiam uma beliche e Buggy ficava na debaixo.

– Claro que não, idiota, os pinguins ficam no polo norte, o polo mais frio! – Buggy prosseguia, também convicto com seus ideais.

– Do que você tá falando, Buggy? O polo sul é o mais frio!

– Tsc, você é um ruivo idiota que não presta atenção nas aulas, só pode. É óbvio que o polo norte é o mais frio, ele fica no NORTE!

– Hã? Claro que não, o polo sul é o mais frio, ele fica no SUL!

– Você ouve as coisas que você diz? Porque você só fala besteira!

– Deixa isso pra lá, Buggy. – Shanks deixa a briga de lado e põe a cabeça pra fora, encarando o garoto que ficava na cama abaixo da dele, com um grande sorriso de criança. – Ei!

– P-Por que você tá me encarando com essa cara estranha?

– Ah, eu não quero brigar contigo. Vamos fazer outra coisa!

– Tipo o quê?

Shanks desceu de sua própria cama e invadiu a do outro, sentando-se no colchão em frente a Buggy, colocando o cobertor em cima de suas próprias cabeças, ficando escondidos e fazendo uma espécie de cabaninha. O ruivo estava com um sorriso alegre, o que deixou o outro mais confuso ainda.

– Ei, Buggy, quer ser o meu melhor amigo pra sempre?

– Ahn? Eu achei que já era seu melhor amigo...

– Eu sei, mas... – Shanks fica com um rosto triste, com bochechas grandes e olhar de choro, um semblante totalmente diferente do que estava acostumado.

– O que houve? – Isso tudo fez com que Buggy ficasse preocupado. – Aconteceu alguma coisa?

– Meu pai ganhou uma transferência, eu vou morar em outro Estado.

– Eh? – E a notícia repentina faz com que ele fique na mesma situação e acabe segurando as mãos do ruivo. – S-Sério? Eu.. a gente nunca mais vai se ver?

– N-Não fala isso, é claro que vamos! – Shanks retribui a preocupação, segurando as mãos dele também. – Escuta, quando a gente for maior de idade, talvez dê pra gente se encontrar e morar juntos de novo!

– V-Você acha?

– Eu tenho certeza! É só a gente prometer que vamos ser amigos pra sempre, o que você acha?

– Tão fácil assim?

– É!

– Então tá... vamos prometer. Eu prometo que seremos amigos pra sempre.

– E eu também prometo, nós vamos ser amigos pra sempre!

– Isso!

– Agora que prometemos, não tem nada que possa desfazer essa promessa.

Após dita a última frase, Shanks abriu um enorme sorriso no rosto e Buggy retribuiu, com um menor, mas com o mesmo significado. Ficaram olhando um pro outro e cruzaram o dedo mindinho para reafirmar a promessa, porém o ruivo decidiu fazer algo a mais. Puxou o garoto pela nuca, encostando seus lábios no dele de leve. Foi só um curto selinho.

– Por que você fez isso? – Buggy pergunta, sem entender aquela atitude. Ambos tinham oito e nove anos, apenas.

– Ah, é que eu queria ver como era. Isso vai deixar a nossa promessa mais forte!

– Você é estranho... ei, quer tomar sorvete?

– Sorvete? Mas é proibido ter esse tipo de coisa no quarto.

– Eu sei, mas eu peguei escondido no refeitório!

– S-Sério? Você é o melhor, Buggy!

– Haha, eu sou mesmo.

(…)

Atualmente...

Amanheceu em uma cidade Alemã. Em seu próprio quarto, morando sozinho, um homem estava despertando. Shanks tem vinte e sete anos, é solteiro e atualmente trabalha em uma escola, dando aulas para o Ensino Médio de história. O ruivo era o típico professor bem humorado e carismático, que gostava mais de contar mais histórias de sua vida, do que dar a matéria propriamente dita.

Ele é um homem extremamente feliz, apesar de nunca mais ter encontrado seu amigo de infância, Buggy. Tinha muitos amigos, gostava de sair para beber, até mesmo em dias de semana, e vivia bem, gostava de ser solteiro. Mas vamos voltar ao que interessa, após realizar todas as questões matinais, Shanks pegou seu carro e dirigiu-se para a escola onde trabalhava.

Sweet Piece recebia este nome graças ao Orientador Educacional, que era um homem alegre e emotivo chamado Kaidou Lovato. Ele também era o Vice-Diretor do colégio e estava sempre bem humorado, adorava as crianças ao seu redor e vivia uma paz interior indescritível, ao contrário do atual diretor, Donquixote Doflamingo, que era bem... digamos, sádico.

Mas deixando as questões burocráticas de lado e voltando ao protagonista, Shanks havia acabado de chegar ao colégio e já foi à sua turma. Por ser a primeira aula, todos os adolescentes ainda estavam dormindo em pé e, os que encontravam-se acordados, gritavam e conversavam feito loucos.

– Oi, gente! – Chegou entrando, mas ninguém prestou atenção em si. Uns jogavam bolinhas de papel pra lá e pra cá, outros cochichavam sobre fofocas e babados. Alguns dormiam e roncavam alegremente, outros tomavam café da manhã. Uma típica sala de Ensino Médio. – GENTE.

– CALEM A BOCA, O PROFESSOR QUER FALAR! Tsc, inúteis. – Uma garota de dezesseis anos botou moral em todos ali. Seu nome era Boa Hancock, possuía longos cabelos negros e era a representante de turma. Todos ficaram calados em seus devidos lugares.

– O-Obrigado, Hancock. – Shanks endireitou seus papéis e iniciou a aula. – Bom, hoje nós vamos falar sobre... ei, Ace! Não pode tomar café da manhã em sala de aula!

– Hã? – O garoto de dezenove anos estava comendo panquecas em sua mesa. – Quem você pensa que é pra me dizer o que eu posso ou não posso fazer?

– Eu sou seu professor e vou te dar duas opções: ou você divide essas panquecas comigo, ou vai direto pra diretoria!

– Tsc... abusado. – Ace reclamou, mas acabou tendo que dividir seu lanche com o professor.

– Ei, Ace, não fala assim! – Uma outra pessoa se manifestou, brigando com o moreno em tom de sussurro. Era Sabo, seu irmão com a mesma idade. – Você já não se cansou de levar tantas advertências?

– Porra, Sabo, não se mete na minha vida! Que coisa.

– Não fala assim com o Sabo! – Mais um moreno se manifestou, dessa vez abraçando o irmão loiro. Era Luffy, um estudante com dezoito anos.

– Tá todo mundo contra mim?! – Ace ficou inconformado.

– Luffy, não briga...

Outra pessoa se manifestou, porém um pouco mais calmo. Era um garoto de dezesseis anos, portador de cabelos rosas e grandes óculos roxos que ficavam acima de sua cabeça. Chamava-se Coby, uma espécie de melhor amigo para Luffy, já que era ele quem mais confiava e contava-lhe tudo de sua vida. Os dois sentavam-se um de frente para o outro e ficavam conversando durante a aula, apesar do mais novo gostar de prestar atenção no professor.

– Coby, não precisa se preocupar, eles são meus irmãos! – Luffy adverte. – Nós estamos acostumados a brigar.

– Eu sei, eu sei, mesmo assim. Não é educado brigar em sala, entende?

– Hahahahahaha, olha só, o casalzinho tá tendo uma discussão!

Mais uma pessoa. É a última, eu juro. Se tratava de um sujeito de dezessete anos, cabelos loiros e que gostava de causar confusões e intrigas. Seu nome era Helmeppo, achava-se o dono da escola apenas por seu pai ser um advogado rico e ameaçava constantemente entrar com um processo sempre que era refutado.

– Ignora ele. – Luffy diz, olhando nos olhos de Coby.

– Eu não ligo pro que ele diga, nós nem namoramos. É que esse cara é insuportável! – Coby exclama.

(...)

E essa era a vida de Shanks. Toda manhã precisava lidar com uma classe repleta de garotos que adoravam arrumar confusão e sequer prestavam atenção em sua aula, motivo do qual a maioria ali havia repetido um ou dois anos. Mesmo assim, o ruivo não se importava, gostava mesmo era de se divertir.

Contudo, o que poucos sabem é que professores também tem uma vida fora da escola. Uma das diversões do ruivo era visitar uma lanchonete chamada All Blue, que ficava em frente ao mar e pertencia a Zeff, pai do atual cozinheiro, Sanji. Shanks ia lá depois do expediente, sentava-se no sofá, pedia um café e lia o jornal matinal.

– Yo, Shanks. – Sanji o cumprimentava e, apesar de trabalhar no local, fumava um cigarro.

– E aí, Sanji. Como vai a vida?

– Ah, tudo normal, só com saudades da minha Rainha.

– Como a Nami está?

– Ela tá linda como sempre! Cara, eu dei tanta sorte de conseguir uma namorada como ela, eu sou mesmo um sujeito sortudo. E a sua vida? Já conseguiu alguém pra dividir o apartamento contigo?

– Tá difícil, mas um sujeito me ligou interessado. Acho que hoje é meu dia de sorte!

A vida de Shanks não era tão perfeita como parecia. Apesar de na Alemanha os professores ganharem bem, o pobre ruivo precisava de mais dinheiro para beber e ir às festas da vida. Então, decidido a ter mais dinheiro, anunciou no jornal que estaria disposto a ter um companheiro para dividir o apartamento consigo.

Desse jeito, ele teria que morar com um estranho, mas pelo menos poderia dividir o aluguel e tudo mais. Além disso, o ruivo gostava de pessoas, então morar com outro não lhe seria um problema. A única dificuldade que estava tendo era de arrumar uma pessoa para morar consigo, mas, por sorte, receberia um futuro interessado à noite.

E o ruivo tinha mais algo à seu favor. Seu melhor amigo, Sanji, apesar de morar com sua namorada, Nami, também morava com uma terceira pessoa chamada Zoro. Os três dividiam o apartamento amigavelmente, apesar dos dois rapazes se odiarem com todas as forças. Inclusive, foi o próprio loiro quem deu a ideia do ruivo dividir seu apartamento com alguém.

– E como vai o Zoro? – Shanks perguntou, tomando seu café.

– Tsc, aquele lá não tem salvação. Quando não fica o dia todo dormindo, fica naquela oficina, consertando carros que nem um idiota.

– Mas não é chato morar com ele? Tipo, não atrapalha a sua relação com a Nami?

– Ah não, é tranquilo. A gente nem percebe a presença dele e ainda pagamos mais barato pelo aluguel!

(...)

Anoiteceu. Shanks se encontrava confortável em seu apartamento, aguardando a visita da pessoa que poderia vir, futuramente, a morar consigo. Estava ansioso e aflito ao mesmo tempo, com medo de não agradar e a tal pessoa não aceitar a proposta. Já não aguentava mais levar tantos foras, precisava logo de alguém pois seu dinheiro estava no final.

Contudo, a campainha logo tocou. O ruivo pulou do sofá e ajeitou mais ainda seu cabelo, querendo dar logo a melhor impressão possível. Correu até a porta e se preparou para abrir, acalmando sua respiração e girando a maçaneta com cuidado. Seus olhos castanhos, entretendo, ficaram confusos e suas sobrancelhas se arquearam.

– Oi, eu sou...

– Ué, você...

– Ahn?

– Eu já não te vi antes?

– Eu... espera... você... é você?

– Hãn... eu sou eu...

– Mas você não é o..?

– E você é o...

– S-Shan... Shanks?!

– Buggy... é você mesmo?

Notas finais
Será que ficou muito confuso esse prólogo? Quer dizer, eu taquei logo a maioria dos personagens... mas eu queria fazer uma parada parecida mesmo com novela! O próximo será mais tranquilo, eu juro ♥ De qualquer maneira, aqui vai uma listinha que eu uso pra não me perder: Escola Sweet Piece: - Ace (19 anos, aluno) - Sabo (19 anos, aluno) - Luffy (18 anos, aluno) - Coby (16 anos, aluno) - Helmeppo (17 anos, aluno) - Shanks (27 anos, professor) - Doflamingo (36 anos, diretor) - Kaidou (34 anos, orientador educacional e vice-diretor) Lanchonete: Sanji (21 anos, cozinheiro) Oficina: Roronoa Zoro (21 anos, mecânico) Gostaram? ♥ Deixem aí um review pra eu saber! ♥