Já era de noite em uma cidade da Alemanha onde um ruivo de nome Shanks morava. Ele havia colocado seu apartamento com ofertas de dividi-lo com outra pessoa, mas nunca iria imaginar que quem tocaria à sua porta seria justamente seu amigo de infância, o qual não via há exatos dezenove anos.

Uma feliz coincidência que fez com que ambos arregalassem os olhos ao se reconhecerem instantaneamente, dizendo coisas relacionadas ao destino. Shanks não resistiu, por ser mais carismático, e deu logo um abraço apertado em Buggy, que acabou retribuindo naturalmente.

– Caramba, eu não acredito que seja você mesmo! – Shanks disse o abraçando, mas logo se afastou e ficou olhando bem no fundo dos olhos de Buggy. – Você não mudou nada.

– Nossa... eu nunca imaginaria que voltaria a te encontrar, principalmente aqui. Pensando bem, você nunca me disse pra onde tinha se mudado.

– Hahaha, é que na época eu não sabia pronunciar o nome da cidade. Mas enfim, vem, entra! – Shanks abriu a porta e o convidou para entrar, indo até o sofá e sentando-se junto a Buggy, que olhava o apartamento e o estudava por completo.

– Olha, eu preciso te confessar, eu não achei que você fosse se dar bem na vida.

– Sério?

– É, porque você sempre foi meio desvirtuado e eu fiquei preocupado de você não conseguir sobreviver sem alguém pra te trazer pro mundo real, mas eu tenho que admitir. Você tá muito bem de vida!

– Hahaha, bom, meu pai tinha me colocado num psicólogo porque eu era muito hiperativo, mas depois eu acabei dando um rumo na minha vida. Mas me fala de você! Como você veio parar aqui?

– Ah, eu me formei há seis anos e decidi sair daquela cidade chata, mas eu nunca imaginaria que você morasse aqui. Sério, é muita coincidência.

– Será que foi por causa da nossa promessa?

– Você acredita em destino?

– Sabe que eu tô começando a acreditar? – Shanks direciona seu olhar mais diretamente até o outro, pegando em uma de suas mãos e fazendo carinho com o dedão, mostrando um singelo sorriso. – Mas isso depende de você.

– De mim? – Pergunta, retribuindo o gesto com a mão.

– Aceita vir morar comigo?

– Sabe, quando eu pensei na probabilidade de vir morar com alguém, eu fiquei com medo em passar a viver com um completo estranho, mas... com você é diferente.

– Isso foi um sim?

– Onde eu assino?

– Issoo!! – Shanks não resiste, acaba abrindo um enorme sorriso e agarra Buggy em um abraço, fazendo-o ficar um tanto desequilibrado mas acabar aceitando o gesto. – Eu sempre soube que as promessas se concretizam, de um jeito ou de outro!

– Vai ser divertido voltar a morar com você, principalmente agora que a gente não precisa roubar doces escondido das professoras.

– Hahaha, com certeza! Aliás, vem cá, eu vou te mostrar a casa!

O ruivo decide ser uma boa ideia segurar Buggy pelo braço e arrastá-lo por todos os cantos da casa, também relembrando boas lembranças de quando viviam juntos, mas não precisamos focar somente nos dois. Vamos viajar até um outro canto na Alemanha, onde três jovens viviam.

Sanji é um cozinheiro que atualmente trabalha na lanchonete do pai, mas que nesse momento, dividia seu nobre apartamento com outras três pessoas. Inicialmente, mudou-se para lá junto com Zoro, apesar de ambos nunca terem se dado bem, nem sequer terem uma amizade formada. Viviam apenas de brigas e confusões, ou até mesmo simplesmente se ignoravam. Um tempo depois, o loiro de vinte e um anos iniciou um relacionamento com Nami, que veio a morar junto com ambos.

Os três nunca tiveram problemas de relacionamento pelo fato de dois deles serem um casal. Roronoa não os atrapalhava, já que preferia ficar bebendo cerveja no sofá da sala ou simplesmente dormia o dia todo. Neste exato momento, para variar, estava executando a primeira ação vendo um pouco de televisão.

– Tsc, você não cansa de ficar bebendo como um vagabundo o dia todo, Marimo de merda? – Sanji reclamou, indo sentar-se no sofá ao seu lado, já com mau humor.

– Cuida da sua vida, cozinheiro tarado. – E ele respondeu sem nem ao menos encarar o loiro nos olhos, apenas prestando atenção na sua televisão. – Por que você não vai ficar com a Nami e me deixa em paz?

– Caso a sua surdez esteja piorando, ela está tomando banho então minha única solução é esperar minha Rainha estando ao lado de um plebeu.

– Ok, príncipe. Sabe qual é o seu reino?

– Espero que seja um reino o qual você não faça parte.

– Não faço mesmo, príncipe do reino dos idiotas.

– O que você disse, maldito?! – Sanji se zanga e puxa a camisa de Zoro, fazendo-o encarar bem de perto, quase jogando seu cigarro na cara do mesmo.

– Calma, meninos, não briguem por mim! – Nami chegou para separá-los, depois de tomar seu banho.

– Minha Deusa, você voltou! – O loiro muda seu comportamento na hora e, com os olhos em formato de coração, vai até a ruiva e a abraça, levantando-a no ar. – Eu senti tanto a sua falta!

– C-Calma né, eu só fui tomar banho! Agora vai preparar o jantar porque eu tenho uma surpresinha pra contar pra vocês.

– Surpresinha? – Os dois indagam ao mesmo tempo.

– Se-gre-do.

Embora os dois ficassem curiosos com a tal surpresa, Nami fez questão de deixar tudo em absoluto segredo, portanto, Sanji foi fazer os preparativos do jantar enquanto Zoro resolveu tirar um cochilo para o tempo passar mais rápido. Ao finalizado, o cozinheiro serviu à mesa já com o prato de todos e o trio sentou-se junto.

– Então... – Sanji murmura. – E a surpresinha?

– Tá tão curioso assim? – A ruiva responde, com um ar instigante. – Acho que eu só vou dizer depois do jantar.

– Ah, não faz isso comigo... – Insistiu, pegando na mão dela e fazendo uma carinha adorável. – A não ser que... – Mas logo muda sua feição. – É algo que você só pode me dizer longe do Marimo?

– Tsc, é mesmo um cozinheiro tarado. – Zoro resmunga.

– O que você disse, seu merda? – E os dois ficam se encarando.

– C-Calma gente, não precisa ficar brigando toda hora! – Nami os afasta. – Tá bom, tá bom, eu vou contar.

– Então conta! É boa notícia?

– É ótima! Eu ganhei um concurso e uma viagem pra um acampamento por um fim de semana inteiro com seis pessoas!

– Jura? – Sanji logo ficou feliz por ela. – Parabéns! Eu nem sabia que você tava participando de um concurso, mas eu aposto que vai ser muito divertido.

– Quer ir com a gente, Zoro? – A ruiva pergunta.

– Eu? Sei lá, eu não curto muito acampamento.

– Mas vai mesmo assim, vai ser divertido! Tem espaço pra seis pessoas, então você pode ir e convidar alguém.

– Ah não. – Sanji reclama. – Ficar num acampamento com esse Marimo? Nem pensar, ele vai estragar a viagem.

– Bom, se o Ero-cook não gosta da minha presença, então eu vou. – Zoro afirma só para contrariar, o que deixa Sanji irritado. – Além disso, pode até ser divertido.

– Então tá combinado! – Nami exclama. – Isso vai ajudar na amizade de vocês, então vai ser ótimo.

– Amizade? – Os dois questionam e ficam se encarando. – Até parece...

(…)

O dia seguinte foi a primeira manhã que Shanks e Buggy acordaram juntos, cada um em seu quarto, desde que se conheceram há pouco menos de vinte anos. Despertaram com a ajuda do despertador e cada quarto possuía seu próprio banheiro, popularmente conhecido como closet. Após fazerem suas tarefas matinais, tais como escovar os dentes, etc, voltaram a se encontrar na cozinha.

– Bom dia. – Disseram um ao outro em uníssono.

– Você gosta de Waffles com bacon? – Shanks pergunta. – Eu costumo fazer pro café da manhã, eu posso fazer pra você também e aí comemos juntos.

– Claro! – Buggy diz, sentando-se à mesa da cozinha e observando o ruivo fazer os preparativos. – Hoje eu tenho uma entrevista de emprego, é melhor começar a trabalhar o quanto antes.

– Quer que eu te dê uma carona?

– Nah, não precisa, eu tenho carro.

Ambos terminaram de comer junto enquanto conversavam e davam gargalhadas sobre a vida que tinham. Shanks contou de seu vício em festas e bebidas, Buggy disse que não havia necessidade de se gastar tanto dinheiro em uma noite, apesar de gostar das mesmas coisas. Ao fim, se despediram e cada um pegou seu carro.

O ruivo seguiu viagem até o colégio Sweet Piece, onde trabalhava e vivia alegremente, enquanto Buggy fez o mesmo, indo para o local de sua entrevista de emprego. Contudo, como o Deus do destino gosta de fazer suas aparições diárias, assim que Shanks chegou no lugar desejado, notou que o carro do de cabelos azuis havia acabado de estacionar lá. Os dois saíram de seus veículos e se cruzaram.

– Ué, o que você tá fazendo aqui? – Perguntaram em conjunto.

– Você tá me seguindo? – Buggy pergunta. – Isso tudo é pra matar a saudade de vinte anos?

– Eu... trabalho aqui.

– Sério?

– Sério.

– O antigo colégio que eu trabalhava é da mesma firma, então eles me transferiram pra cá.

– V-Você também é professor?!

– De matemática. E você?

– História... caramba, é outra coincidência. Então o destino realmente existe...

– É, parece que vamos trabalhar e morar juntos. Legal...

– Hahaha, muito legal! – Shanks exclama, mas vai até Buggy e fica sério por alguns instantes, colocando a mão em seu ombro. – Bom, eu acho melhor te dar um importante conselho pra sua entrevista de emprego.

– Qual?

– Fala primeiro com o Kaidou, depois com o Doflamingo.

– Ahn... ok. Por quê?

– Você vai entender quando os vir. Mas agora eu preciso ir, se eu me atrasar, os alunos ficam mais dispersados do que nunca! Tchau! Boa sorte!

Shanks seguiu seu rumo até a sala de aula e Buggy foi encontrar o tal Kaidou, que era tanto o Orientador Educacional quanto o Vice-diretor. Achou sua sala, bateu na porta e entrou. Tinha uma grande mesa no centro, vários quadros de patinhos felizes e filhotes de cachorrinhos espalhados pela parede, flores de decoração, uma pequena cachoeira falsa de enfeite e, por fim, um grande homem moreno sentado.

– Oiee! – Kaidou cumprimenta alegremente, com um sorriso e arco-íris emanando de sua aura. – Senta aí e me fala, em que posso ajudar?

– Oi! Eu pedi transferência da cidade onde eu morava e–

– Você é o Buggy, certo? A escola que você dava aula já ligou pra mim, tá tudo tranquilo já.

– Então...

– Pode começar ainda hoje! Ah, mas você precisa falar com o diretor antes.

– Sim, sim, um amigo me disse pra falar com o senhor antes.

– Oh, por favor, não precisa me chamar de senhor. Pode me chamar de Kaidou Lovato, só Kaidou ou só Lovato. Mas na infância me chamavam de Tartaruga, então eu acho que você também pode me chamar assim.

– Então tá... eu vou falar com o diretor.

– Ah, eu vou contigo, não se preocupa. Eu precisava mesmo falar com ele.

– Ok, obrigado.

E assim, Kaidou levantou-se de sua cadeira e colocou um colar de flores em Buggy, para que ele se sinta muito bem-vindo, e foram ambos se encontrar com o atual diretor, Donquixote Doflamingo. Chegando na sala desejada, entraram e o de cabelos azuis notou toda a diferença. Tudo muito cínico, paredes cinzas, uma mesa sem enfeites, uma garrafa d'água escrita “Lágrimas de Alunos” e, por fim, o próprio loiro alto.

– Affê, Kaidou... – A primeira coisa que Doflamingo diz ao ver os dois rapazes, é uma frase em tom de resmungo, como se odiasse ver aquela pessoa.

– Doooffy! – Mas Kaidou não se importou, colocou um colar de flores no pescoço do diretor também. – Vamos colocar um sorrisão nesse rosto?

– Grr... – Porém, quando as flores tocam em Doflamingo, mesmo sendo de plástico, elas broxam e morrem. O loiro apenas as come, mastigando violentamente até não sobrar nada. – Para com essas bizarrices de manhã, caralho.

– Ahn... – Buggy não sabia o que dizer.

– Quem é você? – Doflamingo pergunta sem paciência.

– Eu vim pra entrevista de emprego, meu nome é Buggy.

– Ah tá, eu vou fazer algumas perguntas padrão então. Com qual óleo você gosta de fritar seus alunos?

– De soja?

– Por quê?

– Porque frita mais rápido, eu acho...

– Tá. Onde você fez seu treinamento militar?

– Treinamento militar?

– Você pretende ser professor sem ter um treinamento militar?

– Ahn... na verdade, quando eu era criança nosso colégio tinha uma Dama de Ferro onde os professores prendiam os alunos, então eu acho que tenho experiência.

– Que legal, acho que tem outro professor aqui que estudou nessa escola.

– Shanks, né? Nós estudamos juntos.

– É, esse mesmo. Os alunos adoram ele.

– Sim, ele é bem carismático, nós sempre fomos amigos e até mesmo mor–

– Eu não gosto dele.

– Ele é uma péssima pessoa.

– Fufufu, gostei de você. Beleza, tá contratado. Pode começar hoje, o Kaidou vai te dar uma grade de horários e se você não seguir rigorosamente nós vamos te empalar na frente dos alunos.

– O-Obrigado...

Notas finais
Que a festa comece! :3 ~ ♥