Verbotene Liebe
18 Os Limites de uma piada

Uma das questões mais discutidas na era atual, que também é conhecida como 'era da comunicação', é a questão humorística. Podemos dizer que os jovens de hoje em dia estão divididos em dois grupos: os que são a favor de que não exista limites entre as piadas, e os que querem problematizá-las.
Porém, acabamos esquecemos que, antes mesmo de escolhermos um lado, precisamos defini-los. Afinal, qual seria o dito “o limite”? Quem define este limite? É saudável dizer que nenhuma piada é para ser levada a sério? Devemos parar quando isso atinge a moral ou a integridade física de alguém ou um conjunto de pessoas? Ou nem ao menos nesses casos?
Na maior parte das vezes, quando dizemos algo, não estamos querendo atingir ninguém, pelo menos não por maldade, pelo menos não conscientemente. Entretanto, mesmo que nós tenhamos as melhores intenções, não podemos nos assegurar que o que dizemos não vá trazer alguma consequência futura. Nós, seres humanos em geral, somos responsáveis por tudo o que fazemos, independente de nossas intenções.
Então, antes de definir seu lado nessa questão polarizada, responda para si mesmo: qual é a sua definição de limite?
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Ainda era segunda-feira. Em uma lanchonete localizada em alguma parte da grande Alemanha, Shanks, um professor de história que fora recentemente demitido após ter uma denúncia gravíssima em suas costas, tinha ido neste lugar tomar um café para ver se relaxava e tranquilizava sua mente.
O ruivo tinha esse hábito; gostava de ir à lanchonete todos os dias, como uma rotina, beber algo quente enquanto lia os jornais durante a pausa de seu trabalho. Também nesse local, ele tinha um amigo chamado Sanji, que trabalhava lá como cozinheiro.
Contudo, no momento, em contraste com o jeito alegre e semblante feliz que sempre possuía, Shanks estava desolado. Apoiou os cotovelos na mesa e segurou seu rosto, puxando seus fios vermelhos de cabelo enquanto encarava diretamente a mesa em desespero, com a mente nas nuvens, sem mais motivos para viver.
— Ei, ei, ei. – Eis que o loiro, Sanji surge. – Que cara é essa?
— Ham..? – Levanta seu rosto quase em câmera lenta, sem a menor vontade de fazê-lo. – Ahn... é você. – E falando de modo a estar sem nenhum tipo de interesse.
— O que houve, que desanimo todo é esse? Aconteceu alguma coisa?
— Não, não... – Quanto mais o ruivo falava, mais triste parecia. – Não aconteceu... nada...
— Não é o que tá parecendo.
— Mas é a verdade... – Estava tão desolado que acabou deitado com o rosto na mesa, passeando com um dos dedos por ela de modo depressivo. – Minha vida é tão vazia que esse é o meu estado normal...
— Vish, pelo visto é pior do que parece. – Sanji senta-se à frente de Shanks. – Vai, me conta, o que rolou?
— Eu... perdi meu emprego.
— Cara, como assim? Seu emprego lá na escola?
— É, hoje de manhã.
— Mas por quê? Você sempre vinha pra cá e me contava histórias legais sobre essa escola, que os seus alunos gostavam de você e tudo mais. O que houve?
— … – Tinha vergonha de contar o motivo da demissão. – É que...
— Não quer me falar? Tudo bem se não estiver confortável, mas isso é um absurdo! E vão te largar assim, sem emprego nem nada?
— É... eu nem sei mais o que eu vou fazer da vida. Acho que é nessas horas que a gente coloca umas roupas numa mochila e vai fazer um mochilão a pé pela Europa.
— Não fala isso, você não tem que desistir da sua vida por causa de um emprego de merda. Então eles te demitiram, foi isso? Foda-se! Tem tanta escola melhor por aí.
— Você acha mesmo?
— Óbvio que eu acho, eu não sei o que houve, mas eu tenho certeza que você não fez nada de errado, a culpa é desses merdas aí.
— Eu só sei que eu preciso arranjar outro emprego, mas eu não tô com a menor vontade de preocupar um... e nem de viver...
— Para de dizer essas coisas dramáticas! Vai, levanta daí, bate no peito e coloca um sorriso no rosto como você tá habituado a ficar.
— Não quero...
— Quer sim! Vem, deixa eu te ajudar. – Sanji fica em pé e segura as mãos de Shanks, o levantando também. O ruivo continuava desanimado, mas o loiro teimava em ficar o encarando de perto com um sorriso. – Agora sorri.
— Sorrir pra quê? Eu sou só um merda.
— Não, merda são eles que te demitiram por besteira, você é mais do que isso.
— Então... eu sou um “super merda”?
— Não! Argh, você tem que parar de se sentir culpado senão vai ficar difícil te animar.
— Mas a culpa é toda minha...
— Não, não é, e não é você quem tá perdendo por ter sido demitido, são eles que deveriam estar tristes por perder o melhor professor da Alemanha, certo?
— Você acha..?
— Eu tenho certeza! Agora repete comigo. Eles...
— Eles...
— São...
— São...
— Um bando...
— Um bando...
— De merdas inúteis!
— … eu sou um merda inútil. – Não adiantava, Shanks continuava sentindo-se na pior.
— Argh... tava quase lá. Você não pode ficar falando essas coisas de si mesmo, Shanks.
— Mas é verdade, eu não presto nem pra ter um emprego direito, eu só faço merda da minha vida.
— Quantos anos você tem?
— Vinte e sete, por quê?
— Você acha mesmo que vinte e sete anos de vida foram inúteis só porque você perdeu um emprego de bosta?
— … não é nem só pelo emprego em si, é mais pelo motivo da demissão.
— Motivo que você não quer me contar, certo?
— É que não é uma coisa fácil de falar, e também tá bem recente e tudo mais.
— Eu entendo. Cara, acho que você deveria ir pra casa e tomar um banho demorado pra relaxar, você tá bem mal.
— Eu tô mesmo precisando fazer isso. – Afirma desanimado, porém um pouco mais tranquilo. – Desculpa por estar chato hoje.
— Imagina, pode vir aqui quando quiser. Tenta melhorar, tá bom? É estranho te ver assim.
— Tá bom, obrigado!
O ruivo decidiu fazer o que o amigo havia sugerido e retornou para sua casa com intenções de parar de pensar no ocorrido, jogando-se no sofá e ligando a televisão em um canal aleatório. Ainda não acreditava que estava sendo tido como assediador, mas sabia que não tinha culpa de nada.
(…)
Ao mesmo tempo, a prévia de uma confusão acontecia! O relógio de uma clínica particular médica já marcava quatro horas da tarde e tanto Penguin como Satchi, responsáveis por ficar no atendimento, riam juntos esperando a chegada de duas pessoas que recentemente descobriram que tratava-se de um casal.
Trafalgar estava tranquilo em sua sala, mas os outros dois achavam graça na situação. Tanto Luffy como Eustass, que mantinham uma relação de namoro e de traição mútua, estavam prestes a entrar no consultório. O primeiro a surgir foi o ruivo.
— Olá. – Kid entrou no consultório como de costume, cumprimentando os dois.
— E aí! – Que riram baixinho entre si, ansiosos.
— O Law tá terminando de resolver uns negócios, você pode esperar um pouco sentado aqui? – Explica Penguin.
— Tá bom.
Obedeceu, ficando sentado na cadeira de espera até que o médico, com quem tinha um caso três vezes por semana, pudesse atendê-lo. Penguin e Satchi aguardavam mais ansiosamente do que o próprio Eustass, que não fazia ideia do que viria, até que a segunda pessoa finalmente apareceu. Law conseguia ver tudo porque tinha câmeras na sala de recepção que ligavam à televisão do consultório.
— Oi! – Luffy surge, entrando na clínica como de costume.
— Han? – Mas nessa exata hora, o ruivo se espanta com quem viu entrar. – L-Luffy?!
— K-Kid?! – E o garoto tem a mesma reação. Por qual motivo seu namorado encontrava-se no mesmo local onde ficava a pessoa com quem o traia? Era o que ele pensava.
— O que você tá fazendo aqui? – Eustass se levanta assustado.
— Eu? O que “você” tá fazendo aqui! Você disse que tava indo pro trabalho, por isso nosso encontro terminou mais cedo.
— Hihihi. — Penguin e Satchi riam juntos, escondidos.
— É-Ér, bom, ahn... é que eu fiquei com dor no estômago pela comida do restaurante, aí eu decidi vir tirar uma consulta, foi isso. E você? Veio aqui por quê?
— Eu... ahn... meu pai marcou médico pra mim porque eu... precisava ver como tava a minha saúde.
— Tipo exames rotineiros?
— É! Isso.
— E por que você não me avisou?
— Ah... sei lá, porque não. Mas que estranho isso, você saiu do restaurante comigo agora pouco e veio pra cá sem marcar consulta antes? Fora que é bem longe da sua oficina.
— N-Não, é que tipo... eu precisava vir buscar uma coisa aqui perto, aí quando eu vim eu senti essa dor de barriga e tals, eu vi que tinha essa clínica e me disseram que não precisava marcar hora pra ser atendido.
— Quem disse isso?
— Aqueles dois ali que eu não sei o nome, que ficam no atendimento.
— Ah tá, o Satchi e o Penguin.
— Isso! Quer dizer... como você sabia o nome deles? Você costuma vir aqui frequentemente?
— Ahn, não, é que tipo... meu pai disse o nome deles quando foi marcar a consulta, aí eu lembrei. É a minha primeira vez aqui...
— Ah tá.
— E você?
— Eu o quê?
— Também é a sua primeira vez aqui..?
— Ah sim, é sim, a primeira, eu nunca nem estive aqui antes. É um lugar legal, né?
— É, é sim, tem um bom ar condicionado.
— Verdade... mas é muita coincidência nós virmos aqui juntos né, Luffy?
— Uhum, bastante.
— Pois é.
— É.
— …
— …
— Só esperem mais um pouco, o Law já vai atendê-los, ok? – Satchi diz, vendo o desconforto deles.
— Ah, mas eu nem acho que precisa mais. – Luffy e Kid acabaram respondendo em coro, juntos, na mesma hora.
— Por quê, você não quer mais ter consulta? – Em seguida, Kid pergunta desconfiado. – Seu pai vai ficar chateado com você.
— Não, é que eu preciso estudar, eu nem gosto muito de médico. Mas e você? É melhor ficar, essa sua dor de barriga pode atrapalhar o seu trabalho.
— Que dor de barriga?
— … você não disse que tinha vindo pra cá por dor de barriga?
— Ah, sim, sim, é verdade, eu tô com muita dor de barriga. – Diz, com as mãos na barriga. – Mas é que você tinha razão, essa clínica fica longe do meu trabalho, acho que eu vou só comprar um remédio na farmácia.
— Mas pode ficar se quiser, você já tá aqui mesmo. Eu preciso ir embora porque eu tenho muito dever de casa.
— Imagina, você é mais novo que eu, precisa se preocupar com a saúde. Eu tenho é que trabalhar e tudo mais.
— Por que não ficam os dois? – Penguin pergunta.
— É, a saúde é importante em qualquer idade. – Satchi afirma.
— Não, eu preciso mesmo ir, senão o Zoro vai ficar lá sozinho. – Kid diz, levantando-se.
— E eu preciso ir também, senão meus irmãos vão ficar lá sozinhos. – E Luffy completa, preparando-se para ir embora também.
— Vocês dois, podem ir ficando parados onde estão.
No mesmo segundo em que os rapazes iriam fugir, o médico Trafalgar Law surge. Tanto Luffy quanto Kid ficam inatos observando-o, engolindo seco com medo da traição ser descoberta e tentando agir o mais naturalmente que conseguiam.
— N-Não, é q-que eu preciso ir trabalhar cedo amanhã. – Luffy diz em desespero.
— E eu preciso ir pra escola estudar. – Kid faz o mesmo.
— Entrem logo, eu quero falar com os dois juntos. – Law se vira, dando as costas e voltando a entrar em sua sala, de modo sério e ríspido.
Ambos se entreolharam; Kid e Luffy não sabiam que tipo de atitudes tomar. O ruivo estava com medo do moreno saber que ele estava o traindo e vice-versa, mas ambos não poderiam mais arrumar nenhum tipo de desculpas, então entraram no consultório e sentaram-se em frente ao médico.
— Hahaha, v-você quer uma consulta médica em dupla? – Eustass pergunta praticamente suando com tanto nervosismo. – Que estranho...
— É, né... a gente não precisava entrar aqui juntos. – Luffy fala. – Eu posso voltar depois, Kid, se quiser.
— Imagina! Pode ficar, eu volto depois, é melhor.
— … – Law só observava a mentira deles, com o rosto apoiado nas mãos e os cotovelos em cima da mesa, os encarando e esperando para ver até onde aquilo iria.
— Bom, acho melhor nós dois irmos então. – Ameaçam se levantar.
— Podem ir ficando parados aí. – Mas quando Law fala com uma voz grossa, os dois voltam a se sentar, desconfortáveis e trocando olhares.
— …
— Vocês dois não sabem mesmo o que tá acontecendo aqui?
— … – Ficam mais confusos ainda e olham um para o outro.
— Eu vou ser bem direito. Os dois vêm pra cá três vezes por semana, e isso já tem alguns meses.
— O quê? – Falam juntos.
— Hã, você me disse que era a sua primeira vez aqui! – Kid grita.
— Você também me disse! Por que você vem ao médico três vezes por semana?
— P-Porque sim. E você? Alguém da sua idade que não bebe nem fuma não deveria vir pra cá tantas vezes assim.
— Nem você deveria vir! Você vive dizendo que tá sempre ocupado com o trabalho, como arruma tempo pra vir pra cá? Você nem fica mais direito comigo.
— Sério que vocês ainda não entenderam..? – Law pergunta desanimado.
— Eu fico sim com você, é que eu tenho que ficar lá na oficina! – Kid ignora o médico e continua se justificando. – Só trabalhamos eu e o Zoro lá, meus horários são apertados demais.
— Tão apertados que vem ao médico três vezes por semana?
— Tá, eu tenho problemas no fígado por causa do álcool, tá satisfeito? É por isso que eu venho, pra não morrer.
— E por que você nunca me contou então?
— Porque eu não queria te preocupar! Vai, doutor, diz pra ele que é verdade. – Olha para Law.
— Como eu vou saber? Eu nunca fiz nenhum exame seu. – Que desmente na mesma hora.
— Você vem aqui três vezes por semana e o Torao nunca fez nenhum exame seu? – Luffy questiona.
— Eu nunca fiz nenhum seu também, Luffy.
— “Torao”?
— Ok, eu vou tentar de novo ser o mais direto possível porque parece que dá outra vez não deu certo. Vocês dois vêm três vezes por semana às quatro horas em dias diferentes pra dormirem comigo.
— O quê? – Mesma reação em conjunto.
— E quando eu digo “dormir”, não é dormir tipo deitar aqui e tirar um cochilo, só pra ser ainda mais claro, é dormir tipo sem roupa, bem acordados, sexo, trepar, transar, fuder, esse tipo de coisa que os adultos fazem quando querem se trair, sabe? Já que é isso que vocês vêm fazendo um com o outro.
— O QUÊ? – Agora gritam, levantando da cadeira em um pulo.
— V-Você tá me traindo? – Eustass pergunta furioso. – Seu filho da puta!
— Hã, você também tá me traindo! Você mentiu pra mim quando disse que era tudo por trabalho!
— E você mentiu pra mim quando disse que era tudo por estudo!
— Óbvio, eu nem estudo direito! Como você pôde fazer isso comigo?
— Hã? Você quem me deve explicações, você era virgem quando a gente se conheceu e agora tá ficando com qualquer um?!
— OI? Eu não era virgem.
— Como não? Você disse que era a sua primeira vez! Vai me dizer que foi com o Law?
— Eu perdi a virgindade com catorze anos, eu não conhecia nenhum de vocês. Se eu disse isso era mentira.
— Hã, como alguém mente uma coisa dessas!
— Virgindade é só uma construção social. – Law afirma enquanto observava os dois discutirem, calmamente.
— Cala boca, você não se mete nisso! – Kid exclama, apontando para o pobre médico. – Como você pôde fazer isso?
— O que eu fiz?
— Você me traiu e agora tá colocando a culpa no Torao! – Luffy fala querendo a atenção do ruivo para si.
— Ei, você não pode falar nada, você também tá me traindo com esse cara! Por que você fez isso? Se for pra trair era melhor nem namorar comigo, né.
— Você diz isso, mas tava fazendo a mesma coisa, Kid.
— Ahn, é que é diferente...
— Diferente por quê?
— É tão engraçado isso. – Law se intromete, cortando ambos. – Vocês monogâmicos se traem com a mesma pessoa no mesmo período de vezes e ficam com raiva um do outro, sendo que os dois fazem a mesma coisa.
— … – Mais calmos, agora Kid e Luffy, que estavam em pé, ficam olhando um para o outro e pensando em qual era o sentido da relação que tinham.
— As pessoas costumam odiar mentiras, mas quando conhecem a verdade, ficam frustradas. – Law também se levanta, apoiando-se na mesa e ficando mais perto de ambos.
— O que você quer dizer com isso? – Luffy pergunta.
— É, você tá dizendo isso tão calmamente, como se essa situação fosse normal. – Kid ainda continuava revolto.
— Porque eu tô achando essa situação bem interessante. Me digam, agora que vocês sabem da verdade, o que vocês pretendem fazer?
— Bom... – Continuam se olhando e falam juntos. – Acho que a gente vai terminar agora, né.
— Terminar? Como assim?
— Como assim “como assim”? – O ruivo retruca. – Óbvio que é terminar, ele tava me traindo!
— Mas você também o estava traindo.
— É, é por isso que devemos terminar, certo? – Luffy indaga.
— Mas vocês estavam juntos na rua há pouco tempo, né?
— Sim.
— E quando estavam juntos, vocês pensavam em terminar?
— Bem, não...
— Vocês gostam um do outro?
— Se ele gostasse de mim de verdade não teria feito isso. – Falam juntos, no mesmo tom.
— Eu não perguntei se vocês estavam ficando com outras pessoas. – Law teimava. – Eu perguntei se vocês gostam um do outro.
— Bom, mesmo o Coby dizendo que o namoro não ia dar certo por causa da minha idade, eu nunca pensei em terminar com o Kid. – O moreno afirma.
— É, eu também não pensava em terminar com o Luffy, pra mim era só um caso extraconjugal aleatório.
— Então, pra resumir, vocês dois gostam um do outro, não pensam em terminar, ficam comigo há mais de três meses direto e só porque descobriram isso agora, vão se separar?
— O que você quer dizer com isso?
— O que eu quero dizer é que vocês se gostam e gostam de ficar comigo, então não tem sentido parar de fazer duas coisas que ambos gostam e sentem-se bem com isso. Não vai fazer diferença nenhuma pra mim vocês terminarem, mas vocês vão estar abrindo mão de algo atoa.
— Então... a gente não deveria terminar? – O ruivo pergunta.
— Terminar por quê? – Law se aproxima mais dos dois, dessa vez com outras intenções. Estava no meio de ambos e apoiou uma das mãos nas costas de Eustass, abraçando Luffy com a outra pelo quadril. – Não tem motivo nenhum pra vocês terminarem, se ainda gostam um do outro.
— E o que você acha que a gente deveria fazer, então? – Kid também abraça Law com uma das mãos, apoiando-a no final de suas costas.
— Eu acho que vocês não deveriam tomar atitudes sem analisá-las antes, pelo menos sem nem antes ver o que podem ganhar com isso.
Trafalgar retira a mão que estava apoiando em Luffy e a leva até o peito de Eustass, subindo seus dedos até o queixo do ruivo e o aproximando para mais perto, até trazer os lábios dele diretamente até os seus, provocando um beijo de língua em Kid, que mal teve forças para recusar.
Em seguida, afasta-se, dessa vez abraçando Luffy com as duas mãos e fazendo o mesmo, guiando os lábios do menor até os seus e o beijando na frente do namorado, que queria reagir, mas não tinha nem como. O moreno ainda estava desconfortável com a situação, mas foi acostumando-se.
Não satisfeito, Law volta a puxar Eustass enquanto ainda beijava Luffy, e este abraçou o quadril do médico quando foi guiado para mais um beijo, desta vez, junto ao namorado. Um beijo triplo, onde o trio estava abraçado com Trafalgar no meio e um encontro de línguas mutuamente.
O garoto do chapéu de palha, por ser mais baixinho, precisava ficar na ponta dos pés enquanto beijava seu namorado e o médico ao mesmo tempo, que segurava seus glúteos por cima da bermuda com uma das mãos, usando a outra para aproximar mais ainda Eustass.
— Espera, espera, isso não tá certo. – Mas Kid acaba se afastando, empurrando ambos e saindo dali.
— O que não tá certo? – Law pergunta.
— A situação, isso tudo! Vocês acham isso normal? Trair e depois fingir que tá tudo bem?
— Não é traição se vocês forem sinceros um com o outro.
— Não, mas isso não faz sentido nenhum, como mais de duas pessoas podem ficar juntas ao mesmo tempo? Isso não existe! Foi um erro muito grande meu ter traído o Luffy, eu não deveria ter feito isso, mas eu só pude perceber agora.
Kid acaba saindo da sala do consultório, com raiva, deixando Trafalgar e o moreno sozinho juntos.
— Vish, ele ficou mesmo com raiva. – O médico continuava encostado na mesa abraçando Luffy pelo quadril enquanto o outro apoiava os braços em seu peito.
— Acho que eu deveria ir lá falar com ele.
— Mas e você, o que acha disso tudo?
— Ah, eu até entendo o Kid, mas eu concordo com o que você disse, eu não ia querer parar de te ver.
— Tenta conversar um pouco com ele. – Law se aproxima para dar um pequeno beijo no garoto. – Ele só precisa de um tempo pra pensar.
— Mas o que você quer exatamente? Tipo um namoro triplo?
— É, até que é um título bem interessante, pode chamar assim, eu sou do tipo que “quanto mais, melhor”, entende?
— Tipo menage..?
— Já fez?
— Não, nunca fiz.
— Tem vontade?
— Tenho...
— Então a gente vê no que vai dar. – Dá outro pequeno beijo em Luffy. – Acho melhor você ir agora, ver como tá o Kid e tudo mais.
— Tá bom, eu vou nessa então.
Fora da sala do consultório, Eustass ainda estava bem alterado depois de descobrir a traição, sem estar gostando nada da situação e sentindo-se enganado acima de tudo. Lá fora, Penguin e Satchi estavam conversando baixo e rindo juntos, aguardando por saber onde aquilo daria, até verem Kid.
— E aí! – Satchi exclama.
— Como foram as coisas lá dentro? Hahaha. – Penguin ri.
— Tsc, vocês já sabiam que isso ia acontecer? – Fica com raiva, indo até eles. – Não tem graça nenhuma! Isso só serviu pra eu me tocar da besteira que eu tava fazendo.
— Ih, pelo visto não foi como o Law tinha pensado. – Murmura Satchi.
— Mas a gente não sabia não, cara, foi super coincidência. É que a gente te viu com o Luffy mais cedo, haha.
— É, relaxa aí! Não tem problema nenhum, vocês faziam a mesma coisa, tenho certeza que o Luffy tá de boas quanto a isso.
— Não importa quem tá “de boas” quanto a isso. – Kid continuava com bastante raiva. – Isso foi escroto! Traição era pra ser uma coisa séria, não pra ser motivo de piadas ou brincadeiras.
— Não foi o que a gente quis dizer...
— É, mas foi o que pareceu. Até a próxima, foi mal aí qualquer coisa.
(…)
Já de noite, os adultos encerravam seus expedientes em seus respectivos trabalhos e voltavam para casa a fim de descansar até o dia seguinte. Este era o caso de Buggy já que, ao contrário da pessoa com quem dividia o apartamento, tinha um emprego fixo.
Shanks havia sido demitido naquele mesmo dia, de manhã, após boatos em formato de piadas acabarem com sua reputação como professor e o impedirem de lecionar naquela escola. Nesse momento, o ruivo estava deitado no sofá assistindo televisão, ou melhor, trocando canais aleatórios da televisão sem assistir a nenhum.
— Oi. – Buggy avisa ao entrar em casa, e logo depara-se com seu amigo ruivo deitado no sofá, com ar de morto, parecendo um zumbi.
— … – Shanks não responde, só continuava trocando os canais como se fosse uma obsessão.
— Oi. – Ele torna a dizer, indo até o móvel.
— … – Mesma coisa, nem notou a presença do outro, parecia estar mais interessado em não fazer nada.
— Oi... – Buggy torna a se aproximar, dessa vez, ficando parado na frente da televisão a fim de obter algum tipo de atenção.
— … – Não adiantou, Shanks continuava tentando mudar os canais, porém, como Buggy estava na frente, ele não conseguia fazer o controle remoto funcionar. – … – Então direcionou sua pupila até o rosto do de cabelos azuis, sem mexer a face.
— Dá pra você pelo menos olhar pra mim direito?
— …
— Chega, levanta daí. – Se abaixa e pega o cobertor onde o ruivo estava, retirando-o de modo brusco para que ele acordasse do transe.
— B-Buggy? – Shanks acorda. – Você chegou? Eu nem percebi...
— Chega pra lá, eu quero falar com você. – O ruivo se senta no sofá e ele senta do lado, desligando a televisão e, em seguida, olhando bem fundo nos olhos de Shanks. – Nossa, você tá péssimo mesmo.
— Obrigado...
— Foi isso que você ficou fazendo o dia todo? Passando os canais da televisão?
— É... tipo isso.
— Parece mesmo que você perdeu todos os objetivos da sua vida. – Apoia sua mão no rosto do outro. – Até a sua barba tá mal feita.
— Eu não consigo fazer nada de útil na minha vida, eu só sirvo pra beber e ficar bêbado, Buggy.
— Não fala uma coisa dessas, você sabe muito bem que não teve culpa nessa história do Ace.
— Eles estão falando como se eu tivesse abusado de um garoto... isso é muito pesado, sabe? Como o Ace tá depois disso tudo?
— Ele ficou com bastante raiva, mas aí entrou outro professor, eu não entendi muito bem o que houve, mas acho que pararam de falar sobre isso.
— Ah, já botaram outro no meu lugar...
— Para de pensar nesse tipo de coisa, isso não é verdade! Tem bastante gente lá na escola sentindo a sua falta.
— Não precisa mentir pra mim, eu sei que não é verdade, quem sentiria falta de uma pessoa como eu?
— Agora você também tá exagerando, né.
— Não é exagero, eles me vêm como um aproveitador idiota e bêbado.
— Ei, para com isso, não parece mesmo você falando. Olha pra mim. – Toca no rosto dele mais uma vez, fazendo-o olhar para si. – Você fez alguma coisa com o Ace?
— Não...
— Então é isso que importa, e eles também sabem que você não fez nada. É que são adolescentes, eles não sabem ver o limite de uma piada e acham que isso não vai prejudicar ninguém.
— Nossa... isso só fez eu me lembrar de todas as brincadeiras eu fiz com os meus professores.
— Pois é, e agora estão fazendo com você. É o karma.
— Então você acha que eu só devo esquecer isso e procurar outro emprego?
— Eu acho que você deveria tomar um banho antes porque nossa, entra em depressão mas não se esquece do sabão né.
— … – Shanks cheira seu próprio sovaco. – Tá bem ruim mesmo.
— Vem, levanta um pouco desse sofá.
Buggy tentou levantar o amigo, mas depois de várias horas deitado, Shanks não conseguia fazer nenhum movimento sequer. Foi difícil, mas apoiando-se no ombro do de cabelos azuis, ele levantou-se com dor nas pernas, costas e bastante tontura.
— Ai, ai, ai...
— Caramba, você envelheceu uns dez anos em doze horas.
— Foi mal por isso, heh... você pode me levar até o banheiro?
— Sério isso?
— É que se você me largar acho que eu vou cair...
— Quer que eu te dê banho também?
— Não precisa, só me leva até a porta do banheiro, por favor.
— Tá bom, então vem andando comigo.
Ele foi apoiando Shanks pelo ombro e o levando lentamente até o banheiro. Era difícil para o ruivo, que estava com as pernas dormentes e enferrujadas depois de tantas horas trocando os canais da televisão, mas acabaram chegando até o seu destino.
— Pronto, chegamos, aqui é o banheiro.
— Brigado, Buggy... – Agradece, mas estava quase dormindo em cima do amigo.
— Consegue ficar de pé?
— … consigo. – Diz baixo, apoiando a cabeça no ombro do outro, sem forças para se mexer.
— Então fica.
— … – E não consegue falar mais nada, parecia estar dormindo no ombro de Buggy.
— Shanks?
— …
— Você dormiu mesmo? Sério?
— Não, eu...
— O quê?
— Desculpa... – Consegue levantar a cabeça, olhando Buggy sem emitir qualquer tipo de emoção. – Eu só tô meio... cansado ainda. Eu acabei não tomando banho quando vim pra casa.
— Essa história te deixou mesmo bem mal, né?
— …
— Não fica assim, é só por pouco tempo, depois tudo volta a se normalizar e isso não vai passar de mais um dia ruim.
— Eu quero mesmo acreditar que sim.
— Mas pra isso você vai precisar se animar. Vem. – Buggy coloca a mão na blusa do ruivo, a tirando. – Tira essa roupa e entra no banho, vai te fazer melhor.
— Não precisa fazer isso, Buggy, eu ainda sei me despir...
— Eu só quero te ajudar, vai, tira isso. – Ele finalmente tira a camisa. – Você parece um zumbi molenga.
— Ai, ai... obrigado...
Ainda com uma face extremamente sem vida, Shanks, completamente esmorecido, já tinha conseguido se livrar da sua roupa superior, mas mesmo assim, não mexia-se direito. Só conseguia olhar para Buggy, com um olhar triste e desanimado, e com a mente nas nuvens.
— O que houve? – Pergunta, vendo o amigo cada vez pior.
Porém, ele não encontrou força alguma para responder, apenas sentia um impacto grande em seu peito, como se seu coração estivesse transformado-se em pedra e perdido todo seu brilho. Shanks apenas conseguiu cair de vez no ombro de Buggy, o abraçando o mais forte que conseguia e fechando os olhos, deixando pesadas lágrimas derramarem-se.
— Obrigado... — Fala, sussurrando, com uma voz chorosa. Suas lágrimas apenas caíram com mais intensidade. – Obrigado por ter ficado comigo, Buggy...
— Ei, não precisa falar isso, é claro que eu ficaria com você. – Retribui, abraçando o amigo de infância com quem dividia o apartamento e também apoiando o rosto no ombro dele.
— Eu achei que ninguém iria acreditar em mim.
— Isso nunca seria verdade, eu te conheço o suficiente pra saber que você nunca faria nada daquilo. Confia em mim, ninguém acha que você faria alguma coisa com algum aluno.
— Você acha mesmo?
— Eu tenho certeza, idiota, eu vi o quanto as pessoas lá sentiam sua falta, confia em mim.
— Você não tá dizendo isso só pra me deixar feliz?
— Eu não faço esse tipo de coisa.
Shanks continuou abraçando o amigo de cabelos azuis por um bom tempo; o calor de seu corpo já estava se estabilizando como normalmente e ele até mesmo conseguiu abrir um leve sorriso ao sentir que Buggy também o estava o abraçando de volta.
— Entendi... obrigado.
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