Verbotene Liebe

19 Aquele pão quentinho, hmmm


Notas iniciais
Em primeiro lugar eu gostaria de agradecer à recomendação que recebi. Foi muito especial acordar e tê-la visto!! São vocês, leitores, que fazem essa fanfic ♥

Manhã! Raios solares invadindo sua janela e lhe acordando com o doce e cruel sol matutino, este que te queima sem você sequer perceber, principalmente quando não existe ar condicionado ligado no local. É nessa bela hora rotineira em que acordamos completamente melados de suor, uma maravilha sem tamanho.

É claro, acordar suado é a realidade da maioria das pessoas dependendo da região onde vivem, porém, existem aqueles seres especiais que mesmo de manhã, acordam em um perfeito estado com cabelos arrumados e pele não-amassada.

— Arh... que horas são? – Ivankov havia acabado de acordar, seus volumosos cabelos já estavam com um ótimo brilho e sua pele já devidamente maquiada, visto que antes de dormir, sempre passava uma base bem forte. – São... duas da tarde? Como assim eu acordei essa hora? Tá tão cedo... melhor voltar a dormir.

Graças à sua rotina diária, Ivan costumava trocar a noite pelo dia. Sua vida social e trabalho eram à noite, por tanto, acordar duas horas da tarde, para ela, era a mesma coisa que acordar de manhã em um dia em que você não precisa acordar de manhã. Ela acabou por voltar a dormir, mas não por muito tempo.

[Bzzzzz bzzz bzzz] – Seu celular começou a vibrar indicando que tinha uma pessoa a ligando.

— Argh... – E ela precisou atender, sem vontade. – Alô?

“E aí, Ivan!”

— Inazuma, isso é hora de me ligar? Atrapalhou meu sono de beleza. Você quer me dar RUGAS?

“Do que você tá falando, você já se esqueceu? Ai, essa gente esquecida é uó.”

— Esquecer do quê, tá louca?

“A gente tinha combinado de ir à padaria hoje, bixa, você não colocou seu despertador pras duas da tarde?”

— A gente tinha combinado isso?

“Tô indo pra sua casa agora, é melhor você estar devidamente pronta quando eu chegar.”

— O quê? Não, não, pera aí! ESPERA, NÃO DESLIGA!

“Que foi?”

— Eu... eu... eu lembrei que não tenho roupa pra ir nesse lugar.

“Bota qualquer coisa! Daqui há dez minutos eu chego.”

— Espe– Antes de Ivankov continuar a falar, o telefone desligou. – Ai... o que eu faço agora?

Sabendo que não tinha outra saída, visto que a amiga viria visitá-la, Ivankov fez o que qualquer pessoa que se preocupa com os outros e odeia acordar cedo faria. Voltou a deitar na cama, abraçando seu travesseiro e esperando Inazuma chegar para ajudá-la a se vestir.

— ACORDA, IVANKOV! – Mas quando chegou, a primeira coisa que a pessoa com metade dos cabelos laranjas e outra metade branca fez foi gritar, pegando a coberta da outra e a descobrindo com raiva.

— Ai, não me grita assim cedo de manhã...

— Você voltou a dormir depois que eu claramente disse pra você NÃO dormir?

— Eu disse que não tinha roupa pra ir nesses lugares, você ao menos se importou em trazer alguma pra mim?

— Deixa de besteira, todo ser humano tem roupa pra ir na padaria. Levanta daí! – Começa a puxar Ivan para sair da cama.

— Aaah, não faz isso, eu não quero sair daqui, se eu sair da cama o meu corpo vai quebrar!

— Deixa de drama!

— Mas, mas, mas... lá fora... tem sol... e gente... – Diz, tampando o rosto e continuando a teimar, dizendo que não queria fugir da zona de conforto.

— Argh, tira logo essa bunda daí, a gente já poderia ter voltado pra casa!

— Não dá pra você pedir pro Crocoboy ir contigo?

— Já se esqueceu que ele arrumou aquele emprego babadeiro? Agora não pode ficar à toa que nem antes.

— Ai, essa gente que trabalha...

— Agora para de arrumar desculpa e levanta logo daí!

— Tá bom, tá bom... você venceu.

Sem nem se aguentar direito em pé, ela finalmente usa todas as suas forças para se levantar da cama, indo ao banheiro logo em seguida para tomar seu banho. Enquanto esperava, Inazuma foi até a cozinha da outra e preparou um café enquanto lia os jornais.

Só que Ivan tinha o péssimo hábito de demorar meia hora no banho e mais meia hora para conseguir pentear e secar seus cabelos por eles serem crespos, muito bem tratados e macios. Depois de não conseguir mais aguentar esperar e já ter tomado todo o café, Inazuma se vê na obrigação de reclamar.

[TOC TOC] – Batidas furiosas na porta.

— EI, IVAN, TÁ AÍ? TU TÁ MORTA, MULHER?

— Tô não, tô acabando de fazer meu cabelo!

— Já são quase quatro horas, cê entrou aí umas duas e meia! A padaria vai fechar!

— Calma, garota, um cabelo bom não se faz só no pente!

— É melhor fazer porque se eu não conseguir comprar meu pão hoje é a senhora que vai passar fome!

— Argh, essas apressadas... coisa de gente uó que não sabe se arrumar direito e sai na rua parecendo que foi expulsa de casa pelo marido.

Cansada de ser apressada e de ter sua porta esmurrada de tantas batidas, a de cabelos roxos sai do banheiro finalmente, somente com uma toalha verde amarrada na altura dos seios.

— Pronto, tá satisfeita? – Pergunta em deboche, balançando levemente seus cabelos no ar.

— Só vou ficar satisfeita quando a gente colocar o pé pra fora dessa casa.

— Hmpf. – Ivankov dá de ombros, indo em direção ao seu quarto.

Lá, acompanhada por Inazuma, ela abre seu guarda roupa e joga alguns sutiãs e calcinhas em cima da cama, olhando pra cada um deles com a mão no queixo e decidindo qual iria usar naquela fatídica ocasião de ir comprar pão.

— Sério isso? – Inazuma questiona. – Só escolhe qualquer um logo, ninguém vai ver suas roupas íntimas mesmo!

— Quem te garante?

— Ivan, pela última vez, a gente só vai na padaria que tem aqui na esquina!

— Daqui até a esquina muita coisa pode acontecer. Dá pra parar de reclamar e me ajudar a decidir qual eu uso?

— Tá, que seja. O rosa.

Depois da lingerie, chegou a hora mais difícil do dia: a escolha das roupas. Ivankov abriu o seu armário e viu logo dezenas de vestidos, centenas de calças, milhares de blusas diferentes além de vários calçados distintos e confirmou para si mesma.

— Eu não tenho nada pra vestir.

— Tá falando sério? Tem um mundo inteiro nessa Nárnia que você chama de armário!

— Nada que sirva em mim ou que eu não tenha usado menos de três vezes.

— Usa essa aqui. – Ela pega uma blusa qualquer no armário. – Fica ótimo em você, super valoriza as suas coisas.

— Tá me gongando? Isso aí eu usei mês passado! Não serve mais em mim.

— Argh, então usa essa... – Pega outra. – É novinha, nunca te vi usando.

— Mas essa não combina com o ambiente, ela é cinza e a cidade também é cinza, eu vou destoar, muito blasé.

— Afinal, você quer ir com alguma coisa discreta ou extravagante? A gente vai comprar pão, não se apresentar numa rodinha de circo.

— Eu quero uma roupa que diga “Ela é importante demais pra comprar pão” e ao mesmo tempo “Ela é uma pessoa humilde que ajuda a amiga nas suas compras semanais de pão.”

— Vai ser meio difícil, roupas não falam.

— Para de me xoxar, eu só tô querendo ter um pouco de vaidade nessa vida. Posso?

— Seja vaidosa e rápida ao mesmo tempo. Pode?

— Argh, tá, tá, eu vou vestir qualquer coisa! Depois quando eu ficar parecendo uma pilha de trapos não reclame.

— Não vou reclamar.

Primeiro ela até tentou colocar a primeira coisa que viu, mas como não conseguiu, Inazuma foi obrigada a aguardar Ivankov decidir o que usaria por um bom tempo, até que terminou em um colete cor de vinho com short jeans, bota cano alto e blusa decotada.

— Tô pronta! – Exclama, jogando as mãos pro alto. – Irrá!

— Ahn? – Inazuma tinha pego no sono. – Ah, ótimo, vamos...

— Agora só falta a maquiagem.

— Argh...

Sentou-se na poltrona de frente ao espelho que tinha em seu quarto para, finalmente, começar a preparação da maquiagem. Jogou bastante base na cara, corretivo em algumas partes, rímel, sombra, lápis e delineador nos olhos, batom roxo nos lábios, brincos nas orelhas, perfume, desodorante, hidratante de rosto, hidratante de lábios, base nas unhas, hidratante nas mãos...

— Já acabou..? – Pergunta a pobre amiga, que não agüentava mais esperar. – A gente só vai pra droga de uma padaria...

— Ai, eu tô muito nervosa, tem ANOS que eu não vou à uma!

— Não exagera, você só não foi à padaria esse mês. Isso porque você sempre força o Crocoboy a ir por você.

— Você acha que eu sou muito dependente dele?

— Eu acho que sim.

— Pois então eu vou mostrar que não preciso de ninguém pra ir à rua comigo. – Ela se levanta, batendo as mãos na mesa com convicção. – VAMOS À PADARIA!

— Aleluia!

— Mas antes...

— Aaaargh...

— Brincadeira, vamos logo.

(...)

Muito antes de Ivankov e Inazuma irem finalmente à padaria, Luffy e seus outros dois irmãos haviam voltado para casa depois de mais um dia de aula. Depois de cada um tomar seu banho e comerem alguma coisa juntos, resolveram passar o resto da tarde assistindo televisão.

Até que, enquanto assistiam em conjunto, quietos, como três bons irmãos calmos e tranquilos, ouviram um carro parando na frente da casa deles e, em seguida, o pai abrindo a porta para adentrá-la.

— Pai! – Ace, Sabo e Luffy exclamaram surpresos. – O que você tá fazendo aqui?

— Oi, meninos. Eu saí mais cedo do trabalho pra saber como estava a situação do Ace na escola.

— Nossa, foi horrível hoje! – O garoto de sardas diz, soltando um longo suspiro de ódio. – Eu achei que eles iam parar por causa do professor de ontem, mas continua a mesma droga.

— O Ace hoje gritou dizendo que ia descobrir e bater até matar quem tinha espalhado as fotos. – Sabo o incrimina.

— Porra, Sabo, não era pra contar pro nosso pai!

— Ace, violência só gera violência. – Dragon fala. – Eu entendo que você não tá passando por uma situação fácil, mas é nessas horas que você precisa ter a maturidade de arcar com seus problemas sem partir pra ação.

— Você saiu do seu trabalho mais cedo só pra me dar sermão?

— Na verdade eu liguei mais cedo pro Shanks, daqui a pouco eu vou lá na casa dele conversar sobre o que aconteceu.

— S-Sério? – Os três indagam surpresos.

— Sim, como eu já tinha falado pro Ace, nada mais justo que ter uma conversa com esse professor de vocês. Quem sabe eu não possa tentar fazer o diretor recontratá-lo depois disso?

— Tem certeza que isso vai dar certo? – Sabo indaga.

— Bom, o Shanks aceitou, então só nos resta arriscar e ver onde vai dar.

— Posso ir com você? – Luffy se levanta do sofá, indo até o pai.

— Acho melhor não, vai ser uma conversa particular.

— É que hoje vai ter uma exposição de Mangá e HQ em um shopping meio longe daqui, aí eu queria que você me levasse.

— Eu posso te deixar lá nesse shopping e te buscar quando acabar de falar com o Shanks, que tal?

— Pode ser!

Dito e feito, Dragon e Luffy entraram no carro. O pai iria ter uma conversa sobre as fotos vazadas entre seu filho mais velho, Ace, e o professor ruivo para esclarecer a situação de modo formal e, quem sabe, ajudá-lo a se readmitir na Sweet Piece.

Iniciaram a viagem, contudo, o shopping onde Luffy ficaria era mais distante que Dragon imaginava e demoraria bastante para chegar. O garoto não aguentou mais de vinte minutos no carro e logo reclamou.

— Paaie, a gente tá chegando..? – Perguntou, remoendo-se de tédio.

— Sim, filho, estamos chegando.

— Você disse isso há duas horas...

— A gente tá aqui só há meia hora, calma.

— Mas eu tô com fome...

— Quer fazer uma pausa pra comer?

— E tem algum lugar pra comer aqui? – Indaga, vendo pela janela que o lugar onde estavam era tão distante que quase não haviam locais funcionando.

— Não tô vendo nenhum agora, mas quando a gente passar numa lanchonete eu paro, ok?

— Tem uma padaria ali!

— Ótimo, deve ter algum doce lá pra comprar.

Fizeram uma pausa, saindo do carro para se alimentarem. Pouco antes, duas outras pessoas estavam finalmente indo embora de casa para chegarem à mesma padaria e fazerem suas compras cotidianas.

— Aleluia! Saímos de casa! – Grita Inazuma, jogando as mãos pro alto.

— Deixa de ser exagerada, eu não me arrumei nem metade do que eu precisava por culpa sua.

— Para de fazer a Drama Queen, você tá mais do que bem pra alguém que só vai comprar pão.

— Não é questão de se arrumar pra ir na padaria, é questão de se arrumar pra sair de casa com a melhor auto estima possível, principalmente quando ainda tá esse sol infernal.

— Tá, tá, vamos logo antes que esse “sol infernal” desaquende.

Ambas foram às ruas como pessoas normais fazerem coisas de pessoas normais, ainda que tivessem um receio interno e construído de saírem àquela hora. Não era à toa, visto que não demorou muito para começarem a receberem olhares nada disfarçados das outras pessoas na rua.

— O que é aquilo?— Perguntavam-se mal encarados entre si, alguns apontando com os amigos, outros, apenas passando batido por elas e virando o rosto para olhar depois.

— Aquilo é homem ou mulher? Como alguém tem coragem de se vestir assim?

— Eles sabem que a bíblia fala mal dessas coisas? O carnaval já passou. — Eram algumas coisas do que escutavam sempre que saíam e fingiam que não ouviam, até porque, caso reagissem sempre que passassem por esse tipo de situação, iriam reagir diariamente e toda hora.

— Não olha pra isso!— Gritava uma mãe, tampando os olhos da filha e indo embora dali, com olhos de fúria. Ivan e Inazuma continuavam fingindo que não ouviam, até chegarem ao seu destino.

— Aleluia, chegamos! – Exclama Ivankov ao entrar no lugar onde vendia-se pães.

— Nunca pensei que ficaria tão feliz de finalmente ter chegado nessa padaria... – Murmura a outra.

— Vamos logo comprar uma quantidade que dure um mês inteiro.

— Do jeito que cê é esfomeada vai é durar três dias, isso sim.

— Hoje você deu pra odiar, hein.

— A culpa é sua por me fazer ficar esperando HORAS na sua casa porque você não sabe se arrumar em menos de meia hora.

— Deixa disso e pede logo pão, queijo, mortadela e o que mais voc.... AI MEU SANTO OXUM!

Na mesma hora em que pois os pés na emblemática padaria, Ivankov acabou puxando Inazuma pelo braço rispidamente até sair, por ter deparado-se de longe e visto Dragon lá dentro.

— Ai, isso machucou! – Ela reclama. – O que deu em você agora? Baixou o santo?

— Nem brinca, eu acabei de ver aquele ocó aqui! Ele tava com alguma criança.

— Quem?

— Aquele lá que vai no ponto querendo casar comigo.

— Aah, o Dragão Apaixonado, hahaha. – Vira pra trás, vendo Dragon e Luffy comprando alguns doces, disfarçadamente. – É verdade, é ele mesmo. Você vai lá?

— Óbvio que não, aquele garoto ali com chapéu estranho deve ser o filho dele.

— Verdade, daria maior auê, esses babados de encontrar com cliente nunca dá certo.

— O que a gente faz?

— Eu é que não vou mais esperar um segundo pra comprar os meus pães, fique aí se quiser. – Inazuma dá as costas e vai na frente, com o nariz empinado até o funcionário da padaria.

— Espera aí! – Mas Ivan vai junto. – Eu entro contigo, é só ignorar ele, né?

— Isso, bixa, até parece que não tá acostumada a fingir que não viu.

Sem mais delongas ou atrasos, Ivankov e Inazuma foram até o balcão fazer suas compras, sem olhar para nenhuma outra pessoa para não chamar atenção. O que não foi possível, visto que, assim que Dragon notou a presença da de cabelos roxos, não pôde deixar de ir até lá.

— Han, Ivan? – Primeiro ficou surpreso. – Ivan, você por aqui! – Mas depois exclamou e arrastou Luffy até ela.

— ... droga, droga, droga, droga... – Fingiu que não ouviu e virou-se de costas, Inazuma fez o mesmo.

— Aquele cara tá gritando seu nome e apontando pra cá estando junto com o filho? – Murmurou.

— Eu sabia que ele ia fazer isso, ele é sem noção demais! Fica dizendo que vai me apresentar pros filhos.

— O quê?

— Ivan! – Mas de nada adiantou virar de costas, Dragon logo chegou nela junto com Luffy que só ficou as olhando enquanto aproveitava o doce que havia comprado.

— Oi...

— Que coincidência ótima te encontrar aqui! Como você tá?

— Eu tô bem... eu acho.

— Olá. – Inazuma também o cumprimenta, mais tranquila que a outra.

— Oi, acho que eu já te vi antes. Você é amiga da Ivan, certo?

— Sim, pode me chamar de Inazuma, prazer.

— Prazer. Ah sim, esse é o meu filho, Luffy! – Abraça ele pelas costas.

— Yo. – Mas o garoto só deu um aceno, por estar mais concentrado em comer.

— Oi. – Ambas disseram.

— Luffy, foi sobre ela que eu comentei quando disse que tava saindo com alguém. Desse jeito é ótimo porque vocês já ficam apresentados.

— Ah, é? – Disse com a mesma empolgação, ainda mais concentrado no doce. – Legal. Prazer!

— Prazer...

— Ahn, a gente precisa ir agora porque já saímos tarde de casa e ainda falta comprar pão. – Diz Inazuma, quebrando o clima dali.

— Tudo bem, eu não quero atrapalhar vocês. – Dragon responde com um sorriso de simpatia. – Nós vamos nessa então, ok? De qualquer maneira foi ótimo te ver aqui.

— Então... até a próxima.

— Até mais. – Se despediu, dando um beijo na bochecha de ambas antes de ir embora com Luffy.

(...)

À noite, próximo aos arredores onde Ivankov morava, em uma área onde só existiam casas pequenas feitas muitas vezes de barros e outros materiais baratos, crianças brincando no meio da rua de futebol e bicicletas ao invés de carros passando, um rapaz estava voltando para sua residência depois de trabalhar o dia todo em uma escola.

— Cheguei. – Crocodile anunciou, fechando a porta logo em seguida.

Não era uma casa grande ou alta, as telhas eram de PVC e as paredes de tijolos revestidos com camadas de tinta. Na parte interna, uma cozinha completa, televisão, sofá, chuveiro elétrico e uma cama de casal no quarto, tudo bem simples. O cheiro de fumaça se fazia perceptível ali, visto que Crocodile dividia a casa com outro fumante, Smoker.

— E aí. – Diz o de cabelos brancos que sempre carregava um semblante sério, sorrindo em raras ocasiões, jogado no sofá assistindo TV e fumando um charuto. – Como foi lá?

— Normal. – Se aproxima e vai até o grisalho, aproximando seu rosto do dele até usar suas mãos para roubar o fumo de Smoker e ter o charuto pra si, tragando em seguida.

— Ei, precisava disso? – Indaga com olhos impacientes. – Tem mais charutos aí, maldito, não precisa roubar o meu.

— Fiquei com preguiça de acender. – Sem se importar, dá de costas e vai pra outro canto da sala, retirando sua camisa. – Isso é por você não ter sido bonzinho e feito o jantar.

— Como você pode ter tanta certeza assim que eu não fiz? Já foi na cozinha checar?

— Eu te conheço, quando eu saí de casa você tava nessa mesma posição, jogado no sofá.

— Pra sua informação, eu não só não fiquei desse jeito o dia todo como eu também já fiz o jantar.

— Oh, verdade? – Sem camisa, ele vai até a cozinha verificar as panelas e confirma. – Hm, você fez mesmo a comida, acho que vai chover hoje.

— Babaca, não é só você que faz alguma coisa da vida. Por que tem chegado tão tarde?

— Tsc, essa nova escola fica muito longe daqui, na antiga eu tinha mais tempo de folga, é um saco.

— Ivankov veio aqui perguntar de você hoje.

— Ah, sério? – Para o que estava fazendo e vai até Smoker no sofá. – O que ela queria?

— Ela perguntou de você, disse que não ia se acostumar com você trabalhando tantas horas.

— Nem me fale, é um saco isso.

— Hoje ela também disse que foi à padaria com Inazuma.

— Ela deve tá com um ódio mortal de mim por não ter ido à padaria nessa semana, mas que seja, da próxima eu vejo se consigo comprar as coisas no centro da cidade mesmo antes de voltar.

— Para de fazer tudo que ela manda você fazer, que saco... tá na cara que ela te trata como “empregadinho particular”. Que que tem ir à padaria sem ninguém?

— Você não entenderia. E não é questão de ser “empregadinho”, eu só não sou ingrato com uma pessoa que já fez tanto por mim.

— Tsc, besteira, você fala como se ela fosse a sua mãe.

— Ela é a minha madrinha, é melhor que uma mãe.

— Até parece...

— Já acabou? – Se aproxima dele no sofá, jogando as cinzas do charuto contra ele e enroscando o dedo em sua camiseta.

— Já, não vai adiantar mesmo teimar com você.

— Você que é muito chato, não tem nada demais fazer um favor pra alguém de vez em quando, sabia? É melhor do que ficar sentado no sofá o dia todo.

— Ei, ei, ei... para de falar como se eu não fizesse nada da vida.

— De importante você realmente não faz nada. – Crocodile diz, levantando-se do sofá em seguida e dando às costas para o outro.

— Espera aí. – Entretanto, Smoker o impede, segurando sua calça e o puxando de volta para sentar-se entre suas próprias pernas. – Onde você pensa que vai?

— Tomar banho, não posso?

— Não depois de ter falado merda de mim. – Continua segurando para ele não conseguir se levantar.

— Tsc, como você é insistente.

— Pede desculpas.

— Não vou pedir desculpas por algo que é verdade.

— Pede desculpas. – Insiste, segurando o queixo de Crocodile e virando em sua direção. – Senão não vou te deixar sair daqui.

— Oh, não vai me deixar sair, é? – Pergunta com tom irônico, sentado entre as pernas de Smoker e aproximando mais seu rosto com seus lábios exalando fumaça. – Que cruel você.

— Sou mesmo. – Puxa o queixo, primeiro encostando seus lábios contra o do outro para depois juntar-se-ão em um beijo de verdade, longo e com língua.

— Agora me deixa tomar banho. – Mas Crocodile o empurra e volta a se levantar, indo pro banheiro.

— Não vai embora assim. – Smoker se levanta, puxando o braço do moreno e o fazendo andar até a parede mais próxima, virando Crocodile de frente e o beijando novamente, agarrando sua cintura.

— Não quer que eu tome banho?

— Deixa eu ir com você.

— Depende. – Também abaixa as mãos até a cintura dele, pegando no final da camisa branca que Smoker usava e a tirando devagar. – Vai pedir com educação?

— Pedir assim nunca foi muito o meu forte... – Leva o rosto até o pescoço do outro, beijando e mordendo-o e colocando uma de suas pernas entre as dele para abri-las. – Mas eu posso pedir de outros jeitos.

— Ah, é?

— É.

— Então diz que não tem nada de errado em ajudar a Ivan quando ela pedir.

— Tsc, idiota. – O empurra pelo peito, se afastando.

— Eu tô brincando. – Mas ele o puxa, voltando a segurar na cintura do de cabelos brancos. – Pode ir comigo.

— Eu iria mesmo se você não deixasse.

— Hm. – O puxa para outro beijo. – Bom saber.

— Então para de graça. – Corresponde, começando a tirar o cinto que prendia a calça de Crocodile. – Vamos logo.

Notas finais
Foi mal pela demora pra postar, problemas demais na vida >.< Próximo capítulo falaremos de Ace, Shanks, Dragon, Doflamingo e Kaidou e um pouco de Law e Luffy!