Verbotene Liebe
21 O passado e as confusões de um médico astuto

Em uma tarde ensolarada, um jovem homem ruivo vivia morando junto com seu melhor amigo de infância. Desempregado, Shanks não via nenhuma oportunidade em sua vida, e por isso, juntamente tendo seus problemas alcóolicos como agravante, ele passava o dia inteiro em casa, sozinho, bebendo litros e litros de cerveja.
Até que um dia, não muito tempo depois de sua demissão, seus problemas ficaram bem mais graves do que nos anteriores. Shanks estava deprimido demais para levantar do chão de sua sala de estar, onde havia caído do sofá devido a tontura que sentia.
— Shanks? — Eis que, do outro lado da porta, seu amigo, que morava consigo, chegava já preocupado. – Shanks! Cadê você?
Buggy havia recebido uma ligação estranha enquanto trabalhava no colégio Sweet Piece e se obrigou a pedir por um dia de folga, indo para a casa como se sua vida dependesse daquilo, o mais rápido possível. Ao chegar, ele encontra uma cena deprimente: um bêbado ruivo jogado no chão.
— Baã.. Bãagui... – Shanks mal conseguia falar, mas quando notou que seu amigo havia chegado, ele tentou se levantar. – Cê.. cê tá aí...
— Shanks? Shanks, o que que houve contigo? – Buggy se aproximou de onde ele estava e agarrou seu braço, o levantando. – Cara, você tá péssimo.
— Nã, nãa, eu só... só prezizo de mais álgou! — Estava totalmente tonto e mole, não conseguindo forças para ficar de pé mesmo tendo seu braço apoiado. A única coisa que ele conseguia era segurar a garrafa de cerveja com a outra mão.
— Mais álcool nada, você precisa é de um médico! Argh, e de um banho também. – Com uma certa dificuldade, ele consegue colocar o ruivo no sofá e se senta ao lado dele, tentando olhar sua face mais de perto. – O que aconteceu com você? Por que você tá assim?
— Bãa.. Bãagu, cê veio... beber zobigo? – Sua voz estava alterada e ele não conseguia parar de sorrir de modo embriagado. – Vamo bebê! – E jogou os braços moles para cima, comemorando.
— Ok, você definitivamente precisa de um médico.
— Eu num brezio dji Bédigo nenhum, eu dunga estive meliór.— Fala, sentindo-se como se estivesse completamente são. – Cê precisa re.. relaxar, Bãgui... essa vida só tem estress...
— Você não pode ficar bebendo o dia inteiro sem ninguém por perto! Você pelo menos comeu alguma coisa? Fez alguma coisa? Assistiu a algum programa?
— Bffffffff.... eu PÓzo fasê o que eu guisé.. a vida é minhaa! Não tem mais ninguém pra me controlá...
— Não, você, definitivamente, não pode.
— Dão dem chefe.. dão dem que fica vestindo ropa prá ir drabalhar... eu pósso fazê tudo! Tudo, TUDO! – Fica bem mais alegre. – Tudo, Bãgui, tudo... tudo. Posso ficá bebendo o dia todo... se eu quisé... porque eu posso tudo... tudo, tudo.
— Cara, você realmente tá doente. Eu vou chamar uma ambulância, se bem que eu acho que você precisa mesmo é de um psicólogo.
Shanks estava realmente em sua pior fase. Sua face estava sem cuidados, sua barba havia crescido bastante junto com seus cabelos. Sua pele estava desidratada e com um cheiro forte de quem não tomava banho. Sem trabalhar ou ter alguma perspectiva de vida, ele acabou sucumbindo ao álcool.
— Médico... – Seu raciocínio estava lento. – Não, não... não médico, eu... o pai vem daqui a poco...
— Pai?
— Ele disse que vinha... falar pra ver se eu conseguia meu emprego, mas eu... num quero mais trabalhar, Buggy...
— Pera, pera. Do que você tá falando? Pai de quem?
— Eu num quero mais ver eles... num quero ver ninguém...
— Shanks, Shanks. Olha pra mim, larga isso. – Buggy tira a garrafa de cerveja das mãos dele e o obriga a olhá-lo, voltando o queixo dele para perto de seu rosto. – Nós precisamos conversar.
— Hnm...
— Você não tá bem. – Ele diz, olhando fixamente nos olhos do ruivo. – Você não tá em condições de receber ninguém, sério. Você tá doente.
— Eu num tô... doente, eu só num quero ver ninguém...
— Você não vai ver ninguém, ok? Eu vou te levar no banheiro, você vai tomar um banho e vai ficar recuperado.
— Nau... num quero tomá banho. – Ele cai em cima de Buggy, que se força para não cair no sofá e o segura. – Num quero... – Mas Shanks envolve seus braços envolta do amigo, escondendo seu rosto atrás dos ombros dele.
— Mas você precisa, sério, esse seu cheiro tá insuportável.
— Cheiro... – Shanks continuava com o rosto escondido no ombro de Buggy, o abraçando, e agora, sentindo o aroma de seu pescoço. – Seu cheiro é tão bom.. Buggy...
— É, e sabe por quê? Porque eu tomo banho.
— Buggy.. eu gosto tanto de você... obrigado por ter vindo me encontrar depois de tantos anos. – Ele o abraça o mais forte que conseguia, mesmo seu corpo estando fraco. – Acho que eu nunca te agradeci...
— Não precisa me agradecer, eu não fiz nada. – Buggy também envolve seus braços entorno das costas dele, retribuindo. – Foi só uma feliz coincidência, e você não mudou nada também.
— Eu... amo você... – O abraça mais forte, falando com uma voz baixa, embriagada, e corpo mole, também virando o rosto para o pescoço do de olhos azuis e tentando dar alguns beijos. – Amo você.. Buggy...
— … – Continua o abraçando, sem saber muito bem o que dizer. – Shanks?
— Hm..?
— Você precisa levantar e tomar um banho, vai fazer bem pra você.
— Eu não consigo...
— Consegue sim, eu te ajudo.
O de cabelos azuis, enfim, se levanta do sofá e tenta trazer Shanks consigo, porém, o corpo do ruivo continuava mole e sem conseguir ter estruturas o suficiente pra se equilibrar. Buggy não desistiu, fez Shanks segurar firme em seu próprio ombro e levantou junto com ele.
— E-Eu vou cair... – Diz, realmente sem conseguir andar direito.
— Você não vai cair porque eu não vou deixar, só segura em mim.
Shanks ia conseguindo andar junto com a ajuda do outro até o banheiro, tropeçando algumas vezes, mas por fim, chegou ao seu destino. Buggy entrou junto com ele no box, onde o fez se apoiar nas paredes para conseguir ficar de pé.
— Viu só? Você conseguiu chegar até aqui. – Ele diz, comemorando o desempenho do outro. – Consegue tirar a roupa?
— Consigo...
Shanks tentou elevar seus braços até à camisa para tirá-la, mas infelizmente não tinha forças para levantá-la após tentar, ficando cabisbaixo em seguida. Buggy o fez levantar seu queixo e olhar para si, segurando o término de sua camisa e levantando-a até conseguir tirar e deixar o ruivo de peito nu.
— Francamente, daqui a pouco eu mesmo vou ter que te dar banho. – Resmunga.
— Buggy...
Em seguida, o ruivo arruma forças para segurar no final da blusa que o outro usava, do mesmo jeito que ele havia feito consigo anteriormente, e pede, com os olhos, para que Buggy tirasse sua camisa e ficasse do mesmo jeito que ele. O de cabelos azuis hesitou um pouco, mas cedeu, tirando a sua e ficando igualmente de peito nu.
Depois, Buggy ligou a água, esperando esquentar para colocar seu amigo ruivo debaixo dela, fazendo com que Shanks tivesse um choque térmico e acordasse de verdade, ficando menos mole e mais atento, deixando um pouco de sua ressaca escorrer por seu corpo.
— Tá se sentindo melhor? – Perguntou o amigo de cabelos azuis, praticamente dando banho nele.
— Tô sim, bem melhor. Obrigado.
— Tenta não exagerar na bebida, tá? – Conversava com ele enquanto a água caía sobre o corpo de Shanks, deixando-o mais acordado e lavando seu aroma de bebida.
— Eu vou... tentar.
— Consegue se apoiar sozinho? – Perguntou, e como resposta, Shanks balançou a cabeça positivamente. – Então termina de tomar seu banho, depois me encontra na sala.
— Tá bom.. obrigado.
Buggy saiu do banheiro, deixando o ruivo sozinho, e se dirigiu até a sala de estar, onde deu uma arrumada nas garrafas que ele havia utilizado mais cedo para, depois, se sentar no sofá e assistir um pouco de televisão enquanto Shanks não vinha.
Um tempo depois, ele ouviu a água do chuveiro sendo desligada. Shanks havia terminado seu banho, sentindo-se bem mais renovado, e se vestiu, indo até a sala de estar conforme prometido e se sentando ao lado de seu amigo de cabelos azuis.
— Oi... desculpa por isso. – Diz, sentindo-se meio enjoado e com dor de cabeça, colocando a mão na testa. – Acho que eu te deixei preocupado.
— Você me deixou preocupado, eu achei que você iria entrar em coma alcóolico.
— Não exagera, Buggy...
— Não é exagero. E como você tá agora, melhorou?
— Só com um pouco de dor de cabeça.
— Quer que eu pegue algum remédio?
— Não precisa agora... você saiu do trabalho por minha culpa, não é? Não precisava, sério.
— Para de pensar nisso, idiota. Você tá vivo e conseguindo falar agora, isso que importa.
— Obrigado por ter vindo, de qualquer jeito. Você acabou me salvando.
— Você não pode ficar em casa bebendo o dia todo, isso vai te matar.
— Não dá, eu não sei o que eu faço. Eu fico me lembrando da demissão e toda aquele negócio da festa volta na minha cabeça, aí eu acabo não conseguindo. Eu não tenho mais nada o que fazer durante o dia.
— Você precisa arrumar algum emprego ou fazer alguma coisa, uma terapia em grupo pra te ajudar com esse lance da bebida, sei lá. Você não acha que é melhor procurar alguma coisa pra fazer?
— Eu não sei, eu sinto saudades da escola...
— Tenta anunciar aulas particulares no jornal, qualquer coisa antes que você acabe definhando nesse apartamento.
— Pera, você me fez lembrar de uma coisa...
— O quê?
— Agora que eu lembrei, eu combinei com o pai do Ace dele vir aqui, ele quer conversar comigo sobre o que houve naquele dia e tudo mais.
— Vish, e você acha que vai ser que tipo de conversa?
— Pelo que eu entendi, ele quer esclarecer só.
— O Ace lá na escola continua bem mal por isso, os alunos ficam pegando no pé dele, mas até onde eu sei ele não queria que você fosse demitido.
— Eu espero que não seja nenhuma conversa difícil.
— Acho que vai ser uma conversa importante, uma conversa que você definitivamente precisa estar sóbrio.
— Eu sei, Buggy, eu não sou nenhum louco descontrolado por bebida também.
— Eu espero que não, né. Que horas ele vem?
— No horário do almoço.
(…)
Já no dia seguinte, no mesmo horário de almoço, os adolescentes estavam se preparando para sair da escola e os professores, para terem sua folga diária. Monkey D. Luffy, depois da aula, encontrou com Trafalgar Law em sua escola para irem almoçar juntos, aproveitar e conversar sobre a situação dos dois.
Ambos tinham um caso com Eustass Kid, que foi descoberto recentemente, porém, não iriam conversar apenas sobre isso uma vez que, há poucos minutos, algo chamou a atenção do garoto do chapéu de palha. Na sua escola, antes de saírem, um pequeno confronto envolvendo seu diretor e seu professor, Doflamingo e Crocodile, e seu médico, Law, havia ocorrido.
— De onde você conhece o Mingo? – Luffy perguntou no mesmo segundo em que se sentaram no restaurante, antes mesmo de abrirem os cardápios, com um semblante intrigado. – E por que vocês estavam brigando lá na escola?
— Tsc, eu não acredito que isso aconteceu... – Law vira seu rosto chateado, pegando o cardápio pra tentar desviar sua mente de assuntos que não lhe agradavam.
— Você não quer me contar isso?
— Não, é que... – Ele continuava desconfortável, mas decidiu falar. – Envolvem coisas que eu não queria lembrar. O Doflamingo era meu professor quando eu tinha dezesseis anos e nós meio que tínhamos um caso.
— Sério? – Ficou surpreso. – Você com o Mingo?
— Mas depois de um tempo eu me enjoei dele, aí eu fiz com que um outro professor nos pegasse no flagra e ele foi demitido. Desde então ele me odeia.
— Nossa, eu nunca ia pensar que o Mingo tivesse alguma relação contigo.
— E eu nunca imaginaria que ele fosse seu diretor. E, não é só isso. – Law fica mais receoso ainda. – Você também estuda com o Crocodile?!
— Ele é meu professor de sociologia, mas entrou há pouco tempo.
— Eu não acredito... Doflamingo e Crocodile no mesmo emprego, ainda mais envolvendo logo você, não dá pra acreditar.
— De onde você conhece ele?
— Eu não conhecia ele pessoalmente, mas eu ouço falar... ele mora aonde eu nasci, com as mesmas pessoas que cuidaram de mim.
— Mas eu acho que ele já te conhecia, e você ficou meio assustado quando ouviu o nome dele.
— Eu não fiquei assustado, eu só não esperava por aquilo.
— Ficou sim, você saiu correndo e não disse mais nada.
— Que seja. É complicado falar sobre isso, ele é amigo de umas pessoas que definitivamente não gostam de mim.
— Por quê?
— Mudando de assunto, Luffy, e a sua relação com o Kid? – Law pergunta, escolhendo finalmente o que iria comer junto com o garoto e pedindo para o garçom.
— Eu não falei mais com o Kid depois daquilo...
— Eu me sinto culpado por ter atrapalhado a relação de vocês, eu não fazia nem ideia que vocês dois namoravam.
— Não precisa ficar assim, só que foi uma surpresa, né. É muita coincidência eu e o Kid ficarmos com você ao mesmo tempo.
— Pois é, mas não deveria ser tão ruim assim, né? Quer dizer, pelo menos não é com alguém desconhecido, vocês dois me conhecem.
— É, talvez.
— Eu pensei em marcamos alguma coisa lá em casa pra conversarmos sobre essa história, nós três juntos.
— Mas o que você pretende exatamente? Naquele dia você tinha sugerido...
— Um menáge? Não precisa ser nada muito assim, quer dizer, querendo ou não nós tivemos uma espécie de relação tripla. Vocês dois ficavam juntos e ficavam comigo ao mesmo tempo.
— Você quer voltar a ter o mesmo tipo de relação que a gente tinha?
— Eu queria continuar ficando com você e com o Eustass, juntos ou separados, mas eu não sei se vocês iriam querer.
— Ah, eu topo.
— Verdade?
— Sim, eu gosto de vocês dois, mas eu não sei quanto ao Kid.
— Manda uma mensagem pra ele, pergunta se ele pode ir hoje à noite mesmo.
— Tá bom. – Luffy pega seu celular e faz o que o outro pede.
“Oi, Kid. Tá aí?”
“Tô.” — Depois de um tempo ele responde.
“Eu quero conversar com você sobre o que aconteceu naquele dia com o Torao...”
“Eu meio que tô adiando isso há um tempo, mas a gente precisa conversar sim.”
“A gente pode se encontrar hoje à noite na casa dele?”
“Na casa dele quem? Do Law?”
“É.”
“Não é melhor nós conversarmos sozinhos sem envolver essa pessoa?”
— Ele perguntou se não é melhor nós conversarmos sozinhos. – Luffy diz, em frente ao moreno.
— Vocês podem conversar sozinhos sim, mas de um jeito ou de outro nós vamos ter que conversar os três juntos em algum momento.
— Então o que eu falo?
— Diz que vocês podem ir lá em casa e conversarem sozinhos enquanto eu cozinho alguma coisa, depois a gente se junta.
— Tá bom.
“O Torao sugeriu da gente ir na casa dele e conversarmos sozinhos enquanto ele faz outra coisa, mas ele disse que quer falar com a gente também.”
“Ele tá aí com você?”
“Sim, ele veio me encontrar depois da escola pra conversar.”
“Então tá... pode ser.”
— Ele aceitou! – Luffy afirma.
— Beleza, então a gente se encontra lá em casa por volta das oito.
— Você acha que isso vai funcionar mesmo?
— Isso a gente só descobre tentando.
(…)
Enquanto isso, não muito longe dali, outros três amigos também estavam almoçando juntos. Eram Doflamingo, Crocodile e Kaidou, que trabalhavam no mesmo local, e haviam tido um recente confronto com Trafalgar Law.
— O que foi aquilo hoje mais cedo? – Doflamingo pergunta espantado assim que se sentaram à mesa, olhando diretamente para Crocodile.
— Aquilo o quê? – Que tampouco parecia se importar, apenas acendeu mais um de seus charutos. – O lance com o Law?
— É! Antes de você chegar aquele pirralho tava me enchendo o saco, mas foi só você aparecer pra ele ficar todo amedrontado.
— Ele já deve ter ouvido algumas coisas ao meu respeito.
— Você tinha dito que não se conheciam pessoalmente. – Kaidou diz, instigado. – E ele também não sabia quem você era. Por que só o seu nome fez isso com ele?
— O que importa é que eu tenho certeza que ele nunca mais vai pisar na Sweet Piece de novo, então podem ficar despreocupados.
— Ah não, nada disso. – O loiro se zanga. – Eu nunca vi aquele garoto agir daquele jeito, você vai precisar me contar SIM quem é você.
— Senão o quê? – Olha pra ele, retribuindo o olhar zangado com um semblante sério.
— Senão eu vou ter que te demitir.
— Doffy, não diz esse tipo de coisa... – Kaidou murmura.
— Que seja. – Crocodile bufa, tragando seu charuto. – Ele e eu vivemos no mesmo lugar, com a mesma pessoa.
Flashback narrado por Crocodile
Eu nasci em um bairrozinho fútil bem afastado daqui chamado Gray Terminal, conhecido como “cidade sem lei”, onde as leis do resto do país não conseguem chegar. Sempre foi um lugar perigoso, não tinha muitas coisas e as casas eram feitas de madeira, na maior parte.
Minha mãe biológica morreu quando eu tinha quatro. Desde então, meu pai me colocava pra trabalhar na casa dos outros, limpando ou fazendo qualquer tipo de tarefa. Só quando eu completei nove ele se aproveitou do corpo feminino no qual eu nasci e começou a me vender pra uns amigos dele em forma de favores sexuais.
— Volta aqui, DESGRAÇADO! – Mas eu nunca fui uma criança muito comportada, eu costumava arranjar confusão com todos os garotos do bairro e corria atrás deles com um pedaço de cano que eu tinha guardado desde sempre. Na maior parte das vezes eram guris que mexiam comigo por qualquer motivo.
— Corre! – Eles me achavam estranho por não conseguir ficar com as outras garotas e por nunca deixar que ninguém se aproximasse de mim. Foi mais ou menos quando eu comecei a fumar cigarro, achando que aquilo de algum jeito me envelheceria mais ou me traria uma aparência mais masculina.
Meu pai não deixava eu cortar meu cabelo, antigamente ele batia até o final dos meus ombros, mas eu sempre usava roupas mais largas e rasgadas. Ele dizia que meu corpo era estranho e me batia quando eu me sujava de algum jeito ou arrumava alguma briga, mesmo quando a culpa não era minha, porque isso afastava os amigos dele.
Mais ou menos quando eu tinha onze anos eu conheci uma pessoa chamada Ivankov pessoalmente. Claro que eu já tinha ouvido falar, muitas vezes, todo mundo dali a conhecia, ela meio que tomava conta do bairro e quando alguém tinha algum problema, teria que falar diretamente com ela. Eu só ouvia rumores horríveis, meu pai ou outros pais não deixavam ninguém chegar perto dela pra não sofrer nenhum tipo de “influência”, ela tinha algumas casas de prostituição e tomava conta das ruas.
Certo dia, à tarde, eu estava na rua assistindo os garotos jogando bola, quando eu ouço os pais deles gritando pra eles saírem dali. Era Ivankov chegando com Inazuma e umas outras pessoas que eu não conhecia, dizendo que iriam usar a quadra. Eu acabei ficando porque eu não estava com vontade de sair.
— Ei. – Foi quando ela veio falar comigo, eu continuava fumando um charuto e ela me olhou com um pouco de raiva.
— Que foi?
— Não vai correr com os seus amigos e fugir de mim?
— Eles não são meus amigos, e eu também não tenho interesse em fugir de você.
— Hm, pelo visto os seus pais não te ensinaram a ter medo de quem deveria.
— Eu não tenho pais.
— Qual é o seu nome?
— Eu não tenho um nome.
— Que coisa, você não tem nada. – Ivankov se abaixa e me olha mais de perto, segurando meu rosto com as mãos. – E ainda é uma garota estranha.
— Tsc, me solta! – Bati na mão dela. – Não encosta em mim, e eu não sou garota.
— Você é o que então?
— Não te interessa.
— Mas que pirralho mau educado, não tem nome, não tem pais e ainda não sai da quadra quando eu chego. Tem idade pelo menos?
— Não.
— Mesmo não tendo, você é muito jovem pra ficar fumando. – Nisso, ela pega o meu cigarro e joga no chão, pisando em cima dele.
— Hã, por que você fez isso?! – Já ameacei pegar o cano que eu sempre levava comigo pra me defender daquela pessoa, mas ela pouco se importou.
— Não levanta a voz pra mim, garoto! – Como retribuição, ela me deu um tapa no rosto.
— Ai! Que saco, você é horrível. E por que tá me tratando no masculino?
— Ué, você acabou de dizer que não era garota.
— … – Fiquei olhando praquela pessoa, ela tinha um jeito bem diferente de tudo o que eu já tinha visto antes, mas ao contrário do que me diziam, não parecia ruim. – Ei, posso te perguntar uma coisa?
— Você não me responde nada e quer ter a moral de me fazer perguntas?
— É verdade mesmo tudo o que falam de você?
— O que falam de mim?
— Falam que você transforma os homens em mulheres e as mulheres em homens.
— Ah, eles falam isso?
— Ei, Ivankov! — Lá na quadra, enquanto ela conversava comigo, Inazuma gritou. – Vem logo jogar, bixa! Tá esperando o quê?
— Já tô indo! – Exclama, falando comigo depois. – Quer vir jogar basquete com a gente?
— Sério? Não dá, se o meu pai vir isso ele me mata.
— Oh, então você tem pai.
— Mais ou menos...
— Vendo direito você tá meio magrelo demais. – Ela volta a levantar meu queixo pra ver meu rosto. – E a sua pele tá meio verde. Você se alimenta direito?
— Ele diz que eu não coloco dinheiro suficiente dentro de casa e que precisa comer mais porque o corpo dele é maior, então ele só me dá os restos.
— Entendi... você parece um jacarézinho.
— Você acha?
— Mas que seja, vem logo, vamos jogar! – Ela puxa o meu braço e me obriga a levantar, me arrastando pra quadra junto com as outras meninas. – Se o seu pai descobrir pode deixar que eu me viro com ele.
— Ai, você é muito forte e machuca muito!
— Gente, esse é o Crocodile. – E me apresenta pras outras, com um nome que ela mesmo tinha inventado. – Ele vai jogar com a gente a partir de hoje.
— Não era jacaré..?
Desde então eu convivi com Ivan e com as outras escondido do meu pai, até eu completar catorze anos. Ele era um viciado de merda e foi encontrado morto, assassinado, com alguns tiros no corpo despejado na rua, provavelmente pelas mãos de algum traficante.
Eu passei a morar com um cara chamado Smoker que era treze anos mais velho que eu. No começo ele me odiava porque eu era um fardo, ele costumava reclamar bastante da Ivan também e, assim como ela, me obrigava a estudar, mesmo eu dizendo que aquilo não iria me levar a lugar nenhum. Bom, quando eu fiz dezoito eu passei pra uma faculdade com dormitórios no centro do país e morei lá por uns anos até me formar.
Agora, esse tal de Trafalgar eu não cheguei a conhecer. Tudo o que eu sei é que ele se mudou pro Gray Terminal no período em que eu fui morar fora, dos doze anos dele até os dezessete. Eu sei que ele não tinha pais então passou a morar com Ivankov, mas sempre foi um garoto muito enjoado e mimado.
Ele respondia todo mundo e dava muito trabalho, dizia que odiava aquele lugar e que iria sair dali o mais rápido possível, totalmente o oposto de mim. Eu não consigo me acostumar com a vida no centro, então eu voltei pra lá o mais rápido possível. Esse tal de Law, não, eu soube que ele entrou pra medicina e se acha superior por isso, fica tentando apagar a cidade de onde foi criado. Enfim, um mal agradecido.
Fim do Flashback
— Então, isso é tudo o que eu sei. – Crocodile finaliza a história, acendendo outro charuto seu. Doflamingo e Kaidou olhavam pra ele abismados pois nunca imaginariam nada daquilo.
— Nossa. – E em seguida, falam juntos, em uníssono.
— Você teve um passado bem difícil, hein. – Doflamingo diz. – Dá pra imaginar mais ou menos o porquê de você ter tão pulso firme com os alunos.
— Essa pessoa, Ivankov, deve ser bem especial pra você. – Kaidou fala, chorando por dentro por ser sensível demais.
— Eu considero ela como uma madrinha pra mim.
— Mas você ainda não respondeu uma questão. – O loiro volta a indagar. – Por que o Law ficou tão assustado quando soube quem era você?
— Eu já contei muito da minha vida por hoje. – Responde, já cansado. – E você, de onde você conhece o Law?
— É uma longa história...
— A minha também era longa, nem por isso eu deixei de contar.
— Tá. Ele era meu aluno quando ele tinha dezesseis anos, ele ficava dando em cima de mim e praticamente me forçou a começar a ter um caso com ele, dizendo que iria só tirar notas ruins na minha matéria, aí–
— Pera, pera, pera, pera. – Crocodile o interrompeu, um pouco desconfiado. – Foi você? Você foi o professor de matemática que foi demitido por causa dele?
— Huh, como você sabe disso?
— Foi por sua causa que ele foi expulso da casa da Ivan! – Exclama, surpreso.
— Expulso?
— É, ela me contou que o Law fez um professor ser demitido de propósito porque tinha “enjoado” dele. Depois disso ela deu uma surra nele e ficou repetindo “você nunca mais vai fazer isso, você nunca mais vai fazer isso!” e desde então ele saiu de casa e foi morar com alguém no centro.
— O quê? – Doflamingo ficou sem palavras.
— Nossa. – E Kaidou já estava mais assustado do que nunca. – Quantas histórias pesadas envolvendo as mesmas pessoas.
— É sério, ele levou uma surra não só da Ivan, como também das outras meninas. Foi um dia memorável, um pouco antes de eu voltar a morar lá.
— Espera um pouco, você disse... – Donquixote o olha intrigado. – Você disse que ele me fez ser demitido de propósito?
— E não foi o que aconteceu?
— Que eu saiba um professor acabou nos vendo, mas ele não teve nada com isso.
— Não, ele fez com que te pegassem no flagra, depois contou a história com orgulho lá no bairro pra quem quisesse ouvir.
— … – Ficou olhando pra ele, se corroendo de ódio por dentro, mas não conseguindo emitir qualquer tipo de reação.
— Doffy? – O que fez com que Kaidou ficasse preocupado e segurasse no braço dele. – Doffy, fica calmo, conta até dez mentalmente. Essa história já morreu há tempos, é melhor deixar como ficou.
— Eu juro... que eu vou matar esse pirralho filho da mãe desgraçado.
— Se você quiser ajuda. – Crocodile sugere.
— Tsc, vai pro inferno! – E Doflamingo bate com o punho na mesa do restaurante. – Esse tempo todo e foi proposital? Ele fez isso propositalmente?
— Não adianta canalizar a sua raiva na mesa, ela não fez nada contra você! – Kaidou continuava dizendo, com um aspecto de choro, de frente para Doflamingo. – Não faz nada que você saiba que vai se arrepender no futuro, Doffy.
— Ele me fez ser demitido e me sentir um merda por muitos anos, tsc, aquele garoto desgraçado.
— Ai, ai. – Crocodile estica as pernas, deitando na cadeira relaxado. – Até que essa conversa sobre o Law foi boa.
(…)
À tarde, reunidos em uma estrada, dois rapazes trabalhavam em uma oficina. Eram Eustass Kid e Roronoa Zoro, dois amigos que gostavam de conversar enquanto tinham a assídua tarefa de mexerem em carros e engrenagens. Kid havia conversado com Luffy há pouco.
— Cara, o que você acha disso tudo? – Perguntou o ruivo para o de cabelos verdes, querendo algum conselho de fora.
— Bom, eu acho que é muita sacanagem você trair a pessoa com a mesma pessoa que o seu namorado te trai, hahaha.
— Tsc, para de rir, idiota.
— Mas assim até que é melhor, pelo menos vocês não estão se traindo com gente estranha, não é?
— Não faz diferença quem seja, traição é traição.
— Kid, não faz muito sentido você ficar puto com o Luffy quando você fez exatamente a mesma coisa com exatamente a mesma pessoa.
— Que seja, não foi isso que eu te perguntei! Você acha que é uma boa ideia ir encontrar com eles dois na casa do Law?
— O que eu acho é que esse tal de Law é um médico bem... como eu posso dizer? “Receptivo”.
— O que isso quer dizer?
— O que ele quer, afinal? Um namoro triplo?
— Sei lá o que ele quer, eu sei que não existe esse negócio de “namoro triplo”.
— Existir até que existe, tem gente que convive bem com duas pessoas. Bom, eu não tenho nenhuma, então nem dá pra cogitar hipóteses.
— Falando nisso, e o seu “cozinheiro do amor”? – Eustass pergunta com um riso diabólico.
— Que diabos “cozinheiro do amor”? Tá mais pra “cozinheiro do terror”. Ele não fala mais comigo desde que descobriu que eu o puis nessa merda de concurso.
— E o que você pretende fazer quanto a isso?
— O que você pretende fazer quanto o lance do Luffy?
— Eu não sei, acho que eu vou ter que conversar com eles. De qualquer forma eu aceitei mesmo o convite.
— Então eu sei que eu vou precisar fazer o mesmo com o Cook. Não precisa ficar nervoso, Eustass, pelo menos tenta dar uma chance aos dois.
— Eu não sei se consigo.
— Você não vai conseguir se for pra casa do Law já pensando em acabar com tudo.
— Eu vou tentar ser mente aberta, ok?
(…)
Vamos voltar um pouco no tempo. Na hora do almoço do dia anterior, Dragon, pai de Ace, foi até a casa de Shanks conforme havia combinado que faria para conversar sobre a confusão que envolveu seu filho e o professor na casa de Boa Hancock.
Buggy, por ter saído mais cedo da escola, ajudou o amigo o qual dividia o apartamento consigo a se arrumar para receber Dragon e parecer o mais sóbrio possível. Funcionou. Ele também havia preparado alguns croquetes para que ambos dividissem e amenizassem o clima.
Até que Dragon finalmente apareceu, tocando à campainha. O ruivo estava nervoso, mas tentou se acalmar, atendendo à visita e abrindo sua porta com um sorriso saudável e hálito de litros de enxaguante bucal para esconder o cheiro de bebida.
— Oi! Boa tarde.
— Boa tarde. Você é o Shanks, certo?
— Sim, sim, pode entrar.
Ele o guiou, um pouco nervoso, até a mesa de jantar onde Buggy já tinha deixado os petiscos e ficou esperando em seu próprio quarto pelo resultado da conversa.
— Shanks, eu vim aqui principalmente porque o meu filho me pediu pra tentar falar com o diretor pra te colocar de volta como professor. – Dragon começa falando.
— O Ace pediu isso? – E ficou um pouco mais tranquilo ao saber que talvez não levaria tanta bronca como havia pensado.
— Sim, ele pediu, mas eu não posso fazer nada sem tomar conhecimento do que aconteceu. Tudo o que eu sei é que o meu filho vêm sofrendo perseguições naquele colégio por causa dessa história.
— Eu... sinto muito mesmo que tudo isso tenha acontecido. – O ruivo diz, com pesar. – Eu nunca imaginei que o que aconteceu ali fosse tomar esse tipo de rumo, eu não esperava por esse tipo de boato.
— O que aconteceu na festa da Hancock?
— Então, eu encontrei o Sabo, seu outro filho, no quintal da Hancock e ele parecia meio preocupado com alguma coisa. Eu fui perguntar e ele me respondeu dizendo que o Ace havia se trancado no banheiro depois de... enfim, depois de ficar chateado com uma coisa que aconteceu.
— O Marco tinha beijado ele, foi isso? Ele chegou a me contar.
— Sim, os dois tinham bebido um pouco e o Ace foi pro banheiro porque não queria ver o Marco e não queria sair de lá de jeito nenhum, então eu subi as escadas e fui o encontrar. Ele abriu a porta pra mim e eu vi que ele tinha bebido uma garrafa inteira de vodka sozinho.
— Nossa, que perigo.
— Ele tava bem mal, tonto e com enjôo. Eu cheguei a conversar com ele sobre o lance do beijo pra tentar acalmá-lo e dizer que ele não deveria perder a amizade do Marco por causa disso. Depois, ele começou a sentir ânsia de vômito e eu o ajudei a vomitar.
— Foi nessa hora que tiraram as fotos?
— Acho que sim, eu abri um pouco a camisa do Ace porque ele tava suando bastante e o abanei porque ele parecia estar com falta de ar, então eu o ajudei a vomitar. Algum aluno deve ter visto pela abertura da porta e tirado foto pra fazer algum tipo de piada.
— Entendi... foi mais ou menos o que o Ace tinha me contado mesmo.
— Eu sinto muito por ter feito qualquer coisa com o seu filho que tenha gerado algum mal entendido, eu realmente só estava tentando o ajudar a não passar mal, eu fiz o que estava ao meu alcance.
— Eu acredito que você não tenha tido culpa nessa história. Acho que o diretor pensa o mesmo que eu, mas a questão é que os alunos estão comentando sobre e levando como uma brincadeira que realmente aconteceu.
— Tudo o que eu queria é que o Ace não sofresse nenhum tipo de perseguissão por conta dessa história, mesmo que eu não tenha meu emprego. É horrível pensarem esse tipo de coisa de um aluno por minha causa.
— Todos os meus filhos falam bem de você, eu entendo que deva estar sendo dificil conviver com esse peso na cabeça, mas todos me falam a mesma coisa, que você não tem culpa do que aconteceu. E eu confio muito nos meus filhos.
— Dragon, se tiver qualquer coisa que eu possa fazer pra me redimir com você e com o Ace e acabar com toda essa confusão...
— O único modo de isso acontecer é se os próprios alunos pararem de falar sobre. Nem você, nem eu podemos fazer nada estando do lado de fora. Eu vou conversar com o diretor sobre uma atitude que ele deve tomar, de fazer os alunos pararem com isso.
— Eu entendo.
— Bom, acho que eu já disse tudo o que tinha pra dizer.
— Se tiver qualquer coisa que eu possa fazer ou que você queira esclarecer, pode vir falar comigo.
— Tudo bem. – Dragon se levanta, apertando a mão do ruivo. – Obrigado por ter me recebido aqui.
— Imagina! Obrigado a você.
Shanks o leva até a porta e em seguida, solta um suspiro por toda conversa ter dado certo. Ele vai até o quarto de Buggy para contar tudo, e encontra seu amigo de cabelos azuis deitado na cama, lendo um livro qualquer. Sem dizer nada, apenas com um curto sorriso no rosto, ele deita na cama junto com o outro.
— Como foi a conversa? – Que pergunta no mesmo tempo, sendo abraçado pelo peito. – Pelo visto deu tudo certo.
— Foi ótima, o Dragon entendeu meu ponto, ele só estava preocupado com o filho.
— E com razão, pegam muito no pé do Ace lá na escola.
— Buggy. – Shanks levanta a cabeça, continuando deitado e abraçando o corpo do amigo tanto com as mãos, quanto com as pernas, que se entrelaçavam na dele.
— Hm?
— Brigado por ter vindo pra casa mais cedo, você meio que me salvou.
— Eu te salvei mesmo, você precisa dar um jeito nesse lance da bebida.
— Sério, obrigado.
— Eu te conheço desde criança, você sempre foi irresponsável e sempre agiu sem pensar, é o mínimo que eu devo fazer como seu amigo.
Shanks continuou olhando pra ele com um ínfimo sorriso de agradecimento estampado, usando uma de suas mãos para acariciar levemente seu rosto. Buggy retribuía o olhar, também sem dizer nada, apenas pensando em como alguém poderia não ter mudado nada desde quando eram crianças.
Então, depois de alguns minutos se entreolhando, o ruivo parou um pouco de acariciar seu rosto e aproximou o seu do dele, fechando os olhos e trocando um longo beijo com o de cabelos azuis que, assim como antes, retribuiu.
Ambos continuaram com o beijo de língua lento, sem pressa alguma, somente sentindo cada pontinha da boca do outro minuciosamente durante longos minutos que pareciam não mais acabar. Shanks voltou a apoiar sua mão na altura da barriga do outro, com a diferença de adentrar um pouco sua camisa a fim de tocar em sua pele.
— Ei... – Até que Buggy se afastou um pouco, abrindo seus olhos.
— Hm?
— Acho melhor a gente... dar uma saída.
— Você não quer mesmo tentar ficar comigo? – Pergunta, um pouco emburrado.
— A gente já conversou sobre isso...
— Buggy, não dá pra saber se você não gosta de homens se você nunca ficou com um.
— Eu não sei nem se eu quero tentar, principalmente com você.
— Por que principalmente comigo?
— É que eu te conheço desde criança, sei lá... é estranho.
— Mas eu gosto de você.
— Eu sei, mesmo assim, eu não tenho certeza de nada.
— Não precisa levar isso como um pedido de namoro nem nada, só tenta ficar comigo.
— Você acha?
— A não ser que você queira levar como um pedido de namoro.
— Então você quer... namorar comigo? – Perguntou, ainda com um pouco de receio.
— Eu não sei, isso foi um pedido ou uma pergunta?
— Ahn...
— Ei. – Shanks segura na mão dele, voltando a sorrir. – Só esquece o resto, se você não gostar de ficar comigo a gente pode parar.
— Tem certeza disso?
Shanks, como resposta, volta a beijá-lo dessa vez um pouco mais rápido, querendo arrancar por completo o fôlego de Buggy, que retribuía sem hesito. Ele apoiou a mão na cintura do ruivo para continuar o beijo, e Shanks colocou sua mão novamente debaixo da camisa dele, subindo-a um pouco até o próprio Buggy tirá-la.
Em seguida, ele subiu no corpo do de cabelos azuis e começou a beijar seu pescoço, provocando alguns arrepios nele, que retribuiu, abraçando suas costas e fechando seus olhos, também subindo uma de suas pernas para abraçá-lo com ela. Foi quando ambos tiveram sua primeira vez juntos.
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