Verbotene Liebe
22 Paixões Efervescentes
Notas iniciais
A fim de finalmente poderem discutir seus relacionamentos como pessoas civilizadas, sem muitas brigas ou discussões, Luffy e Eustass Kid decidiram que iriam conversar junto com Trafalgar Law na casa do médico, que estava esperando por eles. Era uma noite calma, sem muitos ventos, mas também fresca.
O primeiro a chegar na casa onde ele vivia foi Luffy, vestindo uma camiseta simples azul com uma estampa de tubarão e short jeans. O garoto estava nervoso por não ter exatamente certeza do que aconteceria naquela noite, mas tocou a campainha e foi prontamente atendido.
— Oi, Luffy. – Law, com cabelos bagunçados mostra um sorriso simpático ao atender, com um visual mais despojado. Somente uma camisa larga branca e cueca azul marinho, sem a necessidade de calças. – Chegou cedo.
— Oie! – Cumprimentou de volta, mostrando um sorriso mais largo e descontraído. – O Kid já chegou?
— Ainda não, mas pode entrar, fica à vontade.
O mais jovem entrou e o médico o levou até seu quarto. Sua casa era grande e espaçosa, seu quarto possuía dois colchões, um no chão e outro preso à parede junto a escada, uma tela plana ligada ao computador e uma verdadeira biblioteca de livros. Luffy entrou e os dois se jogaram no colchão comendo alguns salgadinhos que Trafalgar havia deixado ali.
— E aí, como você tá? – Law pergunta, puxando assunto.
— Eu tô bem, não aconteceu nada de importante desde a última vez que nos vimos.
— Não falou com o Kid mais nada?
— Não... eu nem sei se ele vai vir. – Luffy responde sem ânimo. – Já acho muita coisa ele ter aceitado.
— Por quê? Foi um convite de paz, só pra conversarmos, sem grandes intenções.
— Eu sei, mas eu acho que o Kid me odeia agora.
— Que bobagem, eu acho que ele vai vir sim. Você só chegou cedo.
— Você acha mesmo?
— Claro que eu acho. Mas não é só como o Kid se sente que importa, o que você espera dessa conversa?
— Não sei... eu queria continuar ficando com você e com o Kid na verdade.
— Sério?
— Sim, tipo, eu namorava com ele antes de te conhecer, mas nós dois acabamos nos traindo com você. É muito confuso! Só que eu não queria abrir mão de nenhum dos dois.
— Nisso você tem razão, é uma situação bem confusa. – Law solta um riso enquanto comia mais salgadinhos. – Eu nunca vi duas pessoas terem o mesmo amante.
— Pois é! Eu não sei por que o Kid ficou tão chateado. Tipo, é como se duas pessoas que se gostam tivessem que dividir a mesma comida mesmo estando com muita fome e não tendo mais nada pra comer. É chato, mas não é motivo pra brigarem e pararem de se gostar.
— É... eu não sei se esse é um exemplo muito bom, mas...
— Você já namorou alguém, Torao?
— Se eu já namorei alguém? Não, nunca.
— Nem chegou perto de namorar ou teve vontade?
— Nunca tive vontade, nem acho que tenha chegado perto de alguma coisa assim... eu não vejo muito sentido em ter uma relação que te prive de ficar com outras pessoas.
— Então você nunca deve ter sentido ciúmes. Deve ser legal só ficar assim, sem se preocupar com nada.
— Tem suas vantagens.
— Só não sei se o Kid aceitaria.
— É pra isso que eu chamei vocês pra conversarem aqui, né?
— Tomara que dê tudo certo.
— O Kid precisa entender que não adianta nada ficar chateado ou dizer que essa é uma péssima ideia se ele nunca tentou ficar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Você pelo menos disse que vai tentar
— Porque eu gosto do Torao e do Eustass!
— Então é isso que importa.
Enquanto aguardavam pela chegada do ruivo, Law e Luffy continuavam conversando sobre a possível relação que viriam a ter. Já estava ficando tarde, ambos estavam ficando preocupados se ele de fato viria ou se teria desistido da conversa. Entretanto, a campainha logo foi tocada.
— É ele, ele deve ter chegado. – Law levantou-se da cama. – Eu vou lá atender.
— Quer que eu espere aqui?
— Sim, eu já venho com ele, pode deixar.
Trafalgar se levantou e foi até a porta de entrada. Luffy ficou aguardando Kid em seu quarto, preocupado com o rumo daquela conversa. Eustass estava bem atrás dela, igualmente nervoso, mas sem querer transparecer quando viu o dono da casa à sua frente.
— Ahn... oi. – Disse ele acanhadamente, ainda não tendo plena certeza se seria realmente a decisão correta ir até a casa do médico aquela noite.
— Oi! – Trafalgar, por outro lado, sorriu ao vê-lo e soltou um olhar bastante interessado, o qual fez o pobre ruivo relutar um pouco mais para si mesmo. Estava envergonhado, e isso não dava para esconder.
— Então... o Luffy já chegou? – Perguntou, querendo quebrar o clima.
— Chegou sim, tá lá no quarto. Obrigado por vir, Kid, ele estava em dúvida se você realmente viria.
— Verdade? Bom, eu acho injusto não conversar com o Luffy e com você.
— Eu sei, eu nunca tive dúvidas de que você viria. Entra aí!
— O-Ok.
Eustass gaguejou, mas abandonou sua timidez para entrar na casa do médico, a qual percebeu ser realmente grande, digna da profissão do moreno. Ele tentava acalmar as palpitações de seu coração, mas era difícil depois de tudo que havia acontecido. Tanto de seu namorado saber de sua traição quanto dele descobrir que Luffy o traía com a mesma pessoa.
— O Luffy já chegou há muito tempo? – Indagou para puxar assunto, a caminho do cômodo.
— Não, não, vocês dois chegaram bem cedo até.
— Entedi... ele tá muito chateado comigo?
— Chateado? Não mesmo, dá pra ver que ele gosta bastante de você.
— Você acha?
— Eu acho, mas é justo deixar que ele mesmo fale isso pra você.
Os dois já estavam atrás da porta do quarto do médico, e Law finalmente a abriu rapidamente, obrigando Kid a cessar sua timidez. Luffy estava ainda sentado no colchão do dono da casa, e ao ver o namorado, abriu um enorme sorriso alegre, acenando também com os braços.
— Kid!
— Oi, Luffy! – Se sentiu mais calmo ao ver o sorriso do garoto e conseguiu até abrir um sorriso verdadeiro no canto dos lábios. Se aproximou do menor, que se levantou para dar a ele um longo abraço. Law ficou os olhando, já feliz por seu plano estar dando certo.
— Bom, acho melhor eu deixar os dois a sós. – Law diz, preparando-se para sair do quarto.
— Han? Por quê? – Perguntaram Kid e Luffy em uníssono, que não estavam planejando conversar sem a presença do médico.
— Eu vou preparar um lanche pra gente. Além disso, eu acho justo vocês dois conversarem primeiro sem mim. Daqui a pouco eu volto, tá bom?
— Tá...
Law se retirou do cômodo, deixando os dois sozinhos. Luffy e Kid permaneceram alguns segundos em silêncio mútuo, por não saberem o que dizer um para o outro e nem como puxar o assunto, apesar de ambos terem ciência de que precisavam conversar. Foi quando os dois tentaram quebrar o clima.
— Então, como você tá?
— Mas e aí, como é que vai?
E quando perceberam que tentaram perguntar a mesma coisa ao mesmo tempo, ficaram ainda mais encabulados e novamente o silêncio chegou.
— Luffy, eu vou ser bem direto. – Kid aprendeu que não iria adiantar nada esperar mais para discutirem a relação e falou de modo sério, atitude que deixou Luffy ansioso.
— O que é..?
— Eu... queria te pedir desculpas por ter mentido pra você.
— Ahn, sério?
— Sim, quer dizer... – Eustass estava tentando buscar palavras mais fáceis pra dizer. – Quer dizer, eu sei que eu menti pra você e isso foi errado, então eu peço perdão.
— Mas eu também errei com você. Quer dizer, eu fiquei com o Torao mais de uma vez e tudo mais.
— Eu sei. Nós dois erramos, eu acho.
— É, então desculpa.
— Tá bom. Eu tô tentando não ficar tão irritado quanto a isso por ter feito a mesma coisa com você.
— Kid, eu acho que a gente deveria tentar esquecer tudo isso. Eu ainda gosto de você!
— Eu também ainda gosto de você, Luffy.
— Então a gente ainda pode namorar?
— Não sei. Quer dizer, você ainda pretende continuar com o Law?
— Como assim?
— Quer dizer, sei lá. Eu acho melhor a gente tentar esquecer ele, nós dois, e continuar a ficar juntos como antes.
— Mas... – Luffy fica relutante, e desvia o olhar.
— Mas o quê?
— É que eu também gosto do Torao.
— Você gosta dele? Tipo, mais do que você gosta de mim?
— Não sei, eu acho que eu gosto dos dois do mesmo jeito.
— Não, isso é impossível. Não dá pra gostar de duas pessoas da mesma forma, principalmente quando uma delas é seu namorado.
— Então você não gosta do Torao?
— Eu não tenho certeza se eu confio naquele cara, na verdade... – Diz, um pouco baixo, sussurrando.
— Sério?
— Tá, não vou mentir, eu até gosto dele um pouco, mas é diferente. Luffy, eu queria ficar com você e não ter ninguém pra atrapalhar.
— O Torao não quer atrapalhar a gente, eu já conversei com ele sobre isso.
— Como assim? Você quer continuar namorando comigo e saindo com ele, é isso?
— Kid, pra falar a verdade eu quero ficar com você e com o Torao ao mesmo tempo!
Luffy fala isso com muita determinação, tanto que deixa Eustass de olhos arregalados e sem fala. A única coisa que o ruivo conseguia proferir depois disso, foi um simples:
— Que.
— Você entendeu. – Responde Luffy mais tranquilo, fazendo beicinho. – Eu quero continuar com o Torao e com você.
— Tipo, ao mesmo...
— Ao mesmo tempo. Sim.
— Eu não sei se...
— Kid, eu acho que a gente deveria fazer um menáge.
— Hm...
Eustass ainda estava raciocinando o que aquelas palavras tão diretas poderiam significar, até que entrou em um pânico internamente. Seu cérebro apenas ficava repetindo as palavras “Menáge, menáge, menáge” dentro de sua cabeça, com a mesma voz doce e infantil de seu namorado, em conjunto com seus grandes olhos pedintes.
— Voltei! – Eis que, antes de conseguir completar seu raciocínio, Trafalgar abre a porta do quarto segurando uma panela cheia de brigadeiro.
Com o rosto completamente vermelho e quase em estado febril, Eustass tem um surto de pânico! O ruivo, ainda em choque com as palavras do namorado, se levanta do colchão e sai correndo atrás de Law. Quando chega na frente do médico, segura em seus dois braços de maneira muito forte e olha diretamente para seus olhos, deixando Trafalgar também em pânico.
— E-E-Eu preciso falar com você! – Kid exclama, praticamente cuspindo na face do outro.
— T-Tá bom. – Que responde sem pensar.
O de cabelos vermelhos, então, puxa Law para fora do quarto e bate a porta com força. Para alguns segundos a fim de conseguir amenizar sua respiração, enquanto o médico calmamente começa a comer o brigadeiro sem maiores preocupações, não demonstrando muito interesse pelo surto alheio e esperando que o outro começasse a falar.
— Ahn, eu, ér... ahn... assim...
— Hm. – Law estava calmo como sempre, com uma colher repleta de brigadeiro entre os lábios.
— O Luffy, ahn...
— Hm..?
— O Luffy quer um menáge. – Kid enfim consegue falar o mais rápido possível para sua voz não falhar.
— Hm. – Entretanto, Law continuava a demonstrar que não entendia o motivo do surto.
— Você não vai dizer nada?
— O quê, é por isso que você tá assim?
— Você não acha que é um motivo mais do que suficiente?
— Kid, quantos anos você tem? Parece que é a primeira vez que escuta essa palavra. Fica calmo, não é como se o Luffy confessasse que é um assassino ou qualquer outra coisa chocante.
— Hã? Não fala assim comigo, a culpa de tudo isso acontecer é toda sua! – Exclama.
— Minha culpa?
— Se você não tivesse aparecido eu e o Luffy estaríamos bem e ele não estaria dizendo coisas assustadoras.
— Ah tá, e eu coloquei um revólver na cabeça dos dois e os obriguei a dormirem comigo.
— Não foi isso que eu quis dizer! Argh, você nunca namorou então não tem como você entender.
— E você nunca fez um menáge, então não tem como você entender. Você ao menos já pensou em fazer um?
— Já, mas eu cheguei a conclusão de que não é pra mim.
— E por quê?
— Porque eu prefiro fazer a dois.
— Eu sei que parece ser uma coisa muito grande, mas menáge não é tãão diferente assim. É só o dobro de prazer.
— Não acho que seja por aí...
— Kid, o Luffy gosta de você e de mim. Você também gosta. Ou não?
— Eu gosto do Luffy, mas, sei lá, é diferente... você é diferente. Com você é diferente.
— Por que precisa ser diferente?
— Eu não sei, eu só não consigo! Eu não quero ver o Luffy ficando com você. Desculpa por ser ciumento, eu sei que isso pra você é idiotice, mas eu não consigo.
— Idiotice pra mim é você ficar tirando conclusões sem nunca ter nem experimentado. Por que você não tenta? Se estiver ruim é só dizer pra parar.
— Tá, mas e depois disso? Você vai continuar ficando com ele?
— Você não consegue nem pensar na probabilidade de namorar com comigo e com ele ao mesmo tempo, né?
— Tipo... um namoro triplo?
— É praticamente o que tínhamos os três antes, só que dessa vez com todo mundo sabendo o que o outro faz.
— E como seria isso? Tipo um namoro normal?
— Ao invés de ficar tentando pensar em como seria, eu acho que você deveria tentar deixar fluir. Foi por isso que você aceitou o meu convite de vir conversar, não foi?
— Não sei...
— Então vem cá, vamos só acabar com isso de uma vez.
Law segura a mão do ruivo e abre a porta de seu quarto, onde Luffy estava novamente sentado no colchão. Kid estava mais calmo, mas ainda não sabia direito como reagir. Ele e o médico apenas sentaram ao lado do moreno, que ficou os olhando.
— Luffy, quer um pouco? – Law oferece ao garoto a panela de brigadeiro, botando-a no colo dele.
— Oba! Quero sim!
— Pode ficar.
Quando o garoto começou a comer o que estava no recipiente, Law soltou um olhar para Kid e aproximou uma de suas mãos até a face do ruivo devagar, puxando-a para perto dele a fim de que seus lábios se encontrassem. Eustass tentou reagir, não deixando se guiar pela mão do médico, mas era tarde. Trafalgar e o ruivo acabaram se beijando na frente de Luffy.
Os olhos do mais velhos estavam cerrados e ele tentava com todas as forças se obrigar a prosseguir com o beijo, até que seus movimentos foram ficando mais leves à medida que a língua do moreno invadia sua boca. Quando Law finalmente conseguiu acalmá-lo, o beijo de ambos foi se naturalizando.
Luffy assistia os dois se beijarem enquanto comia o brigadeiro. Estranhou, de primeira, por não estar acostumado a ver seu namorado trocando carícias com outra pessoa, mas com o tempo foi achando bem interessante a imagem. Kid continuou a beijar Law de língua, explorando a boca do parceiro em frente ao namorado, ainda ansioso, porém mais calmo.
Quando enfim se separaram, o médico pôde olhar para ele com um ar de vitória de malícia ao mesmo tempo, sorrindo traiçoeiramente.
— Preciso perguntar como se sente? – Indagou em modo promíscuo, não necessitando uma resposta.
— … idiota. – Respondeu, com bochechas tão vermelhas quanto seu cabelo.
— Agora, se me permite.
Juntos, Trafalgar aproveita e se vira na direção de Luffy, deixando a panela de lado para também beijá-lo só que desta vez na frente de Eustass. O garoto, ao contrário do namorado, permitiu o beijo logo no início e cruzou sua língua com gosto de chocolate junto com a de Law.
O outro ficou receoso em assistir e se recusou nos primeiros segundos a ver fechando os olhos, mas, ao obrigar a si mesmo a olhar, foi os abrindo devagar. No começo sentiu uma pontada de ciúmes em seu peito e teve vontade de separá-los, porém tentava tanto se acostumar quanto a ver o lado excitante daquilo.
— Viu? Nem foi tão ruim assim. – Ao finalizarem, Law fala olhando para Kid, que estava menos corado.
— Tá... nem tanto, eu admito.
— Kid, você não quer nem tentar ficar com a gente? – Dessa vez foi o garoto quem perguntou, tirando a concentração do ruivo.
— O único modo de descobrir isso é tentando.
Law falou e tomou uma atitude final, segurando a cabeça de ambos e as trazendo para perto de si até ficarem colados. Logo, o médico juntou os três lábios e colocou a língua para fora, proporcionando um beijo triplo entre Eustass, ele e Luffy.
Teve uma rápida resposta. O beijo continuou sem problemas e intensificava-se cada vez mais, com rápidos movimentos entre os lábios. Eustass beijou Law e teve seu pescoço beijado por Luffy também, que em seguida, juntou-se novamente com o médico e deixou que Kid desse pequenas mordidas na orelha do dono do quarto.
Trocaram ferozmente mais um beijo triplo e Law apoiou as mãos no peito de cada um deles, acariciando-os por cima da roupa. Segurou e tocou os mamilos de Luffy assim como os de Eustass, provocando ambos para tornar o toque com os lábios ainda mais excitante. Luffy foi o primeiro a reagir, abraçando a cintura de seu namorado e de Law.
Quando sentiu Eustass ficar mais decidido a continuar, o jovem médico de cabelos negros o deitou no colchão de seu quarto e começou a beijá-lo, adentrando sua camisa com as mãos e buscando por seus mamilos. Law não demorou para arrancar sua camisa preta, o deixando de torso nu frente a Luffy, que os observava.
— Luffy, pega o brigadeiro pra mim? – Pediu, sentando atrás de Kid e segurando seus braços para que ele não saísse do lugar. – Acho que alguém ainda não provou ele.
— Assim?
Luffy trouxe a panela contendo o brigadeiro e sentou-se com Eustass entre suas pernas, de frente para ele, mostrando um sorriso malicioso. Trafalgar concedeu com a cabeça e o mais jovem sujou o peito de seu namorado com o chocolate, provocando alguns choques térmicos em Kid, que estava fervendo de tão quente.
— Isso, agora chupa...
Novamente, o garoto obedeceu o dono da casa e começou a passar a língua aonde o chocolate havia sujado, chupando completamente o torso do ruivo, que reagiu instantaneamente.
— Aahn.. Luffy...
Trafalgar segurou o rosto de Eustass e voltou a beijá-lo enquanto Luffy continuava a comer o chocolate no corpo do mais velho. Dava para perceber que, à medida que os lábios do garoto beliscavam e davam pequenas chupadas por seu peito, Kid ficav mais confiante em continuar e até mesmo levemente excitado.
Um curto volume em suas calças começou a se formar quando o chapéu de palha pressionou suas mãos contra a calça dele imitando movimentos de masturbação ao mesmo tempo em que se deliciava com o brigadeiro. Law também não ficou parado; elevou as mãos de Kid até sua própria cueca azul marinho e continuava a o beijar.
— Ahm..nm.. vocês... – Levemente, o de cabelos vermelhos abre um pouco os olhos, tendo a visão de Luffy mordendo seu mamilo e contornando o torso com os lábios. – Assim eu vou ficar todo sujo...
— Então nós vamos ter que te limpar. – Respondeu o médico, ainda segurando os punhos de Kid em sua calça. – Não é mesmo, Luffy?
— Claro...
— E você ainda não se acalmou totalmente. – Law começa a massagear os ombros de Kid junto com seu pescoço, lugar onde dava alguns leves chupões e dizia próximo a seus ouvidos. – Acho que alguém precisa de um banho.
— Sim, também acho! – Exclamou Luffy, parando o que estava fazendo e se levantando.
O jovem adolescente já segurava as mãos de Kid e o levantava, o levando depressa para o banheiro que era logo ao lado do quarto. Law apenas continuava junto com eles, apoiando suas mãos no ombro de Kid, que estava sendo praticamente empurrado às pressas.
Eles entraram e Law fechou a porta, vendo Luffy começar a se despir com animação. Kid se encontrava parado, com seu membro fazendo um volume notável dentro da cueca, observando o púbere. Devido a excitação, não demorou muito para que Luffy ficasse completamente despido.
— Kid, você não vai tirar sua roupa? – Law indagou, com um sorriso invasivo.
— Por que não vem tirar, se é tão bom nisso? – Retrucou com um olhar desafiador, provocando-o.
— Achei que nunca fosse pedir. – Law mordeu seu lábio inferior e apoiou as mãos no peito dele, tornando o espaço entre eles quase extinto e, por fim, o empurrou delicadamente para dentro do Box, onde, ainda olhando diretamente para seus olhos, abriu o botão de sua calça.
Luffy, que estava tocando seu membro ao observar os dois rapazes interajindo, também entrou no box, que não era tão grande, mas possuía um espaço suficiente, e ficou ao lado do outro moreno, também deliciando-se com a imagem de seu namorado de torso nu.
— Luffy, vem me ajudar. – Law deu um beijo em Kid e colocou a mão somente um pouco dentro da calça dele.
O mais novo obedeceu e prontamente se ajoelhou, abrindo o zíper e terminando de tirar a calça jeans e a cueca ao mesmo tempo. Devido sua ereção, o pênis do ruivo saltou rapidamente para fora da roupa íntima e Law deu uma afiada olhada no corpo do outro, mordiscando seu próprio lábio inferior.
— Seus... – Kid estava começando a realmente ficar excitado com o toque e desejo de ambos, mas ainda tentava relutar nem que fosse um pouco.
O menino que se encontrava ajoelhado no piso do banheiro colocou o rosto entre os pelos pubianos do de cabelos vermelhos, sugando com seu nariz o cheiro de sua genitália, odor que o excitava ainda mais. Ele logo voltou a ficar de pé e agarrou tanto a cintura de Kid quanto a de Law, juntando-os em mais um beijo triplo. As línguas dos três se encontravam e suas salivas eram compartilhadas, murmúrios eram ouvidos entre esse beijo e Kid era o único com os olhos entreabertos. Luffy, como era baixinho, precisava se levantar mais um pouco com a ajuda de seus pés.
— Viu? Não está sendo tão ruim assim. – Law sorria vitorioso, agarrando o membro do ruivo e o masturbando pela glande. – Agora vamos ao banho.
O dono da casa finalmente ligou a água e não esperou-a esquentar; tratou de colocar rapidamente Kid debaixo dela. Em resposta, o ruivo jogou seus cabelos para trás e usou seus olhos âmbar, levemente avermelhados, na direção do médico, segurando com força a cintura dele.
A água começava a cair pelo corpo definido do homem que trabalhava numa oficina e tanto Law como Luffy aproveitaram para descer e voltarem a se ajoelhar no chão. Trafalgar encontrou o membro de Eustass com os lábios e rodopiou sua língua pela glande do mais velho, enquanto o mais novo concentrava-se nas partes baixas, chupando entorno dos testículos de Kid.
Eustass apoiou as mãos na cabeça de Luffy e passou seus dedos pelos fios macios do cabelo do moreno, entrelaçando-as ao mesmo passo em que Law trocou de lugar com ele e foi chupando o corpo de Kid até chegar aos seus testículos. A cabeça do garoto foi forçada a engolir o membro já rígido do namorado até o começo de sua garganta, quase até engasgar.
Não demorou para que os gemidos começassem a fugir dos lábios de Kid, que continuava a segurar o rosto de Luffy, o forçando a chupá-lo. Law por diversas vezes encontrou os lábios do mais novo, trocando beijos com ele e deliciando-se junto à glande que continuava a ser sugada até quase não aguentar mais.
— Hnnf... A-Ah... – Com aquele misto de prazer, Kid fechou os olhos e abriu sua boca deixando vários murmúrios saírem.
Trafalgar interrompeu o que estava fazendo e voltou a subir junto com Luffy, encontrando os lábios de Kid, que agora tocava seu corpo e o beijava com muito mais intensidade e de modo muito mais ágil, praticamente arrancando pedaços da pele do outro.
O chapéu de palha pegou um sabonete líquido que havia achado no box. Law estava debaixo d'água e Eustass agarrava seus glúteos, quase o levantando de tanto o beijar ao mesmo passo que o médico arranhava as costas do parceiro. Ao se separarem, notaram a presença de Luffy, que ía para o meio deles.
— Hora do banho. – Disse o mais jovem, derramando o sabonete pelo torso do namorado, este que percorreu todo seu corpo musculoso e o banhou.
Os três começaram a se ensaboar e as espumas estavam aparecendo nos corpos deles. Luffy entrou de vez no meio dos dois e estava sendo totalmente atacado, ora beijava o Kid e em troca recebia uma deliciosa masturbação, ora estava sendo roçado pelo membro de Law e massageado por suas mãos habilidosas.
— A-A-Ah... – A boca de Luffy sussurrava gemidos, pois Kid estava devorando-o com o a língua.
Law se abaixou e começou a dar chupões no pescoço do mais novo enquanto ajudava o ruivo na masturbação. A água do chuveiro batia naqueles corpos cheios de espuma e preenchia as bocas de Kid e Luffy, quando havia pausas nos beijos.
— Já podemos ir para a cama? – Kid cessou aquele delicioso beijo e o “tratamento” que estava dando no Luffy.
— Ah, quer dizer que agora tem alguém apressado, hein. – Law murmura irônico, olhando fixamente na direção de seus olhos.
— Hmpf... vamos logo. – Retrucou, sem querer dar o braço a torcer.
Os três terminaram de se lavar, retirando toda aquela espuma do corpo e tomando uma última ducha em conjunto. Depois, o médico e Luffy saíram primeiro e se enxugaram com uma toalha, indo direto para o quarto e posteriormente para o colchão, deixando o ruivo sozinho no banheiro.
Ao chegarem no cômodo, Law jogou Luffy em sua cama e deitou-se por cima dele. Em resposta, o adolescente entrelaçou suas pernas no mais velho e os dois iniciaram uma série de beijos carregados de prazer e excitação. Luffy ia sendo devorado pelo moreno, e desceu suas mãos pelas costas tatuadas do médico, chegando aos glúteos dele e dando um forte aperto misturado com um tapa.
— Ah... Torao... – O moreno estava mordendo o pescoço dele e os ombros.
— Gostoso. – Quem deu um tapa agora foi o Law, ao virar Luffy e deixá-lo por debaixo de seu corpo, atingindo sua bunda até deixar sua pele levemente marcada. Enchia-o de marcas e chupões.
Por quanto os dois rapazes continuavam sozinhos, Kid estava pensativo no banheiro, secando-se e olhando-se no espelho. Estava quieto no ambiente, mas sua mente se encontrava cheia de pensamentos. Ele conseguia ouvir os dois no outro cômodo, e ficava repetindo para si mesmo que deveria parar de se preocupar e aproveitar a noite, tal como o médico havia sugerido.
Ele finalmente saiu do banheiro e retornou para o quarto, onde viu os dois atracando-se. Apenas encarou por um tempo e ficou excitado relembrando das relações sexuais que tivera com ambos. Nunca na vida ele havia pensado que um dia... transaria com os dois ao mesmo tempo.
— Não fique aí parado feito idiota. – Law parou de beijar o garoto quando notou a presença do outro e seduziu-o com suas palavras.
Kid se posicionou no colchão e segurou nos ombros do moreno mais velho, que havia se agachado e estava de costas para ele. Ficou olhando para as tatuagens que Law possuía, as quais inicialmente pareciam bem estranhas para um médico ter, mas que agora faziam mais sentido. Eustass começou a arranhar as costas dele por todo contorno. Logo que terminou, puxou o cabelo do médico e o obrigou a virar-se de lado para o beijar.
— Hmff... está muito violento, ruivinho. – Law murmurou algumas risadinhas.
— Cala boca e volta a me chupar. – Respondeu, com semblante já farto de tesão e corpo quente, nem conseguindo respirar direito pelo nariz.
Ele estava de joelhos na cama e Law mudou também sua posição, ficando de quatro e de frente para o membro ereto do ruivo, começando a chupar sua glande e engolir sua genitália, rodando a língua pelos freios do pênis. Kid soltou um longo gemido abafado graças a ele.
Luffy não ficou separado de ambos. Também estava de joelhos na cama, porém, atrás do outro moreno, tendo uma visão privilegiada de suas partes traseiras. Não pensou duas vezes, posicionou-se bem e arranhou os glúteos de Law, trazendo seus lábios para mais perto e dando mordidas enquanto o outro chupava seu namorado.
Não demorou muito para o chapéu de palha começar a lamber a região da entrada do médico, dando algumas cuspidas pelo entorno. Eustass tinha seu membro engolido pelos lábios quentes e molhados de Trafalgar, mas estranhou ver Luffy, o qual jugava errôneamente como submisso, daquele jeito.
— Luffy...?— Kid murmurou o nome do garoto, estava confuso com aquela situação. – “Ele vai ser o ativo? Como assim?” – Pensou.
Os três estavam focados no que estavam fazendo. O médico não deixava de acariciar o corpo do ruivo enquanto estava lambendo o membro dele, Luffy dava alguns arranhões e cuspidas na bunda de Law e o Eustass mordia o seu lábio inferior fechando os seus olhos e puxando o cabelo do moreno, demonstrando todo o seu prazer em gemidos e murmúrios.
— Luffy... me fode logo. – Assim que terminou de falar, Kid empurrou a cabeça de Law de volta para o “trabalho” dele.
Primeiro, o jovem inseriu dois dedos no interior do médico que soltou um leve murmúrio. Ele também já não aguentava mais esperar e pretendia foder o médico o mais rápido que pudesse. Kid deu uma leve corada e ainda estava chocado, nunca tinha visto o Luffy daquele jeito, mas estava ficando verdadeiramente excitado.
Segurou seu membro já ereto e o bateu contra a entrada de Law antes de fazer qualquer coisa. Começou, em seguida devagarzinho, sem pressa, até seu pênis estar totalmente dentro do moreno tatuado que imediatamente soltou a genitália de Eustass e deu um longo gemido, como se todo o seu corpo tivesse levado um choque.
— A-Ah... Luffy... se move, com força...
— Umh... Pode deixar. – Luffy segurou com força nos quadris do médico e iniciou estocadas mais rápidas.
Trafalgar ainda tentava chupar o parceiro enquanto era penetrado, mas os movimentos de estocada faziam praticamente sua face engolir o membro do ruivo involuntariamente. Kid o auxiliou, segurando seu rosto e colocando a genitália na boca do médico.
— Aahn.. – Os gemidos saíam da boca do menor com facilidade, e ele ia aumentando a velocidade da penetração.
(…)
Zoro P.O.V
Faz uns três dias desde que o maldito cozinheiro descobriu que eu o inscrevi em uma competição sem que ele soubesse. Desde isso, ele simplesmente decidiu que não iria mais falar comigo. Nada, nem uma palavra. Como se o que eu tivesse feito fosse uma coisa ruim, tsc.
Que saco. Eu praticamente sou obrigado a aturá-lo já que moramos juntos. Eu, ele e a namorada dele. Como se já não fosse chato o suficiente, é pior ainda quando você é tratado como se não existisse. Argh, não que eu faça questão de falar com esse idiota, mas isso já é ridículo.
Já é hora do jantar. Geralmente ele fazia toda comida e colocava os pratos pra nós três. Agora ele só coloca pra Nami. Que ódio, nunca tinha visto tamanha imaturidade em uma pessoa só, mas que seja, eu não preciso dele. Eu posso pegar meu próprio prato.
A ruivinha também já percebeu que isso é idiotice. Eu sei que ela já tentou conversar com ele, mas tenho a impressão de que esse bunda mole é tão mente fechada que nunca vai conseguir entender. A mesa fica em silêncio, Nami fica tentando puxar assunto e ele insiste em fingir que eu não existo.
— E então, como foi o dia de vocês? – Ela perguntou, sorrindo, esperando que começassemos a falar alguma coisa.
Eu sentava de frente para ele na mesa e de vez em quando acabávamos trocando olhares. Era insuportável. Me olhava com asco nos olhos e comia me encarando como se afirmasse o quanto eu era dispensável ali. Argh, eu nunca mais tento ajudar alguém assim.
— Rapazes..?
— Hun? – Ele parou de me encarar e olhou para Nami. – Disse alguma coisa?
— Nã, eu só... tinha perguntando como tinha sido o dia de vocês.
— O meu foi normal. – Respondi antes que o cook falasse alguma coisa. – Mas eu provavelmente vou ter uma carga maior de trabalho nos próximos dias.
— Jura? Você foi promovido?
— Não, o meu salário vai continuar o mesmo.
— Então por que isso?
— Arh, o dono de lá é meu amigo, mas às vezes ele sai mais cedo e deixa as coisas na minha mão por conta de uns problemas aí.
— Eh, que injusto. Você não pode deixar ele te usar mesmo sendo seu amigo, Zoro.
— Nah, tudo bem, eu não tenho nada melhor pra fazer mesmo. O Eustass faria o mesmo por mim.
— E você, Sanji? – Nami se vira pra ele, puxando assunto. – Como foi o seu dia?
— … – Antes de responder, ele voltou a me encarar enquanto comia com a mesma raiva nos olhos.
Chegava a ser patético. Aquele maldito loiro guardava um rancor imenso de mim e tudo o que eu fiz foi inscrevê-lo num maldito competição. Tsc... que droga. Nunca nos demos bem, disso eu sei, mas isso já é um saco!
Ele fica me encarando com aqueles olhos azuis, bem diretamente pros meus, como se estivesse me desafiando ou vomitando em cima de mim com o olhar. Eu retribuía, transpassando todo o meu ódio e devolvendo o dele. “É assim que você agradece quem tenta te ajudar? Merda.” Era o que eu pensava.
— Sanji..?
E ficava me encarando, como se não se cansasse, ou como um aviso pra eu fazer logo as minhas malas e ir embora dali. Eu não suporto esse cara, definitivamente, e também não tenho motivo nenhum pra suportar, tirando o fato de eu ainda dividir o mesmo apartamento que ele.
— Acabei meu jantar.
Depois que ele acabou de comer, tudo o que fez foi se levantar e ir lavar seu prato, ignorando tanto a minha presença quanto até a de sua própria namorada. Imprestável, depois não sabe porque eu o chamo de imaturo. Pelo menos a ruivinha, nesse ponto, me entende perfeitamente.
— Quanto tempo mais você acha que o Sanji vai continuar assim? – Ela me perguntou, quando ele se enfiou lá no quarto.
— Não sei, não me importo. – Respondi, olhando pra minha comida.
— Não diz isso, é claro que se importa... pelo menos você tem que se importar.
— Por que eu me importaria?
— Porque vocês são amigos, não são?
— Hã? – Indaguei, quase engasgo com a comida de tanto susto que levei com essa frase. – Como assim “amigos”? Eu nunca fui amigo desse cara, nem ele o meu.
— Ah, vai, vocês ficaram bem amigos depois do acampamento, eu até estranhei! De qualquer maneira você tem que me ajudar a trazer o Sanji de volta.
— E como você espera que eu faça isso?
— Tenta falar com ele, não sei.
— Falar com ele? Você deve ter ficado louca.
— Sei lá, faz alguma coisa! Eu acho que ele quer que você vá procurá-lo.
— Ele quer que eu vá procurá-lo? Ele acha que eu arruinei a vida dele, ele não quer nem ver a minha sombra.
— O Sanji só tá inseguro por causa da competição, mas você sabe tão bem quanto eu que ele queria sim concorrer.
— Bom, se ele queria concorrer agora é a chance dele. Eu não tenho mais nada pra fazer.
— Mas Zoro...
— Nami, eu entendo que você esteja preocupada, mas eu não posso fazer nada se esse idiota não reconhece suas habilidades.
Me levantei também, deixando o meu prato na pia e indo ao banheiro escovar meus dentes. Por um lado eu confesso que tinha uma mínima vontade de ir conversar com esse imprestável, mas por outro... aff. Ele não merece o meu desgaste.
Curioso a Nami ter dito que começamos a nos tornar amigos desde o acampamento. De fato, nunca tínhamos nos falado direito até esse dia surgir. Era como se começamos já como inimigos, sem um motivo específico, e que isso estava mudando. Mas realmente, eu não sei o que deu na minha cabeça, não dá pra ser qualquer coisa desse cozinheiro. Nada. Não vale a pena.
Ele tem esse maldito sonho de merda de ser o melhor cozinheiro do mundo e de ser reconhecido pelo seu talento, e dá pra ver na droga dos olhos dele o quanto ele gostaria de participar dessa competição. Então por que ele simplesmente não me agradece?! Se não tivesse sido por mim, ele não estaria inscrito pra competir!
Argh, e é assim que ele me agradece. Covarde maldito, babaca. Se ele ficou tão chateado em ser inscrito então ele que falte no competição! Ninguém nem vai se lembrar dele, que diferença faz? Eu não deveria nem estar perdendo meu tempo pensando nisso. Esse cara tá perdendo muito mais do que eu.
Pra piorar são três da manhã e eu não consigo dormir de jeito nenhum. Já deitei na cama de diferenças maneiras e nada, nada mesmo. Minha cabeça tá ocupada demais, eu não consigo parar de pensar nessa merda da competição. Que droga... por que aquele ero-cook me deixou tão preocupado?
Vim deitar no sofá porque já não aguentava mais meu quarto. Me sentia muito abafado, pelo menos aqui na sala o vento corre mais depressa. Está tudo escuro, provavelmente aqueles dois idiotas estão dormindo e eu aqui ainda... com insônia. Tendo que acordar cedo amanhã. Que maravilha, desse jeito não vou conseguir ir pra minha caminhada matinal.
— …
Ouvi um barulho de porta se abrindo, em seguida, passos. Estava escuro então não dava pra saber quem era, mas agora eu sei que pelo menos eu não sou o único acordado essa hora. Onde eu estava continuava sem luz, por tanto não dava pra perceber minha presença, mas a cozinha ficou acesa.
Olhei por acima do sofá, ainda com os olhos ardendo graças à insônia, e pude ver um pequeno ponto borrado amarelo abrindo a geladeira para pegar um copo d'água. Deve ser o Cook, provavelmente é por isso que eu não consegui dormir. Parece que ele me assombra até acordado.
— Já não passou da sua hora de dormir?
Me aproximei e disse atrás dele, sem que o cook notasse minha presença. Ele não foi capaz de dizer nada, mas seu corpo tremeu com o susto que ele havia levado e seu copo acabou caindo na pia. Mesmo assim, ele continuou de costas pra mim, como se quisesse me mandar embora dali. Mas continuei parado onde estava.
As mãos dele seguravam na pia bruscamente e ele a encarava, olhando diretamente para baixo, aguardando ouvir meus passos se afastando. Não movi um músculo, apenas fiquei de braços cruzados aguardando uma resposta verbal. Até parece que ia deixar que ele me tratasse assim na minha própria casa. Não mesmo.
— O que é que você quer..? — Ele perguntou tão baixo que pareceu um milagre eu ter conseguido ouvir. Mesmo assim, dava pra ver a quantidade de ódio e rancor na frase.
— Eu quero que você se vire e olhe pra mim. Pode ser?
— … – Ele segurou ainda mais forte na pia e olhou lentamente pro lado. Não chegava nem perto de conseguir olhar pra mim. Continuei atrás dele, de braços cruzados, esperando uma resposta de verdade.
— Eu tenho a noite toda, cook.
— Vai embora. – Falou seco, sem vida.
— Eu já disse que eu não vou até você virar pra mim.
— Tsc. Tá, que seja! – Exclamou em voz alta e se virou pra mim, finalmente, se debruçando na pia e me encarando com ódio. – Pronto! O que é que você quer?
— Como assim “o que eu quero”? É você quem tem que me dizer o que quer.
— Hã? Do que é que você–
— Você praticamente me implora pra te ajudar a vencer o seu medo e ir participar dessa merda da competição pra depois ficar putinho comigo! – O interrompi, falando em voz alta. – Qual é a sua, hein?
— Oi? Eu nunca te pedi uma coisa assim!
— Óbvio que não me pediu, você nem precisou pedir! Naquele dia você veio conversar comigo dizendo que tinha medo de entrar nessa competição porque a maldita que vai julgar a competição é alguém que te xingou a anos atrás. Isso não é implorar? Dava pra ver o quanto você queria entrar nisso!
— É lógico que eu queria entrar no competição, idiota! É o sonho de todo cozinheiro!
— Então qual é a porra do problema? Se não fosse por mim você não estaria inscrito, então de nada!
— TODO problema! Eu querer entrar não significa que eu possa entrar. Você ficou maluco? Eu conheço essa mulher, ela me conhece, ela vai me humilhar na frente de todo mundo mais uma vez.
— Sanji, essa mulher não conhece você. Você acha que ela vai se lembrar de uma criança que ela destruiu os sonhos há séculos? Pra ela você deve ter sido insignificante!
— Ah, e você acha que isso vai me ajudar? Cabeção.
— Eu só tô falando que não importa o que ela tenha dito no passado. Você é uma pessoa diferente agora, você sabe cozinhar melhor do que sabia naquela época, então é tudo novo! É como se nada daquilo tivesse acontecido.
— É? Mas aconteceu, e quer saber? Eu não quero passar por aquilo de novo. Eu me recuso.
— Ótimo, então eu vou usar o seu nome e entrar nessa competição de merda.
— Hã?!
— Não ouviu? Se você não quiser, ótimo, que seja, eu mesmo participo!
— Ficou maluco? Você pelo menos sabe cozinhar?
— Não.
— Então como você quer entrar em uma competição desses?!
— É uma vaga concorrida, seria um desperdício você não ir, então deixa que eu vou no seu lugar.
— Ficou maluco? Você vai sujar o meu nome mundialmente.
— É? Que pena, porque se você não for, nem um nome pra ser sujo você vai ter.
— Tsc, como você é irritante. Tá na cara que você não conhece as dimensões dessa competição.
— Ótimo, então me explica. Você tá com medo de levar um fora, mas você já pensou no que poderia acontecer se você for?
— Eu posso ser humilhado na frente de todo mundo mais uma vez.
— Não, você pode deixar de trabalhar numa merda de uma lanchonete cuja única pessoa que te conhece é um desempregado de quarenta anos que vai lá todo dia pra tomar café e chorar, pra ser o Chefe de cozinha de um restaurante cinco estrelas.
— O Shanks não tem quarenta anos, eu acho.
— Quer saber? Faz o que você quiser, fica putinho comigo, deixa de ir na competição, na feira, que seja, eu não me importo. Mas saiba que você vai se arrepender disso. Pode não ser hoje ou amanhã, mas você vai se arrepender de estar jogando essa chance no lixo.
— Eu não preciso que você me diga isso, a até pouco tempo atrás você e eu nunca nem tínhamos conversado direito.
— … – Olhei direto em seus olhos, ele estava fraquejando e olhou para o lado, desviando o olhar.
— O que foi..?
— Talvez tivesse sido melhor se nunca tivéssemos mesmo nos falado.
Virei de costas. Não queria mais vê-lo, pra mim, ele não passava de um ingrato. Não existem motivos pra gastar minha saliva com quem tem esse nível de teimosia. Simplesmente comecei a andar na direção do meu quarto, pra logo ir embora dali.
— Tsc, você é mesmo um sem noção.
— Hã?
Porém, enquanto eu ia embora, acabei ouvindo que ele tinha sussurrado alguma coisa. Me virei e ele estava parado no mesmo lugar, debruçado na pia, olhando pra mim com olhos de ódio semiabertos, praticamente debochando de mim. Como se não bastasse, ele resmungou pela boca e deu às costas, indo para seu quarto.
— O que foi que você disse? – Até parece que eu ia deixá-lo zombar de mim assim. Fui andando com passos apressados até ele e ele parou de se mexer, até que eu o prendesse entre os braços na bancada da cozinha e o encarasse.
— Você ouviu muito bem o que eu disse.
— Então repete olhando na minha cara.
— Qual é o seu problema?! – Exclamou de novo, praticamente gritando. – Que saco, se você quer jogar na minha cara que eu sou um covarde de merda, então joga logo! Para de ficar dando uma de bom moço!
— Eu não quero dar uma de nada!
— Então me deixa em paz! – Falava rápido, e alto. – Eu nunca te pedi pra me inscrever em merda de competição nenhuma, eu nunca te pedi pra se meter na minha vida e nem nunca te pedi pra começar a me dar conselhos! Que saco!
— Ótimo, então eu nunca mais falo com você! É isso que você quer? Eu não me importo!
— Não, não é isso!
— Hã? Então é o quê?
— É que... ARGH! Você é muito chato, só me deixa em paz! – Ele começou a empurrar o meu peito para que eu o deixasse passar, eu estava o prendendo entre meus braços ainda.
— Eu não vou te deixar sair daqui antes que você diga tudo o que você quiser dizer na minha cara!
— Eu não vou dizer nada, você não pode me obrigar! Me deixa passar!
— Não!
— Vá se foder, seu marimo de merda! Por que é que você se importa tanto assim? E nem vem dizer que não se importa, se isso fosse verdade não teria motivos pra você estar enchendo tanto o meu saco com essa merda de competição!
— Você já pensou que talvez não fosse a competição? Você ser um cozinheiro famoso ou um merda qualquer não vai fazer diferença nenhuma pra mim, você ainda vai continuar cozinhando nessa casa de qualquer jeito!
— Então o que é?!
— É que se você não for por medo, eu sei que você vai se arrepender e eu não quero te ver andando triste por essa casa nem por lugar nenhum!
— … – Ele começou a fraquejar, dava pra ver que queria me xingar de todos os modos possíveis, mas as palavras não saiam por sua boca de tão engasgadas que estavam.
— Então não me culpa por ter ido te inscrever, que droga, eu só queria que você fosse reconhecido pela merda de talento que você tem!
— Que saco... – Rangeu os dentes como se estivesse perto de gritar, até mesmo tremia um pouco. – Não era pra você estar dizendo isso, não você...
— Hã? O que tem de mais em eu te dizer isso?
— O que tem de errado é que é VOCÊ! Não era pra eu ouvir isso de VOCÊ!
Ele começou a me empurrar e mostrou um semblante de ódio maior ainda, como se finalmente estivesse jogando tudo contra mim.
— Hãa? Ei, calma aí!
— O que é que VOCÊ sabe? Você não sabe nada de mim, você sequer gosta de mim! Você é só um marimo inútil que fica o dia todo bebendo cerveja e não dá a mínima pra nada ao seu redor! – Enquanto gritava comigo, praticamente cuspindo, continuava a me empurrar.
— Para de falar isso, que merda, eu não sou assim!
— Você é SIM! Você me perturba, me xinga, faz tudo contra mim pra depois vir com esse papo de moralmente corretor, de autoajuda, como se tudo o que eu precisasse fazer fosse ir nessa merda de competição e ganhar! Assim, como se fosse fácil e simples!
— Mas É fácil e simples! Você que tá dificultando tudo e colocando a culpa em mim!
— CALA BOCA! Se eu coloco a culpa em você, é porque a culpa É SUA! Se você não tivesse me inscrito, como eu ia me arrepender? Eu não ia fazer nada, nunca ia perder, nunca seria humilhado, NADA! Nem estaria acordado essa hora pensando nisso!
— Ah tá, e a culpa de você não seguir os seus sonhos é minha? Você tinha é que se ajoelhar aqui e me agradecer por is–
— VAI À MERDA! – Ele me empurrou ainda mais forte, e gritou mais alto do que eu estava gritando. – Você nunca vai entender como é ter os seus sonhos destruídos assim! Nunca, nunca, nunca! Você não tem objetivo nenhum e nem ninguém pra competir contra você!
— É você que não conhece a minha vida! Quem é que disse que eu não tenho?
— A culpa é toda SUA! INTROMETIDO! – Cerrava os olhos de tanto ódio. – PARA DE CUIDAR DA MINHA VIDA! – E continuava me empurrando.
— Ei, ei, calma! – Eu era obrigado a andar pra trás graças a isso, quase tropeço no chão. – Cala boca e me escuta!
— Eu não tenho NADA pra ouvir de você! Eu não quero saber o que você acha de mim, se você acha que eu sou um covarde, EU NÃO LIGO! EU NÃO ME IMPORTO COM O QUÊ–
Eu sabia que ele estava nervoso, dava pra ver no jeito com que ele me olhava. Não de hoje, nem de ontem, mas a semana inteira. Eu sei que ele só está me usando pra descontar todo esse nervosismo em alguém, pra mostrar o quanto isso tudo é importante pra ele. Eu sei disso, eu sei de tudo isso, então como eu poderia não tê-lo inscrito? Que droga.
Agi por impulso, não dava mais pra aguentá-lo gritando desse jeito comigo. Segurei o rosto dele e o trouxe pra perto do meu, desequilibrando-o. O calei com um beijo que durou bastante, o suficiente para que eu sentisse todo seu nervosismo temporário ir embora.
Ele não conseguia se mexer, apenas seguir meus lábios e me deixá-lo guiar. Mesmo eu estando de olhos fechados, sabia muito bem que ele me olhava com espanto e não entendia aquele ato, mas não podia largá-lo naquela hora. Tinha que esperá-lo cair em si.
Comecei a sentir o corpo dele reagindo, as mãos dele começaram a me empurrar primeiro devagar, depois com vontade, até que Sanji me jogasse pra longe e se livrasse de mim. Daí eu consegui abrir os olhos, o pânico era refletido perfeitamente no brilho azul dos dele,
e foi transmitido até mim através de um enorme tapa no rosto.
— Ai!
— O qu... voc...
O maldito cook me olhou com os lábios trêmulos e não conseguiu proferir mais nenhuma palavra, ou sequer uma completa. A visão que eu tive dele fez o impacto do tapa sumir, seus olhos brilhavam de um jeito estranho, era como se ele fosse chorar, mas parecia confuso.
Até que antes de eu poder dizer alguma coisa, ele simplesmente deu de costas e saiu correndo de perto de mim, rumo ao seu quarto, onde fechou a porta com força. Eu não saberia o que falar no dia seguinte ou onde enfiar minha cara depois disso, mas o que foi feito, estava feito.
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